Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 25 de outubro de 2015

Com fé nos orixás e no rock, Nasi conserva sua pegada no CD e DVD 'EGBE'

Resenha de CD e DVD
Título: EGBE
Artista: Nasi
Gravadora: Deck / Coleção Canal Brasil
Cotação: * * * *

Nasi está salvo dos perigos da selva urbana. Com fé no rock e nos orixás das religiões e cultos afro-brasileiros, o paulistano Marcos Valadão Rodolfo mostra aos 53 anos que ainda tem pegada no CD e DVD EGBE. Neste projeto, Nasi apresenta duas inéditas - Alma noturna (Nasi, Kiko Dinucci e Johnny Boy) e Egbe Oniri (Nasi, Johnny Boy e King), música que dá nome à gravação feita no Audio Arena e que foi composta com base em cântico yorubá de louvor ao orixá Egbe - e revisita música menos conhecida do repertório de seu reativado grupo Ira!, Rubro Zorro (Nasi, Edgard Scandurra, Ricardo Gaspa e André Jung), lançada pela banda paulistana no álbum Psicoacústica (WEA, 1988), além de reviver com reverência (e um berimbau) um tema da safra inicial de Alceu Valença, Sol e chuva, lançado em 1976 pelo cantor e compositor pernambucano. Contudo, em essência, EGBE rebobina com energia o repertório do último álbum de estúdio de Nasi, Perigoso (Coqueiro Verde Records, 2012), disco cru em que o artista transitou por rock, country, blues e soul. Das 13 músicas de EGBE, oito vem do repertório de Perigoso, inclusive a abordagem eletrizante de Dois animais perdidos na selva suja das ruas, rock de Taiguara (1945 - 1996) lançado em disco por Erasmo Carlos em 1971. A voz de Nasi pode já estar dando sinais de cansaço em shows, mas soa cheia de vida e energia em EGBE, parecendo mais forte do que realmente é. O rock Ori e o country-rock Amuleto - duas parcerias de Nasi com Johnny Boy lançadas no disco Perigoso - expõem a devoção do artista aos signos dos cultos afro-brasileiros. Já Feitiço da Rua 23 (Nasi e Nivaldo Campopiano) reza pela cartilha do blues. Aliás, a música-título do CD de 2012, Perigoso (Nasi e Johnny Boy), se aproxima do universo rural do norte-americano bluegrass - o que justifica a presença inusitada do cantor e músico paulista Renato Teixeira (voz e violão) e de seu filho, Chico Teixeira (violão de 12 cordas), convidados do número. Gravado ao vivo no estúdio montado no estádio Morumbi, mas sem plateia, EGBE mostra que Nasi vem conseguindo sobreviver aos perigos da selva suja das ruas. Axé!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Inédita de Nasi com Dinucci é single' do CD e DVD 'EGBE', do vocalista do Ira!

Enquanto compõe para o álbum de inéditas que o reativado grupo Ira! planeja gravar em 2016, Nasi se prepara para lançar o CD e DVD solo EGBE, gravados ao vivo em show feito pelo cantor e compositor paulistano no Audio Arena, no estádio do Morumbi, em São Paulo (SP). O primeiro single de EGBE - projeto viabilizado por Nasi em coprodução com o Canal Brasil e com distribuição da gravadora Deck - é uma das duas músicas inéditas presentes no roteiro que totaliza apenas 13 composições. Trata-se de Alma noturna, parceria de Nasi com Johnny Boy e com Kiko Dinucci, autor da letra. A música é tema do programa Nasi noite adentro, exibido pelo Canal Brasil. Oito músicas foram lançadas originalmente por Nasi no álbum Perigoso (Coqueiro Verde Records, 2012).

sábado, 1 de dezembro de 2012

Nasi destila sua ira em álbum cru, 'Perigoso' entre o rock, o country e o blues

Resenha de CD
Título: Perigoso
Artista: Nasi
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

