Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Simone. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Simone. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

'25 de dezembro', o disco natalino de Simone, pede reavaliação após 20 anos

EDITORIAL   Em 1995, quando Simone lançou 25 de dezembro, primeiro álbum de repertório natalino de discografia iniciada em 1973, a cantora alcançou patamar inédito de vendagem, mostrando que havia demanda no mercado fonográfico nacional por este gênero de disco tão comum nos Estados Unidos, mas comumente desprezado no Brasil. Batizado com a data de aniversário da cantora, nascida no dia em que se convencionou festejar a vinda de Jesus ao mundo cristão, 25 de dezembro ultrapassaria o milhão de cópias vendidas ao longo de 1996. Decorridos 20 anos, estima-se que 25 de dezembro tenha vendido mais de dois milhões de exemplares, contando com as cópias comercializadas após a reedição de 1998 que adicionou à faixa-bônus Ave Maria às 10 músicas do repertório original. Passadas duas décadas do lançamento, o disco resiste ao tempo e sempre volta às prateleiras na época do Natal. Paralelamente, o álbum tem sido motivo de piada na web, sendo execrado por milhões de detratores que provavelmente nunca pararam para ouvir as 10 gravações. Projeto idealizado por Simone com Marcos Maynard, executivo que comandava a gravadora então denominada PolyGram naquele ano de 1995, 25 de dezembro merece reavaliação. Está longe de ser um grande disco. As interpretações de Simone soam tecnicamente corretas, mas sem a sensibilidade, a emoção e o sentimento esperados no canto de repertório natalino. Há toda uma grandiloquência na produção orquestral - capitaneada pelo produtor musical Max Pierre com Moogie Canázio - que põe a emoção real em segundo plano. Contudo, 25 de dezembro também está longe de ser álbum execrável. Mesmo sem expor o espírito de natal no canto de Simone e nos arranjos, o disco - envolvido em grande estratégia de marketing para justificar a ida da artista para a PolyGram após 14 anos na gravadora CBS (Sony Music) - tem lá bons momentos. O maior deles é a lembrança de Pensamentos (1982), canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos que havia caído no esquecimento e cuja ideologia da letra tem tudo a ver com o espírito natalino. De Roberto e Erasmo, Simone também deu voz ao hino religioso Jesus Cristo (1970) com direto a coro gospel que se afina com o tom desse spiritual invariavelmente interpretado pelo Rei no encerramento dos shows do cantor. Há equívocos também no álbum. O maior deles é envolver a tristonha Boas festas (Assis Valente, 1933) em clima de samba com o baticum da Timbalada sem levar em conta o tom desesperançado dos versos da letra. 25 de dezembro é disco que peca por excessos e equívocos de produção. Feito de acordo com os padrões da indústria fonográfica da época, 25 de dezembro é disco que ostenta luxo e riqueza na ficha técnica quando algumas músicas pediam mais simplicidade e mais sentimento no arranjo e no canto para que a mensagem natalina ficasse em primeiro plano. Falta uma emoção real na maioria das 10 gravações. Contudo, decorridos 20 anos do lançamento, 25 de dezembro merece ser ouvido com mais boa vontade por cristãos de boa fé. Nem em que seja em nome do tão falado, mas tão pouco praticado, espírito de Natal. Não é um disco tão ruim.

domingo, 27 de outubro de 2013

Leve, Simone altera fim do show 'É melhor ser' na segunda apresentação

A alegria com que Simone sambou no palco do Teatro Oi Casa Grande - enquanto percutia um tamborim na introdução de Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho) - explicitou o tom mais leve e feliz do show É melhor ser na segunda apresentação da turnê nacional  iniciada pelo Rio de Janeiro (RJ). Sem as tensões naturais da estreia, acontecida na noite de 25 de outubro de 2013, a cantora baiana - em foto de Rodrigo Amaral - se mostrou bem mais descontraída e alterou o roteiro de É melhor ser, mudando o fim do show. Com a antecipação de Os medos (Joyce e Rodolfo Stroeter), deslocada do 19º para  16º número do show, a última música cantada por Simone antes do bis passou a ser Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977). A intérprete saudou as presenças, na plateia, das compositoras Fátima Guedes e Teresa Cristina.

