Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


domingo, 25 de novembro de 2012

Fora de época, 'Forró do Boca' arma o 'arraiá' do 'Novo Baiano' Paulinho

Resenha de CD
Título: Forró do Boca
Artista: Paulinho Boca de Cantor
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * 

Álbum lançado em escala nacional pela gravadora Biscoito Fino neste mês de novembro de 2012, Forró do Boca arma - fora de época - o arraiá de Paulinho Boca de Cantor, integrante do lendário grupo Novos Baianos. O disco revolve os sons da memória afetiva do artista, baiano nascido na interiorana Santa Inês, cidade que sempre celebrou as festas juninas ao som de sucessos de pilares musicais da Nação Nordestina como Luiz Gonzaga (1912 - 1989) e Jackson do Pandeiro (1919 - 1982). Boca não é cantor arretado e tampouco construiu expressiva obra como compositor dentro e fora do grupo Novos Baianos. Mesmo assim, investe em cancioneiro majoritariamente autoral neste Forró do Boca, CD em que o ritmo mais recorrente é o xote. O mais sedutor é o Xote Cardiovascular,  parceria de Boca com Carlinhos Vergueiro e Carlinhos Marques que receita cuidados com a saúde - com humor e sem perda da vivacidade rítmica. Outros, caso em especial de Seu Preconceito, logo evidenciam o fôlego curto da inspiração do compositor, parceiro de Luiz Caldas no tema que versa sobre o preconceito contra os gays com graça que inexiste no ritmo e na melodia do xote. Caldas, a propósito, entra em cena para saudar com Boca o centenário de Gonzagão, eterno Rei do Baião, celebrado com alegria em Se Seu Luiz Tivesse Vivo. Linear, Forró do Boca alinha também parcerias de Paulinho com o compositor baiano Jair Luz, coautor de Se Tiver Forró e Meu Bem, Só Bem me Faz, xote de cadência mais romântica, entre outros temas. Pot-pourris de cocos, galopes e arrasta-pés até tentam animar a festa. Contudo, o Forró do Bocresulta sem pegada no mais da vezes. Pena!

sábado, 24 de novembro de 2012

Bennett acena para mercado latino em 'Viva Duets', CD de menor fluência

Resenha de CD / DVD
Título: Viva Duets
Artista: Tony Bennett e convidados
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 1/2

Há duas razões para que Tony Bennet tenha engatado um terceiro projeto fonográfico de duetos na sequência imediata de Duets II (2011). Uma é a visibilidade mundial alcançada pelo projeto anterior por conta de Duets II trazer a última gravação oficial de Amy Winehouse (1983 - 2011). Outra é a força já consolidada do mercado latino formado pelos países de língua hispânica. É para esse rentável mercado que Viva Duets acena com edição dupla que inclui DVD com o registro audiovisual de 11 dos 15 dos duetos. Infelizmente, o terceiro título da trilogia - iniciada em 2006 com a edição do álbum Duets: An American Classic - tem menor fluência do que seus dois antecessores. Até pelo fato de quase todos os cantores de origem latinoamericana escalados para Viva Duets interpretarem suas respectivas partes na língua de seus países. Sim, definitivamente standards como The Way You Look Tonight (Jerome Kern e Dorothy Fields, 1961) - revivido por Bennett com a cantora e atriz mexicana Thalia - soam com mais fluência no seu idioma original. Tanto que um dos destaques do álbum é o dueto do cantor com a norte-americana Christina Aguilera (descendente de pai equatoriano) em Steppin' Out With My Baby (Irving Berlin, 1948), faixa jazzy cantada em inglês e ambientada em clima vintage que evoca os cabarés da primeira metade do Século XX. Musicalmente, Viva Duets segue o tradicional padrão orquestral dos álbuns de Bennett, cuja voz ainda soa elegante, embora já tenha perdido naturalmente parte do viço e da extensão por conta dos 86 anos do artista. Contudo, é estranho ouvir um tema como The Best Is Yet to Come (Cy Coleman e Carolyn Leigh, 1959) - associado a Frank Sinatra (1915 - 1998) - ser cantado em espanhol na versão defendida pelo cantor Chayanne, astro pop de Porto Rico. A opção por verter a maioria dos standards para o idioma  do país do solista convidado empana o brilho dos duetos de Bennet com Ana Carolina e Maria Gadú, representantes do Brasil (consta que Bennett tentou em vão Roberto Carlos e que a gravadora Sony Music tentou em vão inserir Alexandre Pires no elenco de Viva Duets). Com Gadú, Bennett regrava Blue Velvet (Bernie Wayne e Lee Morris, 1950) - tema popularizado no Brasil ao dar título ao filme cult Veludo Azul (1986) - em gravação orquestrada com cordas, dentro da atmosfera clássica que pauta o disco. "De veludo azul, mais que o azul do seu olhar / A tua boca a suspirar... / ... / De veludo azul, se revestiu meu coração", canta Gadú em português alienígeno e em tom etéreo, nuance de gravação que também tem versos inglês entoados pela cantora brasileira. Com resultado simular, o dueto com Ana Carolina em The Very Thought of You (Ray Noble, 1934) também está aclimatado em ambiência íntima e classuda. Em tom aveludado e contido, sem seus habituais arroubos vocais, Ana dá voz a versos como "Eu vivo assim / Sempre a sonhar assim / Feliz, eu estou enfim / Parece só ilusão / Mas é muito para mim", vertidos para o português pela própria compositora mineira. A elegância dos arranjos de Viva Duets - que junta Bennet à cubana Gloria Estefan em Who Can I Turn To (When Nobody Needs Me) (Anthony Newley e Leslie Bricusse, 1964) e ao dominicano Juan Luis Guerra em Just in Time (Jule Styne, Betty Comden e Adolph Green, 1956) - dá unidade ao disco, mas também faz com que o álbum transcorra linear, previsível, e sem o brilho dos dois volumes anteriores e sem o peso do próprio mercado latino que Bennet corteja ao se conectar com esses astros hispânicos.

'Red' realça o colorido cada vez mais pop do country emocional de Swift

Resenha de CD
Título: Red
Artista: Taylor Swift
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

Blockbuster no mercado fonográfico norte-americano, tendo vendido 1 milhão e 208 mil cópias nos Estados Unidos somente na primeira semana de lançamento, o quarto álbum de estúdio de Taylor Swift, Red, talvez obtenha no Brasil repercussão maior do que seus três antecessores pelo fato de o dueto da artista norte-americana com Paula Fernandes em Long Live ter posto a cantora de country em evidência no mercado nacional  no início deste ano de 2012. Com munição forte para manter Swift no topo das paradas dos EUA, o sucessor de Speak Now (2010) realça o crescente colorido pop do diluído country da artista. Músicas como State of Grace (Taylor Swift) e Red (Taylor Swift) gravitam em torno do universo do rock. Já 22 (Taylor Swift, Max Martin e Shellback) exalta a vida com jovialidade e com a tonalidade eletrônica que imprime cor relativamente nova no som da cantora. Outra parceria de Taylor Swift com os produtores Max Martin e Shellback, I Knew You Were Trouble confirma a intenção da cantora de se jogar (até certo ponto) na pista do dubstep. No mais, Red segue os padrões do country cada vez mais pop de Taylor Swift com direito a baladas de caráter emocional como All To Well (Taylor Swift e Liz Rose) e I Almost Do (Taylor Swift). Alvo de manchetes nos tabloides e na mídia das celebridades por conta de seus relacionamentos amorosos, Taylor Swift desfia seu rosário de mágoas e júbilos amorosos ao longo das 16 músicas de Red. Afinal, todo mundo sabe que We Are Never Ever Getting Back Together (Taylor Swift, Max Martin e Shellback) - faixa pop que exemplifica a habilidade da artista de criar músicas pegajosas - é recado incisivo dirigido ao ator norte-americano Jake Gyllenhaal, ex-namorado da cantora. Dores de amores à parte, a moldura instrumental de uma ou outra faixa - como a sedutora Stay Stay Stay (Taylor Swift) - lembra por vezes em Red a origem country do som da artista. Fora do universo pop radiofônico, o dueto de Taylor Swift com Gary Lightbody - na melancólica balada The Last Time, coescrita pelo cantor do grupo Snow Patrol em parceria com Swift e com Jacknife Lee -  se impõe como um dos pontos altos do (longo) álbum, cuja Deluxe Edition adiciona mais seis faixas às 16 da edição standard, entre inéditas como The Moment I Knew e registros alternativos de temas do CD 1, caso de Treacherous, parceria de Swift com Dan Wilson, ouvida em gravação embrionária no CD 2. O belo dueto da cantora com Lightbody sinaliza que o som de Taylor Swift em Red ganha cores mais vivas quando acrescido de tons menos padronizados.

Bruna Caram cresce no tom 'bluesy' do CD 'Será bem vindo qualquer sorriso'

Resenha de CD
Título: Será bem vindo qualquer sorriso
Artista: Bruna Caram
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2

 Recriar com toque bluesy uma música de disco clássico de Jorge Ben Jor - Minha teimosia, uma arma pra te conquistar, faixa do álbum A tábua de esmeraldas (1974) - sem tentar reproduzir o suingue irreproduzível do Zé Pretinho é prova de personalidade. Bruna Caram já havia dado provas de sua personalidade musical nas regravações espertas que fez no segundo CD, Feriado pessoal (Dabliú Discos, 2009), trabalho já superior ao álbum de estreia da cantora paulista, Essa menina (Dabliú Discos, 2006), mas ainda assim irregular por conta da qualidade oscilante do repertório. No recém-lançado terceiro CD, Será bem vindo qualquer sorriso, Caram reitera essa personalidade, mostra crescimento artístico e começa a se destacar neste país de cantoras com seu disco mais redondo. Evidente na primeira metade de Será bem vindo qualquer sorriso, o recorte bluesy do repertório deu certa unidade ao disco produzido por Otávio de Moraes e se ajusta bem ao desenho de músicas como Não perca o final (Zé Rodrix) - luminoso lado B do segundo LP solo de Zé Rodrix (1947 - 2009), Quem sabe sabe, quem não sabe não precisa saber (Odeon, 1974) - e Flor do medo, canção lançada por Djavan no álbum Vaidade (Luanda Records, 2004) que desabrocha na ambiência bluesy do disco. Fora da seara das regravações, Caram dá bela voz a duas boas músicas de Paulo Novaes - o pseudo-blues Bem-vindo e a balada Esfera - e se insinua compositora em parceria com Pedro Luís, Pode se animar, tema de tom incisivo cujo frescor e atitude contrasta com o tempo delicado e mais ralentado de Amanhecendo (Caê Rolfsen, Leo Bianchini e Pedro Viáfora). Primeira música de Mallu Magalhães gravada por um intérprete, Especialmente criativa tem espírito clown que reitera o talento da compositora paulista. Ponto mais baixo do disco (assim como as falas deixadas intencionalmente ao fim de duas faixas), a abordagem modernosa de Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto, 1947) - feita em dueto com Marina de La Riva - dilui o drama conjugal esboçado neste sucesso de Dalva de Oliveira (1917 - 1972). Na sequência, o espevitado frevo Purinho (Bruna Caram) é acoplado em medley carnavalizante com Vou levando (Dosinho). No fim, Peito aberto - canção mais interiorizada do emergente e geralmente funkeado Dani Black -  assinala que Bruna Caram está pondo seu bloco na rua com (crescente) personalidade.

