Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Vinicius de Moraes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vinicius de Moraes. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de janeiro de 2016

Wanda celebra 60 anos de Tom & Vinicius com CD arranjado por Peranzzetta

Foi em 1956 que os belos caminhos musicais de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980) se cruzaram profissionalmente para compor a trilha sonora da peça Orfeu da Conceição, dando início à mais importante parceria da música brasileira. A cantora Wanda Sá - paulista de nascimento, mas de alma musical tão carioca como Tom & Vinicius - vai festejar os 60 anos da parceria dos compositores com disco gravado sob a direção musical de Gilson Peranzzetta. Assinados por Peranzzetta, os arranjos abrirão espaços para a flauta e o saxofone de Mauro Senise, músico convidado a tocar no disco. Regina Oreiro capitaneia a produção executiva do 21º álbum da discografia de Wanda Sá (em foto de Daryan Dornelles).  O CD obviamente sai neste ano de 2016.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Discos infantis de MPB-4 e Toquinho são encaixotados com Chico & Vinicius

Gravadora que mais lançou produtos dirigidos ao público infantil neste ano de 2015 por conta do Dia das Crianças, festejado em 12 de outubro, a Universal Music lança caixas de CDs e DVDs - vendidas separadamente - com três títulos de seu acervo infantil. Intitulada Música para sempre, a caixa embala álbuns infantis de MPB-4 (Adivinha o que é?, lançado originalmente em 1981 via Ariola) e Toquinho (Casa de brinquedos, 1983) com Chico & Vinicius para crianças, coletânea produzida em 2004 com reunião de gravações de títulos dos cancioneiros infantis de Chico Buarque e Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Os CDs reproduzem os áudios dos discos originais. Já os DVDs acrescentam animações às músicas para seduzir o mercado de música infantil, dominado por produtos audiovisuais.  Os três títulos já tinham sido lançados de forma avulsa pela Universal Music.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Vinicius, Marisa e Caetano estão no roteiro gravado por Carminho no Rio

Fado feito pelo poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) por ocasião de viagem a Portugal, na segunda metade dos anos 1960, Saudades do Brasil em Portugal (1968) ganhou mais uma vez a voz de Carminho, cantora portuguesa que vem estreitando laços musicais com o Brasil em travessia atlântica que culminou com a decisão de gravar seu primeiro DVD em show na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A gravação ao vivo foi concretizada em show apresentado na noite de ontem, 9 de abril de 2015, na casa Vivo Rio. Transitando com desenvoltura na ponte musical que liga o Brasil a Portugal, Carminho - em foto de Rodrigo Goffredo - incluiu também as músicas que ganhou de Marisa Monte (Chuva no mar, parceria da cantora e compositora carioca com o paulistano Arnaldo Antunes) e de Caetano Veloso (O sol, eu e tu, tema que tem letra do compositor baiano, posta sobre a melodia de Cezar Mendes e Tom Veloso) para seu recente terceiro álbum, Canto (2014), lançado no Brasil neste ano de 2015 via Som Livre. Fado pioneiro por ter letra escrita com o português do Brasil, como ressaltou a cantora em cena, Saudades do Brasil em Portugal, aliás, já havia sido gravado por Carminho em seu segundo álbum, Alma (2012).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mart'nália canta samba de Baden & Vinicius em trilha de novela da Globo

Mart'nália figura na trilha sonora da próxima novela das 21h da TV Globo, Babilônia. A artista carioca vai dar voz ao tema de abertura da novela. Trata-se do samba Pra que chorar? (1964), parceria de Baden Powell (1937 - 2000) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) que a cantora já havia incluído no roteiro do show perpetuado no DVD Mart'nália em samba! (Biscoito Fino, 2014).

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Edição dupla junta discos feitos por Vinicius na Argentina nos anos 1970

 Disco duplo lançado pela gravadora Som Livre, Vinicius porteño - La fusa reúne, na mesma edição de formato digipack, os dois discos gravados ao vivo pelo poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) na boate La Fusa, em Buenos Aires, capital da Argentina, em 1970 e em 1971. Ambos as gravações flagram Vinicius ao lado do cantor e compositor paulista Toquinho, com quem o Poetinha acabara de formar a dupla Toquinho & Vinicius. O disco de 1970 junta Vinicius com Toquinho e a cantora baiana Maria Creuza. Já o disco de 1971 traz a dupla com Maria Bethânia, em Mar Del Plata. Ambos os álbuns já tinham sido editados em CD.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Cantora de voz e alma lírica, Salmaso realça todos os sabores de Vinicius

Resenha de show
Título: Homenagem a Vinicius de Moraes
Artista: Mônica Salmaso (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 26 de julho de 2014
Cotação: * * * * 1/2

