Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Vitor Martins. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vitor Martins. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Voltam dois álbuns de Ivan que abriram alas para parceria com Vitor Martins

Embora Ivan Lins tenha ganhado projeção nacional em 1970 com a gravação do samba Madalena e a defesa da canção de acento soul O amor é o meu país (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) no V Festival internacional da canção (FIC), a carreira fonográfica do cantor e compositor carioca ganhou vulto somente a partir de 1974, quando, após três álbuns lançados através da gravadora Philips (os dois primeiros feitos pelo selo Forma), o artista migrou para a gravadora RCA e lá fez dois álbuns que, além de abrirem alas para a parceria definidora com o paulista Vitor Martins, deram mais prestígio a Ivan como compositor, desbravando caminho para a fase áurea vivida na sequência, já na gravadora EMI-Odeon, na segunda metade dos anos 1970. Estes dois álbuns, Modo livre (1974) e Chama acesa (1975), estão sendo relançados em CD pela gravadora Kuarup - sob licença da Sony Music, herdeira do acervo da RCA - em edições remasterizadas por Ricardo Carvalheira. As reedições reproduzem capas, contracapas e encartes dos LPs originais, devidamente adaptados para o formato de CD. Produzido por Raymundo Bittencourt, com arranjos e regências do violonista Arthur Verocai, Modo livre foi o quarto álbum de Ivan e apresentou repertório ainda centrado na parceria do compositor com Ronaldo Monteiro de Souza - coautor de músicas como Deixa eu dizer (1973), samba lançado no ano anterior em disco da cantora Cláudia - mas o grande sucesso popular de Modo livre foi Abre alas, parceria inaugural da obra de Ivan com Vitor Martins. Tanto que o nome de Vitor já é recorrente na ficha técnica de Chama acesa, quinto álbum de Ivan, gravado sob a direção artística de Carlos Guarany, com arranjos do Modo Livre, gru´po integrado pelo pianista Gilson Peranzzetta, músico que se tornaria fundamental na formatação do cancioneiro de Ivan dali em diante. Com Vitor Martins, Ivan assina em Chama acesa músicas como Corpos, Demônio de guarda, Joana dos Barcos (Beira-mar) e Ventos de junho. Mas a faixa-título tem letra de Paulo César Pinheiro. Tanto Modo livre quanto Chama acesa já tinham sido relançados em CD em 2001, mas estavam fora de catálogo. As atuais reedições são presentes dados ao público de Ivan Lins neste ano em que o artista festeja sete décadas de vida  e cinco de música.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Ivan refaz cantoria em 'América, Brasil' para celebrar seu encontro com Vitor

Resenha de CD
Título: América, Brasil
Artista: Ivan Lins
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 1/2

Ivan Lins está repondo seu bloco na rua. América, Brasil – álbum ora lançado pela gravadora Sony Music – é título com baixo teor de novidade para colecionadores da discografia do cantor e compositor carioca. A rigor, o CD apresenta uma única música inédita em disco, o samba Luxo do lixo, composto em 1981 por Ivan com Vitor Martins para bloco carioca que não chegou a desfilar. Mas a grande maioria das 14 músicas do álbum vai soar como inédita porque trata-se - como o próprio Ivan caracteriza - de “canções perdidas” em discos promovidos com outras músicas. Ou então gravadas sem grande repercussão por cantoras como Simone e Leny Andrade, intérprete original de Cantor da noite (1984), samba-canção – até então inédito na voz de seu compositor - que se ajusta à tonalidade aconchegante do arranjo criado por Ivan com o pianista Marco Brito, produtor do álbum ao lado do próprio Ivan. Com perdas que se transformam em ganhos, América, Brasil – disco idealizado em 2014 – celebra os 40 anos da parceria de Ivan com o letrista paulista Vitor Martins, parceiro de todas as 14 músicas. Foi a partir do encontro de Ivan com Vitor, em 1974, que o cancioneiro desse compositor carioca ganhou relevância e amplitude na MPB engajada dos anos 1970. Essa obra guarda joias raras no baú. Tanto que o disco presta favor à memória nacional em reavivar pérolas como Joana dos Barcos (1975) e  Cantoria (1978), uma das composições da dupla que resistiu por meio de metáforas ao autoritarismo do regime militar instaurado no Brasil em 1964. Ao reencontrar suas canções perdidas, Ivan busca outros (ricos) caminhos harmônicos, recriando a criação com requinte intimista. Que quer de mim? (1993) tem acento bluesy acentuado pelo toque da guitarra do uruguaio Leo Amuedo sem perder a ternura que pauta os arranjos. Por seu tom mais íntimo, América, Brasil favorece canções mais densas como E aí? (Ivan Lins e Vitor Martins, 1991), tema lançado em disco na voz de Selma Reis e que, com Ivan, cai em tom jazzy no toque do piano de Marco Brito enquanto lembra que o amor é a coisa mais triste quando se desfaz. De romantismo sensual, Voar (2004) também alcança boa altitude no álbum, assim como a plácida Água doce (1993). Já os temas de maior brasilidade, caso do congado Do Oiapoque ao Chuí (1984), carecem por vezes de maior vivacidade, pela natureza expansiva. Nessa seara, o destaque é o samba Enquanto a gente batuca (1982), única parceria de Ivan e Vitor com Nei Lopes, promovida por Beth Carvalho para seu álbum Traço de união (RCA, 1982). Até inédito na voz de Ivan, o samba soa atual. Já Coragem, mulher (1980) sobressai no disco por juntar dois traços marcantes do cancioneiro da dupla nos anos 1970: a politização e a feminilidade. Tal como Chico Buarque, Ivan Lins e Vitor Martins sempre souberam compor músicas para vozes de mulheres com alma de mulher. Enfim, América, Brasil é um disco de lados B, que ignora o luxo do luxo. Mas o B de Ivan Lins e Vitor Martins sempre ostentou qualidade A - como prova a bela canção De nosso amor tão sincero (1988), adornada com o toque da gaita do suíço Gregoire Maret em medley que culmina com citações de Vitoriosa (1985) e Depende de nós (1981). Ou seja, não há lixo nesse cancioneiro já quarentão. O que justifica a reposição (de parte...) do bloco na rua no revisionista CD América, Brasil.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ivan, Claudio e Vitor dançam conforme música do balé 'Joana dos barcos'