Sem Bonadio, Leela volta mais coerente ao disco com 'Música Todo Dia'

Resenha de CD
Título: Música Todo Dia
Artista: Leela
Gravadora: Pisces
Cotação: * * *

Havia algo fora da ordem na discografia da Leela, banda carioca de rock surgida no início dos anos 2000. A produção padronizada de Rick Bonadio estava fora de sintonia com a aura cult do pop rock dos CDs Leela (Arsenal Music, 2004) e Pequenas Caixas (Arsenal Music, 2007). Decorridos cinco anos, o grupo - hoje reduzido a um trio com a saída do baterista Luciano Grossman - volta ao mercado fonográfico com seu terceiro álbum, Música Todo Dia, lançado pelo selo indie Pisces Records. Desta vez, a produção ficou nas mãos da própria banda - com a adesão de Fernando Sanches - e o resultado é um disco digno, de sonoridade mais adequada ao pop rock de Bianca Jhordão (voz, guitarra, theremin, synth e programações), Rodrigo O'Reilly Brandão (guitarra, synth e vocais) e Tchago Kochenborger (baixo, synth, guitarra, vocal). Sem reinventar sua roda, o trio preserva a benéfica conexão com Fausto Fawcett, nome recorrente na ficha técnica do disco. Além de declamar o teatral texto inserido em Cidade Sitiada (Bianca Jhordão, Rodrigo Brandão e Fausto Fawcett), o carioca sangue bom colabora como compositor em rocks como Por Um Fio / Hey Babe (Bianca Jhordão, Rodrigo Brandão e Fausto Fawcett) e Topo Tudo (´Tchago K, Bianca Jhordão, Rodrigo Brandão e Fausto Fawcett), destaque entre as dez músicas inéditas e autorais ao lado da climática balada que dá título ao disco, Música Todo Dia (Bianca Jhordão, Rodrigo Brandão e Tchago K.). Sem reinventar a sua roda, a Leela faz disco coerente com seu som, de pegada roqueira, perceptível até nas eventuais baladas como Tô Pronta (Bianca Jhordão, Rodrigo Brandão e Fausto Fawcett). Com sua poética urbana, que ambienta sensuais relacionamentos afetivos no acalorado clima noturno das metrópoles, a Leela deixa boa impressão em Música Todo Dia, até porque as programações eletrônicas de Bianca Jhordão são inseridas na dose certa. Há, sim, músicas menos sedutoras - como A Nossa Melhor Noite (Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão) - mas, ao terminar com o ótimo rock Mais Beleza (Tchago K, Carol Teixeira, Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão), o CD deixa boa impressão - e a certeza de já não haver algo fora da ordem na discografia da Leela.

Alaíde e Jane dão voz em disco a parcerias inéditas de Sion com Gusmão

Há cerca de oito anos, o pianista, maestro e professor de música Roberto Sion começou a trocar com um ex-aluno de arranjo e harmonia - o poeta Maurício Gusmão - melodias e versos que deram a origem à parceria dos artistas. Parte desse cancioneiro está registrado no CD 12 Canções Inéditas nas vozes de Alaíde Costa (Labirinto e Quem Dera), Dominguinhos (Cantilena), Filó Machado (Loreta e Samba da Alegria) e Jane Duboc (Cena - canção que se destaca na safra poética pela grande beleza da melodia - e Valsa de Ivan e Heloísa) e Zé Luiz Mazziotti (Longo Romance e O Que Diz), entre outros cantores identificados com a obra criada dentro das tradições da música brasileira. O álbum foi gravado em São Paulo (SP), em outubro.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Prince lança música, 'Rock and Roll Love Affair', em single com remixes

Prince lança música inédita, Rock and Roll Love Affair, em single que inclui dois remixes do tema, assinados pelo DJ suíço de house Jamie Lewis. É o primeiro lançamento fonográfico do cantor e compositor norte-americano após seu 25º álbum de estúdio, 20Ten, de julho de 2010.

'Duos III' fecha com requinte a trilogia iniciada por Luciana Souza em 2002

Resenha de CD
Título: Duos III
Artista: Luciana Souza
Gravadora: Sunnyside / Universal Music
Cotação: * * * * 1/2

Em 2002, quando já tinha feito nome no circuito jazzístico dos Estados Unidos, a cantora paulistana Luciana Souza lançou Brazilian Duos, álbum no qual dava voz a clássicos da música brasileira na companhia de violões. Três anos depois, Duos II (2005) bisou o êxito e a indicação ao Grammy do primeiro volume. Lançado no Brasil neste mês de novembro pela Universal Music, Duos IIfecha com brilho a trilogia iniciada há uma década. Revezando-se no toque dos violões, há os virtuosos Marco Pereira, Romero Lubambo e Toninho Horta (em sua estreia na trilogia). Com eles, Souza aborda 12 temas brasileiros, quase todos conhecidos e extraídos da memória afetiva da cantora, filha dos compositores Walter Santos e Tereza Souza, associados à Bossa Nova. É sintomático, aliás, que Duos IIabra com Tim Tim por Tim Tim (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques) e Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida), dois sambas do repertório de João Gilberto (um terceiro, Eu Vim da Bahia, da lavra de Gilberto Gil, também figura no disco). Luciana Souza canta samba com apurado senso rítmico, mas, no caso de Tim Tim por Tim Tim, sem explorar a malícia dos versos do tema - o que em nada empana o brilho do disco, gravado de fevereiro a março de 2012, entre São Paulo (SP) e Los Angeles (EUA), sob a produção de Larry Klein. Fora da seara do samba, Duos IIapresenta classuda gravação de As Rosas Não Falam (Cartola) - feita em estilo mais convencional com a voz de Luciana em fina sintonia com o violão de Romero Lubambo - e tira do baú Mágoas de Caboclo (Leonel Azevedo e J. Cascata), canção de poética temática caipira lançada em 1942 por Orlando Silva (1915 - 1978) e popularizada em 1979 ao ser propagada em escala nacional como tema de abertura da novela Cabocla (TV Globo) na gravação de Nelson Gonçalves (1919 - 1998). Dentro desse rosário de pérolas, o registro de seis minutos de Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) paira soberano no disco pela divisão inusitada e pelas notas alongadas que revelam nuances do clássico de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), de quem Luciana Souza também canta Chora Coração e Inútil Paisagem (outra parceria do soberano Tom com Aloysio de Oliveira). Lamento Sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil) também ressurge repaginada, em andamento mais acelerado que se ajusta ao tom forrozeiro do medley que linka o tema com Maçã do Rosto, lado B que figura no lado A do primeiro álbum de Djavan, de 1976. Por falar em temas menos conhecidos, Luciana Souza revive em Duos IIa pouco ouvida Pedra da Lua, parceria de Toninho Horta com Cacaso (1944 - 1987), lançada como tema instrumental por Paulo Moura (1932 - 2010) em disco de 1976 e gravada com os versos do poeta por Sueli Costa no ano seguinte. De Horta, a cantora também dá voz a Beijo Partido, canção que encerra álbum pautado pela interação da voz límpida da intérprete com o toque requintado dos violões de Marco Pereira (autor de Dona Lu, tema levado por Souza nos vocalises), Romero Lubambo e Toninho Horta). Enfim, Duos IIé grande disco que merece ser ouvido fora do circuito do jazz.

