♪ Eis a capa estilo knolling de Antes do mundo acabar, o disco de samba da cantora, compositora e instrumentista fluminense Zélia Duncan. No álbum, produzido por Bia Paes Leme, Zélia dá voz a uma das obras-primas da parceria da compositora carioca Ivone Lara com o compositor fluminense Délcio Carvalho (1939 - 2013). Trata-se de Em cada canto, uma esperança, música lançada na voz de Ivone em seu primeiro álbum solo, Samba minha verdade, samba minha raiz (EMI-Odeon, 1978), revivida por Sombrinha em disco solo de 1992 e regravada por Beth Carvalho no álbum Nosso samba tá na rua (Andança / EMI Music, 2011). Antes do mundo acabar totaliza 14 faixas.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2015
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Parceiro poeta de Ivone Lara, Délcio Carvalho sai de cena no Rio aos 74
Um dos poetas do samba, o cantor e compositor fluminense Délcio Carvalho (8 de março de 1939 - 12 de novembro de 2013) sai hoje de cena no Rio de Janeiro (RJ), aos 74 anos, vítima de câncer, mas deixa obra coerente, indissociável da produção autoral da compositora carioca Dona Ivone Lara, de quem foi o parceiro mais frequente nos anos 70 e 80. Samba iluminado por esperança de tom melancólico, Alvorecer - lançado pela cantora Clara Nunes (1942 - 1983) no álbum homônimo de 1974 - é um dos muitos exemplos de fina sintonia entre as letras poéticas de Délcio e as melodias sensíveis de Ivone Lara. Acreditar (1976) - sucesso na voz do cantor fluminense Roberto Ribeiro (1940 - 1996) - é outro exemplo dessa perfeita interação entre música e letra, assim como Sonho meu (1978), samba imortalizado em gravação feita por Maria Bethânia em dueto com Gal Costa, e assim como Em cada canto uma esperança (1978), lindo samba que Beth Carvalho reviveu há dois anos no álbum Nosso samba tá na rua (2011). Contudo, seria redutor limitar a produção de Délcio Carvalho às parcerias com Ivone Lara. Desde 1968 (ano em que seu samba Pingo de felicidade, feito em parceria com Dias Soares, foi gravado pela efêmera cantora Christiane), a obra deste artista filho de pai saxofonista - nascido em Campos (RJ), onde se formou nos bailes da vida, mas residente no Rio de Janeiro (RJ) desde 1956 - ganhou diversos parceiros e vozes. A cantora baiana Simone, por exemplo, incluiu Acreditar no repertório de seu recém-lançado álbum É melhor ser (2013). Integrante nos anos 60 do grupo Lá vai samba, Délcio também cantava, mas é como compositor que vai permanecer em lugar de honra na história da música brasileira. O sucesso bateu à porta em 1972 - ano em que o grupo Os Originais do Samba registrou Esperanças perdidas (Délcio Carvalho e Adeilton Alves) - e se manteve ao lado de Délcio ao longo das décadas de 70 e da primeira metade dos anos 80. Parceria com Noca da Portela, Vendaval da vida foi lançada em 1978 pelo cantor carioca Aroldo Santos, mas fez sucesso na voz de Alcione em 1983, ano em que Beth Carvalho lançou Nos combates desta vida, outra obra-prima da parceria de Délcio com Ivone Lara, no álbum Suor no rosto (1983). Com Ivor Lancellotti, Délcio Carvalho fez dois grandes sambas, Clarão e Velha cicatriz, que em 1988 ganharam as vozes robustas de Alcione e Nana Caymmi, respectivamente. Ainda da parceria com Ivor, Quando essa paixão me dominar reiterou - na voz de Beth Carvalho - a poesia, esperança e fé no amor habitualmente embutidas nos versos líricos e quase sempre otimistas (apesar da recorrente melancolia) do compositor. A partir dos anos 90, década em que a música brasileira começou a ganhar ares populistas, Délcio Carvalho emplacou menos sucessos, mas manteve sua produção autoral, documentada no álbum triplo Inédito e eterno (2007), penúltimo título de discografia iniciada em 1979 com a edição do LP Canto de um povo, erguida em selos indies e finalizada neste ano de 2013 com Dois compassos, CD assinado por Délcio com o violonista Marcelo Guima. Enfim, o cancioneiro de Délcio Carvalho vai atravessar anos, modismos e gerações pela perenidade dos sambas que criou com os parceiros afinados com sua sensibilidade e sua poesia.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Disco com cinco inéditas de Ivone e Délcio espera edição comercial em 2011
♪ Lançado no último trimestre de 2010 com distribuição dirigida basicamente a formadores de opinião, o disco Bodas de coral no samba brasileiro - que festeja com atraso os 35 anos da parceria de Ivone Lara com Délcio Carvalho - entra em 2011 ainda à espera de edição comercial. Patrocinado pelo projeto Natura Musical e dirigido por Mario Lago Filho, sob a produção e arranjos de Paulão Sete Cordas, o disco tem título já defasado pelo fato de a parceria ter se iniciado em maio de 1972 e, portanto, já caminhar para os 39 anos. Contudo, o valor documental do CD é alto porque, entre suas 15 faixas, há cinco composições nunca registradas em disco. Os títulos inéditos são Nem é preciso falar, O tempo passou, Ainda baila no ar, A festa e Sol de verão. Três das cinco inéditas - Nem é preciso falar (tema que traz Paulinho Carvalho na coautoria), O tempo passou (belo samba que exala o otimismo melancólico recorrente na obra da dupla) e Sol de verão - são ouvidas na voz de Délcio na gravação ao vivo captada em 21 e 22 de março de 2008 em shows feitos pelos sambistas no Theatro Municipal de Niterói (RJ). As outras duas inéditas, A festa e Ainda baila no ar, foram gravadas em estúdio em 2010 nas mesmas sessões em que os takes ao vivo foram retocados. De levada levemente amaxixada, A festa ganhou as vozes de Alcione e Mart'nália. Já Ainda baila no ar - samba belo e melancólico assinado também por André Lara e à altura da produção áurea da dupla - é ouvido em dueto de Dudu Nobre com Wilson das Neves. Uma terceira faixa de estúdio - o medley que agrega Sonho meu e Acreditar, gravado com a Velha Guarda do Império Serrano - também integra o repertório de Bodas de coral no samba brasileiro. Espera-se que a proximidade dos 90 anos de Ivone Lara, a serem festejados em 13 de abril de 2012, motive alguma gravadora a editar o disco de forma comercial - de preferência, com outra capa e outro título - para que se possa ouvir os cinco títulos semi-inéditos da nobre parceria.
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