Mauro Ferreira no G1

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domingo, 12 de julho de 2015

Musical sobre Simonal inspira a edição de compilação com 18 hits do cantor

Sucesso de público, atualmente em cartaz em São Paulo (SP), o musical sobre o cantor carioca Wilson Simonal (1938 - 2000) inspirou a gravadora Universal Music a lançar, por seu selo EMI, compilação inédita do artista. Nas lojas neste mês de julho de 2015, S'imbora - A história de Wilson Simonal coleta 18 gravações feitas pelo cantor nos anos 1960 e 1970. Dois fonogramas - gravados por Max de Castro e Wilson Simoninha, filhos do artista - completam as 20 faixas da coletânea. Em gravações remasterizadas, o disco alinha hits como Balanço Zona Sul (Tito Madi, 1963), Carango (Carlos Imperial e Nonato Buzar, 1966), Lobo bobo (Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, 1959, em gravação de 1964), Mamãe passou açúcar em mim (Carlos Imperial, 1966), Nem vem que não tem (Carlos Imperial, 1967), Sá Marina (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, 1968), Tributo a Martin Luther King (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli, 1966, em gravação de 1967), Vesti azul (Wilson Simonal, 1967) e Zazueira (Jorge Ben, 1968), entre outros sucessos propagados na voz cheia de champignon de Simonal. Detalhe: Mamãe passou açúcar em mim, música de autoria do compositor multimídia Carlos Imperial (1935 - 1992), é creditada na ficha técnica a um tal de Bill César. O encarte do CD  S'imbora - A história de Wilson Simonal  reproduz as letras das músicas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Musical longo sobre Simonal acerta o ponto do 'champignon' no segundo ato

Resenha de musical de teatro
Título: S'imbora o musical - A história de Wilson Simonal
Texto: Nelson Motta e Patrícia Andrade
Direção: Pedro Brício
Direção musical: Alexandre Elias
Produção musical: Max de Castro
Elenco: Ícaro Silva (como Simonal), Thelmo Fernandes (como Carlos Imperial) e Gabriela

              Carneiro da Cunha (como Tereza), entre outros
Foto: Leo Aversa
Cotação: * * *
Musical em cartaz no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), até 12 de abril de 2015

No dicionário particular do cantor carioca Wilson Simonal (23 de fevereiro de 1938 - 25 de junho de 2000), champignon é termo que significava suingue, balanço, o molho extra que ele pôs em interpretações cheias de charme e veneno que o elevaram na segunda metade dos anos 1960 à condição de primeiro popstar negro do Brasil. Recém-estreado no Rio de Janeiro (RJ), onde vai ficar em cartaz no Teatro Carlos Gomes de quinta-feira a domingo até 12 de abril de 2015, o musical sobre Simonal acerta o ponto do champignon em seu segundo ato. É quando os autores Nelson Motta e Patrícia Andrade - dupla que assinou o texto de Elis, a musical (2013), bem-sucedido espetáculo ainda em cartaz - esboçam uma dramaturgia inexistente no gorduroso primeiro ato. A rigor, S'imbora o musical - A história de Wilson Simonal segue à risca a receita rentável dos espetáculos biográficos sobre ídolos da música. A exposição dos fatos mais relevantes da vida e obra do biografado, em painel cronológico e superficial, parece ser mero pretexto para a apresentação de números musicais que mexem com a memória afetiva do público-alvo desse gênero de musical. Espetáculo que marca a entrada em cena da Planmusic (empresa que debuta no mercado teatral com a credibilidade obtida pelo empresário Luiz Oscar Niemeyer na área musical), S'imbora reitera vícios e virtudes do gênero com o mérito de retratar Simonal com nuances. Embora o texto tenda a absolvê-lo das acusações (nunca efetivamente comprovadas) de delação de colegas ao Dops (principal órgão repressor do regime ditatorial em vigor no Brasil de 1964 a 1985), promovendo ao fim a redenção do cantor, Simonal é posto em cena com todas suas contradições. Ao carisma inegável, contrapõe-se em cena uma arrogância que, na vida real, contribuiu para que o artista fosse enterrado vivo na primeira metade dos anos 1970. Todo o segundo ato é impregnado das sombras que nublaram a alma de Simonal após o controvertido episódio que destruiu sua carreira. E, nesse ato, o protagonista Ícaro Silva tem um de seus melhores momentos no espetáculo ao puxar Cordão (1971), a música de Chico Buarque gravada por Simonal em álbum melancólico dessa fase crepuscular, Ninguém proíbe o amor (RCA, 1975), como um manifesto de resistência. A propósito, Ícaro Silva está bem como Simonal e eventualmente brilha como ator e cantor, mas sem impactar. Não há na sua personificação de Simonal o traço de incorporação observado nas performances dos atores que arrebataram o público ao protagonizarem recentes musicais sobre Tim Maia (1942 - 1998), Cazuza (1958 - 1990) e Cássia Eller (1962 - 2001), por exemplo. De todo modo, Ícaro vai crescendo ao longo das três horas do espetáculo. Desenvolto, acerta o tom da intervenção na plateia ao espremer o suco de Meu limão, meu limoeiro - o tema folclórico de origem nordestina temperado por Simonal com champignon - e ao dar voz a músicas emblemáticas da discografia do cantor, casos de Nem vem que não tem (Carlos Imperial, 1967) e Tributo a Martin Luther King (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli, 1966), esta uma prova da consciência social de Simonal, ídolo que jamais aceitou o papel submisso e grato imposto aos negros famosos. Ícaro é o protagonista, mas, no primeiro terço do primeiro ato, chega a ser eclipsado em cena por Thelmo Fernandes, ator que marca bela presença no musical ao personificar com carisma o compositor, produtor e apresentador capixaba Carlos Imperial (1935 - 1992), a quem o texto confia a função de narrador da história de Simonal (a quem Imperial deu as primeiras oportunidades na carreira). O problema é que toda a parte dedicada a Imperial no início roqueiro do primeiro ato resulta demasiadamente longa. Números musicais como Rock around the clock (Max Freedman e James Myers, 1954) são perfeitamente dispensáveis no roteiro porque, a rigor, em nada contribuem para avançar na história de Simonal. Até porque, em certos momentos da primeira metade do primeiro ato, fica a impressão de que a figura central do musical é Imperial, e não Simonal. Por falar no roteiro, um dos números mais criativos - veículo para a exposição da versatilidade e do suingue de Simonal - é Lobo bobo (música creditada no programa da peça somente a Carlos Lyra, com omissão do nome de Ronaldo Bôscoli, parceiro de Lyra no tema). Nesse número, Ícaro alterna o tom de sua interpretação, se dividindo em questão de segundos entre o canto cheio de bossa do programa de TV O fino da bossa e a abordagem mais envenenada e pop do programa rival Jovem Guarda. Simonal tinha bossa e tinha também soul. Como cantor, Ícaro Silva consegue evocar em cena o suingue do artista quando interpreta músicas como Balanço Zona Sul (1963), música de autoria de Tito Madi desatentamente creditada a Simonal no programa do espetáculo. Como diretor, Pedro Brício surpreende a plateia ao projetar em telão a imagem de um carro condizente com o Carango do título desta parceria de Imperial com Nonato Buzar (1932 - 2014), compositor maranhense associado à Pilantragem, o movimento arquitetado por Imperial para alavancar o sucesso de Simonal na segunda metade dos anos 1960. Como diretor musical, autor dos arranjos criados com Max de Castro (filho de Simonal), Alexandre Elias acerta porque não inventa moda. Dá para identificar em Sá Marina (Tibério Gaspar e Antonio Adolfo, 1968) - número que retrata no musical a passagem de Simonal pelo palco do Olympia de Paris em 1968 - a pulsação do imbatível arranjo original desse grande sucesso do cantor. No segundo ato, mais conciso, a dramaturgia entra em cena através de diálogos que retratam os desajustes de Simonal com a mulher Tereza (papel de Gabriela Carneiro da Cunha), com a polícia, com os todos-poderosos da TV Globo e com o mundo de forma geral. É a fase em que o artista se deixa anestesiar pela bebida. Mas, como manda a receita dos musicais do gênero, o final tem que ser para cima. Uma redenção além-túmulo - incoerente com o tom realista do texto - prepara o clima para o gran finale com medley de sucessos de Wilson Simonal, o cantor que fez o povo inteiro cantar. Mas que foi esquecido por esse mesmo povo ao dar o passo em falso - a prensa através de agentes Dops em contador do qual suspeitava de roubo em sua empresa - que lhe custou o sucesso e, de certa forma, a vida. S'imbora honra a memória do ótimo cantor ao recontar sua história, mesmo com gorduras no longo primeiro ato.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Força do abraço coletivo de Pery em Simonal varia ao longo de CD duplo

Resenha de CD
Título: Pery Ribeiro abraça Simonal - Dueto com amigos
Artista: Pery Ribeiro 
Gravadora: Atração Fonográfica
Cotação: * * 