Mônica Salmaso fez graça no palco do Teatro Rival em 26 de julho de 2014, dizendo que o show que apresentava naquela noite era o Alma lírica - Sabor Vinicius. A cantora paulista se referia ao recital Alma lírica brasileira (2010), feito nos últimos três anos por Salmaso com o pianista Nelson Ayres e com o flautista e saxofonista Teco Cardoso. Os dois virtuosos músicos continuam em cena com a cantora nesta abordagem camerística do cancioneiro multifacetado do compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Espetáculo originado do convite feito a Salmaso em 2012 para fazer em Belo Horizonte (MG) um show em tributo ao centenário de nascimento do poeta da moderna canção brasileira, Homenagem a Vinicius transitou por algumas capitais do Brasil antes de chegar ao Rio de Janeiro (RJ) em 25 e 26 de julho de 2014, confirmando o momento iluminado de Salmaso - cantora que, a propósito, debutou no mercado fonográfico em 1995 com disco em que deu sua voz precisa aos afro-sambas de Baden Powell (1937 - 2000) e Vinicius no toque do violão de Paulo Bellinati. Eles, os afro-sambas, estão ausentes do roteiro deste show, mais focado no cancioneiro criado por Vinicius com o carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e com parceiros como os também cariocas Carlos Lyra e Chico Buarque. Cantora de alma lírica, Salmaso valoriza (toda) a beleza melódica e poética desse repertório, em fina sintonia com os dois músicos. Há certa solenidade no canto de Salmaso, perceptível já no primeiro dos 18 números do show, Chora coração (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1973), mas esse rigor estilístico se afina com a maior parte das melodias da obra em questão. De todo modo, Salmaso contrabalança essa bem-vinda formalidade vocal com comentários e temas espirituosos. "Esse show é assim: tem uma gracinha e uma cacetada", conceituou a artista, com humor. E o fato é que, cantando Vinicius, Salmaso reitera a perfeição de seu canto. O padrão da cantora é alto. Tanto que interrompeu e recomeçou Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1973) para ajustar sua interpretação ao seu próprio rigor. Perfeito até o bis, o roteiro equilibra bem músicas mais densas com temas mais leves como A casa (Vinicius de Moraes, 1980) - habitada por Salmaso com apropriada atmosfera lúdica - e Rancho das namoradas (1962), marcha-racho gravada pela cantora fluminense Angela Maria que representa no show a pouco lembrada parceria de Vinicius com Ary Barroso (1903 - 1964). O problema do bis é o arremesso de Trem das onze (Adoniran Barbosa, 1964) no arremate do bis. O samba se presta ao encerramento de um show, mas, no caso, faz o recital se desviar do trilho central do roteiro, passando por cima do conceito. Mas o trio em si nunca sai dos trilhos Parafraseando versos do Frevo de Orfeu (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), escolhido para fechar o show (antes do bis), poucas vezes se viu e ouviu tanta beleza. Coisa mais linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961), aliás, é um desses momentos. Da mesma parceria de Carlos Lyra com Vinicius, Maria moita (1964) tem humor extraído por Salmaso. Em Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961), o piano de Ayres parece flutuar sobre a melodia. Já em Modinha (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) é Teco Cardoso quem sopra notas que se afinam com a voz de Salmaso de forma simbiótica. Fora da seara dos clássicos, a cantora ilumina também São Francisco (1956), joia nada franciscana da parceria de Vinicius com o compositor paranaense Paulo Soledade (1919 - 1999). A moldura sempre acústica do recital - construída com mix de piano, sopros e eventual percussão (a cargo da própria Salmaso) - realça toda a arquitetura refinada (mas aparentemente simples, pois Vinicius era poeta capaz de expor sentimentos profundos em tom quase sempre coloquial) de canções amorosas como Sabe você (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964). Mas isso nem surpreende. A surpresa do show - menor para quem sabe que Salmaso começou sua carreira atuando em espetáculo teatral do encenador mineiro Gabriel Villela - é ouvir a cantora dizendo a parte falada da letra da nordestina Pau de arara (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964), música também conhecida como Comedor de gilete e mais associada ao cantor e humorista paulista Ary Toledo, principal intérprete do tema. Cantora de amplos recursos vocais, Salmaso consegue mergulhar na densidade de Derradeira primavera (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962) minutos após evidenciar, em tom quase etéreo, a delicadeza do seminal choro Odeon (Ernesto Nazareth, 1909), letrado por Vinicius em 1968. Pode não parecer à primeira ouvida, mas Salmaso também sabe ser uma intérprete plural na exata medida exigida pelo cancioneiro multifacetado do centenário poeta. O Vinicius de Moraes de Mônica Salmaso é muito saboroso.

Salmaso canta as 'gracinhas' e 'cacetadas' de Vinicius com Ary, Tom e Lyra

"Esse show é assim: tem uma gracinha e uma cacetada". Com esse comentário maroto, Mônica Salmaso conceituou com precisão as modulações do roteiro do show em que celebra o compositor e poeta carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) na companhia dos músicos Nelson Ayres (piano) e Teco Cardoso (saxofone e flauta). Idealizado há dois anos para ser apresentado em Belo Horizonte (MG) em dezembro de 2012, a convite do projeto Compositores.BR, o show 100 Vinicius voltou à capital mineira em outubro de 2013 - mês em que o Brasil festejou o centenário de nascimento de Vinicius de Moraes - e depois percorreu cidades como Brasília (DF) e Curitiba (PR) antes de estrear no Rio de Janeiro (RJ), em apresentações que lotaram o Teatro Rival em 25 e 26 de julho de 2014. Na estreia nacional de 2012, o roteiro do show tirava o foco das parcerias do poeta compositor com Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Baden Powell (1937 - 2000), pois ambas já eram abordadas em outros eventos do projeto Compositores.BR. Mas o roteiro atual - apresentado pela primeira vez pela cantora em outubro de 2013 - já põe Jobim no seu devido lugar de destaque na obra de Vinicius. Já os afro-sambas - abordados por Salmaso em seu primeiro álbum, de 1995 - foram excluídos pelo fato de dependerem do violão, instrumento ausente na formação camerística do show. A mesma formação, aliás, utilizada por Salmaso no recital Alma lírica brasileira (2010), perpetuado em CD e DVD. Em contrapartida, a cantora dá sua voz precisa a gracinhas e a cacetadas feitas por Vinicius com parceiros como Ary Barroso (1903 - 1964), Carlos Lyra, Chico Buarque, Francis Hime e Paulo Soledade (1919 - 1999). Eis o belo roteiro seguido por Mônica Salmaso - em foto de Rodrigo Goffredo - na apresentação de seu show (rebatizado Homenagem a Vinicius de Moraes),  realizada em 26 de julho de 2014,  no Teatro Rival,  no Rio de Janeiro  (RJ):

1. Chora coração (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1973)
2. A casa (Vinicius de Moraes, 1980)
3. Estrada branca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)  
4. Rancho das namoradas (Ary Barroso e Vinicius de Moraes, 1962)
5. Coisa mais linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961)
6. Maria Moita (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964)
7. Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) 
8. Olha, Maria (Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1970) 
9. Modinha (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) 
10. São Francisco (Paulo Soledade e Vinicius de Moraes, 1956)
11. Sabe você (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964)
12. Pau de arara (Comedor de gilete) (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964) 
13. Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963)
14. Odeon (Ernesto Nazareth, 1909, com letra póstuma de Vinicius de Moraes, 1968)
15. Derradeira primavera (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962)
16. Frevo de Orfeu (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959)  
Bis:
17. Valsinha (Chico Buarque e Vinicius de Moraes, 1971)
18. Trem das onze (Adoniran Barbosa, 1964)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Com Dadi, Calcanhotto expõe matizes do cancioneiro poético de Vinicius

