Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Ian Ramil se eleva ao captar aflições e ruídos urbanos em 'Derivacivilização'

Resenha de CD
Título: Derivacivilização
Artista: Ian Ramil
Gravadora: Escápula Records
Cotação: * * * * 1/2

"Eu compro um tênis novo e morre alguém / Corro, paro, olho, choro, grito, eu ando a cada dia mais vulgar e aflito / O mundo é um skinhead e eu sou um gay", detona Ian Ramil em versos explosivos de Coquetel molotov (Ian Ramil), primeira das dez músicas do segundo álbum do cantor, compositor e músico gaúcho Ian Ramil, Derivacivilização, lançado neste mês de outubro de 2015. Ruídos industriais pontuam música que fala a língua do indie rock, dando pista certeira do tom experimental adotado por Ramil em disco que representa avanço em relação ao antecessor Ian (Escápula Records, 2014). No seu álbum de estreia, Ramil já honrou o sobrenome ilustre - ele é filho de Vitor Ramil e sobrinho de Kledir Ramil e Kleiton Ramil - ao mostrar forte personalidade musical. Mas em Derivacivilização o artista encontra sua turma e afia sua linguagem, encontrando o tom apropriado para obra ora calcada no indie rock, embora até haja uma canção mais calma e de formato mais tradicional, Devagarinho (Ian Ramil), no repertório inteiramente inédito e autoral do álbum produzido por Ian com o baixista Guilherme Ceron. Mas Devagarinho representa no disco a tentativa vã de fuga da veloz vida urbana que engana e que inspira o discurso aguçado do artista. "As coisas não ditas apodrecem em nós", vomita Ramil na tensa música-título Derivacivilização (Ian Ramil), faixa que esconde a voz potente do cantor Filipe Catto, conterrâneo de Ramil e convidado quase imperceptível da gravação. Ramil apresenta um disco nervoso que capta as aflições e os ruídos urbanos do mundo contemporâneo - e que diz coisas até desagradáveis. "A história muito se escreve / No calor dos tumultos", sentencia em Salvo conduto (Ian Ramil e Poty Burch), destaque de um álbum que evoca as experimentações do grupo inglês Radiohead. Derivacivilização é disco ruidoso, raivoso, de digestão difícil pelo conteúdo corrosivo. "O amor corrói", aliás, é o verso inicial de Corpo vazio (Ian Ramil), tema conduzido pela batida seca e pesada da bateria de Martin Estevez. Com letra baseada em texto de artigo da Constituição Federal do Brasil promulgada em 1988, Artigo 5º (Leo Aprato e Ian Ramil) destina ironias com a voz da convidada Gutcha Ramil entre ruídos, dissonâncias, tempos subvertidos e jogos de palavras ("que dá nada" vira "que danada"). Música gravada com a voz de Alexandre Kumpinski, cantor do grupo gaúcho Apanhador Só, A voz da indústria (Ian Ramil e Daniel Má) se joga na pista com suingue tropical sem suavizar o discurso. "A massa aperta o play", alerta Ramil, desafinando o coro dos contentes. Mesmo quando se reaproxima da canção de formato mais usual, como em Quiproquó (Ian Ramil), o artista mantém Derivacivilização em temperatura alta, já distante da estética do frio que pauta o som de seu pai, Vitor Ramil, e que ecoou em seu álbum inicial Ian. Derivacivilização se embrenha na selva das cidades, com seus sons cotidianos, distorcidos e nervosos - todos devidamente inseridos na (des)contrução de Rita-Cassete (A re par ti ção) (Ian Ramil e Guilherme Ceron), faixa formatada basicamente com ruídos e dissonâncias. No fim, Não vou ser chão pros teus pés (Ian Ramil) reforça o clima inquieto e tenso do CD, reiterando a altitude alcançada por Ian Ramil nesse álbum que eleva seu nome na contemporânea cena musical do Brasil.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Eis a capa de 'Derivacivilização', álbum que Ian Ramil lança em 6 de outubro

Com capa que expõe arte de André Bergamin, feita a partir de recorte de obra de Isabel Ramil e de fotos de Lauro Maia, Mario Maia e Tuane Eggers, o segundo álbum do cantor e compositor gaúcho Ian Ramil, Derivacivilização (Escápula Records) vai estar disponível em edição digital a partir de 6 de outubro de 2015. Mas uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo já garantiu as edições físicas em CD e em vinil (de tiragem limitada). Com dez composições inéditas em seu repertório inteiramente autoral, o álbum traz a participação do cantor gaúcho Filipe Catto na música-título Derivacivilização. Vocalista do grupo gaúcho Apanhador Só, Alexandre Kumpinski figura na faixa A voz da indústria. Gutcha Ramil completa o time de convidados, aparecendo na música Artigo 5º.  Clique aqui para saber mais detalhes sobre a produção do CD Derivacivilização.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

'Derivacivilização', segundo CD de Ian Ramil, tem Catto e dez faixas autorais

Filho do cultuado Vitor Ramil, o cantor e compositor gaúcho Ian Ramil gravou seu segundo álbum, Derivacivilização, em janeiro deste ano de 2015. Mas busca financiamento coletivo na plataforma Catarse para viabilizar a edição física do disco, gravado em Pelotas (RS) - em estúdio improvisado no quarto da casa onde o artista viveu sua infância e adolescência - com banda formada por Felipe Zancanaro (guitarra), Guilherme Ceron (baixo) Martin Estevez (bateria) e Pedro Dom (piano e clarinete). Ian - em foto de Tuane Eggers - assina com Ceron a produção do disco, finalizado com as gravações adicionais dos convidados de algumas das dez faixas. Sucessor do ótimo Ian (Escápula Records, 2014), álbum gravado em 2012 e lançado em 2014, Derivacivilização alinha - em dez músicas autorais, compostas entre 2012 e 2014 - participações de artistas de origem gaúcha como Alexandre Kumpinski (vocalista da banda porto-alegrense Apanhador Só), o cantor Filipe Catto e Gutcha Ramil. Pela ordem do disco, mixado por Moogie Canazio e masterizado por André Dias, as dez músicas do álbum são Coquetel molotov, Derivacivilização, Salvo-conduto, Corpo vazio, Devagarinho, Artigo 5°, A voz da indústria, Quiproquó, Rita-cassete (A re par ti ção) e Não vou ser chão pros teus pés. Todas as dez músicas são de Ian, sendo seis compostas solitariamente e quatro assinadas com os parceiros Daniel Mã (A voz da indústria), Guilherme Ceron (Rita-cassete - A re par ti ção), Leo Aprato (Artigo 5º) e Poty Burch (Salvo-conduto). Precedido pelo duplo single digital que adiantou as músicas Coquetel molotov e Devagarinho, já em rotação no portal SoundCloud, o álbum Derivacivilização vai ser lançado de forma independente via Escápula Records. Clique aqui se quiser contribuir com o custo da edição física em CD de Derivacivilização.

terça-feira, 15 de julho de 2014

'Ian', o primeiro álbum de Ramil, ganha edição em vinil com 10 das 13 faixas

 Primeiro álbum do cantor e compositor gaúcho Ian Ramil, lançado no primeiro semestre deste ano de 2014, Ian ganha edição em vinil. Produzido pelo selo independente Escápula Records, o LP alinha dez das 13 músicas autorais do CD em seus dois lados. Sobraram Entre o cume e o pé (Ian Ramil), Over and over (Ian Ramil e Maurício Both) e Transe (Ian Ramil). Eis a disposição das dez músicas na edição em vinil de Ian, bom disco gravado na Argentina entre março e outubro de 2012:

Lado A
1. Segue o bloco (Ian Ramil e João Ramil) (4:27)
2. Seis patinhos (Ian Ramil) (3:27)
3. Zero e um (Ian Ramil) (4:39)
4. Pelicano (Ian Ramil) (3:59)
5. Suvenir (Ian Ramil) (3:57)