Cidade Negra segue seu caminho pop na trilha positivista de 'Hei, Afro!'

Resenha de CD
Título: Hei, Afro!
Artista: Cidade Negra
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * 

Antes de Toni Garrido abandonar o barco que afundava por conta de divergências internas, o Cidade Negra andou pegando ondas erradas. A maior delas foi tentar surfar na praia de Armandinho no CD e DVD Direto ao Vivo (2006). Nono álbum de inéditas do grupo fluminense de reggae, o primeiro desde a volta do desertor Toni Garrido à banda no fim de 2011, Hei, Afro! pesa a mão no discurso positivista sem desviar o grupo - hoje reduzido a um trio formado por Garrido (voz), Bino Farias (baixo) e Lazão (bateria) - do habitual trilho pop, como mostram temas como Diamantes (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias). Irregular, Hei, Afro! se situa no mesmo patamar do anterior álbum de inéditas do Cidade Negra, Que Assim Seja (2010), lançado na fase em que Garrido estava fora do grupo. É sintomático que uma das melhores faixas do disco, Eu Fui, Voltei (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), seja releitura de tema, Downtown, extraído do repertório do álbum mais bem-sucedido da banda, Sobre Todas as Forças (1994). Hei, Afro! totaliza 13 faixas, sendo onze produzidas pelo próprio trio e as outras duas pilotadas por Liminha. Destas duas, Don't Wait - parceria do baiano Magary Lord com Fábio Alcântara e com Leonardo Reis - sinaliza o apego (no caso, exagerado) aos sons eletrônicos, mote de faixas como Paiol de Pólvora (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), tema sobre o caldeirão cotidiano do Rio de Janeiro (RJ) gravado em fogo brando, e Contato (Toni Garrido, Lazão, Bino Farias e Alexandre Carlo), lamuriante balada black sobre a dissolução de elo afetivo. E assim - como doses maiores ou menores de eletrônica e dub (farto em Mole de Amor, uma das várias inéditas da lavra autoral do trio) - caminha o Cidade Negra em aura crepuscular. A ideologia paz & amor da maioria das letras resulta repetitiva e reitera o fato de que o grupo poderia fazer conexões com letristas para adensar discurso que soa óbvio e ralo em Menino Rei (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), pop reggae sobre sonhos infantis. No mesmo tom pueril, Naturaleza (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias) prega a comunhão com a natureza. Musicalmente, Hei, Afro! também resulta repetitivo ao se banhar com poucas nuances na praia do pop reggae. A cuíca que introduz a ácida Só pra Detonar (Toni Garrido, Lazão, Bino Farias) não chora forte o suficiente para solidificar o flerte com o samba. A base que evoca a disco music no reggae Ignorius Man (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias) tampouco sustenta com força a lembrança dos embalos de sábado a noite. Enfim, o Cidade Negra segue seu caminho pop na trilha positivista de Hei, Afro! como pode e sabe, ainda que uma faixa como Ninguém Pode Duvidar de Jah - versão em português (assinada pelo trio) e em ritmo de reggae de When Love Comes Knockin' (At Your Door) (Neil Sedaka e Carole Bayer Sager), sucesso do grupo norte-americano The Monkees - sinalize que o trio ainda precisa se encontrar.

Hitmaker dos anos 80, Nico desnuda cancioneiro autoral em 'Piano & Voz'

Afastado do mercado fonográfico desde 2007, Nico Rezende volta ao disco com Piano & Voz. A convite do artista, assino o texto de apresentação do CD - release no jargão jornalístico - em que enfatizo a forte presença do cantor e compositor na história do pop da década de 80.

A essência da obra de Nico Rezende

É impossível escrever a história do pop brasileiro dos anos 80 sem tocar algumas vezes no nome do cantor, compositor, músico e arranjador Nico Rezende. Em 1987, uma bonita balada intitulada Esquece e Vem liderou por semanas consecutivas as paradas radiofônicas nacionais. Era a canção que promovia Nico Rezende, primeiro álbum do artista, que naquele ano de 1987 dava início à sua carreira fonográfica, no rastro do sucesso retumbante de músicas de sua autoria nas vozes de cantores como Ritchie (Transas, megahit em 1986) e Zizi Possi (Perigo e Noite, sucessos em 1986 e 1987, respectivamente). Foi quando o Brasil começou a associar o nome de Nico Rezende à sua música e à sua imagem. Decorridos 25 anos daquela explosão nacional, o artista – nascido em São Paulo (SP) com o nome de Antonio Martins Correa Filho – festeja essa data redonda com uma volta à essência dessa obra fundamental no pop brasileiro. Oitavo título da discografia de Nico, o CD Piano & Voz - que originou show que já vem sendo feito pelo cantor Brasil afora no mesmo formato minimalista do disco - reduz intencionalmente o cancioneiro do compositor à sua bela essência melódica e harmônica.