 "Agora que eu sobrevi a tanta dor / Pra ser feliz eu cavo até um outro poço", adverte Nasi em versos do country rock que dá título ao seu terceiro disco solo, Perigoso. Composto por Nasi em parceria com Johnny Boy, Perigoso exemplifica o tom cru e direto do álbum idealizado e arranjado pelo vocalista do extinto grupo Ira! ao lado de Boy. Na foto da capa do CD, clicada por Fabiana Figueiredo, Nasi aparece como quem espreita o inimigo pela fresta, à espera da hora do ataque. De certa forma, o cantor manda seus recados através das letras deste disco que transita por rock, country e blues. Seu corpo parece fechado, como insinuam com maior ou menor clareza o rock Ori e o country rock Amuleto, mais duas parcerias de Nasi com Johnny Boy que evocam nas letras o poder das religiões afro-brasileiras. Assim como outras músicas do disco, o blues Feitiço da Rua 23 (Nasi e Nivaldo Campopiano) parece até ecoar passagens da vida louca vida do artista, contada em primeira pessoa na recente autobiografia A ira de Nasi. (Belas Letras, 2012). De certa forma, é como se Perigoso fosse a trilha sonora revista e atualizada do livro. O discurso autobiográfico é recorrente em músicas como Não vejo mais nada de você (Nasi, Johnny Boy e Carlos Careqa), faixa em que Nasi amarga a sensação de não reconhecer a sua São Paulo (SP) de tempos idos na volta à cidade hoje tão blasé na percepção do artista. "Estão tão perto e tão longe de mim", conclui, decepcionado. A essas cinco inéditas, juntam-se cinco covers que se ajustam ao espírito cru do disco. Nasi acentua a pulsação roqueira de Não há dinheiro que pague (Renato Barros, 1968) - sucesso na voz de Roberto Carlos no início de sua fase pós-Jovem Guarda - e flerta com o soul em Tudo bem (Guilherme Saldanha e Tomaz Paoliello, 2010), do repertório da banda indie paulista Garotas Suecas. Uma das sacações da seleção de covers é Como é que eu vou poder viver tão triste, balada de Demétrius (o cantor do sucesso pré-Jovem Guarda O ritmo da chuva), gravada em 1972 pelo melancólico e popular cantor capixaba Paulo Sérgio (1944 - 1980) e abordada por Nasi dentro do universo do blues, gênero com o qual tem intimidade. Outra sacada - esta menos surpreendente, pois também tida pelo DJ Zé Pedro ao garimpar repertório para o recente segundo álbum do cantor pernambucano Paulo Neto - é Dois animais na selva suja da rua, música de Taiguara (1945 - 1996), revivida por Nasi no espírito roqueiro deste álbum urgente e direto. Completa o repertório uma abordagem em tom country de sucesso de Raul Seixas (1945 - 1989), As minas do Rei Salomão (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1973). "Se me chamarem /Diga que eu saí", avisa Nasi sorrateiro, despistando o inimigo que o espreita, sem medo do perigo. Nasi está salvo...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Com clareza, 'A Ira de Nasi' expõe confronto das cabeças quentes do Ira!

Resenha de livro
Título: A Ira de Nasi
Autores: Alexandre Petillo e Mauro Beting
Editora: Belas Letras
Cotação: * * * *

O livro A Ira de Nasi é, em tese, a biografia de Nasi. Mas contar a vida de Marcos Valadão Rodolfo - o cantor e compositor paulista projetado nos anos 80 como Nasi, o vocalista e compositor do grupo Ira! - é contar o embate de Nasi com Edgard José Scandurra Pereira, o guitarrista e compositor do Ira!, grupo desativado em 2007 em clima ruidoso. Em tese, o fim da banda foi provocado por briga de Nasi com seu irmão Airton Valadão Junior, empresário da banda (a paz somente foi selada entre os irmãos neste ano de 2012, acabando com o embate que tinha ido parar na Justiça). Mas, na verdade, a rixa entre Nasi e Scandurra já vinha roendo todas as possibilidades de futuro para um grupo que marcara época na cena roqueira dos anos 80 ao traduzir para o Brasil a ideologia da cultura mod - surgida na Inglaterra na virada dos anos 50 para os 60 - sem negar a influência exercida pelo punk nessa cena pop que se formou no Brasil no começo daquela década de 80. O confronto cotidiano entre Nasi e Scandurra - as cabeças quentes do Ira! - ocupa grande parte das 320 páginas do livro. Se a paixão pelo punk foi o traço em comum que uniu nos idos de 1982 estes dois artistas nascidos em 1962, a crescente rivalidade entre vocalista e guitarrista - amplificada à medida que o Ira! foi se tornando relevante no mercado comum da música - os separou progressivamente. A ponto de Nasi e Scandurra ruminarem ira recíproca. Sem o depoimento de Scandurra, retratado no livro como um músico extremamente competitivo, a narrativa de Ira de Nasi ficou apoiada somente na visão de Nasi. É pela ótica exclusiva de Nasi que os jornalistas Alexandre Petillo e Mauro Beting reconstituem os principais fatos da vida do Ira! - ainda que depoimentos relevantes, como o do produtor Rick Bonadio, ajudem a elucidar questões. Em que pese o caráter parcial da biografia, os autores escreveram livro envolvente pela maneira clara e direta com que expõem os altos e baixos de Nasi e, por tabela, do rock brasileiro. Nas páginas iniciais, Ira de Nasi descreve a cena roqueira que se desenhou em São Paulo no início dos anos 80 com o troca-troca de músicos entre as muitas bandas que nasceram naquela época, buscando seu lugar ao sol. Foi naquela efervescência que os caminhos de Nasi e Scandurra se cruzaram. A abordagem das gêneses (não raro conturbadas) dos álbuns do Ira! descortina os bastidores do rock brasileiro da década de 80. O embate do Ira! com o produtor Liminha ao longo da gravação do segundo álbum do grupo, Vivendo e Não Aprendendo (1986), merece menção por expor um traço determinante para a credibilidade do livro: a capacidade de Nasi se permitir uma autocrítica em relação ao seu comportamento e em relação à própria discografia do grupo. Se Scandurra é por vezes retratado como o vilão da história, o biografado jamais se porta como o mocinho. Nasi nunca foi santo e o livro também mostra como o mergulho do artista nas drogas contribuiu para criar o ambiente infernal em que o Ira! viveu mergulhado durante boa parte de sua existência. Enfim, por mais que exponha detalhes da vida pessoal de Nasi (e há passagens punks como a perseguição da família de sua então namorada ao casal), Ira de Nasi acaba voltando ao confronto entre as duas cabeças quentes do Ira! - ambas cheias de si e de ira, turbinada na mente de Scandurra pela ciência do caso de Nasi com uma namorada sua, imbróglio afetivo-sexual revelado pelo livro. Cabeças hoje cinquentonas que escreveram página importante do rock do Brasil, incorporada a esta contundente biografia de Nasi, artista que viveu e aprendeu à custa de muito sofrimento.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Nasi regrava temas de Taiguara e da banda Garotas Suecas em 'Perigoso'

Música da lavra do compositor Taiguara (1945 - 1996), lançada por Erasmo Carlos no álbum Carlos, Erasmo (1971), Dois Animais na Selva Suja da Rua ganha registro de Nasi. O cantor dá voz ao tema em seu terceiro disco solo, Perigoso, em fase de gravação em São Paulo (SP) sob a produção de Apollo Nove. Nasi também regrava Tudo Bem, música da banda indie paulistana Garotas Suecas, já lançada no primeiro álbum do grupo, Escaldante Banda (2010). 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Produzido por Apollo Nove, Nasi entra em estúdio para gravar terceiro CD

Já reconciliado com seu irmão Airton Valadão Rodolfo Júnior, empresário do extinto grupo Ira! com quem chegou a trocar socos e a brigar na Justiça, Nasi entra em estúdio nesta segunda-feira, 13 de agosto de 2012, para começar a gravar seu terceiro disco solo, Perigoso. O sucessor de Onde Os Anjos Não Ousam Pisar (2006) e Vivo na Cena (2010) vai ser produzido por Apollo Nove e gravado nos estúdios da Trama, que vai transmitir a gravação em tempo real pela internet. O repertório de Perigoso inclui inéditas de Nasi e de compositores como Johnny Boy e Nivaldo Campopiano, além de algumas regravações. O disco sai até o fim do ano.