♪ A IMAGEM DO SOM - Extraída a partir de vídeo recém-postado por Gustavo Galo na plataforma de financiamento coletivo Kickante, a foto mostra o cantor e compositor paulistano no estúdio Submarino Fantástico, na cidade de São Paulo (SP). Dois anos após lançar o primeiro álbum solo, Asa (Independente, 2014), Galo entrou em estúdio neste mês de março de 2016 para começar a gravar o segundo álbum solo. Intitulado Sol, o disco vai totalizar dez músicas entre composições de autoria do artista e canções dos compositores Jorge Mautner, José Paes Lira (o Lirinha) e Luis Capucho. De Mautner, Galo canta Salto no escuro, parceria do compositor carioca com Nelson Jacobina (1953 - 2012), lançada por Mautner em álbum de 1974. De Capucho, a música escolhida foi Para pegar, lançada pelo artista capixaba - radicado em Niterói (RJ) - no álbum Cinema Íris (Multifoco, 2012). Gustavo Ruiz é o produtor de Sol. Na companhia do trio formado por Pedro Gongon (bateria), Tomás Oliveira (baixo, piano, teclados, synths), Gustavo Ruiz (baixo e guitarra), Galo planeja gravar e mixar Sol até o início de maio. Estão previstas participações dos guitarristas Luiz Chagas e Sessa. Clique aqui para ajudar o Sol de Gustavo Galo a sair com o brilho necessário.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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quarta-feira, 23 de março de 2016
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Com a cor da paixão, Ava foca o voo amoroso de Galo no clipe de 'Cama'
Resenha de clipe
Título da música: Cama (Tatá Aeroplano, 2010)
Artista: Gustavo Galo
Direção do clipe: Ava Rocha
Cotação: * * * * *
Clipe em rotação no YouTube
Título da música: Cama (Tatá Aeroplano, 2010)
Artista: Gustavo Galo
Direção do clipe: Ava Rocha
Cotação: * * * * *
Clipe em rotação no YouTube
♪ Cantora, compositora e cineasta, Ava Rocha deita e rola na poesia de Cama ao dirigir o clipe desta canção de Tatá Aeroplano a partir do registro minimalista feito com delicadeza por Gustavo Galo para Asa, primeiro primoroso disco solo deste compositor paulistano projetado na Trupe Chá de Boldo. Ava foca o voo amoroso da personagem da canção com a cor da paixão, o vermelho, dominante no vídeo filmado em sintonia com o tom cru da gravação feita somente com a voz e o violão de Galo, com a adesão posterior do sopro pungente e quase etéreo do trompete de Maico Lopes. O protagonista de Cama - canção lançada pelo grupo Cérebro Eletrônico no álbum Deus e o diabo no liquidificador, de 2010 - está prostrado, adoecido de paixão, à espera do único antídoto contra o vírus do abandono: o retorno da mulher amada, pelo qual suplica nos quatro minutos e três segundos do fonograma. Fiel ao estado de espírito da personagem da canção, a câmera inquieta de Ava flagra Galo na cama entre tomadas que traduzem em toscas imagens a prostração, o delírio e o voo mental do doente de amor. Closes nos olhos e nas mãos, aliados a movimentos que dão a sensação de que o protagonista flutua e levanta um voo restrito à sua imaginação, constroem um expressivo universo visual que valoriza o clipe e reitera o sentido da gravação, uma das mais lindas dentre as belezas poéticas do álbum Asa. Posto em rotação no YouTube em 2 de dezembro de 2014, o clipe de Cama - simples, belo e poético como o disco de Galo - é exemplo de que, sim, às vezes bastam uma câmera na mão e uma ótima ideia na cabeça.
sábado, 9 de agosto de 2014
Em cena, Galo canta com convicção e põe poesia de 'Asa' em plano alto
Evento: Levada Oi Futuro
Título: Asa
Artista: Gustavo Galo (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro do Oi Futuro Ipanema (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 8 de agosto de 2014
Cotação: * * * *
Show em cartaz no Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), até 9 de agosto de 2014
Já garantido na lista de melhores discos deste ano de 2014, o primeiro álbum solo de Gustavo Galo - Asa, lançado de forma independente em fevereiro - alcança altos picos de beleza em atmosfera crua, minimalista, embebida em poesia. Em cena, Asa ganha naturalmente mais pegada e perde - um pouco - seu caráter íntimo e pessoal sem deixar de evidenciar o talento e a inspiração do cantor e compositor paulistano, projetado na Trupe Chá de Boldo. Tal como no repertório do disco, Tomara e a climática música-título Asa - parcerias de Galo com o poeta arrudA - se impõem no roteiro do show. A primeira está na abertura. A segunda está no fim do show. Galo, a propósito, enfileira em cena as onze músicas de Asa na mesma ordem do disco. A banda arregimentada para o show - Meno Del Picchia (baixo), Pedro Gongom (bateria e percussão), Peri Pane (violoncelo), Tomás Oliveira (piano e rhodes) e Zé Pi (guitarra) - também é a mesma que toca no disco, o que garante a fina sintonia entre show e CD. Só que, no palco, algumas músicas ganham mais peso roqueiro, caso de Um garoto (Gustavo Galo, 2014). Mas são nos números mais calmos e acústicos - sobretudo naqueles em que Galo pega seu violão, como Seresta (Gustavo Galo) - que o show é mais fiel à delicadeza poética do disco. Número feito pelo artista à sós com seu violão, Cama (Tatá Aeroplano, 2010) - música lançada pelo grupo paulista Cérebro Eletrônico no álbum Deus e o diabo no liquidificador (Edição independente, 2010) - acomoda poesia e sedução no toque percussivo das cordas do violão do cantautor. Trechos de Cama são até entoados à capella por Galo, num ato de coragem para um artista que somente se descobriu e se assumiu cantor a partir de sua participação no recente tributo a Angela Ro Ro Coitadinha bem feito (Joia Moderna, 2013). E o fato é que, sim, Galo se confirma em cena um intérprete seguro. Não há perda de expressão de suas interpretações na transposição das músicas do estúdio para o palco. E, mesmo quando pisa em terreno alheio, cantando Ah se não fosse o amor (José Paes de Lira e Dan Maia, 2011) - música do primeiro disco solo do artista pernambucano Lirinha - e If you hold a stone (versão em inglês de Marinheiro só, escrita e gravada por Caetano Veloso em 1971), Galo canta com convicção. No bis, o intérprete joga Feito gente (Walter Franco, 1975) na pista em número expansivo que até contrasta com a introspecção de Asa, mas mantém a poesia em plano alto.
Galo canta Caetano e Lira no show em que 'Asa' volta ao ponto de partida
♪ Foi na cozinha da casa da cantora e compositora carioca Ava Rocha, no Rio de Janeiro (RJ), que a ideia de Gustavo Galo gravar seu primeiro disco solo começou a ganhar asa. Por isso, fazer na cidade do Rio de Janeiro o show de lançamento de seu álbum Asa (Independente, 2014) - dentro da programação da terceira edição do projeto Levada Oi Futuro, no teatro do Oi Futuro Ipanema - foi especial para o cantor e compositor paulistano, projetado na cena indie de São Paulo (SP) como integrante da Trupe Chá de Boldo. No Rio, Galo estreou o show Asa em 8 de agosto de 2014, seguindo roteiro em que adicionou composições de Caetano Veloso (If you hold a stone, versão em inglês do tema folclórico Marinheiro só, gravada pelo artista baiano em 1971 no seu londrino álbum Caetano Veloso) e de José Paes de Lira (Ah se não fosse o amor, parceria com Dan Maia gravada por Lirinha em 2011 em seu disco solo Lira) às onze músicas do CD Asa, apresentadas no show na mesma ordem do disco. Eis o roteiro seguido por Gustavo Galo - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca de seu show Asa:
1. Tomara (Gustavo Galo e arrudA, 2014)
2. Cantei, cantei (Gustavo Galo e Marcelo Segreto, 2014)
3. Só (Peri Pane e arrudA, 2014)
4. Feito gente (Walter Franco, 1975)
5. Moda (Gustavo Galo e Peri Pane, 2014)
6. De aeroplano (Gustavo Galo, 2014)
7. Um garoto (Gustavo Galo, 2014)
8. Seresta (Gustavo Galo, 2014)
9. Cama (Tatá Aeroplano, 2010)
10. Nosso amor é uma droga (Gustavo Galo e Peri Pane, 2014)
11. Ah se não fosse o amor (José Paes de Lira e Dan Maia, 2011)
12. Asa (Gustavo Galo e arrudA, 2014)
Bis:
13. Feito gente (Walter Franco, 1975)
14. If you hold a stone (Caetano Veloso, 1971) /
Marinheiro só (Tema do folclore baiano)
segunda-feira, 31 de março de 2014
Galo, Gil e Juçara lançam os três melhores CDs brasileiros do trimestre