sábado, 26 de outubro de 2013

Fiel a si própria, Simone segue seu caminho no terno show 'É melhor ser'

Resenha de show
Título: É melhor ser 
Artista: Simone (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Teatro Oi Casa Grande (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 25 de outubro de 2013
Cotação: * * * 1/2
Agenda da turnê nacional do show É melhor ser:
* 25 e 26 de outubro de 2013 - Teatro Oi Casa Grande - Rio de Janeiro (RJ)
* 31 de outubro de 2013 - Teatro da Unip - Brasília (DF)
* 1º de novembro de 2013 - Teatro Rio Vermelho - Goiânia (GO)
* 8 e 9 de novembro de 2013 - Teatro do Complexo Cultural Ohtake - São Paulo (SP)
* 13 de novembro de 2013 - Bourbon Country - Porto Alegre (RS)
* 6 de dezembro de 2013 - Teatro Castro Alves - Salvador (BA)
* 8 de dezembro de 2013 - Palácio das Artes - Belo Horizonte (MG)


No fundo sempre sozinha, Simone vai seguindo seu caminho em É melhor ser, show que teve sua estreia nacional no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 25 de outubro de 2013, na sequência imediata da edição do homônimo 41º disco da Cigarra. Já são 40 anos de carreira e - tal como o disco recém-lançado pela gravadora Biscoito Fino - o show segue rota coerente com a trajetória da cantora baiana. Sem desvios, Simone faz o show que seu público espera dela. A força de sua personalidade é perceptível não somente no canto de firmeza e elegância que desafiam os 64 anos a serem completados daqui a dois meses, mas também nos figurinos brancos de Guilherme Guimarães, nos tons predominantemente azuis da luz clara de Rogério Wiltigen, no coração rosa alocado ao centro do móbile criado pelo cenógrafo Hélio Eichbauer e no roteiro fiel ao conceito feminino do disco É melhor ser, centrado em composições assinadas por mulheres (ainda que com eventuais parceiros do sexo masculino). Diante da manifestação cênica dessa personalidade forte, a contribuição da direção da atriz Christiane Torloni resulta imperceptível aos olhos do espectador - e provavelmente resida aí o maior mérito da diretora debutante: entender e aceitar que é melhor deixar Simone ser Simone no palco. Sob a direção musical do pianista Leandro Braga, autor dos arranjos, a cantora dá voz a 21 músicas que, em essência, expressam amor e doçura. Nesse sentido, a lembrança no bis de A noite do meu bem (1959), a bela e poética canção da imortal compositora carioca Dolores Duran, faz todo o sentido. É melhor ser é show terno. Quando canta Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol, 1979) ou O tom do amor (Moska e Zélia Duncan, 2010), por exemplo, Simone tem no olhar e na voz toda a ternura que quer dar ao seu público ávido de seu canto, dessa sua voz que - justiça seja feita - repete em cena sem nenhum esforço todos os tons alcançados no estúdio na gravação do CD É melhor ser. Proeza já perceptível quando - após a abertura das cortinas ao som em off de A propósito (Simone e Fernanda Montenegro, 2013), com Simone de braços abertos no centro do palco - a cantora solta a voz em Mulher o suficiente (Alzira Espíndola e Vera Lúcia Motta, 1995), instante pop do disco e do show. "Rock'n'roll, bebê!", brada Simone ao som do solo da guitarra de João Gaspar, em alusão à famosa frase ("Hoje é dia de rock, bebê") dita há dois anos por sua diretora Christiane Torloni ao ser entrevistada na área vip do Rock in Rio 2011. Nos sete primeiros números do roteiro, o show É melhor ser reproduz com fidelidade o disco homônimo, sem surpresas, ainda