Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sem floreios, o canto de Claudia engrandece canções 'raras' de Caetano


Resenha de CD
Título: Senhor do tempo - Canções raras de Caetano Veloso
Artista: Claudia
Gravadora: Joia Moderna / Tratore
Cotação: * * * *

É sintomático que Claudia tenha limado o y de seu nome artístico ao lançar seu primeiro álbum em 13 anos. Senhor do tempo - Canções raras de Caetano Veloso faz justiça ao canto apurado de Claudia e o reconecta à melhor fase da discografia da artista, a gravada na Odeon, na primeira metade dos anos 70. Até porque a intérprete acertou ao limar os floreios vocais que empanaram o brilho de seu canto nos últimos anos. Não, Claudia não precisa acentuar um rigor técnico que já aparece naturalmente nos registros destas 12 músicas da lavra de Caetano Veloso. Por canções raras, deve-se entender canções pouco ouvidas, a maioria gravadas uma única vez. Mas há, de fato, algumas raridades no disco produzido por Thiago Marques Luiz para a Joia Moderna. Uma delas é Amo-te (Mesmo?) Muito (Caetano Veloso, 1979), obscura canção lançada pela cantora Aline em 1979. Pontuada pelos violões de Rovilson Pascoal, inspirado arranjador da maioria das faixas, a gravação de Claudia evidencia a beleza da canção. Aliás, justiça seja feita, o canto de Claudia ilumina tanto As várias pontas de uma estrela (Caetano Veloso e Milton Nascimento, 1982) - tema em que as cordas do arranjo do pianista Alexandre Vianna realçam o tom épico da melodia de Milton, à moda do Clube da Esquina - como algumas canções menores do compositor, casos de Louco por você (Caetano Veloso, 1979) e Pele (Caetano Veloso, 1980). Ofuscada pelos vários hits radiofônicos do álbum Cinema transcendental (1979),  Louco por você ganha como adorno um violão de clima bossa-novista. Em tom meio jazzy, Pele – música lançada por Maria Bethânia no álbum Talismã (1980) – reitera que, nesta composição, o poeta se revelou mais afiado do que o melodista. A ironia de Senhor do tempo é que a música que menos se ajusta ao conceito do disco – Naquela estação (Caetano Veloso, João Donato e Ronaldo Bastos, 1990) – é a que mais seduz porque é uma grande canção que ganha uma grande interpretação, exata, sem cair no melodrama. Verdade seja dita: a gravação de Cláudia supera o (bom) registro original de Adriana Calcanhotto, emoldurado em arranjo gélido e lançado em álbum (Enguiço, 1990) que escondeu a verdadeira persona artística de Calcanhotto. Verdade seja dita novamente: Senhor do tempo soa coeso, sem erros, e seria perfeito se todas as canções fossem grandiosas como o canto de Claudia. Com pouco mais de um minuto de duração, José (Caetano Veloso, 1987) faz breve e certeiro mergulho – pontuado pelo baixo acústico de Renato Loyola – no poço escuro deste tema em que Caetano expiou o luto pelo morte do pai. Com sua voz que alcança sem esforço notas inalcançáveis por boa parte das cantoras, Cláudia adensa Menino Deus (Caetano Veloso, 1982) – dando outra dimensão à música gravada de forma terna pelo grupo A Cor do Som – e acentua o refinamento de Luzes (Caetano Veloso, 1991), tema realmente raro, até então gravado somente pelo grupo paulista Nouvelle Cuisine no álbum Slow food (1991). À vontade tanto no seminal Samba em paz (Caetano Veloso, 1966) como nas indagações de Senhor do tempo (parceria de Milton Nascimento com Caetano Veloso, composta para a trilha sonora do filme O coronel e o lobisomem, de 2005), Claudia apresenta enfim um disco à altura de sua voz. Talvez canções como Duas manhãs (Caetano Veloso, 1977) é que não estejam à altura de seu canto preciso. "Eu até que estou feliz / Pelo que agora eu sou / Nesse tempo em que você / Mudou e eu mudei", diz através dos versos de Maria, Maria (Caetano Veloso e José Carlos Capinam, 1968) essa intérprete carioca tão maltratada pela indústria do disco e por suas próprias escolhas profissionais que, na verdade, se chama Maria das Graças de Oliveira Rallo, como ressalta o DJ Zé Pedro - dono da gravadora Joia Moderna - logo no início do texto escrito para o encarte de Senhor do tempo, belo disco que chega tardio, mas ainda a tempo de redimensionar a importância de Claudia – senhora cantora! – na música brasileira.

