Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 15 de março de 2015

Mazzer canta com Elza em CD que passa por Assis, Amy, Björk e Itamar

Gravado de abril a junho de 2014, o primeiro álbum solo de Simone Mazzer, Férias em videotape, está sendo lançado neste mês de março de 2015 em edição do selo Pimba (originado da gravadora Dubas). Produzido por Leonel Pereda, o disco tem repertório baseado no roteiro do excelente show que a cantora e atriz de Londrina (PR) vem apresentando no Rio de Janeiro (RJ) a partir de 2012. Elza Soares participa de Férias em videotape como convidada da música Essa mulher, de autoria de Bernardo Pellegrini, compositor natural de Londrina (PR). No disco, Mazzer dá voz a músicas como Babalu (Margarita Lecuona, 1939), Back to black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006), Camisa listrada (Assis Valente, 1937), Hyper ballad (Björk, Nellee Hooper e Marius De Vries,1995), Parece que bebe (Itamar Assumpção, 1994) e Tango do mal (Luciano Salvador Bahia, 2014). A música-título Férias em vídeo tape é parceria de Mazzer com Elton Mello e Silvio Ribeiro. Beto Martins (6D) assina a arte do disco solo de Simone Mazzer, atriz da Cia. Armazém de Teatro que iniciou a sua carreira de cantora em 1989, tendo integrado a banda Chaminé Batom.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Biografia desvenda (quase) todo o mistério sobre a vida de Assis Valente

Resenha de livro
Título: Quem samba tem alegria - A vida e o tempo de Assis Valente
Autor: Gonçalo Junior
Editora: Civilização Brasileira
Cotação: * * * 1/2

No texto escrito para a orelha da mais alentada biografia do compositor baiano Assis Valente (19 de março de 1908 - 11 de março de 1958), assinada pelo jornalista Gonçalo Junior e recém-lançada pela editora Civilização Brasileira, o compositor carioca Nei Lopes exalta o fato de o livro revelar, enfim, o mistério do autor do samba Camisa listrada, sucesso de Carmen Miranda (1909 - 1955) em 1937. Mas o fato é que, embora a biografia resulte confiável ao montar amplo painel da vida e do tempo de José de Assis Valente, seu autor se esquiva de investigar a suposta reprimida homossexualidade do compositor, a rigor efetivamente nunca comprovada. Se fosse atestada, a suposta homossexualidade talvez pudesse explicar as sucessivas sumidas de Assis e as crises depressivas, mencionadas por Gonçalo Junior ao longo das 658 páginas de Quem samba tem alegria - A vida e o tempo de Assis Valente. Sem ao menos cogitar e discutir essa hipótese (enfaticamente rechaçada pelo autor na única breve menção sobre o tema, feita à página 506), Gonçalo Junior tira um pouco do brilho de um livro que - omissão à parte - deve ser lido por quem se interessa pela produção musical brasileira dos anos 1930, década áurea para o compositor baiano. Assis teve 155 músicas gravadas entre 1932 e 1958 (ano em que o compositor ingeriu mistura letal de guaraná com veneno de rato, consumando, enfim, o suicídio que tentara outras sete vezes), mas foi nos anos 1930 que emplacou seus maiores sucessos. Sua escalada foi iniciada em 1932 com a gravação do samba Tem francesa no morro por Aracy Cortes (1904 - 1985), cantora carioca dos teatros de revista que logo seria superada por uma portuguesa de nascimento, mas de alma brasileira, que teria sua voz propagada pelas ondas do rádio que se fortalecia no Brasil de então e que foi o principal veículo para a exposição do cancioneiro de Assis Valente. Carmen Miranda foi a principal intérprete dos sambas e marchas de Assis, que chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1928 em busca do sucesso e do reconhecimento que nunca tivera na Bahia, seu Estado natal. A biografia de Gonçalo Junior, aliás, é brilhante ao reconstituir o nascimento de Assis, confrontando versões e relatando fatos que apontam 1908 como o ano em que o compositor veio ao mundo (e não 1911, como sustentam outras fontes). Tenha nascido no Campo da Pólvora (em Salvador - BA) ou em Patioba (cidade do interior da Bahia), o fato é que Assis foi separado da mãe pobre e solteira, por volta dos seis anos, para ser criado por família de dentista rico na cidade baiana de Alagoinhas. Nessa casa, amargou trabalhos pesados enquanto obteve os primeiros conhecimentos da profissão de protético que iria sustentar seus luxos no Rio de Janeiro. A grande maioria das 658 páginas de Quem samba tem alegria reconta a vida de Assis na competitiva cena musical do Rio, mostrando o compositor dividido entre o deslumbre do meio artístico e o ofício sem glamour de protético (função na qual Assis também se destacou por esculpir cada dentadura como obra de arte). O livro traça perfil convincente de Assis, apontado como vaidoso (da aparência e da obra), generoso (gastava o que tinha e o que não tinha com amigos falsos e verdadeiros), marqueteiro (soube utilizar a mídia de sua época para se promover como compositor, para ciúme de seus colegas de ofício e geração), sagaz e por vezes arredio. Um compositor temperamental e versátil que deixou para a posteridade músicas inspiradas como a marcha natalina Boas festas (1933), o tema junino Cai, cai, balão (1933) e os sambas Alegria (1937), ...E o mundo não se acabou (1938) e Brasil pandeiro (1941), além do já mencionado Camisa listrada (grafado como Camisa listada na gravação original de 1937). Mas, como enfatiza Gonçalo Junior, o Assis que se iluminava com um comentário positivo a seu respeito nos jornais era o mesmo que se deixava encobrir pelas sombras diante de qualquer contrariedade ou crítica negativa. Tal bipolaridade o levou à depressão, potencializada pelo consumo de fartas doses de álcool e cocaína. Por sua vez, essa depressão levou Assis a ver o suicídio como a única saída para a fase crepuscular em que se viu sem dinheiro, sem o sucesso de outrora e sem amigos. Ao relatar minuciosamente essa fase, o autor valoriza Quem samba tem alegria. É fato que há eventuais imprecisões históricas no livro - como creditar somente a 1931 o sucesso de Taí (Pra você gostar de mim) (Joubert de Carvalho), marchinha lançada por Carmen Miranda em fevereiro de 1930 - e que, por vezes, Gonçalo Junior perde o foco quando se excede ao contextualizar, na cena musical da época, fatos da vida de outras personagens como, por exemplo, a chegada do cantor e compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008) ao Rio de Janeiro - assunto de várias dispensáveis páginas. Mas esses pontos negativos da narrativa jamais tiram o mérito de trabalho de fôlego. Gonçalo Junior desvenda (quase) todo o mistério sobre a vida triste do aparentemente alegre Assis Valente. Faltou apenas discutir na biografia a questão da (suposta) homossexualidade.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Cida foca França via Brasil em show que irmana Aldir, Assis e Amarante

Cida Moreira cogitou gravar música de Marcelo Camelo em álbum com compositores da nova geração que, por ora, permanece no plano das ideias. Camelo ainda permanece inédito na voz da cantora paulista, mas o mesmo já não pode ser dito de Rodrigo Amarante. Ska com tristonha letra em francês, lançado pelo ora desativado grupo carioca Los Hermanos no aclamado álbum Bloco do eu sozinho (2001), Cher Antoine ganhou a voz da intérprete na estreia do show Da fenêtre vê-se o Redentor - A MPB com sotaque francês na voz de Cida Moreira, apresentado no teatro do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 10 de setembro de 2013. No roteiro do show, idealizado pelo jornalista Paulo Roberto Pires, Cida - em foto de Rodrigo Amaral - foca a França e o idioma francês pela ótica da música brasileira em repertório que vai de Assis Valente (1911 - 1958), de quem reviveu o samba Tem francesa no morro (1932), a Aldir Blanc, parceiro de João Bosco em Prêt-à-porter de tafetá (1984), de Guinga em Mise-en-scène (1993) - de cuja letra foi extraído o título Da fenêtre vê-se o Redentor - e de Moacyr Luz em Paris, de Santos Dumont aos travestis (1995). A cantora dividiu o palco com o violonista Omar Campos e com o baixista Izaias Amorim. Eis o roteiro seguido por Cida Moreira no lúdico show estreado no IMS em 10 de setembro de 2013:

1. Mise-en-scène (Guinga e Aldir Blanc, 1993)
2. Como diria Satie (José Miguel Wisnik, 1986)
3. Tem francesa no morro (Assis Valente, 1932)
4. Paris (Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro, 1938)
5. Paris, de Santos Dumont aos travestis (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1995)
6. Prêt-à-porter de tafetá (João Bosco e Aldir Blanc, 1984)
7. Joujoux e balangandãs (Lamartine Babo, 1939)
8. Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1941)
9. Balzaquiana / La balzacienne (Wilson Batista, Nássara e Michel Simon, 1950)
10. A neta de Madame Roquefort (Rogério Rossini e Nei Lopes, 1999)
11. Joana Francesa (Chico Buarque, 1973)
12. Cher Antoine (Rodrigo Amarante e Felipe Abrahão, 2001)
13. La mattchiche (Charlie Borel-Clerc, Paul Emile Briolet e Léo Felix Lelièvre, 1905)
14. Can-can no Carnaval (Carlos Cruz e Haroldo Barbosa, 1965)
Bis:
15. A neta de Madame Roquefort (Rogério Rossini e Nei Lopes, 1999)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Assis Valente é o estranho no ninho autoral do álbum de Nina e Callado

Pérola rara da obra vivaz do compositor baiano Assis Valente (1911 - 1958), o baião Armei a Rede - composto por Assis em parceria com Arsênio Ottoni e lançado pelo cantor Renato Braga em 1951 - é o único elemento estranho no ninho autoral do primeiro álbum da cantora e compositora Nina Becker com seu marido, o cantor, compositor e baterista Marcelo Callado (integrante da BandaCê de Caetano Veloso). Disco de casal, produzido por Carlos Eduardo Miranda, Gambito Budapeste chega às lojas neste mês de julho de 2012 em edição da gravadora YB Music. Gambito Budapeste alinha 12 músicas compostas por Nina e por Callado, juntos ou separadamente. A exceção é justamente o tema interiorano de Assis. Sozinha, Nina assina Sem Lei, Packing to Leave (única música em inglês do repertório), Cadê Você? - canção que expõe o tom íntimo do disco - e De Cor, Coração. Já Callado - que se aventura como cantor no álbum - é o autor solitário de Blues, Futuro e Essa Menina. As demais - Marco Zero, Tucanos, , Nuvem e Saudade Vem - são temas da conta conjunta do casal da cena carioca.

domingo, 13 de novembro de 2011

Coletânea dupla chega a tempo de festejar os 100 anos de Assis Valente

Chega às lojas ainda neste mês de novembro de 2011, a tempo de festejar os 100 anos de nascimento do compositor baiano Assis Valente (1911 - 1958), completados em 19 de março, a coletânea dupla Assis Valente Não Fez Bobagem - 100 Anos de Alegria alinha 30 gravações da obra do autor Brasil Pandeiro e Camisa Listrada, entre outros clássicos da música brasileira dos anos 30 e 40. O CD 1 foca o cancioneiro de Assis a partir de regravações das músicas mais conhecidas do compositor enquanto o CD 2 prioriza o lado B da obra através de registros originais (clique aqui para reler texto analítico sobre a importância da obra do compositor).

