Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Ronaldo Bastos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ronaldo Bastos. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de março de 2016

Em show, Jussara oscila sem inventar lua nova para clarear Beto e Ronaldo

Resenha de show
Título: Pedras que rolam, objetos luminosos
Artista: Jussara Silveira (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Arena do Espaço Sesc Copacabana (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de março de 2016
Cotação: * * 1/2

Jussara Silveira é daquelas grandes cantoras do Brasil capazes de reproduzir no palco a emissão perfeita de gravação de estúdio. Foi assim no primeiro número da estreia carioca do show Pedras que rolam, objetos luminosos, baseado no homônimo álbum de 2015 em que a cantora de origem mineira dá voz cristalina a dez parcerias de Beto Guedes com Ronaldo Bastos. Ao cantar O amor não precisa razão (Beto Guedes, Ricardo Milo e Ronaldo Bastos, 1984) na penumbra, com a arena do Espaço Sesc Copacabana quase às escuras, Jussara expôs de cara toda a luminosidade dessa canção até então esquecida na discografia de Guedes. Mas, à medida que a apresentação de 11 de março de 2016 foi evoluindo, a cantora oscilou e revelou surpreendente insegurança com as letras de algumas músicas, sobretudo com a de O sal da terra (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1981), lida em cena pela intérprete. Para arrematar, problema em uma das caixas de som levou o show a ser interrompido por alguns minutos para que a questão técnica fosse sanada. E o fato é que - ao menos na estreia carioca - o show soou inferior ao álbum Pedras que rolam, objetos luminosos, lançado pela Dubas Música. A cantora era ótima. As músicas eram boas. A banda arregimentada para o show - Alberto Continentino (baixo), André Valle (guitarra), Humberto Barros (piano e teclados) e Marcelo Costa (bateria) - se revelou um quarteto fantástico, hábil ao reproduzir ao vivo, em músicas como Pedras rolando (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979), a sonoridade meio prog que deu o tom de várias gravações de Beto Guedes. Compositor mineiro que esteve presente (como intérprete) no célebre álbum duplo Clube da Esquina (EMI-Odeon, 1972), Guedes encontrou nos versos do poeta e compositor fluminense Ronaldo Bastos - sócio do clube mineiro e parceiro de Milton Nascimento na antológica Cais, música lindamente cantada por Jussara em outro instante de luminosidade no show (inclusive pela sonoridade inebriante do arranjo) - o parceiro ideal para propagar ideais de amor e paz. De certa forma, a positivista parceria de Beto e Ronaldo - profícua entre a segunda metade da década de 1970 e a primeira metade dos anos 1980 - reverberou uma ideologia riponga, traduzida no show inclusive pelo figurino casual da cantora. É uma música que flertava tanto com a MPB quanto com o universo pop da época. Lumiar (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977), cantada por Jussara na batida do pop rock, exemplifica com perfeição a natureza da obra dos compositores. Parafraseando verso de Cais, Jussara Silveira não inventa lua nova para clarear outros horizontes da parceria. O tributo é reverente e, no show, extrapola a parceria. Às dez músicas do disco, Jussara acrescenta outras cinco. São músicas de Beto e Ronaldo com outros parceiros, caso de Luz e mistério (1978), parceria bissexta de Beto com Caetano Veloso. Até uma parceria dos irmãos Lô Borges e Márcio Borges, Um girassol da cor de seu cabelo (1972), aparece no roteiro. Só que nem tudo caiu bem na voz de Jussara. Feira moderna (Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant, 1970), por exemplo, pareceu fora do tom no canto da intérprete. A rigor, o show nem sempre evidenciou a luminosidade das canções. Já Choveu (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977) fez florescer tempo de delicadeza no toque do piano de Humberto Barros - cujos teclados foram essenciais para a recriação da sonoridade da obra de Beto - em número lírico que culminou com a reprodução em off, na voz de Leonel Pereda, de versos de Zorongo, escritos pelo poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898 - 1937). Enfim, houve luz. Mas houve também o mistério, o imponderável. Um disco excelente resultou em cena em show de luminosidade irregular.