Sintomaticamente, a música que promove Piano & Voz nas rádios e na internet é Esquece e Vem, a mesma canção que impulsionou o sucesso do álbum de 1987, agora apresentada às novas gerações da forma como veio ao mundo. É como se Piano & Voz fechasse o ciclo iniciado com Nico Rezende em 1987 e abrisse outras portas e caminhos para a música do artista, que iniciou sua carreira tocando nos bailes da vida até migrar para o Rio de Janeiro (RJ) no início dos anos 80, onde firmou parcerias (com Antônio Cícero, Jorge Salomão, Marina Lima e Paulinho Lima, entre outros nomes de peso) e trabalhou como músico e arranjador de uma verdadeira constelação, ajudando a dar forma a gravações de estrelas como Gal Costa, Lulu Santos e Roberto Carlos, somente para citar alguns nomes mais reluzentes.

Por ser músico de sólida formação (estudou violão e o piano que dá base a esse atual disco de caráter retrospectivo), Nico Rezende – vale ressaltar – nunca limitou sua carreira ao ofício de cantor. Entre um disco e outro (o último, Paraíso Invisível, foi lançado em 2007), o artista continuou trabalhando no mercado publicitário, criando jingles e trilhas sonoras com o conhecimento musical que pauta a arquitetura das 12 canções reunidas em Piano & Voz. E, nesse tempo em que conquistou prêmios no ramo da publicidade, não deixou de abrir parcerias que renovaram sua vigorosa obra autoral. Uma delas foi com Jorge Vercillo, parceiro de Nico em Signo de Ar, tema que deu título ao álbum lançado por Vercillo em 2005. Se o registro de Vercillo deu tratamento pop à música, a gravação de Nico expõe de forma mais clara o desenho melódico da canção. “O que mais admiro na composição e na música é a simplicidade”, resume Nico no breve texto que escreveu para o encarte do CD Piano & Voz.

Simplicidade e sensibilidade dão o tom de Presente de Deus, única das 12 músicas de Piano & Voz assinada somente por Nico Rezende, sem parceiros. Nem teria como ser diferente, já que a canção trata de tema íntimo e pessoal, impossível de ser traduzido em versos por qualquer parceiro: a felicidade do artista com a chegada ao mundo de sua filha Jade, saudada na música.

Em sua essência, Piano & Voz cumpre a missão de resumir a obra fonográfica do cantor, compositor e músico paulista. De 1987 para cá, o artista já lançou os discos Nico Rezende (Warner Music, 1987), Jogo de Ilusões (Warner Music, 1988), Nico (Warner Music, 1989), Tudo Ficou pra Trás (Esfinge, 1991), Nico Rezende (Luz da Cidade, 1995), Curta a Vida (Som Livre, 2001) e Paraíso Invisível (Lua Music, 2007). Nesses álbuns, o artista deu voz a músicas que nada ficam a dever a seus maiores sucessos. Músicas que não tiveram a devida projeção na época de seu lançamento, mas que ganham uma segunda chance em Piano & Voz. São os casos de Movimentos Raros – parceria de Nico com Sérgio Serra, lançada em 1989 no álbum Nico e revivida com scats em Piano & Voz – e de Alto Mar, balada composta com Claudio Rabello, gravada originalmente para o pouco ouvido álbum Nico Rezende (1995), de onde Piano & Voz também repagina Noves Fora, parceria de Nico com o poeta Sérgio Natureza.

Mesmo músicas que tocaram bastante em seus registros originais vão soar como novas para gerações que vieram ao mundo anos depois. Penso Nisso Amanhã – a balada que promoveu o segundo álbum de Nico, Jogo de Ilusões – foi hit em 1988, mas tem tudo para ser sucesso novamente em 2012 ou em 2013 se veiculada nas rádios ou na internet. Penso Nisso Amanhã é um exemplo claro da habilidade de Nico Rezende para desbravar belos caminhos melódicos, dialogando com o universo da música romântica sem nunca resvalar para o sentimentalismo ou para os clichês da música brega.

Foi essa habilidade pop que seduziu até a exigente Marina Lima, parceira de Nico e do poeta Antonio Cícero (irmão da cantora) em Por Querer, música que inspirou o título do álbum Todas, lançado por Marina em 1985, e que por essa razão também é conhecida pelo nome de Todas. Por Querer figura no repertório de Piano & Voz ao lado de PseudoBlues, parceria de Nico com outro poeta, Jorge Salomão, que abriu o álbum Virgem, lançado por Marina em 1987, ano em que Nico Rezende dominou as paradas como cantor e as fichas técnicas de discos do pop brasileiro como compositor em reinado que começara, a rigor, em 1986, quando Zizi Possi alcançou grande repercussão com a gravação de Perigo, balada composta por Nico com Paulinho Lima (o parceiro mais constante) e propagada em escala nacional na trilha sonora da segunda versão da novela Selva de Pedra, exibida pela TV Globo naquele ano de 1986 em que o inglês Ritchie – então tido como carta fora do jogo da indústria fonográfica – deu a volta por cima, em lance surpreendente, ao dar voz a Transas, outra parceria de Nico com Paulinho Lima, sensível ao traduzir nos versos uma insatisfação com a liberação sexual vigente na década.

Enfim, Piano & Voz é o resumo feliz e harmonioso de obra que resiste ao tempo. Formatado somente com o piano e a voz afinada do cantor, esse cancioneiro pop e melodioso expõe o talento de um artista que contribuiu de forma substancial para a construção da identidade da canção pop nacional. 
Mauro Ferreira / Novembro de 2012

Green Day descortina os bastidores de trilogia no documentário '¡Quatro!'