que dê para detectar um dengo adicional na interpretação do samba Trégua suspensa (Teresa Cristina e Lula Queiroga, 2010). É nesse porto seguro que Simone cai no samba para moças de fino trato como Adriana Calcanhotto, de quem desvenda Aquele plano para me esquecer (2011), e que explicita o amor romântico contido no belo bolero que compôs com Zélia Duncan, Só se for, uma das três músicas inéditas do CD É melhor ser. Na sequência, luzes verdes e amarelas realçam a brasilidade do vivaz baião Haicai (Fátima Guedes, 2013), outra inédita do disco, turbinada em cena com citações batidas na palma da mão do samba de roda Vai lavar siri (tema de domínio público adaptado pela Cigarra para cantar no show registrado no disco Simone et Roberto Ribeiro à Bruxelles, de 1973) e dos partidos altos Não chora, neném (Ivone Lara, 1979) e Tiê (Ivone Lara, Mestre Fuleiro e Tio Hélio, 1973). A mesma iluminação verde e amarela preenche o palco - nove números mais tarde - quando Simone surpreende a plateia ao iluminar Primeira estrela (Luli, Lucina e Sonia Prazeres, 1981), um dos sucessos indies do repertório da dupla Luli & Lucina, música gravada por Nana Caymmi no álbum ...E a gente nem deu nome (1981). Com seu ritmo marcado na palma da mão por músicos e plateia, o número percussivo deu vivacidade a show que já surpreendera quando, se desviando pela primeira vez do repertório do disco, Simone acendeu a beleza de Candeeiro, samba de tom afro que iluminou o talento de Teresa Cristina como compositora ao ser gravado pela artista carioca em A vida me fez assim (2004), álbum em que Teresa começou a revelar sua produção autoral. Na sequência de Candeeiro, Simone também surpreende ao cantar Canteiros (1973) com ternura que dilui a tristeza contida nos versos da poeta carioca Cecília Meireles (1901 - 1964), parceira póstuma do compositor cearense Raimundo Fagner nessa canção entoada por Simone de forma suave, sob a condução do piano de Leandro Braga. A suavidade também pauta a orquestração de Só nos resta viver (Angela Ro Ro, 1980), outra canção que embute dor filtrada pelo canto macio de Simone. Entre surpresas e números sempre esperados em shows de Simone, caso da sempre arrepiante Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977), É melhor ser reitera vícios e virtudes da Cigarra em cena. Os primeiros fazem com que o samba Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) soe como número de barzinho - sensação reforçada pelo coro do público - e com que a balada Outra vez (Isolda, 1977) ganhe pausas e charminhos à moda de Roberto Carlos (influência bisada na distribuição de rosas brancas ao fim do bis). As segundas fazem com que a cantora consiga renovar uma música batida como Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cícero, 1981) com suingue de clima norte-americano. Fecho caloroso do show, Os medos (Joyce Moreno e Rodolfo Stroeter, 2004) mostra que, quando arrisca para valer, Simone geralmente se dá bem. No mercado comum da vida humana, para citar verso de Vida de artista (Sueli Costa e Abel Silva, 1978), cantada com mais delicadeza no disco do que no show, a Cigarra tem se imposto em cena com a personalidade forte que molda seu caminho há 40 anos. E assim - no fundo sempre sozinha, ainda que cercada de boas companhias como Zélia Duncan (a amiga que se fez presente com sugestões para o repertório do bom CD) - caminha Simone, sempre fiel a si própria, rumo à imortalidade garantida às vozes que marcaram época.