Em cena, Jussara põe Márcio e Lô Borges na feira moderna de Beto e Bastos

No álbum Pedras que rolam, objetos luminosos (Dubas Música, 2015), Jussara Silveira dá voz cristalina a dez parcerias do cantor e compositor mineiro Beto Guedes com o poeta fluminense Ronaldo Bastos, dois sócios fundamentais do Clube da Esquina. No homônimo show inspirado pelo disco, a cantora - de origem mineira como o movimento pop encabeçado nas Geraes no início da década de 1970 pelo carioca Milton Nascimento - apresenta parcerias de Beto e Bastos com outros compositores. Feira Moderna - música de Beto com Lô Borges e Fernando Brant (1946 - 2015) lançada em disco em 1970 pelo grupo Som Imaginário, mas mais conhecida na gravação feita por Beto para o álbum Amor de índio (EMI-Odeon, 1978) - foi um dessas músicas. Deste mesmo álbum Amor de índio, aliás, Jussara cantou Luz e mistério (1978) - bissexta parceria de Beto com Caetano Veloso - e O medo de amar é o medo de ser livre, parceria de Beto com Brant. Cais - emblemática parceria de Bastos com Milton, lançada em 1972 no álbum duplo que firmou o movimento que lhe deu nome, Clube da Esquina (EMI-Odeon, 1972) - também encorpou o roteiro do show Pedras que rolam, objetos luminosos, cuja estreia carioca aconteceu na noite de ontem, 11 de março de 2016, na Arena do Espaço Sesc Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na companhia de banda formada Alberto Continentino (baixo), André Valle (guitarra), Humberto Barros (piano e teclados) e Marcelo Costa (bateria), Jussara Silveira - em foto de Rodrigo Goffredo - extrapolou até as obras autorais de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, cantando Um girassol da cor de seu cabelo (1972), música dos irmãos Lô Borges e Márcio Borges cantada por Lô no álbum Clube da esquina, do qual Beto Guedes participa como intérprete. A cantora adicionou cinco músicas às 10 do CD. Eis o roteiro seguido em 11 de março de 2016 por Jussara Silveira na estreia carioca do show Pedras que rolam, objetos luminosos na arena do Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ):

1. O amor não precisa razão (Beto Guedes, Ricardo Milo e Ronaldo Bastos, 1984)
2. Pedras rolando (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979)
3. Lumiar (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
4. Rio doce (Beto Guedes, Ronaldo Bastos e Tavinho Moura, 1979 / 1981)
5. Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978)
6. Luz e mistério (Beto Guedes e Caetano Veloso, 1978)
7. Tanto (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
8. O medo de amar é o medo de ser livre (Beto Guedes e Fernando Brant, 1978)
9. Feira moderna (Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant, 1970)
10. Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
11. Choveu (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
12. Sol de primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979)
13. Um girassol da cor de seu cabelo (Lô Borges e Márcio Borges, 1972)
14. A página do relâmpago elétrico (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
15. O sal da terra (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1981)
Bis:
16. Lumiar (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Reverente, Jussara clareia belos horizontes da parceria de Guedes e Bastos

Resenha de CD
Título: Pedras que rolam, objetos luminosos - Canções de Beto Guedes e Ronaldo Bastos
Artista: Jussara Silveira
Gravadora: Dubas Música
Cotação: * * * *