O trio Green Day ainda nem lançou os três álbuns de repertório inédito programados para este ano de 2012 - ¡Uno! (editado em setembro), ¡Dos! (lançado em 12 de novembro) e ¡Tre! (previsto para 10 de dezembro) - mas já anuncia a edição em 2013 de documentário sobre a trilogia. Filmado sob direção de Tim Lynch, ¡Quatro! descortina os bastidores dos três álbuns.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

McCartney se une ao Justice Collective em cover de sucesso dos Hollies

Balada dos compositores norte-americanos Bob Russell e Bob Scott (1937 - 1990) que alcançou sucesso na gravação feita em 1969 pelo grupo inglês The Hollies, He Ain't Heavy... He's My Brother ganha um registro beneficente do coletivo The Justice Collective. Com lançamento agendado para 17 de dezembro de 2012, o single está sendo produzido em benefício das vítimas do desastre de Hillsborough, confusão em partida de futebol que deixou 96 mortos e 766 feridos em 1989. Paul McCartney - visto na foto em estúdio com Guy Chambers, produtor da gravação - canta parte da letra e toca guitarra na faixa. McCartney se uniu a time estelar formado por Robbie Williams, Rebecca Ferguson, Paloma Faith,Eliza Doolittle, Beverley Knight, Melanie C, Andy Brown (Lawson), Holly Johnson (Frankie Goes to Hollywood), Mick Jones (The Clash), Peter Hooton (The Farm), Chris Sharrock (Beady Eye), Glen Tilbrook (Squeeze), Ren Harvieu, Dave McCabe (The Zutons), Paul Heaton (Beautiful South), Hollie Cook, Jon McClure (Reverend & The Makers), John Power (Cast) e Gerry Marsden (de Gerry and the Pacemakers).

Convidados alargam eixo estético de Roberto na gravação de 'Reflexões'

Resenha de show - Gravação de especial de TV
Título: Reflexões
Artista: Roberto Carlos (em foto de Estevam Avellar / TV Globo)
Local: Citibank Hall (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 21 de novembro de 2012
Cotação: * * *
Especial programado pela TV Globo para ser exibido em 25 de dezembro de 2012

"Dei uma erradinha", admitiu Arlindo Cruz diante da plateia de convidados, acomodados em cadeiras dispostas no Citibank Hall do Rio de Janeiro (RJ), quando o diretor da gravação ao vivo do show Reflexões solicitou a repetição de O Homem (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973). Com seu fervoroso refrão professado em ritmo de samba, o repetido tema religioso foi o segundo dos dois números musicais feitos por Arlindo com Roberto na gravação do especial, feita sob a batuta do diretor Jayme Monjardim na noite de 21 de novembro de 2012. "Pior que eu errei na dele e ninguém notou", retrucou Roberto, em alusão à parceria de Arlindo com Mauro Diniz, Meu Lugar (2007), que havia cantado com o sambista globeleza. Mote do especial anual de Roberto Carlos na TV Globo, a ser exibido na noite natalina de 25 de dezembro de 2012, o show Reflexões foi gravado com repetições, pausas e atrasos, seguindo protocolo que visava enquadrar o espetáculo dentro do padrão Globo de qualidade. Em momento de emoção mais real, Michel Teló quebrou esse protocolo de amabilidades ensaiadas (e textos devidamente decorados) e prestou comovente tributo ao seu pai - Aldo Teló, presente na plateia - ao cantar Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979) com o anfitrião. A presença de convidados com livre trânsito em todas as classes - Arlindo, Teló, Seu Jorge e cinco atrizes da novela Cheias de Charme (TV Globo, 2012), devidamente caracterizadas como suas personagens-cantoras - alargou o rígido eixo estético do repertório de Roberto. A seu modo, o cantor dançou no bailão sertanejo pop de Teló (ao som da inevitável Ai, Se Eu te Pego),caiu no samba com Arlindo - no sucesso Meu Lugar, número que evocou a geografia carioca exposta no grandiloquente cenário de May Martins - e exercitou a malandragem carioca ao dividir com Seu Jorge Amiga da Minha Mulher (Seu Jorge, Gabriel Moura, Rogê e Pretinho da Serrinha). À vontade no baile black, Jorge trilhou antes o caminho soul d'As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969), obra-prima da fase em que o então Rei da Juventude fazia a transição da pueril Jovem Guarda para o repertório adulto. A jovialidade do iê-iê-iê É Meu, É Meu, É Meu (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) serviu bem ao jogo de sedução armado em cena charmosa com o fictício trio Empreguetes, acrescido de duas personagens, Chayene (Claudia Abreu) e Socorro (Titina Medeiros), vitalizadas na mesma obra de ficção. Sem a presença dos convidados, Roberto desfiou em Reflexões seu habitual rosário de pérolas na companhia da Orquestra RC. Entrou em cena ao som do fox Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981), arranhou a canção Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) ao violão (sem deixar de experimentar nuances na interpretação do surrado tema), entrelaçou canções de tonalidade sensual com texto escrito pela dupla Miéle & Bôscoli para show dos anos 80, distribuiu rosas ao fim de Jesus Cristo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970), afagou o ego dos súditos em Como É Grande o Meu Amor Por Você (Roberto Carlos, 1967) - e em várias falas dirigidas à platéia - e recontou a (longa) história do cachorro vira-lata que serve de introdução para O Portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974). Enfim, as mesmas recicladas emoções de sempre, agoras acrescidas das duas músicas inéditas cedidas para a trilha sonora da novela Salve Jorge (TV Globo, 2012) e recém-lançadas em CD-single. Se o funk melody Furdúncio (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 2012) esfriou o baile, a balada Esse Cara Sou Eu (Roberto Carlos, 2012) aqueceu corações, devolvendo a coroa ao Rei.