'Candeeiro' de Teresa acende roteiro em que Simone canta Luli & Lucina

Fiel à ideologia de seu recém-lançado álbum É melhor ser (Biscoito Fino, 2013), centrado em composições de mulheres, Simone construiu o roteiro do show É melhor ser sem abrir mão da presença feminina na autoria (ou coautoria) de todas as 21 músicas do espetáculo dirigido pela atriz Christiane Torloni. Afro-samba lançado por Teresa Cristina em seu segundo álbum, A vida me fez assim (Deck, 2004), Candeeiro é uma das músicas do show que extrapolam o repertório do disco gravado pela cantora sob a produção musical de Bia Paes Leme e com arranjos do pianista Leandro Braga. Candeeiro iluminou roteiro em que Simone também dá voz a músicas de Luli & Lucina - Primeira estrela, parceria das compositoras como Sônia Prazeres lançada por Nana Caymmi no álbum ...E a gente nem deu nome (EMI Odeon, 1981) - e Dolores Duran (1930 - 1959), lembrada no bis com sua bela canção A noite do meu bem, lançada em 1959 na voz da própria Dolores. Outra boa surpresa foi Canteiros (1973), música composta por Raimundo Fagner com base em versos da poeta Cecília Meireles (1901 - 1964). Embora celebre os 40 anos de carreira da Cigarra, assim como o disco que lhe deu origem, o show É melhor ser foge da linha retrospectiva, gravitando em torno do CD. Eis o roteiro seguido por Simone - em foto de Rodrigo Amaral - na estreia nacional da turnê do show É melhor ser no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 25 de outubro de 2013:

1. A propósito (Simone sobre bilhete de Fernanda Montenegro, 2013) - em off
2. Mulher o suficiente (Alzira Espíndola e Vera Lúcia Motta, 1995)
3. Aquele plano para me esquecer (Adriana Calcanhotto, 2011)
4. Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol, 1979)
5. Trégua suspensa (Teresa Cristina e Lula Queiroga, 2010)
6. Só se for (Simone e Zélia Duncan, 2013)
7. Haicai (Fátima Guedes, 2013)
    - com citações de Vai lavar siri (tema de domínio público adaptado por Simone), Não chora, neném (Ivone Lara, 1979) e
      Tiê (Ivone Lara, Mestre Fuleiro e Tio Hélio, 1933)
8. Candeeiro (Teresa Cristina, 2004)
9. Canteiros (Fagner sobre poema de Cecília Meireles, 1973)
10. O tom do amor (Moska e Zélia Duncan, 2010)
11. Outra vez (Isolda, 1977)
12. Só nos resta viver (Angela Ro Ro, 1980)
13. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)
14. Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981)
15. Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cícero, 1981)
16. Primeira estrela (Luli, Lucina e Sônia Prazeres, 1981)
17. Vida de artista (Sueli Costa e Abel Silva, 1978) /
18. Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977)
19. Os medos (Joyce Moreno e Rodolfo Stroeter, 2004)
*    Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977) - prefixo      
Bis:
20. A noite do meu bem (Dolores Duran, 1959)
21. Alma (Sueli Costa e Abel Silva, 1982)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Entre mesmices e novidades, Simone é melhor quando escapa do óbvio

Resenha de CD
Título: É melhor ser
Artista: Simone
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * *

"Dias perdidos não podem voltar / Mas tem a dona esperança no ar", contemporiza Simone em versos de Só se for, belo bolero de atmosfera clássica e romântica, assinado pela Cigarra, bissexta compositora, com Zélia Duncan. Só se for é uma das três (boas) inéditas dentre as 13 músicas cantadas por Simone em seu 41º disco, É melhor ser, disponível no iTunes a partir desta terça-feira, 22 de outubro de 2013, e com edição física em CD prevista para chegar às lojas em novembro pela gravadora Biscoito Fino. Simone perdeu dias e discos com trabalhos aquém de sua importância e de seu histórico na MPB. Sem força para alterar o status da artista na cena atual, É melhor ser não é o grande e arrojado disco que Simone pode e deve oferecer ao seu público. Em certo sentido, o álbum - gravado sob a produção musical de Bia Paes Leme, com arranjos do pianista Leandro Braga - até representa retrocesso em relação ao arejado disco anterior de Simone, Na veia (2009), por conta do altíssimo teor de regravações. Algumas - sobretudo a do samba Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) - soam como mais do mesmo. Outras oferecem visão nova de músicas já batidas e, dentre estas, merece menção honrosa a releitura de Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cícero, 1981), abordada com suingue à moda norte-americana. O primeiro hit autoral de Marina Lima ganhou charme ao se distanciar da gravação original da cantora carioca. Entre mesmices e novidades, É melhor ser se revela disco digno, ambientado na atmosfera confortável que acomoda Simone desde os anos 90. Pelo fato de ter sido inteiramente arranjado por um pianista, o craque Leandro Braga, o disco ficou calcado no piano, instrumento condutor das regravações de Só nos resta viver (Angela Ro Ro, 1980) - faixa em que nem a entrada de percussão suave aos dois minutos da gravação tira o piano do segundo plano - e Vida de artista (Sueli Costa e Abel Silva, 1978). Feito no tempo da delicadeza, o registro de Vida de artista resulta especialmente sedutor e em sintonia com o tom feminino deste disco de Simone, a cantora que mais deu voz às melodias sensíveis de Sueli Costa e à poética dos parceiros homens da compositora. No mercado comum da música humana, É melhor ser cresce quando mais se desvia do óbvio. Baião inédito de Fátima Guedes, Haicai expia com otimismo a dor da ausência do ser amado - "Há uma esperança lá onde a saudade começa" - no ritmo vivaz e veloz de faixa luminosa, de tom maroto e de um suingue que evoca temas amaxixados. A já conhecida Mulher o suficiente (Alzira Espíndola e Vera Lúcia Motta, 1995) é outro ponto literalmente alto. Simone eleva os tons nesta música que soa como inédita para seu público. O tom pop da faixa é turbinado pelo solo da guitarra rock'n'roll de João Gaspar. Contudo, É melhor ser é disco mais calcado em climas íntimos. Ótima sacada dentre as regravações, a canção Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol, 1979) - o primeiro sucesso de Joanna, bela música que merecia mesmo ser lembrada - é entoada por Simone como um recado dado ao pé do ouvido. O clima de intimidade é mantido até quando a balada resvala para o ritmo de samba-canção. Samba aquém do histórico da obra de seus compositores Teresa Cristina e Lula Queiroga, Trégua suspensa - lançado por Teresa nos extras do DVD Melhor assim (2010) - foi inserido nessa atmosfera mais íntima que pauta É melhor ser, estando mais para boate do que para fundo de quintal. Já Aquele plano para me esquecer - o samba mais fraco dentre a safra gravada por Adriana Calcanhotto em seu cool CD O micróbio do samba (2011) - ganha cor, calor e vida no registro de Simone. Em contrapartida, Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981) é exemplo de regravação totalmente dispensável. Simone nada acrescenta a uma música já batida. São essas faixas desnecessárias - como Acreditar e Mutante - que impedem É melhor ser de ser o grande disco que ele poderia ser. Simone pode - e deve - ousar mais. Parceria obscura de Joyce Moreno com Rodolfo Stroeter, lançada por Joyce em 2004 no álbum A little bit crazy, Os medos apresenta no registro de Simone um esboço de modernidade e ousadia no arranjo que pira ao fim. Mas aí o disco acaba, remetendo ao seu começo, com a vinheta de oito segundos que reproduz verso ("Uma pessoa é o que a sua voz é") de A propósito, outra (boa) incursão de Simone no universo da composição - no caso, musicando bilhete lhe endereçado pela atriz Fernanda Montenegro. Como Simone canta em A propósito, "o artista também é o que são sua voz e o seu canto". Por sua voz e por seu canto, de tons ainda firmes e elegantes, Simone poderia ser atualmente muito mais do que é em É melhor ser, o disco de seus 40 anos de carreira. Mas (sempre) tem a dona esperança no ar...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Micróbio do samba de Calcanhotto contamina Simone em 'É melhor ser'

Simone - em foto de Leonardo Aversa - foi contaminada pelo micróbio do samba de Adriana Calcanhotto. Uma das 12 músicas gravadas pela cantora e compositora gaúcha no seu autoral CD O micróbio do samba (2011), Aquele plano para me esquecer ganha registro da Cigarra no álbum É melhor ser, nas lojas até o fim deste mês de outubro de 2013, em edição da gravadora Biscoito Fino. Outra músicas do disco são Os medos - parceria de Joyce Moreno com Rodolfo Stroeter, lançada por Joyce no álbum Just a little bit crazy (2004) - e Só nos resta viver (Ângela Ro Ro), música-título do segundo álbum de Ro Ro, lançado em 1980. Dominado por regravações em seu repertório assinado por mulheres (com alguns parceiros homens), o repertório do 41º disco de Simone inclui uma ou outra inédita, caso do bolero Só se for, parceria de Simone com Zélia Duncan, artista envolvida na concepção da produção assinada oficialmente por Bia Paes Leme com Leandro Braga. Eis as 14 músicas do álbum É melhor ser:

1. A propósito (Simone e Fernanda Montenegro, 2013)
2. Mulher o suficiente (Alzira Espíndola e Vera Lúcia Motta, 1995)
3. Aquele plano para me esquecer (Adriana Calcanhotto, 2011)
4. Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol, 1979)
5. Trégua suspensa (Teresa Cristina e Lula Queiroga, 2010)
6. Só se for (Simone e Zélia Duncan, 2013)
7. Haicai (Fátima Guedes, 2013)
8. Vida de artista (Sueli Costa e Abel Silva, 1978)
9. Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981)
10. Só nos resta viver (Ângela Ro Ro, 1980)
11. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)
12. Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cícero, 1981)
13. Os medos (Joyce Moreno e Rodolfo Stroeter, 2004)
14. A propósito (Simone e Fernanda Montenegro, 2013) - vinheta

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Já no iTunes, 'Mulher o suficiente' mostra Simone com vigor em tom pop

"Só sou mulher o suficiente / Quando faço amor com gente", delimita Simone ao cantar, em registro que roça atmosfera roqueira em alto e bom tom pop, Mulher o suficiente, música de Alzira Espíndola e Vera Lúcia Motta, lançada por Tetê Espíndola em 1995. Disponibilizada no iTunes a partir desta terça-feira, 8 de outubro de 2013, a gravação de Mulher o suficiente promove o 40º  título da discografia da cantora baiana, É melhor ser, nas lojas no fim deste mês de outubro, em edição da gravadora Biscoito Fino. Além de ser o 41º disco de Simone (se incluídos nas contas os álbuns gravados para o mercado de língua hispânica), É melhor ser festeja os 41 anos de carreira da Cigarra. Bia Paes Leme e Leandro Braga dividem a produção do CD em que Simone dá voz a músicas como A propósito (Simone sobre bilhete de Fernanda Montenegro, 2013), Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976), Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cícero, 1981), Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol, 1979), Haicai (Fátima Guedes, 2013), Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981), Só se for (Simone e Zélia Duncan, 2013), Trégua suspensa (Teresa Cristina e Lula Queiroga, 2010) e Vida de artista (Sueli Costa e Abel Silva, 1978), entre outras (femininas) composições assinadas por mulheres. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Simone canta o primeiro sucesso autoral de Marina no seu CD de 40 anos

Primeiro sucesso da obra autoral de Marina Lima, Charme do mundo - parceria da cantora e compositora carioca com seu irmão Antonio Cícero, lançada por Marina no LP Certos acordes (1981) - ganha a voz de Simone no CD feito pela cantora baiana, sob produção de Bia Paes Leme e Leandro Braga (com Simone na foto de Cristina Granato), para festejar 40 anos de carreira. Charme do mundo integra repertório que inclui também Só se for - inédita parceria de Simone com Zélia Duncan - e o samba Trégua suspensa (Teresa Cristina e Lula Queiroga, 2010), entre outras músicas assinadas por mulheres. O disco sai em outubro pela Biscoito Fino.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Simone grava parceria de Teresa e Queiroga no CD que lança em outubro

Parceria da cantora e compositora carioca Teresa Cristina com o compositor pernambucano Lula Queiroga, Trégua suspensa ganha a voz de Simone no disco gravado pela cantora com produção de Bia Paes Leme e Leandro Braga (com a Cigarra na foto de Cristina Granato). O samba Trégua suspensa foi lançado como faixa-bônus de estúdio do CD e DVD Melhor assim - Teresa Cristina ao vivo (EMI Music, 2010). No álbum, que tem lançamento programado para outubro de 2013 pela gravadora Biscoito Fino, Simone canta músicas de compositoras como Alzira Espíndola, Angela Ro Ro, Joyce Moreno, Rita Lee e Sueli Costa - entre outras mulheres.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Simone dá voz a Alzira, Fátima, Joyce, Rita e Ro Ro em CD de mulheres