Resenha de show
Título: 100 anos Vinicius de Moraes
Artista: Adriana Calcanhotto (com Dadi Carvalho na foto de Filipe Marques / I Hate Flash)
Local: Teatro Alcione Araújo - Biblioteca Parque Estadual (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 2 de abril de 2014 (sessão das 19h)
Cotação: * * * 1/2

Em 1990, quando ainda dava no Rio de Janeiro (RJ) seus primeiros passos na carreira fonográfica, Adriana Calcanhotto abordou a obra do compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) em show feito no Centro Cultural Banco do Brasil. Na ocasião, a cantora e compositora gaúcha ainda não era a artista refinada que, 24 anos depois, inaugurou o palco do Teatro Alcione Araújo - situado dentro da Biblioteca Parque Estadual - para novamente cantar Vinicius na cidade natal do poeta que dividiu águas na música brasileira nos anos 1950. Programado dentro da agenda do ciclo multimídia 100 anos Vinicius de Moraes, que também inclui exposição e palestras sobre a obra do Poetinha, o show de Calcanhotto evidenciou a evolução da artista. No show, introduzido por vídeos em que personalidades como Antonio Cícero e Arnaldo Antunes recitam versos de Vinicius, Calcanhotto expôs variados matizes e nuances do cancioneiro plural de Vinicius à medida em que apresentou as 13 músicas do curto roteiro, alternando temas da obra infantil do compositor e clássicos da parceria de Vinicius com Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) sem deixar de abrir espaço para músicas pouco ouvidas. Blues para Emmett (1971) - música composta por Vinicius com Toquinho em memória do adolescente negro norte-americano Emmett Louis Till (1941-1955), assassinado aos 14 anos na cidade de Money, no Mississipi (EUA), por insinuar galanteio para mulher branca e casada - foi um dos pontos mais altos do show. Neste número, além de tocar seu violão, o músico Dadi Carvalho - convidado a dividir o palco com Calcanhotto - fez alguns vocais. A combinação de seu vocal com o canto de Adriana deu espírito gospel ao blues em registro que se distanciou da gravação original de Toquinho & Vinicius, sustentada por baticum afro-brasileiro. Antes, Calcanhotto caíra com bossa no samba Ela é carioca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963) e, sem soa sentimental, entrara no tom romântico de Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959). Dentro do cancioneiro criado por Vinicius para crianças (e adultos) de todas as idades, O elefantinho (Adriana Partimpim e Vinicius de Moraes, 2013) - parceria póstuma de Partimpim (heterônimo infantil de Adriana) com o poeta, lançada no CD que fez a releitura d'A arca de Noé (Sony Music, 2013) - teve seu passo seguido por intervenções da corneta soprada pelo contra-regra. Já Borboletas (Cid Campos e Vinicius de Moraes, 1929) - voou alto no tom colorido do canto de Calcanhotto. Em números como Um sequestrador, música composta por Francis Hime com Vinicius nos anos 1970 e letrada somente em 2003 (por Adriana) para disco de Francis, a artista confiou o violão somente a cargo de Dadi e se concentrou no canto. Mesmo assim, Um sequestrador deixou no show a impressão de que os versos são mais sedutores do que a melodia. O pioneiro afro-samba Água de beber (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) passou longe da África. Faltou pressão também ao canto e ao toque de Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964). Em contrapartida, Calcanhotto cortejou com classe a sempre jovial Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962) e foi sensata ao evitar o melodrama quando deu voz aos versos doloridos de Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961). No bis, Calcanhotto provou que a arquitetura de A casa (Vinicius de Moraes, 1980) continua encantadora e arrematou o show com Tomara (1970), música somente de Vinicius. Enfim, ao reviver Vinicius de Moraes, Adriana Calcanhotto provou o quanto ela já é carioca e tem a bossa exigida para cantar obra cheia de graça em que o balançado é mais do que um poema. Show!!

'Blues para Emmett' é a surpresa do show em que Adriana saúda Vinicius

Em 28 de agosto de 1955, o adolescente negro norte-americano Emmett Louis Till (1941-1955) foi assassinado aos 14 anos na cidade de Money, no Mississipi (EUA), somente por ter piscado para mulher branca. O assassino - o marido racista da tal mulher - foi absolvido pelo tribunal branco, mas o crime impune gerou grande repercussão nos Estados Unidos. No Brasil, Toquinho e Vinicius de Moraes (1913 - 1980) reabriram o caso através da música, compondo Blues para Emmett, música lançada pela dupla no álbum Toquinho & Vinicius (RGE, 1971). Título obscuro da parceria de Toquinho com Vinicius, Blues para Emmett foi a grande boa surpresa do roteiro seguido pela cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto - em foto de Filipe Marques / I Hate Flash -  no show que fez ontem, 2 de abril de 2014, no Rio de Janeiro (RJ) dentro da programação do ciclo multimídia 100 anos Vinicius de Moraes, em cartaz na Biblioteca Parque Estadual. Entre temas da obra infantil do compositor e poeta carioca, Calcanhotto deu voz a clássicos da parceria de Vinicius com o compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e relembrou Um sequestrador, música que Francis Hime compôs com Vinicius nos anos 1970 e que somente ganhou letra - encomendada a Adriana - nos anos 2000, sendo lançada por Francis no álbum Brasil lua cheia (Biscoito Fino, 2003). Eis o roteiro seguido por Calcanhotto na primeira das duas sessões do show feito no novo Teatro Alcione Araújo com o seu violão e o do polivalente Dadi Carvalho para saudar Vinicius de Moraes pelo seu centenário de nascimento:

1. O poeta aprendiz (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971)
2. Ela é carioca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963)
3. Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 2009)
4. As borboletas (Cid Campos e Vinicius de Moraes, 2009)
5. O elefantinho (Adriana Partimpim e Vinicius de Moraes, 2013)
6. Um sequestrador (Francis Hime, Vinicius de Moraes e Adriana Calcanhotto, 2003)
7. Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961)
8. Blues para Emmett (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971)
9. Água de beber (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961)
10. Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962)
11. Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964)
Bis:
12. A casa (Vinicius de Moraes, 1980)
13. Tomara (Vinicius de Moraes, 1970)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Gravações apáticas tiram a vida (e a razão) de disco em tributo a Vinicius

