Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Salles celebra a obra e o centenário de Rosil em disco que inclui Chico César

Autor de Sebastiana (1953), pedra fundamental da obra fonográfica do cantor paraibano Jackson do Pandeiro (1919 - 1982), o compositor pernambucano Rosil Cavalcanti (20 de dezembro de 1915, Macaparana - PE / 10 de julho de 1968, Campina Grande - PB) completaria um século de vida neste ano de 2015. O centenário e o cancioneiro deste inspirado compositor da Nação Nordestina - nome indissociável da discografia de Jackson do Pandeiro - estão sendo celebrados pelo cantor paraibano Chico Salles no CD Rosil do Brasil, lançado neste mês de junho de 2015. Produzido por José Milton, o disco traz participações de nomes como Chico César, que canta justamente com Salles o hit Sebastiana. Salles alinha 13 músicas do compositor de Na base da chinela (Jackson do Pandeiro e Rosil Cavalcanti, 1962) - tema malicioso incluído no repertório - nas 12 faixas de Rosil do Brasil. Salles dá voz a músicas como Cabo Tenório (Rosil Cavalcanti, 1957), Quadro negro (Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro, 1959), Moxotó (José Gomes e Rosil Cavalcanti, 1956) e Ô véio macho (Rosil Cavalcanti, 1962), entre outros hits de Rosil. O cantor pernambucano Silvério Pessoa, que lançou em março CD dedicado ao repertório de Jackson do Pandeiro, figura em Rosil do Brasil no Forró de Zé Lagoa (Rosil Cavalcanti, 1962), o  baião lançado na voz do cantor paraibano Genival Lacerda.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Salles dilui a densidade do samba de Sampaio entre a seresta e o quintal

Resenha de CD
Título: Sérgio samba Sampaio
Artista: Chico Salles
Gravadora: Zeca PagoDiscos / Universal Music
Cotação: * * 1/2

O cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio (1947 - 1994) soube cair no samba com a consciência social exigida de quem despontou nos anos 1970, década em que, se um artista não era contra, ele podia ser acusado de ser a favor. Sem tom panfletário, Sampaio mandou seu recado velado através de versos metafóricos como "Quem manda em mim sou eu / Quem manda em você é você", do samba Até outro dia (1976). Este samba - o mais inspirado da produção do compositor no gênero - abriu o segundo grande álbum de Sampaio, Tem que acontecer (Continental, 1976), e abre o sexto CD do cantor paraibano Chico Salles, Sergio samba Sampaio (2013), dedicado aos sambas do marginalizado artista. Habituado a um repertório de tom forrozeiro, Salles dilui a densidade do sambas compostos por Sampaio ao agregá-los neste disco editado pelo selo Zeca PagoDiscos, do cantor carioca Zeca Pagodinho. Contudo, mesmo fora do contexto e subtexto originais, os sambas de Sampaio - que entrou na avenida em 1972, com o estouro da marcha Eu quero é botar o meu bloco na rua, e saiu de cena há 20 anos, já esquecido - resistem ao tempo e às interpretações opacas de Salles. Os produtores Henrique Cazes e José Milton acertam ao ambientar em clima de fundo de quintal o medley que aglutina Polícia, bandido, cachorro, dentista - samba do quarto póstumo álbum de Sampaio, Cruel, editado em 2006 - e O que pintar, pintou (1976), partido alto cantado por Salles com Zeca Pagodinho. Outro destaque é Cada lugar na sua coisa (1976), tema inserido em universo seresteiro que condiz com o verso "Lugar de poesia é na calçada". A participação de Raimundo Fagner valoriza a faixa. Recorrente em temas como Nem assim (1983), o adorno seresteiro envolve História de boêmio (Um abraço em Nelson Gonçalves) (1977), recontada por Salles com a adesão do convidado maranhense Zeca Baleiro, artista que reeditou álbuns de Sampaio por seu selo Saravá Discos. Já Cala a boca, Zé Bedeu - samba da lavra do compositor capixaba Raul Sampaio, mas gravado pelo conterrâneo Sérgio no seu primeiro álbum, de 1973 - soaria mais natural na voz e com a verve do partideiro pernambucano Bezerra da Silva (1917 - 2005), mais vocacionado para cantar versos jocosos como "Que mulher danada / Essa que eu arranjei / Ela é uma jararaca, meu Deus / Com ela, eu me casei". Como já explicita seu título, Chorinho inconsequente (Sérgio Sampaio e Erivaldo Santos, 1971) se insinua fora do universo do samba. E o fato é que a maior e melhor parte do repertório de Sérgio Samba Sampaio vem do álbum mais coeso de Sampaio, o já mencionado Tem que acontecer, de cujo repertório Salles rebobina composições como O filho do ovo, Quanto mais e Velho bode (parceria de Sampaio com Sérgio Natureza). Bem mais para a seresta do que para o fundo de quintal, Chico Salles põe o bloco na rua com CD em que a ideia é melhor do que sua realização.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Salles junta sambas do balaio do Sampaio em disco que traz Zeca Baleiro

O cantor paraibano Chico Salles vai lançar em novembro de 2013 seu sexto CD, Sergio samba Sampaio, dedicado aos sambas do repertório autoral do cantor e compositor capixaba Sergio Sampaio (1947-1994). Um dos responsáveis pela revitalização da obra de Sampaio, o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro - que lançou em 2006 por seu selo Saravá Discos o quarto póstumo álbum de Sampaio, Cruel, e em 2011 editou em CD o terceiro, Sinceramente (1982) - avaliza o disco de Salles, cantando História de boêmio (Um abraço em Nelson Gonçalves), tema que Sampaio lançou em 1977 em compacto da extinta gravadora Continental. Produzido por José Milton com arranjos do cavaquinista Henrique Cazes, o CD Sergio samba Sampaio vai ser lançado pelo selo Zeca Pagodiscos, de Zeca Pagodinho, que aliás também participa do disco.