domingo, 3 de julho de 2011

Álbum de Claudia vai para a loja com capa que remete à estética da Elenco

Com capa que remete à arte gráfica criada nos anos 60 pelo designer César Vilela para os discos da extinta gravadora Elenco, o CD Senhor do tempo - Canções Raras de Caetano Veloso - o primeiro da cantora Claudia desde 1998 - chega às lojas neste mês de julho de 2011. Editado pela gravadora Joia Moderna, com distribuição da Tratore, o disco tem projeto gráfico assinado por Paulo Bueno. Sob direção artística do DJ Zé Pedro e produção musical de Thiago Marques Luiz, Claudia regrava 12 músicas de Caetano Veloso. O repertório inclui de fato canções pouco ouvidas do compositor - casos de Maria, Maria (Caetano Veloso e Capinam, 1968), Pele (música lançada por Maria Bethânia em 1980 no álbum Talismã), Luzes (tema gravado em 1991 pelo grupo Nouvelle Cuisine no disco Slow food) e Duas manhãs (música lançada por Vanusa em 1977 no álbum Vanusa 30 Anos). As exceções são Menino Deus (música gravada pelo grupo A Cor do Som em 1982 no álbum Magia tropical) e Naquela estação (parceria de Caetano com João Donato e Ronaldo Bastos que promoveu em 1990 o primeiro álbum de Adriana Calcanhotto, Enguiço). Da lavra de Caetano com Milton Nascimento, a faixa-título, Senhor do tempo, é da trilha sonora criada pelos compositores para o filme O Coronel e o Lobisomem (2005). Eis as 12 músicas do disco que - quem sabe? - pode vir a redimensionar com o tempo a importância da voz de Claudia no país das cantoras:

1. Maria, Maria (Caetano Veloso e Capinam, 1968)
2. Naquela estação (Caetano Veloso, João Donato e Ronaldo Bastos, 1990)
3. Senhor do tempo (Caetano Veloso e Milton Nascimento, 2005)
4. Louco por você (Caetano Veloso, 1979)
5. Amo-te (Mesmo?) Muito (Caetano Veloso, 1979)
6. As várias pontas de uma estrela (Caetano Veloso e Milton Nascimento, 1982)
7. Samba em paz (Caetano Veloso, 1966)
8. Pele (Caetano Veloso, 1980)
9. Luzes (Caetano Veloso, 1991)
10. José (Caetano Veloso, 1987)
11. Menino Deus (Caetano Veloso, 1982)
12. Duas manhãs (Caetano Veloso, 1977)

sábado, 2 de julho de 2011

Claudia reaviva memória de Leila Diniz ao gravar ao vivo ode a Taiguara

São Paulo (SP) - Em 1972, entristecido com a morte precoce da atriz Leila Diniz (1945 - 1972) em desastre de avião, o cantor e compositor Taiguara (1945 - 1996) fez uma música em homenagem à libertária artista, ícone nacional da revolução cultural e comportamental dos anos 60. Lançada por Cláudia em compacto de 1972, Memória Livre de Leila foi reavivada pela própria Cláudia na gravação ao vivo do CD e DVD A Voz da Mulher na Obra de Taiguara, realizada na noite de ontem, 1º de julho de 2011, em show no Auditório Simon Bolivar, no Memorial da América Latina. A mesma música já tinha sido regravada em estúdio pela cantora carioca - radicada há anos em São Paulo (SP) - no CD A Voz da Mulher na Obra de Taiguara, origem do primeiro registro audiovisual da gravadora Joia Moderna. Terceira cantora a se apresentar no show dirigido e roteirizado por Thiago Marques Luiz, Claudia fez dois números. Além de Memória Livre de Leila, a cantora pôs sua técnica exemplar em outra música lançada por Taiguara em 1972, Mudou. Contudo, justamente por se cantora gerida pela técnica, Claudia não reproduziu em Mudou as nuances emocionais do primoroso registro feito por Célia para o disco de estúdio lançado em fevereiro. Por estar se apresentando em São Paulo (SP) na mesma noite do show, Célia não participou da gravação ao vivo do oportuno tributo a Taiguara.

P.S.: O blog Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna