Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Candeia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Candeia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Caixa 'Sou mais o samba' junta três álbuns e duas coletâneas de Candeia

No primeiro semestre de 2011, o selo carioca Discobertas repôs em catálogo, em edições em CD vendidas de forma avulsa, os três primeiros álbuns do cantor e compositor carioca Antonio Candeia Filho (1935 - 1978), um dos pilares do samba do Rio de Janeiro. Decorridos três anos, os álbuns Candeia (Equipe, 1970), Seguinte...: raiz (Equipe, 1971) e Samba de roda (Tapecar, 1975) voltam ao mercado fonográfico embalados na caixa Sou mais o samba, produzida pelo pesquisador e produtor musical Marcelo Fróes para seu selo Discobertas e posta no mercado neste mês de dezembro de 2014. Além dos três álbuns, a caixa embala duas coletâneas sobre a obra de Candeia. Uma delas, Raridades, compila fonogramas avulsos da discografia do sambista. Entre gravações feitas pelo artista como integrante do grupo Partido em 5, os destaques são Samba da tendinha (Candeia) e O último bloco (Candeia), faixas extraídas do compacto simples lançado por Candeia em 1972 na gravadora Equipe. A outra coletânea, Candeia - O compositor, reúne registros do cancioneiro de Candeia nas vozes de intérpretes como Elizeth Cardoso (1920 - 1990) (Minhas madrugadas, parceria de Candeia com Paulinho da Viola), Elza Soares (A flor e o samba), Osvaldo Nunes (1930 - 1991 (Parece mandinga, samba de Candeia com Nunes) e Zaira (Felicidade é ser gente), entre raras gravações de grupos como Mensageiros do Samba da Portela.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Com os pés no chão, Teresa canta Candeia no Rio sob a luz da inspiração

Resenha de show
Título: Teresa Cristina canta Candeia
Artista: Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de novembro de 2013
Cotação: * * * *

Anunciado por Teresa Cristina em 2011, o projeto de dedicar um disco aos sambas do compositor carioca Antonio Candeia Filho (17 de agosto de 1935 - 16 de novembro de 1978) começou a ganhar forma concreta no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 5 de novembro de 2013, com a estreia nacional do show Teresa Cristina canta Candeia.  Parafraseando versos de Nova escola (Candeia, 1977), primeira das 31 músicas do roteiro, foi com o coração e com os pés literalmente no chão do palco do Theatro Net Rio que a cantora e compositora carioca reverenciou seu antepassado musical sob a luz da inspiração e sob a direção musical de Paulo Sete Cordas. Sem inventar moda que poderia tirar o foco da gênese da obra de Candeia, Teresa mostrou as várias faces do repertório deste compositor politizado cujo cancioneiro exalou orgulho negro, denunciou injustiças sociais, celebrou o próprio samba e falou de amor com lirismo, atravessando gerações como um dos mais valiosos tesouros do samba. Em vez de enfileirar sucessos, a cantora se permitiu até ignorar alguns deles - como Amor não é brinquedo (Candeia e Martinho da Vila, 1978), Filosofia do samba (Candeia, 1971) e Pintura sem arte (Candeia, 1978) - para dar voz a pérolas pescadas no baú. Somente os mais fervorosos admiradores de Candeia conheciam, por exemplo, o magoado samba Foi ela (Candeia, 1966), gravado pelo compositor em já raríssimo disco feito como integrante do grupo Os Mensageiros do Samba. Na companhia de oito músicos e de três vocalistas, que em sambas como Luz da inspiração (1975) remeteram ao canto d'As Gatas (grupo feminino bastante recrutado na década de 70 para gravar vocais em discos de samba), Teresa saudou Clara Nunes (1942 - 1983) - cantora mineira que lançou Anjo moreno (Candeia) em disco de 1972 - e celebrou a escola de samba Portela em bloco que aglutinou temas como Vem pra Portela (samba de Candeia e Coringa que somente em 1998 ganhou registro em disco), Samba na tendinha (Candeia, 1971) e Já clareou (Dewett Cardoso, 1975), capazes de animar qualquer quadra ou terreiro. Já a nostalgia contida no samba intitulado justamente Saudade (Candeia e Arthur Poener, 1972) exemplifica o lirismo que pautou boa parte da obra de Candeia em harmonia com uma consciência social que pregava a força da raça além do Carnaval (Dia de graça, Candeia, 1969) ao mesmo tempo em que denunciava crises sócio-econômicas em sambas como O invocado, que, embora seja da lavra de Otto Enrique Trepte, o Casquinha, ganhou a voz engajada de Candeia no antológico álbum Axé! Gente amiga do samba (1978). Teresa harmoniza todas essas faces da obra de Candeia sem sair do seu tom - o que torna o show linear lá pelo meio, quando entram em cena os sambas Sorriso antigo (Candeia e Aldecy, 1970) - mais associado ao cantor paulista Noite Ilustrada (1928 - 2003) do que ao próprio Candeia - e Me alucina (Candeia e Wilson Moreira, 1977). Mais festivas, Vai pro lado de lá (Candeia e Euclenes Rosa, 1971), Lá vai viola (Candeia, 1972) e Peixeiro grã-fino (Candeia e Bretas, 1978) animam a cena e lembram no roteiro o fato de Candeia ter sido partideiro de altíssimo poder de improviso, um batuqueiro capaz de compor afro-sambas como Zé Tambozeiro (Tambor de Angola) - parceria com Candinho, de 1978 - e um jongo vivaz como Sinhá dona da casa (Candeia e Celso Cardoso, 1974), um dos pontos altos do show e veículo para apresentação da banda formada por virtuoses como o cavaquinista João Calado e o percussionista Mestre Trambique. No fim, antes do bis em que Teresa e músicos fizeram O mar serenou (Candeia, 1975) de improviso, Testamento de partideiro (Candeia, 1975) ratificou a certeza de que Teresa Cristina é legítima herdeira do legado de Antonio Candeia Filho, ainda que a cantora já mostre - em shows e discos feitos sob a mesma luz da inspiração que a ilumina na ode a Candeia - que o seu universo musical já extrapola o terreirão do samba.

Teresa é mensageira da paz do samba social de Candeia em show no Rio

Antes de cantar Camafeu, samba que o compositor Martinho da Vila lançou em LP de 1971 e que Antonio Candeia Filho (17 de agosto de 1935 - 16 de novembro de 1978) regravou em 1975 em disco voltado para o samba de roda, Teresa Cristina fez questão de dizer ao seu pai - Seu Lula, presente na plateia do Theatro Net Rio na noite de ontem, 5 de novembro de 2013 - que, sim, sempre gostou da obra de Candeia, um dos pilares do samba. É que - como a cantora carioca acabara de contara ao público que assistiu à estreia nacional do show Teresa Cristina canta Candeia no Rio de Janeiro (RJ) - a artista tomou contato com a obra de Candeia através de seu pai numa época em que, adolescente, fingia que não gostava de ouvir os sambas do compositor carioca, elegendo os hits da disco music como a trilha sonora de seus embalos noturnos da década de 70. Decorridos cerca de 35 anos, Teresa - já com 15 anos de carreira e já reconhecida como uma das vozes do samba - celebra o legado de Candeia em show que dá origem ao seu projeto fonográfico de dedicar um disco, previsto para 204, aos sambas do compositor. "Esperei 15 anos para fazer esse show", contabilizou a cantora já no fim do roteiro em que foi a mensageira da paz do samba social de Candeia, dando voz a raridades da musicografia do compositor - como o magoado samba Foi ela, registrado por Candeia em 1966 no raríssimo disco que gravou com o grupo Os Mensageiros do Samba - e a sucessos como Preciso me encontrar (1976) sob a direção musical de Paulão Sete Cordas, maestro dos oito músicos e das três vocalistas. Eis o (nada óbvio) roteiro seguido pela cantora - em foto de Rodrigo Amaral - em 5 de novembro de 2013 na estreia nacional de Teresa Cristina canta Candeia, excelente show encerrado com improvisação de O mar serenou (Candeia, 1975), sucesso de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora que deu sua voz luminosa a vários sambas de Antonio Candeia Filho, um partideiro de alta patente na hierarquia do samba:

1. Nova escola (Candeia, 1977)
2. Luz da inspiração (Candeia, 1975)
3. Anjo moreno (Candeia, 1971)
4. De qualquer maneira (Candeia, 1971)
5. Saudade (Candeia e Arthur Poerner, 1972)
6. Foi ela (Candeia, 1966) /
7. Lenço Branco (Claudemiro José Rodrigues, o Picolino da Portela, 1966)
    - Samba gravado por Candeia no LP do grupo Os Mensageiros do Samba
8. Esta melodia (Bubu da Portela e Jamelão, 1959)
    - Samba gravado por Candeia no LP do grupo Os Mensageiros do Samba
9. Vem pra Portela (Candeia e Coringa, 1998) /
    - Samba gravado pela primeira vez em disco no tributo Candeia - Eterna chama (1998)
10. Samba na tendinha (Candeia, 1971)
11. Já clareou (Dewett Cardoso, 1975)
    - Samba gravado por Candeia no disco Candeia, samba de rosa (1975)
12. Meu trabalho (Alvaiade e Alberto Maia, 1947) /
13. O invocado (Casquinha, 1978) /
      - Samba gravado por Candeia no disco Axé! Gente amiga do samba (1978)
14. Dia a dia (Candeia e Jaime R. F. dos Santos, 1980)
15. Vai pro lado de lá (Candeia e Euclenes Rosa, 1971)
16. Lá vai viola (Candeia, 1972)
17. A paz do coração (Candeia e Casquinha, 1970)
18. Tantos recados (Candeia e Casquinha, 2001)
      - Samba gravado pela primeira vez em disco no álbum Casquinha da Portela (2001)
19. Sorriso antigo (Candeia e Aldecy, 1970)
20. Me alucina (Candeia e Wilson Moreira, 1977)
21. Zé Tambozeiro (Candeia e Vandinho, 1978)
22. Camafeu (Martinho da Vila, 1971)
      - Samba gravado por Candeia no disco Candeia, samba de roda (1975)
23. Sinhá dona da casa (Candeia e Celso Cardoso, 1974)
24. Gamação (Candeia, 1978)
25. Peixeiro grã-fino (Candeia e Bretas, 1978)
26. Ouço uma voz (Candeia e Nelson Amorim, 1978)
27. Vem amenizar (Candeia e Waldir 59, 1978)
28. Testamento de partideiro (Candeia, 1975)
Bis:
29. Preciso me encontrar (Candeia, 1976)
30. Dia de graça (Candeia, 1969)
31. O mar serenou (Candeia, 1975)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Teresa vai realçar tom afro da obra de Candeia em CD sobre compositor

Anunciado por Teresa Cristina em 2011, o projeto de gravar um disco com músicas de Candeia (1935 - 1978) jamais foi abandonado pela cantora por conta de ter feito com o grupo Os Outros o CD em que dá voz ao repertório de Roberto Carlos. Teresa ainda pretende gravar o álbum. A ideia é realçar o tom afro da obra do compositor carioca, um dos pilares do samba. Sinhá Dona da Casa - parceria de Candeia com Netinho, lançada pelo compositor em LP de 1975 - é uma das músicas cogitadas por Teresa para o disco, sem data para ser concretizado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Zeca canta Candeia com Marisa,Yamandu e Hamilton em gravação no Rio

Vinte e quatro anos após ter dado voz a um dos sambas mais bonitos de Candeia (1935 - 1978), Preciso me Encontrar, em seu primeiro disco (gravado ao vivo em 1988 e lançado em janeiro de 1989), Marisa Monte voltou a gravar o samba. Revivido com a adesão da voz de Marisa, do violão de Yamandu Costa e do bandolim de Hamilton de Holanda, Preciso me Encontrar foi um dos números do segundo e último dia de gravação do CD e DVD Multishow ao Vivo - Zeca Pagodinho 30 anos - Vida que Segue. A gravação aconteceu nas noites de anteontem e ontem, 4 e 5 de dezembro de 2012, no estúdio Frank Acker, no Pólo de Cinema & Vídeo, no Rio de Janeiro (RJ). Além de Marisa Monte (vista com o anfitrião na foto extraída da página oficial de Zeca Pagodinho no Facebook), o cantor carioca recebeu convidados como Leandro Sapucahy (em Batuque na Cozinha,  samba de João da Bahiana, conhecido na gravação feita por Martinho da Vila em 1972), Paulinho da Viola (em Foi Um Rio que Passou na Minha Vida, sucesso de Paulinho em 1970, regravado em Zeca Pagodinho 30 anos - Vida que Segue com a adesão de Monarco) e Roberto Menescal. O DVD sairá em 2013.

