Mauro Ferreira no G1

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sábado, 16 de maio de 2015

Vinda de Minas, Raquel lança 'Mineral', disco produzido com Suzano e Negão

Ao gravar seu segundo álbum, Mineral (2014), lançado por via independente e ora em fase de expansão da distribuição de início restrita ao círculo musical das Geraes, a cantora e compositora mineira Raquel Coutinho procurou criar sonoridade pop eletrônica contemporânea que abarcasse os tambores de sua terra. Por isso, os sons percussivos são recorrentes ao longo do disco produzido por Marcos Suzano e Maurício Negão em parceria com Raquel. Há as percussões de Suzano - ouvidas nas nove músicas de Mineral - e há eventualmente as percussões tocadas pela artista em faixas como Tão perto (Raquel Coutinho e Maurício Negão). Sucessor de Olho d'água (Independente, 2009), Mineral é disco gravado no Rio de Janeiro, cidade na qual Raquel se radicou, vinda de Minas Gerais. Entre repertório autoral majoritariamente assinado pela cantautora com Maurício Negão, como creditado em Sigo cantando (música também ouvida em remix alocado como faixa-bônus) e no samba torto A volta do vagabundo, Raquel dá voz a uma musica da paulistana Iara Rennó, Gris.

sábado, 20 de abril de 2013

Lenine e Suzano se afinam felizes no show de 20 anos de 'Olho de peixe'

Resenha de show
Evento: Pensar - Quintas notáveis
Título: Olho de Peixe 20 anos
Artistas: Lenine e Marcos Suzano (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Miranda (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 18 de abril de 2013
Cotação: * * * *
Show em cartaz na casa Miranda, no Rio de Janeiro (RJ), até 20 de abril de 2013

Como num passe de mágica, mas sem qualquer truque, Lenine e Marcos Suzano reeditaram o entrosamento de 1993 assim que o jornalista carioca Leonardo Lichote encerrou a entrevista sobre a arquitetura revolucionária do disco Olho de peixe (1993) e pediu ao cantor e ao percussionista que mostrassem ao público da casa Miranda o som que impactara a música brasileira há 20 anos e que ainda reverbera em mentes e corações daquela geração e de ouvintes que se depararam com o disco ao longo dessas três décadas. Bastou então a dupla iniciar Acredite ou não (Lenine e Bráulio Tavares, 1993) para que a dinâmica do som de 1993 ecoasse nos ouvidos dos convidados da estreia do show comemorativo dos 20 anos do CD Olho de peixe, na noite festiva de 18 de abril de 2013. Suzano, elétrico, no pandeiro. Lenine, na guitarra eletroacústica, o violão dos tempos modernos. E a magia se (re)fez. Os músicos tocaram as 13 composições de Olho de peixe na ordem quase exata do CD (as posições de Leão do Norte e Lá e lô ficaram invertidas no roteiro), ora reeditado em tiragem limitada dentro da série de comemorações dos 30 anos de carreira de Lenine. Em alguns números, como a música-título Olho de peixe (Lenine, 1993), o suingue surge da interação entre o pandeiro de Suzano e as cordas eletroacústicas de Lenine. Em outros, como O último pôr-do-sol (Lenine e Lula Queiroga, 1993), Suzano pilota seu arsenal percussivo e ainda faz vocais. Analisado em perspectiva três décadas após sua edição, a partir do show, Olho de peixe foi o disco que - sonoridade à parte - captou o ponto de maturação da obra de Lenine, até então dispersa em faixas de álbuns de Elba Ramalho. Sem deixar de criar nos dez anos que separam Baque solto (1983) - o álbum da estreia, dividido com o conterrâneo pernambucano Lula Queiroga, parceiro da vida toda - e Olho de peixe (1993), o compositor azeitou cancioneiro em que filtra influências nordestinas e cariocas por ótica contemporânea, universal. Embalado em Olho de peixe com as percussões de Suzano e o violão do próprio Lenine, de sonoridade percussiva, esse cancioneiro estava pronto para ganhar o mundo em 1993. E ganhou - no embalo da repercussão na Europa e no Japão do disco mixado pelo engenheiro de som Denilson Campos, profissional fundamental na formatação técnica do CD e, por isso mesmo, convidado a assumir o som do show. Mesmo quando a música em si tem menor poder de sedução, caso de Escrúpulo (Lenine, 1993), o groove captura a atenção do ouvinte / espectador. Com múltiplas sonoridades, a percussão de Suzano é capaz até de evocar o batuque dos séculos guardados na memória ancestral remexida no medley Caribenha nação (Lenine e Bráulio Tavares, 1993) / Tuaregue e nagô (Lenine e Bráulio Tavares, 1993). Sem falar que, em cena, a dupla vai além do repertório de Olho de peixe, adaptando para a sonoridade do disco / show músicas de álbuns posteriores de Lenine. Chão (Lenine e Lula Queiroga, 2012), música-título de disco pautado por silêncios e ruídos cotidianos, se ajusta bem a essa sonoridade sem excessos. No bis, A ponte (Lenine e Lula Queiroga, 1997) cruza em harmonia momentos distintos de Lenine que, afinal, se irmanam no trilho que conduz com coerência obra que já soma 30 anos e cuja originalidade começou a ser (entre)vista justamente com Olho de peixe.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Lenine e Suzano expandem 'Olho de peixe' ao celebrar 20 anos do álbum