Tivesse sido gravado nos anos 60 ou 70, no auge da forma vocal de Pery Ribeiro (27 de outubro de 1937 - 24 de fevereiro de 2012), o CD Pery Ribeiro abraça Simonal - Dueto com amigos poderia ter resultado antológico, talvez até mesmo histórico. Afinal, trata-se de tributo de grande cantor de sua época a outro grande cantor da mesma geração, Wilson Simonal (23 de fevereiro de 1938 - 25 de junho de 2000). Dois senhores cantores cariocas que se fizeram ouvir ao longo dos anos 60 neste país de cantoras, ambos com sua bossa particular. Disco idealizado e produzido por João Santana, empresário do Rio Grande Norte associado à carreira de Simonal, Pery Ribeiro abraça Simonal - Dueto com amigos começou a tomar forma, no entanto, a partir de 2010, quando Pery já vivia fase crepuscular como intérprete e quando o brilho de Simonal já era vaga lembrança na mente de quem viveu os anos 60 - lembrança reavivada, é fato, pelo essencial documentário Simonal - Ninguém sabe o duro que dei (Micael Langer, Calvito Leral e Cláudio Manoel, 2009) e pelos esforços coletivos de seus filhos, Max de Castro e Wilson Simominha, para reabilitar a memória e a música de seu pai. Simoninha, a propósito, abre o tributo duplo, batendo bola com Pery em Aqui é o país do futebol (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1970). Simoninha é um dos amigos - como quer o título deste disco que se tornou póstumo na discografia de Pery porque o cantor saiu de cena antes de sua finalização - que se juntaram ao anfitrião em abraço coletivo em Simonal cuja força varia de acordo com a qualidade do arranjo e da interpretação de cada convidado. Se Zélia Duncan está leve e solta no Balanço Zona Sul (Tito Madi, 1963), sucesso do primeiro álbum de Simonal, Agnaldo Timóteo faz Sá Marina (Tibério Gaspar e Antonio Adolfo, 1968) descer a ladeira sem suingue - qualidade inexistente no canto asséptico de Marina Elali, convidada do samba País tropical (Jorge Ben Jor, 1969). E por falar em molho (o champignon no dicionário de Simonal), Fagner exercita suingue atípico em sua discografia ao reviver Noves fora (Fagner e Belchior, 1972) com Pery em registro que evoca o universo do samba-jazz. Contudo, brilhos individuais à parte, falta pressão aos arranjos - assim como falta um colorido à maioria das interpretações. A voz de Ângela Maria poderia ter sido mais bem colocada no samba-canção Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda, 1942). Alcione baixa o tom para entrar no clima de Minha namorada (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1962). Wanderléa encara Lobo bobo (Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, 1959) em faixa introduzida por história contada na voz do próprio Simonal no auge da Pilantragem. Também introduzida por fala de Simonal, Velho arvoredo (Hélio Delmiro e Paulo César Pinheiro, 1976) enverga no encontro de Pery com Altay Veloso, mas não chega a cair. Já Caetano Veloso está à vontade no seu Remelexo (Caetano Veloso, 1967). Toni Garrido também marca boa presença em música menos óbvia, De como um garoto apaixonado perdoou por causa de um dos mandamentos (Nonato Buzar, Chico Anísio e Wilson Simonal, 1968). Outra lembrança rara do cancioneiro de Simonal é Silêncio (Eduardo Souto e Sergio Bittencourt, 1969), defendida por Pery em dueto com Chico César. Na linha mais do mesmo, Elza Soares reitera a ginga da raça em Tributo a Martin Luther King (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli, 1967), samba de espírito soul que exala orgulho negro e que foi gravado pela própria Elza em 1970, três anos após a gravação original de Simonal. Sambista identificada com causas sociais, Leci Brandão ecoa outro tema de tom politizado, Mais valia não chorar (Ronaldo Bôscoli e Normando Soares, 1970), em dueto com Pery. Já Geraldo Azevedo pousa sua voz macia no Samba do avião (Antonio Carlos Jobim, 1962). Sem a habitual vivacidade das avenidas, Neguinho da Beija-Flor esmaece Vesti azul (Nonato Buzar, 1967). Enfim, o abraço coletivo em Simonal - comandado por Pery - podia ser mais forte. De todo modo, o disco duplo - gravado entre Natal (RN), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Campina Grande (PB) e João Pessoa (PB) - tem seu valor por cruzar, mesmo postumamente, os caminhos de dois grandes cantores que mereciam abraços mais apertados.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Max de Castro se prepara para abrir 'A fantástica fábrica de champignon'