sábado, 1 de setembro de 2012

Arlindo lança 'Batuques do Meu Lugar' com tributos a Candeia e a Vila

A Sony Music põe nas lojas neste mês de setembro de 2012, nos formatos de CD e DVD, o terceiro registro audiovisual de show de Arlindo Cruz. Gravado em 6 de junho em apresentação do cantor e compositor carioca no Terreirão do Samba, espaço carnavalesco situado no Centro do Rio de Janeiro (RJ), Batuques do Meu Lugar ao Vivo alinha convidados como Alcione (no samba romântico Quando Falo de Amor), Caetano Veloso (em Trilha do Amor, sucesso na gravação do Grupo Revelação), Marcelo D2, Rogê, Seu Jorge, Sombrinha e Zeca Pagodinho (em Samba É Saúde). Ao longo do show, estruturado em cinco quadros pelo diretor Túlio Feliciano, Arlindo celebra Candeia (1935 - 1978) - lendário sambista carioca que o introduziu na arte do Partido Alto - e Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008). De Candeia, Arlindo reabre Testamento de Partideiro. Do repertório de Luiz Carlos Vila, o anfitrião revive O Show Tem que Continuar - parceria dos dois compositores - e apresenta samba inédito composto com Claudio Jorge que inclui verso escrito por Vila. O roteiro inclui Da Música, lembrança da época em que Arlindo fazia dupla com seu parceiro Sombrinha. Além do show captado no Terreirão do Samba, o DVD Batuques do Meu Lugar ao Vivo exibe também imagens gravadas na quadra da escola de samba carioca Império Serrano, em Madureira, o lugar de Arlindo Cruz.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Voz do samba paulista, Graça Braga celebra o carioca Candeia em disco

Voz potente do samba paulistano, egressa do Samba da Vela, a cantora Graça Braga celebra o compositor Candeia (1935 - 1978) - um dos ícones do samba carioca - em seu segundo CD solo, produzido por Thiago Marques Luiz para a gravadora Lua Music sob a direção musical do arranjador Everson Pessoa, do grupo Quinteto em Branco e Preto. Com lançamento previsto para outubro de 2011, o sucessor de Eu Sou Brasil (2009) tem participações de Leci Brandão e Marcos Sacramento. Leci figura no samba De Qualquer Maneira (Candeia). Sacramento é o convidado de Coisas Banais (Candeia e Paulinho da Viola). A seleção de Graça coincide algumas vezes com o repertório escolhido por Teresa Cristina para ser cantado no seu atual show, base de seu próximo disco, também dedicado a Candeia. Eis as 14 faixas do tributo de Graça Braga:

1. Dia de Graça (Candeia)
2. O Último Bloco (Candeia)
3. Minha Gente do Morro (Candeia e Jaime)
4. De Qualquer Maneira (Candeia) - com Leci Brandão
5. Pintura sem Arte (Candeia)
6. Coisas Banais (Candeia e Paulinho da Viola) - com Marcos Sacramento
7. Sorriso Antigo (Candeia e Aldecy)
8. Cabocla Jurema (Candeia)
9. Era Quase Madrugada (Candeia)
10. Acalentava (Candeia)
11. Me Alucina (Candeia e Wilson Moreira)
12. Criança Louca (Candeia)
13. Paixão Segundo Eu (Candeia)
14. Brinde ao Cansaço (Candeia)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Feitos entre 1970 e 1975, três primeiros discos de Candeia voltam à cena

Embora tenha começado a compor nos anos 50, Antonio Candeia Filho (1935 - 1978) somente estreou em disco em 1970, incentivado por Paulinho da Viola. Lançados originalmente entre 1970 e 1975, os três primeiros títulos da discografia de Candeia estão sendo reeditados pelo selo Discobertas neste mês de junho de 2011. Os dois primeiros - Candeia (1970) e Seguinte...: Raiz (1971) - foram feitos pela extinta gravadora Equipe, cujas masters estão atualmente em poder da empresa Audiobox. O terceiro, Samba de Roda (1975), foi lançado pela também extinta gravadora Tapecar. Os três são títulos essenciais em qualquer antologia do samba gravado na década de 70. Candeia trouxe no repertório Dia de Graça - exemplo da ideologia de um compositor negro de aguçada consciência social que não negou a raça - e Coisas Banais, parceria de Paulinho da Viola com Candeia. Seguinte...: Raiz seguiu a mesma linha musical e ideológica, com composições como Filosofia do Samba, Quarto Escuro, Saudação a Toco Preto e Minhas Madrugadas (outra parceria de Candeia com Paulinho da Viola). Já Samba de Roda primou pela diversidade rítmica, tendo apresentado jongos, pontos de capoeira, choro-canção, maculelê e, claro, samba de roda - como explicita Paulinho da Viola no texto que escreveu para o encarte do álbum. Temas como Alegria Perdida, parceria de Candeia com Wilson Moreira, são exemplos do tom melancólico que pautou boa parte da obra do compositor após 1965, ano em que ficou preso à cadeira de rodas por conta de cinco tiros levados em briga de trânsito. As reedições reproduzem as capas e contracapas originais.