Resenha de CD
Título: A vida tem sempre razão Vinicius de Moraes
Artista: vários
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 

Idealizado por Georgiana de Moraes com o produtor José Milton com o objetivo de celebrar o centenário de nascimento do compositor e poeta carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980), pai de Georgiana, o CD A vida tem sempre razão resulta decepcionante na maioria de suas 16 gravações inéditas. Sem o frescor da releitura contemporânea d'A arca de Noé, projeto fonográfico idealizado por Susana de Moraes (a filha primogênita de Vinicius), o disco resulta apático, sem vida, tradicionalista ao extremo. Dos 16 fonogramas inéditos, apenas seis merecem atenção. Escorada nos arranjos e no toque do piano de Cristóvão Bastos, a produção de José Milton alinha grandes nomes da MPB e do samba, mas poucos fazem jus aos seus respectivos históricos. As boas gravações de Ana Carolina, Chico Buarque, Joyce Moreno (com Roberta Sá), Mônica Salmaso, Nana Caymmi e Raimundo Fagner impedem o fiasco completo. Emoldurada por cordas e pelo piano de Eduardo Souto Neto, arranjador da faixa, a voz de Ana Carolina valoriza - em apropriados tons suaves - a melodia e a poesia romântica de Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959) em gravação sóbria. Chico Buarque acerta o tom exato da melancolia de O amor em paz (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1960) em interpretação precisa. Por ter assumido o arranjo e o violão de A felicidade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959) na arejada gravação dividida com Roberta Sá, Joyce Moreno mostra a costumeira bossa, escapando do tom excessivamente classicista do disco. Por estar habituada a esse universo do produtor José Milton, piloto de vários de seus álbuns, Nana Caymmi se ambienta em Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) e - mesmo sem render tudo que pode - defende bem a música em gravação pontuada pelo violão de Lula Galvão e pelo piano de Cristóvão Bastos. Pela precisão de seu canto, perfeito para registros de tom camerístico, Mônica Salmaso também brilha em Sem mais adeus (1963), primeira parceria de Francis Hime com Vinicius, em gravação arranjada pelo pianista Nelson Ayres somente com voz, piano e flauta (soprada por Teco Cardoso). Sem carregar nas tintas, Raimundo Fagner também encontra o tom lamentoso de Chora coração (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1973) em registro sublinhado pelo toque virtuoso do violoncelo de Bernardo Bessler. Em contrapartida, Zeca Pagodinho ambienta o samba Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) em clima de gafeira sem empolgar. Já Edu Lobo esmaece o sublime Canto triste (1966), sua mais inspirada parceria com o poeta, já gravada anteriormente por Lobo com mais empenho. Aliás, a escolha de Canto triste para Lobo denota preguiça na distribuição do repertório. Outro caso de escalação preguiçosa, Maria Creuza nada acrescenta de positivo ao regravar - com o toque da sanfona de Cristóvão Bastos - Onde anda você (1972), parceria de Vinicius com Hermano Silva registrada pela cantora com muito mais brilho no álbum Meia-noite (RCA Victor, 1977). Carlos Lyra também já abordou sua canção Você e eu (1961) - pérola da safra inicial de sua parceria com o poeta - com mais frescor, em que pese o toque límpido do piano de Marcos Valle na faixa. Já Miúcha solta a voz em tom arrastado e impreciso, prejudicando seu (afiado) partner Renato Braz no dueto do Samba em prelúdio (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963). Até João Bosco - que normalmente dá show ao interpretar repertório alheio - parece travado em Medo de amar (Vire essa folha do livro) (1958), música assinada somente por Vinicius. Se Georgiana de Moraes é presença meramente afetiva em Cartão de visita (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964), Toquinho cai sem graça no samba Sei lá... A vida tem sempre razão (1971), sucesso de sua frutífera parceria com Vinicius. Já Arlindo Cruz se junta com Moyseis Marques para trazer três sambas da parceria de Baden Powell (1937 - 2000) com Vinicius - Consolação (1964), Formosa (composto em 1963) e Pra que chorar? (finalizado em 1964) - para o quintal carioca. A ideia foi boa, mas faltou um baticum mais forte no arranjo do violonista Cláudio Jorge para a dupla poder empolgar. Por fim, o Canto de Ossanha (1966) - um dos mais célebres títulos da série de afro-sambas de Baden & Vinicius - ressoa sem força na voz de Seu Jorge, ratificando a apatia de um disco que jamais arrebata. Com mais baixos do que altos, A vida tem sempre razão é disco (quase sempre...) sem vida, sem razão de ser.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Com 'porongondon', Mart'nália ajeita improvisado tributo a Vinicius no Rio

Resenha de show
Evento: Festival Back2Black
Artista: Mart'nália (em foto de Cristina Granato)
Local: Grande Sala - Cidade das Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 17 de novembro de 2013
Cotação: * * 1/2