Max de Castro se prepara para lançar seu quinto álbum de inéditas, A fantástica fábrica de champignon, neste segundo semestre de 2013. Uma das músicas, Entrar para ficar, já tem sua gravação em rotação na internet desde abril. A fantástica fábrica de champignon é o primeiro álbum do cantor e compositor carioca desde Balanço das horas (2006). O título alude à expressão "com champignon", inventada pelo pai de Castro, Wilson Simonal (1938 - 2000), na década de 60. No dicionário de Simonal, champignon significava balanço, molho, suingue.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ao reabrir 'caso Simonal', livro questiona memória da resistência na MPB

Resenha de livro
Título: Simonal Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga
Autor: Gustavo Alonso
Editora: Record
Cotação: * * * *

A capa e o título do livro Simonal Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga dão a impressão de que se trata de mais uma biografia de Wilson Simonal (1938 - 2000). Pista falsa. Ainda bem, pois a trajetória controvertida do cantor já foi alvo de biografia definitiva, Nem Vem que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal (Editora Globo, 2009), escrita pelo jornalista Ricardo Alexandre. Simonal Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga é a edição em livro de tese do historiador fluminense Gustavo Alonso que, a partir de reflexão sobre a repercussão do envolvimento de Simonal com o poder do Governo Militar, questiona a memória da resistência na MPB. O livro é excelente. Sem usar linguagem acadêmica, mas com extensa pesquisa que fundamenta todos os argumentos da tese, o autor discorre sobre os paradoxos dessa memória, defendendo que Simonal foi severamente punido por não ter se comportado de acordo com os estatutos ditados por uma esquerda que, às vezes, se portou de forma tão totalitária quanto o regime direitista que combatia. Em tese, Simonal foi condenado não somente por sua suposta aliança com o poder truculento do Dops (o órgão repressor do regime ditatorial que vigorou no Brasil de 1964 a 1985), mas por pregar na sua música e na sua vida uma alegria que era inadmissível na ala da esquerda. Alonso mostra como essa patrulha ideológica era exercida com especial rigor quando se tratava de artistas negros que driblavam os obstáculos raciais e galgavam as paradas de sucessos. A estes, cabia somente o papel da militância em favor dos irmãos de cor.  Simonal Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga somente não é um livro revolucionário porque a memória da resistência na MPB já foi questionada com muita propriedade por Paulo César Araújo (autor da proibida biografia de Roberto Carlos) no essencial livro Eu Não Sou Cachorro, Não (Record, 2003). Araújo - que não por acaso assina o texto da orelha do livro de Alonso - já tinha mostrado que a MPB prefere esquecer que Jorge Ben Jor compôs no auge da repressão música ufanista chamada Brasil, Eu Fico, gravada não pelo autor, mas por um inconsequente Simonal. Contudo, justiça seja feita, o foco de Araújo era outro - mostrar que os cantores e compositores ditos cafonas também foram alvos da censura - e Alonso dá todos os devidos créditos ao colega quando aborda questões semelhantes como o esquecimento da música adesista de Jorge Ben.  Simonal Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga resulta verdadeiramente original quando defende os valores musicais da Pilantragem, o efêmero movimento arquitetado pelo jornalista e compositor Carlos Imperial (1935 - 1992) nos anos 60 que aglutinou músicos como o pianista César Camargo Mariano, mestres em reprocessar o suingue brasileiro com informações deglutidas no universo pop internacioanl que começava a tomar forma naquela década. Simonal deu voz à Pilantragem, movimento (pop)ular que o autor argumenta ser irmão conceitual da antropofágica Tropicália. Há certo exagero nessa comparação, (embora ela jamais seja  refutada por um arquitetos da Tropicália, Caetano Veloso, em depoimento ao autor), mas, ao mostrar o envolvimento de tantos talentos na Pilantragem, Alonso demole o conceito de que a música surgida naquele movimento fosse o lixo que a elite da MPB parece querer varrer para debaixo de seu luxuoso tapete. Há também certo exagero de Alonso no questionamento da memória da resistência que glorifica Chico Buarque como combatente do regime (até porque a obra resistente do compositor fala por si só), mas Alonso tem a salutar coragem de expor o endeusamento ainda persistente de Chico na mídia e de mostrar como a imagem do artista resistente foi construída - à revelia de Chico - com boas doses de marketing na Itália, durante o autoexílio do compositor naquele país. Enfim, Simonal  Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga é livro originado de uma tese acadêmica, ou seja, defende um ponto de vista específico. Mas tal defesa é feita com tamanha eloquência - embasada em dados e fatos criteriosamente expostos ao longo da tese - que a leitura de Simonal Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga se torna obrigatória por todos que se interessam pela música brasileira e pelo questionamento dos mitos alimentados pela história oficial da tal MPB.