CD 1
Assis Revisitado - Recriações dos Grandes Sucessos do Compositor
1. Brasil Pandeiro (Assis Valente) – Novos Baianos  (1972)
2. Camisa Listrada (ao vivo) (Assis Valente) – Maria Bethânia (1968)
3. Fez Bobagem (Assis Valente) – Elza Soares (1961)
4. Um Jarro d’Água (Assis Valente) – Marlene (1955)
5. ...E o Mundo Não se Acabou (ao vivo) (Assis Valente) – Isaura Garcia (1976)
6. Recenseamento (Assis Valente) – Ademilde Fonseca (1958)
7. Minha Embaixada Chegou (Assis Valente) – Maria Bethânia e Nara Leão (1972)
8. Tem Francesa no Morro (Assis Valente) – Marília Pêra (1990)
9. Mangueira (Assis Valente e Zequinha Reis) – Aracy de Almeida (1966)
10. Boneca de Pano (Assis Valente) – Quatro Ases e um Curinga (1961)
11. Boas Festas (Assis Valente) – Doris Monteiro (1958)
12. Batuca no Chão (Assis Valente e Ataulfo Alves) – Martinho da Vila (1986)
13. Uva de Caminhão (Assis Valente) – Wanderléa (1972)
14. Maria Boa (Assis Valente) – Maria Alcina (1973)

CD 2
Assis Original Documento Histórico -  Gravações dos Anos 30, 40 e 50
1. Alegria (Assis Valente e  Durval Maia) – Orlando Silva (1937)
2. Bis (Assis Valente e Lamartine Babo) – Bando da Lua (1934)
3. Tenho Raiva do Luar (Assis Valente) – Carmen Miranda (1934)
4. Me Segure (Assis Valente) – Quatro Ases e um Curinga (1943)
5. Ele Disse que Dá (Assis Valente) – Dircinha Batista (1941)
6. Gosto Mais do Outro Lado (Assis Valente) – Bando da Lua (1934)
7. Deixa Isso pra Lá (Assis Valente e Alvinho) – Cyro Monteiro (1956)
8. Pra Lá de Boa (Assis Valente) – Moreira da Silva (1933)
9.  O Meu Não Dá (Assis Valente) – Dircinha Batista (1951)
10. Não Quero Não (Assis Valente) – Bando da Lua (1938)
11. Coração Bateu Demais (Assis Valente) – Quatro Ases e 1 Curinga (1942)
12. Isso Não se Atura (Assis Valente) – Carmen Miranda (1935)
13. Badaladas (Assis Valente) – Bando da Lua (1934)
14. Sinos da Penha (Assis Valente) – Carlos Galhardo (1934)
15. Deixa Comigo (Assis Valente) – Carmen Miranda (1939)
16. Boa Noite (Assis Valente) – Bando da Lua (1935)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Coletânea do selo Revivendo quebra silêncio sobre centenário de Assis


Embora com alguns meses de atraso, o lançamento da coletânea Assis Valente - 100 Anos - recém-editada pelo selo curitibano Revivendo - quebra o injusto silêncio da indústria do disco em relação ao centenário de nascimento do compositor baiano Assis Valente (1911 - 1958). A compilação alinha 21 gravações originais de músicas do autor de Brasil Pandeiro e Camisa Listrada. A seleção prioriza músicas da fase inicial da obra do artista. A maioria é pouco conhecida. Eis as músicas e respectivos autores e intérpretes do CD Assis Valente - 100 Anos:

1. ...E o Mundo Não se Acabou (Assis Valente) – Carmen Miranda
2. A Vida É Boa (Assis Valente, Herivelto Martins e Francisco Sena) – Carlos Galhardo
3. Eu Vivia no Morro (Assis Valente) – Sônia Carvalho
4. Beijinhos (Assis Valente) – Elza Cabral
5. Maria Boa (Assis Valente) – Bando da Lua
6. Olhando o Céu Todo Enfeitado - (Assis Valente) – Francisco Alves
7. Felismina (Assis Valente) – Jayme Vogeler
8. Pra Que Você me Tentou? (Assis Valente e Nelson Petersen) – Irmãs Pagãs
9. Janete (Assis Valente e Lamartine Babo) – Lamartine Babo
10. Pra Lá de Boa (Assis Valente) – Moreira da Silva
11. Se a Gente Quando Gostasse (Assis Valente) – Jonjoca
12. Por Causa de Você (Assis Valente) – Aurora Miranda
13. Coração que Não Entende (Assis Valente) – Nuno Roland
14. Sinos da Penha (Assis Valente) – Carlos Galhardo
15. Sacrifício Demais (Assis Valente e Leandro Medeiros) – Trigêmeos Vocalistas
16. Tão Grande, Tão Bobo (Assis Valente) – Carmen Miranda
17. Não Sei se É (Assis Valente e Leandro Medeiros) – Araci de Almeida
18. Põe a Chave em Baixo... (Assis Valente) – Zezé Fonseca
19. É do Barulho (Assis Valente e Zequinha Reis) – Bando da Lua
20. Deixe de Ser Palhaço (Assis Valente) – Almirante
21. Boas Festas (Assis Valente) – Carlos Galhardo

sábado, 19 de março de 2011

Centenário de Assis Valente joga luz sobre bela obra de brasilidade vivaz

Assis Valente (1911 - 1958) era baiano, tendo nascido na mesma interiorana cidade de Santo Amaro da Purificação que gerou Caetano Veloso e Maria Bethânia três décadas mais tarde. Mas construiu e deixou obra musical impregnada do suingue e da malícia carioca - como nenhum outro compositor baiano conseguiria fazer, nem mesmo o polivalente Caetano. Nascido em 19 de março de 1911, Assis Valente poderia - quem sabe? - ter chegado aos 100 neste sábado se a idéia fixa do suicídio (tentado diversas vezes e consumado, enfim, por envenenamento em 6 de março de 1958) não tivesse encerrado precocemente sua vida atribulada. Os tormentos da vida de Assis - gerados em parte pela homossexualidade dissimulada com casamento que o levou a adotar vida dupla - contradizem a alegria e a vivacidade que pontuam boa parte da obra desse mulato baiano que compôs sambas antológicos como Camisa Listrada (1937), Brasil Pandeiro (1941) - revivido com propriedade nos anos 70 pelos pós-tropicalistas Novos Baianos - e ...E o Mundo Não se Acabou (1938). Assis - visto no traço de André Koehne - viveu o auge do sucesso nos anos 30 e foi primeiramente gravado por Aracy Cortes (1904 - 1985), cantora que lançou em 1932 o samba Tem Francesa no Morro (recentemente regravado por Zeca Baleiro com acento afrobeat no CD que traz o registro ao vivo do show Concerto). Mas foi Carmen Miranda (1909 - 1955) - que também viveu seus melhores momentos artísticos nos anos 30 - quem mais deu voz a Assis Valente. Que morou em Salvador (BA) antes de migrar para o Rio de Janeiro (RJ), onde criou seu cancioneiro cheio de verve, suingue e brasilidade. Compositor assiduamente presente nas paradas carnavalescas dos anos 30, Assis extrapolou com maestria o universo da folia. Sua tristonha marcha Boas Festas - composta em 1932 e lançada em 1933 pelo cantor Carlos Galhardo (1913 - 1985) - se tornou o maior e mais perene clássico natalino criado no Brasil. Na seara junina, Assis deu ao povo a marcha Cai, Cai, Balão, lançada em 1933 pela irmã de Carmen, Aurora Miranda (1915 - 2005), em dueto com Francisco Alves (1898 - 1952). Em essência, contudo, Assis Valente passou para a História da música brasileira como um dos compositores que mais bem souberam traduzir em música a alegria do povo brasileiro, essa gente bronzeada que não vem dando o merecido valor a Assis Valente no ano em que se comemora, em silêncio, o centenário de nascimento do compositor.