Há cerca de 15 anos sem tocar juntos, Lenine e Marcos Suzano  - vistos em foto de Rodrigo Amaral - se reencontraram na noite de 18 de abril de 2013 no palco da casa Miranda, no Rio de Janeiro (RJ), para tocar o repertório de Olho de peixe (1993) e celebrar os 20 anos do álbum que deu impulso às suas respectivas carreiras fonográficas. Na estreia do show, que fica em cartaz até 20 de abril na casa carioca, o percussionista carioca e o cantor, compositor e músico pernambucano reafirmaram sua fina sintonia ao tocar todas as 13 músicas do disco na ordem quase original - somente Leão do Norte e Lá e lô tiveram seus lugares trocados no roteiro - e expandiram o repertório de Olho de peixe (CD reeditado neste ano de 2013 dentro dos projetos comemorativos dos 30 anos de carreira de Lenine) com cinco composições de álbuns posteriores do artista revelado em 1983 em LP dividido com Lula Queiroga. Eis o roteiro seguido por Lenine e Suzano na estreia do show, após serem entrevistados pelo jornalista carioca Leonardo Lichote sobre o disco, como é praxe no projeto Pensar - Quintas notáveis:

1. Acredite ou não (Lenine e Bráulio Tavares, 1993)
2. O último pôr-do-sol (Lenine e Lula Queiroga, 1993)
3. Miragem do porto (Lenine e Bráulio Tavares, 1992)
4. Olho de peixe (Lenine, 1993)
5. Escrúpulo (Lenine e Lula Queiroga, 1993)
6. O que é bonito? (Lenine e Bráulio Tavares, 1993)
7. Caribenha nação (Lenine e Bráulio Tavares, 1993) /
    Tuaregue e nagô (Lenine e Bráulio Tavares, 1993)
8. Leão do Norte (Lenine e Paulo César Pinheiro, 1993)
9. Lá e lô (Lenine, 1993)
10. A gandaia das ondas (Lenine, 1993) / Pedra e areia (Lenine e Dudu Falcão, 1993)
11. Mais além (Lenine, Bráulio Tavares, Lula Queiroga e Ivan Santos, 1993)
12. O dia em que faremos contato (Lenine e Bráulio Tavares, 1997)
13. Hoje eu quero sair só (Lenine, Caxa Aragão e Mu Chebabi, 1995)
14. Candeeiro encantado (Lenine e Paulo César Pinheiro, 1997)
15. Chão (Lenine e Lula Queiroga, 2012)
Bis:
16. A ponte (Lenine e Lula Queiroga, 1997)
17. Martelo bigorna (Lenine, 2008)