Lado B
1. Nescafé
(Ian Ramil, Alexandre Kumpinski, Diego Grando e Marcelo Souto) (4:44)
2. Ímã ralo (Ian Ramil) (4:04)
3. Cabeça de painel (Ian Ramil)(4:23)
4. Hamburger
(Ian Ramil, Leo Aprato, Eduardo Mendonça e Maurício Both) (2:49)
5. Rota (Ian Ramil e Alexandre Kumpinski) (3:32)

domingo, 4 de maio de 2014

Ian honra o sobrenome Ramil com álbum impregnado de forte personalidade

Resenha de CD
Título: Ian
Artista: Ian Ramil
Gravadora: Escápula Records
Cotação: * * * 1/2

 Por mais que o primeiro álbum de Ian Ramil beba da Estética do Frio, até pelo fato de ter sido gravado em Buenos Aires entre abril e outubro de 2012, a personalidade própria e forte do cantor, compositor e músico gaúcho brota nos sulcos de Ian, CD formatado pelo argentino Matias Cella, produtor de álbuns de artistas como o uruguaio Jorge Drexler. Sem renegar o d.n.a. da família Ramil, (bem) representada no disco pelas presença da alma musical do pai Vitor e da voz do tio Kleiton em duas faixas, Ian delineia sua identidade artística em álbum pautado por ironias, dissonâncias, melancolias e descompassos. Há algo intencionalmente fora da ordem mercadológica, por exemplo, na gravação de Zero e um (Ian Ramil), faixa em que sobressaem os metais em polifonia que remete ao som do grupo paulista Hurtmold, também evocado no toque maroto de Pelicano (Ian Ramil). Música alocada na abertura do álbum, Segue o bloco (Ian Ramil e João Ramil) já acentua a falta de sincronia que confunde o ouvinte e a mente da personagem da letra ao caminhar em ritmo próprio, insinuando atmosfera folk que se esboça com mais nitidez na canção Seis patinhos (Ian Ramil). A presença de vários elementos na capa de Ian traduz na arte gráfica do disco a profusão de ideias e sons reunidos nesse álbum que dialoga com os sons dos países da América do Sul que se avizinham com o Rio Grande. Tal diálogo é feito em Suvenir (Ian Ramil) no toque do cuatro, instrumento venezuelano de cordas (da família do violão) tocado pelo próprio Ian nessa faixa e também em Nescafé (Ian Ramil, Alexandre Kumpinski, Diego Grando e Marcelo Souto), balada de força diluída pela letra que bate na tecla da falta de sincronia de um casal em versos que expõem contradições comportamentais - tecla já martelada por outros compositores. Mas Nescafé ganha peso e densidade na segunda metade, citando Beatles - I want you (She's so heavy) (John Lennon e Paul McCartney, 1969) - em letra que culmina com verso-indagação (Que linha liga teu coração ao meu?) que reforça os descompassos entranhados em Ian. Encorpada pelas vozes dobradas pelo (eficaz) cantor, Entre o cume e o pé (Ian Ramil) ratifica uma personalidade poética confirmada nos versos bilíngues cantados na pegada noise de Cabeça de painel (Ian Ramil). Gravada com a voz de Kleiton Ramil e com mais vocação para hit, Over and over (Ian Ramil e Maurício Both) é canção de arquitetura mais explicitamente folk enquanto Transe (Ian Ramil) reverbera a habilidade de Ian para compor baladas palatáveis. Já Imã ralo (Ian Ramil) escoa estranhezas em pegada bluesy. De sabor country, Hambuger (Ian Ramil, Leo Aprato, Eduardo Mendonça e Maurício Both) tem tempero forte que contrasta com a suavidade de Rota (Ian Ramil e Alexandre Kumpinski), cuja letra é baseada nos versos de Simples mente, poema de Karina Ramil, sinalizando que Ian segue seu (descom)passo em família,  já honrando a sua nobre dinastia gaúcha.