"Tamo ajeitado? Tamo ajeitado, né?", perguntou Mart'nália para um dos músicos que dividiram com ela o palco da Grande Sala, na Cidade das Artes, no show em homenagem ao centenário de nascimento do compositor e poeta carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980). A pergunta foi feita após o sétimo número da atribulada apresentação da cantora carioca no terceiro e último dia do festival Back2Black. Tinha tudo para ser antológico o tributo a Vinicius prestado por uma cantora que soube dar alma pop ao samba com sua voz e seu estilo peculiar. Contudo, problemas de som - provocados pela transferência do show do cantor norte-americano Bobby Womack do Palco Rio para a Grande Sala - empanaram o brilho do show de Mart'nália. O início do show transcorreu como se fosse uma passagem de som, com a luz da plateia ainda acesa e com os técnicos ajustando os instrumentos da banda. O que não impediu que o microfone de Mart'nália soasse demasiadamente baixo quando a cantora soltou sua voz rouca na canção Sabe você (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961) - apresentada em atmosfera de samba-canção - e nos sambas Regra três (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971) e Sei lá... A vida tem sempre razão (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971). O som foi regulado somente a partir do número que reuniu Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962), Ela é carioca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963), Minha namorada (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1962) e Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959) em medley que celebrou a beleza feminina e o amor ao jeito maroto de Mart'nália. Ainda em clima de improviso, a cantora repetiu Sabe você e Sei lá... A vida tem sempre razão - já com o som do microfone ajustado - para retomar o roteiro com Samba de benção (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), primeiro grande momento do show. Munida de percussão, Mart'nália sambou no palco, caiu no suingue e deitou e rolou na cadência do Samba da benção em arranjo que incorporou levadas baianas. "Com Vinicius tem que ser tudo no improviso mesmo. Não dá para ser muito certinho, certo?", ponderou a cantora, entrando no clima do show, ao cantar Pra que chorar? (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964). Foi no improviso que, no bis, após cantar A tonga da mironga do kabuletê (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971), Mart'nália puxou Tarde em Itapoã (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971). Enfim, ao seu jeito desencanado, Mart'nália acabou ajeitando seu tributo a Vinicius. Botou um copo de uísque ao centro do palco, em cima de um copo de gelo, e saudou o poeta a cada gole com um "Saravá!". Botou também no palco a sobrinha Dandara, que evoluiu em cena à moda das mulatas globelezas, em Garota porongondon (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1965), uma das músicas menos conhecidas do roteiro ao lado de Mulata do sapateado, bissexta parceria de Vinicius com o compositor mineiro Ary Barroso (1903 - 1964), gravada em 1960 por Ângela Maria - citada por Mart'nália no show - e revivida pela filha de Martinho da Vila no álbum Pé do meu samba (2002). Enfim, Mart'nália tem muito porongondon. E foi com esse porongondon que salvou show prejudicado pela súbita alteração na logística da última noite da quinta edição do Back2Black. No improviso, sem stress, a artista ajeitou o tributo a Vinicius.

sábado, 19 de outubro de 2013

Toquinho festeja Vinicius com CD em que canta obra anterior do parceiro

Principal parceiro de Vinicius de Moraes (1913 - 1980) nos anos 70, última década de vida do compositor carioca, Toquinho celebra os 100 anos de Vinicius - completados neste sábado, 19 de outubro de 2013 -com disco em que dá voz a 15 músicas de fases anteriores da obra musical do poeta. Em Obrigado, Vinicius, CD que vai chegar às lojas em novembro de 2013 em edição da Sony Music, Toquinho canta apenas músicas assinadas por Vinicius com parceiros anteriores como Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), Baden Powell (1937 - 2000) e Carlos Lyra. Eis - na ordem - as 15 músicas (re)gravadas por Toquinho no álbum Obrigado, Vinicius:

1. Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962)
2. Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964)
3. Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959)
4. Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966)
5. Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
6. Primavera (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964)
7. Ela é carioca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963)
8. Coisa mais linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961)
9. Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961)
10. A felicidade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959)
11. O amor em paz (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1960)
12. Samba em prelúdio (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963)
13. Samba da benção (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966)
14. Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963)
15. Samba do carioca (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964)

Cem motivos para celebrar hoje o centenário de nascimento de Vinicius

Vinicius de Moraes (19 de outubro de 1913 - 9 de julho de 1980) foi eterno enquanto duraram os 66 anos, oito meses e 20 dias de sua vida. E continuou eterno, pela força da vida e da obra que transcenderam sua passagem pela terra. E porque hoje é o sábado em que o Brasil celebra o centenário de nascimento do grande Poetinha, Notas Musicais relaciona 100 motivos para louvar a existência do imortal Vinicius de Moraes, letrista que dividiu águas na música do Brasil.

1. O convite a Tom Jobim em 1956 para criar parceria fundamental na música brasileira

2. O encontro com Baden Powell em 1962 para expandir o gênero rotulado como afro-samba

3. A composição com Jobim, em 1962, de Garota de Ipanema, clássico de alcance mundial

4. A revolução estética feita por Vinicius nas letras da música popular brasileira

5.  Canção do amor demais (1958), disco de Elizeth Cardoso com músicas de Tom & Vinicius

6.  O início da parceria com Carlos Lyra em 1961, gerando pérolas como Primavera

7. O encontro com Toquinho em 1970, gerando parceria que renovou a obra de Vinicius

8. A feitura de suas duas primeiras músicas, em 1928, com os irmãos Haroldo e Paulo Tapajós

9. A gravação dessas primeiras músicas, somente em 1932, pelo duo carioca Irmãos Tapajós

10. A publicação de seu primeiro poema, A transfiguração da montanha, em revista de 1932

11. A edição, em 1933, de seu primeiro livro de poemas, O caminho para a distância

12. A redação do Soneto de Fidelidade em 1939, em Estoril, à espera de navio para Brasil

13. A amizade com o compositor Antônio Maria em 1951 que virou parceria nos anos dourados

14. A premiação de sua peça Orfeu da Conceição em 1954 em concurso de teatro de SP.

15.  A encenação no Rio de Janeiro, em 1956, da peça Orfeu da Conceição

16. A edição da revolucionária gravação de Chega de saudade em disco de agosto de 1958

17. A edição em 1959 de disco da cantora Lenita Bruno com músicas de Tom & Vinicius

18. A abertura de parceria com Edu Lobo a partir de encontro ocorrido em 1962

19. A abertura de parceria com o então iniciante Francis Hime, também em 1963

20. A vitória de Arrastão no Festival Nacional de Música Popular Brasileira da TV Excelsior

21. A edição, pela gravadora Forma, do disco Os afro-sambas, assinado com Baden

22. O aval imediato e carinhoso de Vinicius ao então nascente Quarteto em Cy

23. A leitura do poema Pátria minha como protesto pela promulgação do AI-5

24. Os shows feitos com Toquinho e Maria Creuza na Argentina entre 1970 e 1971

25. A composição com Toquinho da trilha sonora da novela O bem amado, em 1973

26. A composição com Edu Lobo da trilha sonora do musical Deus lhe pague (1976)

27. O histórico show feito com Tom, Toquinho e Miúcha no Canecão entre 1977 e 1978

28.  Sua incursão no universo musical infantil com os discos d'A arca de Noé

29.  A interação com Dorival Caymmi em shows feitos na década de 60

30. A edição em 1961 de Brasília - Sinfonia da alvorada, peça composta com Tom

31  A composição de Eu sei que vou te amar, feita com Tom Jobim em 1959

32. A parceria bissexta com Pixinguinha entre 1962 e 1963

33. A parceria bissexta com Adoniran Barbosa no samba-canção Bom dia, tristeza (1957) 

34.  A aceitação da melodia feita por Toquinho para Tarde em Itapoã, clássico da dupla

35. A consagração do filme Orfeu negro em 1959 com a Palma de Ouro de Cannes

36. A parceria com o então estudante João Bosco, iniciada em 1967 em Ouro Preto (MG)

37. O apego de Vinicius às mulheres - casou nove vezes - e à vida

38. O encontro com Clara Nunes no show O poeta, a moça e  violão, em 1973

39. A composição com Jobim do primeiro afro-samba, Água de beber, em 1961

40. A composição de Canto triste (1966), uma das obras-primas da parceria com Edu Lobo

41. Carta ao Tom, endereçada a Jobim em 1974 com a nostalgia da modernidade da bossa 

42. A composição com Tom do samba Ela é carioca (1963), tradução do espírito do Rio

43. A criação da trilha sonora do filme Garota de Ipanema (1967)

44.  A parceria com Chico Buarque no início dos 70, gerando a bela Valsinha (1970)

45. A criação da música e da letra da valsa Pela luz dos olhos teus (1977)

46. A criação da música e da letra da Serenata do adeus (1958)

47. Se todos fossem iguais a você (1956), exemplo da afinidade imediata de Tom & Vinicus

48. A amizade com o modernista Mário de Andrade, iniciada em 1940

49. O encontro com João Cabral de Melo Neto no Recife em 1942

50. A amizade com o poeta chileno Pablo Neruda, iniciada em 1945

51. A atuação como cronista e crítico de cinema em jornais e revistas dos anos 40

52. O estudo de cinema em Los Angeles (EUA) com Orson Welles

53. A composições de canções de câmara com o maestro Claudio Santoro em 1955

54. A parceria bissexta com o compositor mineiro Ary Barroso em 1962

55. A gravação, em 1962, de disco como cantor, feito com a atriz Odete Lara

56. A projeção mundial do Samba da benção, composto com Baden Powell

57. A musicalidade de Vinicius, exposta na fluência de seus versos de música

58. A generosidade de Vinicius, que abria parcerias com compositores iniciantes

59. A amizade com o poeta pernambucano Manuel Bandeira, iniciada em 1936

60. A amizade com o escritor capixaba Rubem Braga, desenvolvida nos anos 40

61. A letra especialmente inspirada de Cotidiano nº 2, parceria com Toquinho

62. Os versos do afro-samba Canto de Ossanha (1966), obra-prima feita com Baden Powell

63. O lirismo dos versos de Quando tu passas por mim (1953), parceria com Antonio Maria

64. A leveza bossa-novista da letra de Você e eu, parceria com Carlos Lyra

65. A premonição dos versos da Marcha da quarta-feira de cinzas, escritos em 1963

66. A ode à paixão feita nos versos do samba Como dizia o poeta, parceria com Toquinho

67. Meu pai Oxalá, uma das obras-primas da trilha sonora da novela O bem amado

68. A letra de Gente humilde, escrita em 1969 sobre melodia do violonista Garoto

69. A composição de letra e música d'A casa, tema infantil que originou A arca de Noé

70. A vocação para a felicidade que norteou a vida de Vinicius

71. As crônicas reunidas no livro de prosa Para viver um grande amor, de 1962

72. O samba A felicidade (1959), um dos clássicos da parceria Tom & Vinicius

73. A fatalista O que tinha de ser (1959), outra obra-prima de Tom com Vinicius

74. Insensatez (1961), bela música de Tom & Vinicius que ganhou o mundo

75. A denúncia de preconceito social feita em O morro não tem vez (1963)

76. A beleza atemporal de Amor em paz (1960), clássico de Tom & Vinicius

77. O recado sutil dado a Toquinho nos versos do samba Regra três (1971)

78. Estrada branca (1958), canção do amor demais composta com Tom

79. Janelas abertas, outro clássico da magistral safra 1958 de Tom & Vinicius

80. A pluralidade rítmica e poética do cancioneiro de Vinicius de Moraes

81. A total sintonia entre música e letra em Eu não existo sem você (1958)

82. A consciência de que fazer letra de músicas não era atividade menor

83. A criação de lírica romântica que sustentava a leveza da Bossa Nova

84. A capacidade de Vinicius de transcender o universo da Bossa Nova

85. A humildade que fazia Vinicius viver como se não fosse um nome internacional

86. A cultura do poeta e compositor, vasta e rica, mas nunca alardeada

87. A maneira lúdica como abordava seu apego ao uísque, o "cachorro engarrafado"

88. O verso "Mas que seja infinito enquanto dure" do Soneto de Fidelidade 

89. A transformação de termo desdenhoso de general ("Poetinha") em epíteto carinhoso

90. A melodia e a letra de Medo de amar, assinadas somente por Vinicius

91. A capacidade de ter vivido sua vida em estado permanente de poesia

92. A perenidade de seu cancioneiro, sempre regravado no Brasil e no mundo

93. Os shows universitários feitos nos períodos em que o Brasil vivia sob ditadura

94. O apadrinhamento de Joyce Moreno ao longo dos anos 60

95. As praias desertas, outro clássico da safra 1958 da parceria Tom & Vinicius

96. A leveza com que parece ter enfrentado os perigos desta vida

97. O exemplo de integridade artística deixado pelo poeta e pelo compositor

98. A tonga da mironga do kabuletê (1971), outro êxito da parceria com Toquinho

99. O conjunto da obra, perene e com frescor eterno

100. Porque hoje é sábado, dia de festejar os 100 anos de Vinicius de Moraes

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Tributo a Vinicius traz duetos de Joyce com Roberta e de Lyra com Valle

Idealizado para festejar o centenário de nascimento do poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980), o disco A vida tem sempre razão - produzido por José Milton para a gravadora Sony Music - alinha, entre suas 16 gravações inéditas, encontros de Joyce Moreno com Roberta Sá (em A felicidade, parceria de Tom Jobim com Vinicius de Moraes, lançada em 1959), de Carlos Lyra com Marcos Valle (Você e eu, parceria de Lyra com Vinicius, de 1961) e de Arlindo Cruz com Moyseis Marques (em medley com afro-sambas de Vinicius e Baden Powell).