Teló gera emoção real na gravação do especial 'Reflexões', de Roberto

Último convidado a ser recebido por Roberto Carlos no show Reflexões, gravado sob a direção de Jayme Monjardim para exibição pela TV Globo em 25 de dezembro de 2012 como especial de Natal do Rei, o cantor paranaense logo quebrou o protocolo de amabilidades ensaiadas e emocionou o público de convidados que foi ao Citibank Hall do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 21 de novembro. Projetado no Brasil e no mundo com o hit Ai, Se Eu te Pego (Sharon Acioly e Antônio Dyggs, 2008), música que regravou em 2011, Teló aproveitou sua participação no especial para homenagear o pai - Aldo Teló, presente na plateia - ao cantar com o anfitrião a canção Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979), composta pelo Rei em tributo ao seu pai, Robertino Braga, morto em 1980, um ano após o lançamento do tema. Teló emocionou o público ao contar que Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo foi a primeira música que cantou na vida, quando tinha sete anos e foi convidado a fazer um show em Campo Grande (MS), decidindo na ocasião homenagear o pai. "Quando eu desci do palco, tive a certeza de que (cantar) era o que eu queria fazer na vida", contou Teló, após revelar diante das câmeras que chorou quando ouviu Roberto Carlos anunciar seu nome para a plateia presente na gravação. "Tu veio aqui para cantar ou para me fazer chorar?", brincou Roberto, aparentemente comovido com a postura de Teló. Na sequência da bonita homenagem a Aldo Teló, Michel e Roberto - vistos na gravação em foto de Estevam Avellar, da TV Globo - cantaram a inevitável Ai, Se Eu te Pego - com direito a coreografias e a danças com as atrizes Monique Alfradique e Paloma Bernardi - em clima de bailão sertanejo.

Jorge e Roberto nas curvas da estrada de Santos e da amiga da mulher

Sob as bençãos do Cristo Redentor, situado no topo de cenário construído com signos e símbolos da geografia carioca, Seu Jorge e Roberto Carlos pegaram As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) - obra-prima da fase soul do cancioneiro do Rei - e, na sequência, celebraram as curvas da Amiga da Minha Mulher (Seu Jorge, Gabriel Moura, Pretinho da Serrinha e Rogê). Os dois duetos fizeram parte do show Reflexões, gravado ao vivo no Citibank Hall do Rio de Janeiro (RJ), em 21 de novembro de 2012, sob a direção de Jayme Monjardim. O show é o fio condutor do próximo especial de Natal de Roberto Carlos, cuja exibição está programada pela TV Globo para a noite de 25 de dezembro. Seu Jorge e Roberto - vistos na foto de Estevam Avellar, da TV Globo - trocaram confetes antes de o convidado soltar a voz soul n'As Curvas da Estrada de Santos. Na sequência, os cantores entraram na cadência pop do samba Amiga da Minha Mulher, sucesso na trilha sonora da recém-terminada novela Avenida Brasil (TV Globo, 2012). O número culminou com um malicioso diálogo musical entre Seu Jorge e Roberto. "Não pego", dizia Jorge. "Eu pego", retrucava Roberto, em implícita alusão a curvas que não são as da sedutora estrada de Santos.

Cheias de charme, Empreguetes gravam tema possessivo com Roberto

"Empreguetes de todo o Brasil, morram de inveja de Chayene", disparou a atriz Claudia Abreu, na pele da alucinada cantora de eletroforró que viveu na novela Cheias de Charme (TV Globo, 2012), após tascar beijo na boca de Roberto Carlos - como visto na foto de Estevam Avellar, da TV Globo. O beijo selou o fim do número feito pelo fictício trio Empreguetes no show Reflexões, gravado ao vivo no Citibank Hall do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 21 de novembro de 2012. Captado sob a direção de Jayme Monjardim, o show é o mote do próximo especial natalino de Roberto, a ser exibido pela TV Globo na noite de 25 de dezembro. Além de Chayene, outra personagem da novela, Socorro (Titina Medeiros) se juntou ao trio formado por Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal) e Cida (Isabelle Drummond). O quinteto fez charmoso jogo de sedução com Roberto Carlos ao reviver com o anfitrião É Meu, É Meu, É Meu (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968), tema do álbum O Inimitável (CBS, 1968). A levada zen do iê iê iê contrasta com o tom possessivo, ciumento e machista da letra dos compositores.

Arlindo professa fé de Roberto em ritmo de samba sem sair de seu lugar

Saudado por Roberto Carlos no show Reflexões como "um dos maiores compositores que eu conheci na vida", Arlindo Cruz se manteve em seu (nobre) lugar na gravação do especial natalino do Rei, feita sob a direção de Jayme Momjardim no Citibank Hall do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 21 de novembro de 2012. Após papo firme com Roberto sobre vivências no subúrbio carioca, onde o cantor capixaba morou antes de ser entronizado como o Rei da Juventude no apogeu da Jovem Guarda, Arlindo cantou com o anfitrião o samba Meu Lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz), sucesso do álbum Sambista Perfeito (Deck, 2007). A seu modo, Roberto caiu no samba de Arlindo. Mas o dueto mais surpreendente veio na sequência. Arlindo e Roberto - vistos em foto de Estevam Avellar, da TV Globo - cantaram O Homem (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973), um dos mais belos temas do cancioneiro religioso do Rei. Com o detalhe de que Arlindo professou a fé de Roberto sem sair de seu lugar. Na gravação que vai ser veiculada no especial programado pela TV Globo para ser exibido em 25 de dezembro, dia de Natal, O Homem entra na cadência bonita do samba quando evolui para o fervoroso refrão.

Voz do rádio e dos palcos, ícone dos anos 1950, Marlene chega aos 90 anos

 Uma das últimas vozes remanescentes da era do rádio, Marlene - nome artístico da cantora e atriz nascida em 22 de novembro de 1922, em São Paulo (SP), como Victoria Bonaiutti de Martino - chega hoje aos 90 anos como ícone dessa era dourada da música brasileira pré-Bossa Nova. Era que ela soube transcender com a veia dramática e os múltiplos talentos. Nos anos 1970, Marlene soube se reinventar. Shows teatrais como Te pego pela palavra (1974) - cujo registro foi relançado em CD pela EMI Music neste ano de 2012 - atualizaram o repertório da cantora atriz e a sintonizaram com a MPB nascida na era dos festivais. Egressa da era do rádio e dos cassinos, Marlene reinou num tempo de paixões acalentadas nas batalhas dos auditórios das emissoras. Tanto que a voz da estrela foi propagada em ondas nacionais por emissoras de rádio cinco anos antes de a cantora estrear em disco, em 1946, com o 78 rotações por minuto que trazia Swing no morro (Amado Regis e Felisberto Martins) e Ginga ginga moreno (Hélio Nascimento e João de Deus). Mas a carreira - é fato - ganhou impulso somente a partir de 1949, ano em que a controvertida vitória de Marlene no concurso disputado com a eterna rival-amiga Emilinha Borba (1923 - 2005) a entronizou na cobiçada Rádio Nacional e alimentou guerra aditivada pelos fãs e por golpes de marketing. A partir daí, Marlene reinou nos Carnavais, nos teatros (onde estreou como atriz em 1952 na peça Depois do casamento), nos cinemas (tendo atuado em produções como Corações sem piloto e Pif paf) e até no Olympia de Paris, para onde foi conduzida em 1959 por outra rainha da época, Edith Piaf (1915 - 1963). Paralelamente, Marlene deu voz - com ginga, energia, verve e expansividade - a sucessos como Tome polca (Luis Peixoto e José Maria de Abreu, 1950), Lata d'água (Jota Junior e Luiz Antônio, 1952), Zé Marmita (Brasinha e Luiz Antonio, 1953), Mora na filosofia (Monsueto Menezes e Arnaldo Passos, 1955) e O apito no samba (Luiz Bandeira e Luiz Antônio, 1959). Nos  áureos anos 1950, Marlene desafiou o reinado sentimental do samba-canção e caiu no samba com consciência social. Eclética, a cantora transitou também por ritmos nordestinos. Foi relegada a um segundo plano nos efervescentes anos 1960, porém, em 1969/1970, anos do show/disco É a maior!, pegou novamente o bonde, gravando compositores então emergentes como Caetano Veloso e Jorge Ben. Em 1973, a peça Botequim - encenada com Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri (1934 - 2006), parceiros na trilha sonora do espetáculo, eternizada em disco lançado pela RGE - fez pulsar mais uma vez a veia teatral de Marlene, intérprete que te pega pela palavra, pela vitalidade, musicalidade e pela garra que não a deixou ficar presa ao passado de glória. É a maior!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bibi festeja Natal com família musical que inclui Alcione, Emílio e Marília

Em plena atividade aos 90 anos, completados em 1º de junho desde ano de 2012, Bibi Ferreira se prepara para lançar seu primeiro álbum natalino, gravado sob a direção artística de Nilson Raman e com a presença de convidados como Alcione (em Sino de Belém, versão de Evaldo Rui para Jingle Bells), Alexia Bomtempo (em Um Novo Tempo, parceria de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle com Nelson Motta, propagada nos anos 70 como tema de fim de ano da TV Globo), Alice Caymmi (também em Um Novo Tempo), Coral das Princesas de Petrópolis (em faixas como Natal das Crianças e Oh, Happy Day!), Coral Dó Ré Mi (em faixas como Noite Feliz), Emílio Santiago (em Feliz Natal), padre Fábio de Melo (em E Nasceu Jesus), Joyce Cândido (na já citada Um Novo Tempo), Maíra Freitas (na mesma Um Novo Tempo), Marília Pêra (intérprete de um texto de Carlos Dimuro, Doce Natal), Roberta Miranda (no medley que junta Estrada do Sol e Estão Voltando as Flores), Ronnie Von (na Ave Maria) e Xuxa (em Vem Chegando o Natal, versão de Santa Claus Is Coming To Town), entre outros nomes. Produzido por Flávio Mendes, o CD Natal em Família vai chegar às lojas em dezembro pela Biscoito Fino.

'Elis por Eles' celebra Elis com time masculino que inclui Catto e Lenine

Arquitetado por Pedro Mariano com produção musical de Otávio de Moraes, o registro do tributo masculino a Elis Regina (1945 - 1982) - gravado ao vivo em show no Teatro Positivo, em Curitiba (PR), em 2 de agosto deste ano de 2012 - vai chegar às lojas em dezembro em CD e DVD distribuídos pela Microservice. Doze cantores, uma dupla sertaneja (Chitãozinho & Xororó) e um grupo vocal (Roupa Nova) dão vozes a músicas gravadas pela cantora, morta há 30 anos. Intitulado Elis por Eles, O tributo de Pedro Mariano - um dos três filhos de Elis - vem somar a Redescobrir, CD, DVD e blu-ray recém-lançados por Maria Rita com o registro ao vivo do show (originalmente) intitulado Viva Elis. Eis as músicas e os intérpretes de Elis por Eles:

1. Abertura - Otávio de Moraes
2. Upa Neguinho / Arrastão - Jair Rodrigues
3. Mestre Sala dos Mares - Jorge Vercillo
4. Nada Será Como Antes - Moska
5. Tatuagem - Filipe Catto
6. Só Tinha De Ser Com Você - Emílio Santiago
7. Dois Pra Lá Dois Pra Cá - Cauby Peixoto - Faixa gravada em estúdio
8. Casa No Campo - Roupa Nova
9. Atrás da Porta - Lenine
10. Amor Até o Fim - Diogo Nogueira
11. Cai Dentro - Seu Jorge
12. Madalena - Jair Oliveira
13. Aprendendo a Jogar - Rogério Flausino
14. Como Nossos Pais - Chitãozinho & Xororó
15. O Bêbado e a Equilibrista - Pedro Mariano
16. Redescobrir - Todos