Editorial - O primeiro trimestre de 2014 chega hoje ao fim, deixando como legado três álbuns brasileiros que já estão garantidos na lista de melhores discos do ano, com fôlego para serem cultuados no futuro. Três álbuns de universos musicais distintos, mas que têm em comum o fato de terem merecido a cotação máxima de Notas musicais. Três CDs que fizeram jus às cinco estrelas por fazerem a diferença em mercado fonográfico viciado em redundantes registros ao vivo e em fórmulas fáceis. Asa - o primeiro disco solo do cantautor paulistano Gustavo Galo, integrante da Trupe Chá de Boldo - saiu em fevereiro com som cru, minimalista, contemporâneo. Um disco embebido em poesia e melodia. Também em fevereiro, a cantora paulista Juçara Marçal debutou solo com seu já antológico Encarnado. Um disco que cospe sangue ao encarar a morte, provando que a cena indie paulistana está bem viva. Na ótima companhia das guitarras cortantes de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, Juçara apresentou álbum feito no fio da navalha. Um imediato clássico instantâneo que joga expectativa sobre o show programado para estrear em São Paulo (SP) em 15 de abril. Por fim, em março, Gilberto Gil mostrou aos críticos o álbum - também já antológico - que vai chegar oficialmente ao mercado fonográfico a partir de 1º de abril via Sony Music. Ao abordar o repertório de João Gilberto em Gilbertos samba, o artista baiano roçou a perfeição atingida por seu mestre, gravando um disco lindo e leve no qual tudo está no seu lugar. Um disco para ser entendido e apreciado por quem entende e aprecia João. Ao lado de Galo e de Juçara, Gil mostrou neste primeiro trimestre de 2014 que o pulso da música brasileira ainda pulsa em nichos do mercado.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Galo canta baixo, mas som cru e roqueiro de 'Asa' atinge o pico da beleza
Título: Asa
Artista: Gustavo Galo
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * *
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site oficial do artista
Já são oito anos de estrada e dois discos gravados com a Trupe Chá de Boldo, mas o nome de Gustavo Galo somente ganha real relevância na cena musical brasileira com o lançamento independente, neste mês de fevereiro de 2014, do primoroso primeiro disco solo do cantor e compositor paulistano, Asa. Galo canta baixo e certamente vai decepcionar ouvidos habituados aos padrões vocais instaurados pela MPB da era dos festivais dos anos 1960, mas o som cru, minimalista e contemporâneo de seu disco atinge o pico da beleza. Tomara (Gustavo Galo e arrudA) arrebata já na abertura do álbum com um azeitado mix de melodia (bonita) e poesia. Gravado em setembro de 2013 no estúdio Submarino Fantástico, em São Paulo (SP), com produção dividida entre Gustavo Ruiz e Tatá Aeroplano, Asa mantém nas alturas o voo solo de Galo ao longo de suas 14 músicas. Os arranjos - executados pela banda formada por Meno Del Picchia (baixo), Pedro Gongom (bateria e percussão), Peri Pane (violoncelo), Tomás Oliveira (piano e rhodes) e Zé Pi (guitarra) - transitam pelo universo indie pop. Por vezes em tom roqueiro - como em Só (Peri Pane e arrudA), tema que versa sobre a solidão amplificada pela ausência do ser amado - mas por vezes em climas acústicos. Em qualquer tom, Asa poetiza a falência do cotidiano afetivo de forma coloquial. Cantei, cantei (Gustavo Galo e Marcelo Segreto) recorre à metalinguagem para bater na tecla da dor da saudade do ser amado. Dentro desse universo, a sagaz releitura roqueira de Feito gente (Walter Franco, 1975) cai na pista - com distorções roqueiras e timbres eletrônicos - de forma natural. Na vivência do amor, todos são a faca e a ferida, os heróis e os covardes, em mundo pautado por modas e costumes já automatizados. A propósito, Moda (Gustavo Galo e Peri Pane) - uma canção de arquitetura inicialmente delicada que ganha textura mais indie roqueira à medida que avançam os três minutos e nove segundos da faixa - chama atenção, com certa ironia, para tendências que desajustam relacionamentos afetivos. Contudo, o transamba De aeroplano (Gustavo Galo) recusa nostalgias e tristezas, propondo um voo alegre, sem pressa de aterrissar no mundo afetivo real. Delícia pop, Um garoto (Gustavo Galo) versa sobre arroubo adolescente com um pitada de humor. Levada pelo violão de Galo, Seresta (Gustavo Galo) refaz o link amor-poesia com letra que é convite à paixão, reforçado pelo coro que aditiva o tema. Crua em sua mola básica, Cama deita e rola na poesia de Tatá Aeroplano, compositor da música já gravada pelo grupo Cérebro Eletrônico no álbum Deus e o diabo no liquidificador (2010). Nosso amor é uma droga (Gustavo Galo e Peri Pane) é canção que entorpece com seus versos alucinógenos. Lirinha figura nesse urbano cordel encantado. Por fim, a música-título Asa (Galo e Arruda) - gravada com a voz de Ava Rocha - reconecta o disco e o som de Galo à poesia de arrudA. A faixa inicia no tempo da delicadeza, mas ganha progressivas intensidade e pressão, contraste que pauta Asa, belo álbum que agiganta o nome de Gustavo Galo na cena musical brasileira e que já tem o seu lugar precocemente garantido entre os melhores discos de 2014.
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