1. O amor em paz - Chico Buarque
2. Chega de saudade - Zeca Pagodinho
3. A felicidade - Joyce Moreno e Roberta Sá
4. Janelas abertas - Nana Caymmi
5. Canto triste - Edu Lobo
6. Onde anda você? - Maria Creuza
7. Você e eu - Carlos Lyra e Marcos Valle
8. Samba em prelúdio - Miúcha e Renato Braz
9. Medo de amar (Vire essa folha do livro) - João Bosco
10. Eu sei que vou te Amar - Ana Carolina
11. Chora coração - Fagner
12. Sem mais adeus - Mônica Salmaso
13. Consolação / Formosa / Pra que chorar? - Arlindo Cruz e Moyseis Marques
14. Canto de Ossanha - Seu Jorge
15. Cartão de visita - Georgiana de Moraes
16. Sei lá (A vida tem sempre razão) - Toquinho
17. Garota de Ipanema - Emilio Santiago (faixa-bônus) - gravação de 2000
18. Pela luz dos olhos teus - Miúcha e Tom Jobim (faixa-bônus) - gravação de 1977

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Móveis entra na 'Arca' com gravação de 'Abelhas' arranjada por Abujamra

Projeto infantil encabeçado por Vinicius de Moraes (1913 - 1980) na década de 80, A arca de Noé ganhou mais tripulantes além dos artistas requisitados para as releituras das músicas dos álbuns de 1980 e 1981 em único CD posto nas lojas neste mês de outubro de 2013 pela gravadora Sony Music. Por conta do centenário de nascimento do poeta, o grupo brasiliense Móveis Coloniais de Acaju gravou As abelhas (Luis Bacalov e Vinicius de Moraes, 1980) em registro arranjado por André Abujamra e já disponibilizado para audição e download gratuito no site oficial da banda. No recém-lançado tributo A arca de Noé - Vinicius de Moraes, As abelhas zunem no clima novo baiano da gravação de Marisa Monte, um dos destaques do disco.

sábado, 12 de outubro de 2013

Leitura contemporânea d'A arca de Noé' respeita obra infantil de Vinicius

Resenha de CD
Título: A arca de Noé - Vinicius de Moraes
Artista: Vários
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * 1/2

Idealizada por  Susana de Moraes, filha mais velha de Vinicius de Moraes (1913 - 1980), a releitura contemporânea das músicas dos álbuns A arca de Noé (1980) e A arca de Noé 2 (1981) chega ao mercado fonográfico - em CD editado pela gravadora Sony Music - a tempo de festejar o Dia das Crianças e o centenário de nascimento do compositor e poeta. Viabilizado por produção capitaneada por Dé Palmeira, com adesões de Adriana Calcanhotto e Leonardo Netto, o CD A arca de Noé - Vinicius de Moraes resulta interessante porque os novos arranjos deram tom contemporâneo ao cancioneiro de Vinicius sem desconfigurá-lo. Ao contrário, parece ter havido respeito na abordagem das músicas - ainda que cada artista do elenco estelar tenha trazido sua canção para seu universo particular. Erasmo Carlos, por exemplo, choca O pintinho (Toquinho, Vinicius de Moraes e Gilda Mattoso, 1981) na pressão do rock em registro turbinado pelas guitarras de Dado Villa-Lobos e Lucas Vasconcellos. Presenças tão surpreendentes quanto bem-vindas, Chitãozinho & Xororó terçam vozes em A corujinha (Toquinho, Vinicius de Moraes e Sergio Bardotti, 1980) como se estivessem à beira da fazenda, em noite enluarada. As violas caipiras de Xororó e Henrique Bonna se encarregam de reforçar o tom ruralista da faixa. Música composta para o projeto, mas gravada por Adriana Partimpim no álbum Partimpim dois (2009), As borboletas é parceria póstuma de Cid Campos com Vinicius que alça voo linear na voz de Gal Costa no escuro tom indie-eletrônico do álbum Recanto (2011). Produzida por Calcanhotto e Domenico Lancellotti, a faixa de Gal é das mais ousadas da releitura d'A arca de Noé e se afina com a abordagem d'A cachorrinha (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1981) por Maria Luiza Jobim em gravação produzida pelo tecladista Lucas Paiva. Se bem que Zeca Pagodinho também foi ousado (e bem-sucedido) ao transformar a valsa O pato (Toquinho, Vinicius de Moraes e Paulo Soledade, 1980) em samba à moda carioca - no mesmo nobre quintal em que Chico Buarque acerta o passo amaxixado do samba O pinguim (Toquinho, Paulo Soledade e Vinicius de Moraes, 1981) - enquanto Caetano Veloso e Moreno Veloso fazem O Leão (Fagner e Vinicius de Moraes, 1981) rugir com igual propriedade na cadência do pagode baiano. Destaque do elenco, a baiana Ivete Sangalo mostra - ao reviver A galinha d'Angola (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1981) em gravação feita com o grupo português Buraka Som Sistema - que é ótima cantora quando abre mão de suas habituais presepadas e quanto tem repertório à altura de sua voz. A faixa de Ivete flerta com o kuduro de forma natural. Já Arnaldo Antunes põe sua voz cavernosa e toque andino de latinidade em O peru (Toquinho, Paulinho Soledade e Vinicius de Moraes, 1981). É tanta estrela que Mariana de Moraes passa batida com sua reverente gravação de A formiga (Vinicius de Moraes e Paulo Soledade, 1981). Única música inédita do disco, O elefantinho - parceria póstuma de Adriana Partimpim com Vinicius - é faixa mais indicada para crianças com mais de 20 anos pelo tom intrincado do arranjo da gravação da Partimpim, menina tão sapeca quanto Mart'nália, intérprete de O gato (Toquinho, Vinicius de Moraes e Luis Bacalov, 1980), faixa marcada pela leveza moleca da filha de Martinho da Vila. Com a voz de Rodrigo Amarante, A foca (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1980) tem seu clima circense realçado pela gravação da Orquestra Imperial. Miúcha e Paulo Jobim também acertam ao reviver São Francisco (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1980) em feitio de oração. Por sua voz, Marisa Monte reitera em As abelhas (Luis Bacalov e Vinicius de Moraes, 1980) sua intimidade com o riponga clima novo baiano. Enfim, A arca de Noé está povoada com novos nomes e sons. Da solenidade de Maria Bethânia, que recita o poema que introduz A arca de Noé (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1980) em faixa cantada por Seu Jorge e Péricles, à naturalidade do próprio Vinicius (ouvido ao fim do disco na gravação original d'A casa, música do disco de 1980), tudo está no seu lugar nessa releitura respeitosa e ao mesmo tempo ousada da obra infantil do poeta. Viva Vinicius!!

domingo, 6 de outubro de 2013

Livro com histórias de canções expõe a singularidade do plural Vinicius

Resenha de livro
Título: Vinicius de Moraes - Histórias de canções
Autor: Wagner Homem & Bruno de la Rosa
Editora: Leya
Cotação: * * * 

Vinicius de Moraes (1913 - 1980) foi um artista de atuação plural e profícua na cena cultural brasileira. "Fosse um só, seria Viniciu de Moral", chegou a brincar o cronista carioca Sérgio Porto (1923 - 1980), na pele de seu heterônimo Stanislaw Ponte Preta. Contudo, Vinicius de Moraes foi também um artista de atuação singular, por conta de espontaneidade que fugia aos padrões comportamentais vigentes em sua(s) época(s). Ao contar causos sobre a criação das músicas mais importantes do compositor, o fluente livro Vinicius de Moraes - Histórias de canções expõe essa singularidade do parceiro de Antonio Carlos Jobim (1913 - 1980), Baden Powell (1937 - 2000), Carlos Lyra, Chico Buarque, Edu Lobo e Toquinho, entre outros nomes da linha de frente da música brasileira. O quinto volume da série Histórias de canções revela que, ao mostrar Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) para sua então mulher Lila Bôscoli, ouviu críticas à rima de peixinhos com beijinhos. "Ora, mulher, deixe de ser sofisticada", rebateu de imediato o poeta letrista, ciente dos caminhos da popularidade que seria obtida por suas letras de tom coloquial que se ajustaram com perfeição à leveza da Bossa Nova. Através das histórias das canções, contadas em breves relatos pelos autores Wagner Homem e Bruno de la Rosa, o livro deixa entrever também o ciúme que regia a relação de Vinicius com seus parceirinhos. Por insistência do poeta, Chico Buarque contribuiu com apenas quatro versos para uma (a rigor) já finalizada Gente humilde (Garoto, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1970). É que então Vinicius queria a todo custo se tornar parceiro de Chico para poder fazer frente a Tom Jobim, que já se tornara parceiro de Chico em 1968. Em contrapartida, Toquinho - parceiro mais constante de Vinicius na última década de vida do compositor - correu para criar melodia para Tarde em Itapoã (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971). Escrita sob a inspiração da paisagem do bucólico e praieiro bairro de Salvador (BA), a letra seria endereçada por Vinicius ao baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008) se Toquinho não tivesse sido tão rápido - e inspirado, dando bela forma uma das obras-primas da dupla. Causos e ciúmes à parte, o livro mostra também como Vinicius foi singular em seu talento plural para transitar por variados universos musicais. Mesmo não sendo profundo conhecedor das tradições do Candomblé, o poeta se enturmou com os termos dos orixás para escrever as letras dos célebres afro-sambas criados com Baden Powell. Enfim, Vinicius de Moraes foi plural de forma absolutamente singular. Stanislaw Ponte Preta tinha lá razão: Vinicius não foi somente um só.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tono inclui tema de Tom & Vinicius no 'Aquário' arquitetado com Lindsay

Música composta por Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) para a trilha sonora do filme A casa assassinada (Brasil, 1971), Chora coração ganha registro do grupo carioca Tono. Feita com a participação especial de Maria Luiza Jobim, filha de Tom, a gravação integra o repertório do terceiro álbum do Tono, Aquário, gravado e mixado no estúdio Monoaural, no Rio de Janeiro (RJ), com produção de Arto Lindsay. Chora coração é bissexta releitura de disco essencialmente autoral. Como vês e Tu cá tu lá figuram entre as 11 músicas de Aquário. Pronto e já no forno, o CD vai ser lançado neste último trimestre de 2013.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Parceria póstuma de Partimpim com Vinicius é a novidade da atual 'Arca'

Parceria póstuma de Adriana Partimpim sobre poema de Vinicius de Moraes (1913 - 1980), O elefantinho é a única música inédita da edição revista e atualizada do disco A arca de Noé, projeto infantil lançado por Vinicius em LP de 1980 (um segundo volume foi editado em 1981). A música é ouvida no disco na voz de Partimpim, heterônimo infantil da cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto. Produzido por Calcanhotto com Dé Palmeira, o CD com novas gravações do cancioneiro d'A arca de Noé vai ser lançado pela gravadora Sony Music em outubro de 2013, dentro das homenagens pelo centenário de nascimento de Vinicius de Moraes. A ideia de refazer o projeto infantil foi de Susana Moraes, filha do poeta. O elenco estelar inclui nomes como Arnaldo Antunes (O peru), Caetano Veloso (O leão, em dueto com seu filho Moreno Veloso), Chico Buarque (O pinguim), Erasmo Carlos (O pintinho), Gal Costa (As borboletas - parceria póstuma de Cid Campos com Vinicius de Moraes, concretizada para o projeto, mas lançada por Adriana Partimpim em disco de 2009), Ivete Sangalo (A galinha d'Angola, com o grupo português Buraka Som Sistema), Maria Bethânia (A arca de noé, faixa dividida com Péricles e Seu Jorge) e Marisa Monte (As abelhas), entre outras estrelas da MPB.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Braz cai no 'Samba em prelúdio' com Miúcha no CD que celebra Vinicius

Uma das (muitas) obras-primas da parceria de Vinicius de Moraes (1913 - 1980) com Baden Powell (1937 - 2000), Samba em prelúdio ganha as vozes de Renato Braz e Miúcha 50 anos após ter sido lançado em disco, em 1963, em gravação feita por Geraldo Vandré com Ana Lúcia. O inédito dueto de Braz com Miúcha foi gravado para o CD A vida tem sempre razão, produzido por José Milton para a Sony Music, com arranjos do pianista Cristóvão Bastos, para celebrar os 100 anos de nascimento de Vinicius. O tributo vai ser lançado em outubro de 2013.