Ivan Lins vai assinar a trilha sonora do espetáculo de dança Joana dos barcos. A música do compositor carioca - em foto de Leo Aversa - embala o espetáculo da Cia. de Ballet da Cidade de Niterói. As canções têm letras de Claudio Lins e de Vitor Martins - compositor paulista com quem Ivan iniciou relevante parceria há 40 anos no álbum Modo livre (RCA, 1974), o LP do sucesso Abre alas. Joana dos barcos tem estreia prevista para setembro de 2015. Lançada por Ivan em seu álbum Chama acesa (RCA, 1975), a música que dá título ao balé, Joana dos barcos (Beira-mar), também figura no repertório do próximo CD de Ivan, em fase de produção.

sábado, 3 de maio de 2014

Disco em que Leny reacende Ivan e Vítor, 'Iluminados' reflete o auge da MPB

Resenha de CD
Título: Iluminados - Leny Andrade canta Ivan Lins & Vítor Martins
Artista: Leny Andrade
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * *

 Do alto de seus 71 anos, com a voz de contralto ainda em ótima forma, Leny Andrade joga sua luz sobre onze composições de Ivan Lins e Vítor Martins em disco, Iluminados, que reflete o período áureo da produção do gênero de música nascido na era dos festivais com o rótulo de MPB. Projetado em 1970, quando já se vislumbrava o desgaste e a finitude dessa era, o cantor e compositor carioca Ivan Lins alcançou real relevância nesse universo da MPB quando, a partir de 1974, firmou com o letrista paulista Vítor Martins uma parceria que marcou época nos anos 1970 e 1980 - combatendo com música e metáforas as forças de repressão daquela época - até perder progressivamente o fôlego (em quantidade, não em qualidade) ao longo da década de 1990. Sob produção de João Samuel, Leny ilumina esse cancioneiro perene - com ênfase na produção lançada pela dupla entre 1974 e 1987 - com arranjos do pianista Fernando Merlino. Iluminados é CD fiel à estética da MPB e da música do próprio Ivan Lins, cujo toque percussivo do piano é evocado por Merlino já na primeira música - o samba Antes que seja tarde (1979) - deste disco que vai seduzir admiradores da MPB. É com livre trânsito entre a MPB e o jazz que Leny dá voz a músicas como Iluminados (1987), Velas içadas (1979) e Guarde nos olhos (1978), sendo esta uma balada embebida em lirismo que exemplifica a perfeita sintonia entre música e letra na obra de Ivan com Vítor. Contudo, Iluminados tende sobretudo para a MPB. As músicas estão inteiramente inseridas nesse universo tradicional da MPB. A única faixa de tom mais jazzístico, com longa passagem instrumental em que Leny exercita sua habilidade nos scats, é Daquilo que eu sei (1981). Em essência, Iluminados é disco em que predominam as baladas formatadas em atmosfera clássica. E, nesse gênero, Leny também dá banho - como atesta sua arrebatadora interpretação da apaixonada balada Vieste (1987), pontuada pelo piano límpido e preciso de Merlino. Aliás, Leny é cantora que faz a diferença porque sabe aliar emoção à sua técnica esplendorosa, ciente de que sentimento é artigo essencial no canto de canções como Anjo de mim (1995), um dos últimos sucessos dessa iluminada parceria que pediu passagem na música brasileira com Abre alas (1974), faixa em que Merlino evoca na parte instrumental tanto o estilo de Ivan quanto as orquestrações feitas pelo maestro Wagner Tiso para formatar o cancioneiro de Milton Nascimento nos anos 1970. De todo modo, é preciso ressaltar que, mesmo na interpretação sedutora de Leny, Mãos de afeto (1976) - canção letrada por Vítor sob ótica feminina - continua dando a impressão de que parece talhada sob medida para Nana Caymmi, intérprete original da canção. Em seleção que concentra sucessos, Cantor da noite sobressai no repertório de Iluminados por soar como inédita, embora essa canção densa e rebuscada tenha sido lançada por Leny em álbum de 1984 e regravada pela cantora dez anos depois em disco feito para o mercado norte-americano, Maiden voyage (Chesky Records, 1994). Veículo em Iluminados para interpretação encorpada de Leny, Cantor da noite merece sair da escuridão. No fim, tudo acaba no samba Roda baiana (1981), número presente há décadas nos shows da cantora e revivido com o suingue e os scats dessa artista que continua dando aula de canto. Abram alas, pois Leny Andrade está jogando sua luz forte sobre Ivan Lins e Vítor Martins em CD - ainda sem edição comercial - que merece distribuição eficaz no mercado fonográfico do Brasil.

domingo, 29 de setembro de 2013

Leny finaliza 'Iluminados', disco com 11 canções de Ivan Lins e Vitor Martins

 A cantora carioca Leny Andrade ainda nem lançou o disco em que dá voz em espanhol a sucessos de Roberto Carlos, Canciones del Rey, e já finalizou outro álbum. Trata-se de Iluminados, álbum dedicado à obra composta por Ivan Lins em parceria com Vitor Martins. A balada que batiza o CD, Iluminados, foi lançada por Ivan no álbum Mãos (1987). Leny canta no disco a 11 músicas da dupla.