Gravado sob produção de Bia Paes Leme e Leandro Braga, pianista que assina os arranjos, o CD com que Simone festeja 40 anos de carreira é focado em canções compostas por mulheres. Simone dá voz a músicas de Alzira Espíndola, Angela Ro Ro, Fátima Guedes, Joyce Moreno, Rita Lee e Sueli Costa, entre outras compositoras. Zélia Duncan - envolvida na produção do disco, gravado no Rio de Janeiro (RJ) no estúdio da gravadora Biscoito Fino - é parceria de Simone na inédita Só se for. O CD vai ser lançado no início de outubro 2013 pela Biscoito Fino. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Simone grava no Rio, no estúdio da Biscoito Fino, CD produzido por Zélia

Sob sigilo, Simone prepara no estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro (RJ), o álbum comemorativo de seus 40 anos de carreira. Previsto para ser lançado no segundo semestre de 2013, o disco está sendo arquitetado por Simone com Zélia Duncan, cantora com quem a Cigarra já gravou o CD e DVD Amigo é casa (Biscoito Fino, 2008), registro do show de 2006 que reuniu as cantoras no palco. Zélia - vista com Simone na foto de Cristina Granato - participa da produção e da seleção de repertório do disco, refazendo conexão fonográfica iniciada há oito anos com duetos gravados para o CD e DVD Simone ao vivo (EMI Music, 2005).

sábado, 1 de junho de 2013

Catto grava para novela música de Dussek e Isolda lançada por Simone

Gravação inédita de Filipe Catto acaba de entrar em rotação na trilha sonora de Sangue bom, novela exibida às 19h pela TV Globo. Trata-se de Quem é você, canção de Eduardo Dussek e Isolda, lançada pela cantora Simone no álbum Simone Bittencourt de Oliveira (Sony Music, 1995). Além de figurar no CD da novela, a ser posto nas lojas neste mês de junho de 2013 pela gravadora Som Livre, a gravação feita por Catto - em foto de Diego Ciarlariello - em estúdio vai ser adicionada ao repertório do primeiro registro ao vivo de show do cantor gaúcho, nas lojas em breve via Universal Music nos formatos de CD e DVD. Show foi gravado em São Paulo. 

domingo, 28 de outubro de 2012

Simone lança em 2013 o disco comemorativo de seus 40 anos de carreira

Sem lançar disco desde 2010, ano em que editou o CD/DVD Em Boa Companhia via Biscoito Fino, Simone - em foto de Leonardo Aversa - prepara para 2013 o disco comemorativo de seus 40 anos de carreira fonográfica, iniciada em 1973 (na gravadora Odeon) com o álbum Simone.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

'Casa de Brinquedos' é reaberta em DVD com Taviani no lugar de Simone

Em 1983, no embalo do sucesso dos especiais Arca de Noé (1980) e Arca de Noé 2 (1091), Toquinho e o baterista Mutinho compuseram as músicas do projeto infantil intitulado Casa de Brinquedos. Tais músicas deram origem ao homônimo especial de TV exibido pela Rede Globo naquele ano. Com arranjos e regência do maestro Rogério Duprat (1932 - 2006), a trilha sonora de Casa de Brinquedos foi editada em LP ainda em 1983 e relançada no formato de CD em 1995. Vinte e oito anos após a criação do projeto, Casa de Brinquedos é reaberta no formato de DVD, posto nas lojas pela Universal Music. Já sem a capa criada por Elifas Andreato para o álbum original, a edição de Casa de Brinquedos em DVD exibe animadas ilustrações de Carlos Duba para cada uma das doze músicas do projeto. Mas a mudança mais significativa é a de intérprete da música A Bicicleta, uma das mais inspiradas de safra. Em vez de Simone, intérprete original do tema, ouve-se a voz de Isabella Taviani, gravada especialmente para o DVD neste ano de 2011. Simone não autorizou o uso de sua voz neste produto audiovisual derivado do projeto de 1983. Contudo, no CD também reeditado pela Universal Music com a atual capa criada para o DVD, A Bicicleta é ouvida na voz original da cantora baiana (a gravadora tem o direito automático de reeditar o álbum original, mas, dependendo dos contratos de cada artista, é preciso nova permissão caso a gravadora queira criar em outra mídia novo produto derivado do original). Apesar da lamentável perda da capa original de Elifas Andreato, o CD Casa de Brinquedos merece a atenção do público infantil por reunir artistas como Tom Zé (preciso na interpretação de O Robô, única letra assinada por João Carlos Pecci na trilha), Chico Buarque (O Caderno, obra-prima do disco), Baby Consuelo (A Espingarda de Rolha), MPB-4 (Os Super-Heróis) e Toquinho (O Avião). O DVD é dispensável.

domingo, 10 de outubro de 2010

DVD 'Em Boa Companhia' capta prazer de Simone na cena de show feliz

Resenha de CD / DVD
Título: Simone em Boa Companhia

Artista: Simone
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

"Vocês não podem imaginar o prazer que  sentindo de estar aqui cantando...", disse Simone ao público de fãs que testemunhava a gravação ao vivo do show Em Boa Companhia, antes de cantar Fullgás (Marina Lima e Antônio Cícero), sucesso de Marina Lima em 1984. "Aqui" era o Teatro Guararapes, em Pernambuco, onde a cantora filmou em abril deste ano de 2010 o espetáculo dirigido por José Possi Neto com base no repertório e na atmosfera de sensualidade e felicidade do disco Na Veia (2009), o último álbum de inéditas da artista. Ora editado nos formatos de DVD e CD duplo, o registro ao vivo de Em Boa Companhia capta boa parte da alegria desse momento feliz de Simone. Aos 60 anos, a cantora soa jovial em cena. A voz já não tem o alcance de tempos áureos, mas está perfeitamente ajustada a esse momento de tons suaves - assim como o coerente repertório, que celebra o amor, o desejo e a mulher sem os arroubos dramáticos de outrora. Ao ampliar a atmosfera feliz do disco Na Veia, o show incorpora músicas que Simone já não cantava há um bom tempo, caso de Tô que Tô (Kleiton & Kledir), um dos hits do clássico álbum Corpo e Alma (1982). Entre doses altas de sensualidade, aplicadas na veia de seu público fiel em números como Hóstia (Erasmo Carlos e Marcos Valle) e Deixa Eu te Amar ((Agepê, Ismael Camillo e Mauro Silva), a cantora aborda Jorge Ben Jor (Ive Brussel) sem (todo) o suingue exigido pelos temas do compositor, faz um belo lance ao jogar molho cubano no samba Geraldinos e Arquibaldos (Gonzaguinha),  realça os silêncios de Certas Coisas (Lulu Santos e Nelson Motta), romantiza o samba elegante de Paulinho da Viola (Ame, parceria com Elton Medeiros) e se permite brincar com o rock Perigosa (Nelson Motta, Roberto de Carvalho e Rita Lee), embebido em inusitada atmosfera bluesy introduzida em cena pelo número anterior, Pagando pra Ver (Nonato Luís e Abel Silva). No fim, a abordagem melodiosa da carnavalesca Chuva, Suor e Cerveja (Caetano Veloso) adquire significado especial por estar sendo feita na terra do frevo. Enfim, por mais que a gravação ao vivo de Em Boa Companhia nem sempre transmita pelo DVD toda a felicidade do show (e quem viu uma apresentação da turnê nacional - ora retomada - sabe que se trata de um dos melhores shows da cantora nos últimos tempos), o registro do espetáculo reitera a impressão de que Simone reencontrou seu caminho musical. Favorecida pela liberdade artística concedida pela gravadora Biscoito Fino, a brava Cigarra tem tudo para não deixar mais sua irregular carreira fonográfica sair dos trilhos.