O cantor e compositor mineiro Beto Guedes firmou parceria com o letrista e poeta fluminense Ronaldo Bastos quando ambos já eram sócios de primeira do Clube da Esquina. Fiéis ao espírito gregário do coletivo mineiro, encabeçado por Milton Nascimento, os parceiros criaram obra calcada nos valores fraternos do clube. Em bom português, o cancioneiro de Beto Guedes e Ronaldo Bastos prega valores como o amor, a amizade e o respeito à natureza em músicas que alcançaram projeção nacional ao serem lançadas na voz de Guedes nos álbuns A página do relâmpago elétrico (EMI-Odeon, 1977), Amor de índio (EMI-Odeon, 1978), Sol de primavera (EMI-Odeon, 1979) e Contos da lua vaga (EMI-Odeon, 1981). Já gravadas de forma brilhante por Guedes, as músicas que batizaram os emblemáticos três primeiros álbuns do cantor figuram - ao lado de O sal da terra, o grande sucesso de Contos da lua vaga - entre as 10 canções a que Jussara Silveira dá voz límpida no CD Pedras que rolam, Objetos luminosos - Canções de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 11º título da discografia desta cantora de criação baiana, mas origem mineira. Com seu canto cristalino, Jussara clareia os belos horizontes da parceria de Guedes e Bastos com reverência. Por mais que haja tons de contemporaneidade nos arranjos, como o toque serelepe da guitarra de Maurício Negão em O sal da terra (1981), houve acertada opção pela total manutenção da arquitetura melódica de canções eternamente modernas em sua atemporalidade. Produzido por Marcelo Costa e Sacha Amback, o disco explicita e exemplifica tal respeito na regravação de Lumiar (1977), por exemplo. Embora novo, o arranjo desta canção que ecoa valores da era hippie jamais se desprende por completo da orquestração do registro original de Guedes. Entre o clima épico de Tanto (1977) e o lirismo de Choveu (1977), canção emendada com récita em espanhol (feita por Leonel Pereda) do poema espanhol Zorongo (Federico García Lorca), Pedras que rolam, objetos luminosos agrega valor à discografia brasileira sobretudo quando reacende a chama de bonitas canções que jaziam obscuras no baú mineiro, soterradas por músicas de maior projeção nos discos em que tais joias então raras foram lançadas. Não é por acaso que o álbum abre com Pedras rolando (1979), O amor não precisa razão (Beto Guedes, Ricardo Milo e Ronaldo Bastos, 1984) - a canção mais jovem do repertório, de 31 anos, acertadamente escolhida como single pela gravadora Dubas - e Rio doce (Beto Guedes, Ronaldo Bastos e Tavinho Moura, 1979 / 1981). Antes de virar sertaneja baiana, como ela própria se caracteriza no texto que apresenta o disco, Jussara Silveira foi mineira da orla do Rio Mucuri e da fuligem da Maria Fumaça de Nanuque. Por isso, clareia com precisão os (sempre) belos horizontes dessa iluminada parceria de Beto Guedes com Ronaldo Bastos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Jussara lança o álbum em que dá voz a dez parcerias de Guedes com Bastos

Parceria de Beto Guedes e Ronaldo Bastos com Ricardo Milo, O amor não precisa razão - música lançada há 31 anos na abertura de Viagem das mãos (EMI-Odeon, 1984), LP de Guedes - é o primeiro single do álbum (capa à esquerda) em que a cantora mineira (de criação baiana) Jussara Silveira dá voz a dez parcerias do cantor e compositor mineiro Beto Guedes com o poeta e compositor fluminense Ronaldo Bastos, lançadas entre 1977 e 1984. O single O amor não precisa razão está sendo lançado hoje, 4 de setembro de 2015, nas plataformas digitais, simultaneamente com o início da pré-venda do álbum no iTunes. O título do álbum - Pedras que rolam, objetos luminosos - faz alusão a duas músicas da parceria, Pedras rolando (1979) e Objetos luminosos (1986), música assinada por Guedes e Bastos com Milton Nascimento e lançada nas vozes de Guedes e Zizi Possi no álbum Alma de borracha (EMI-Odeon, 1986), de Guedes. Mas Objetos luminosos curiosamente não entrou no repertório do disco, anunciado desde 2014. No álbum, arranjado por Sacha Amback, Choveu (1977) é emendada com Porongo, poema de Federico García Lorca (1898 - 1936) Eis - na ordem do álbum que chega ao mercado fonográfico a partir de 11 de setembro em edição da gravadora Dubas, inclusive no formato de CD - as dez parcerias de Beto Guedes com Ronaldo Bastos que  ganham a voz  cristalina de Jussara Silveira no álbum  Pedras que rolam,  objetos luminosos:

1. Pedras rolando (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979)
2. O amor não precisa razão (Beto Guedes, Ricardo Milo e Ronaldo Bastos, 1984)
3. Rio doce (Beto Guedes, Ronaldo Bastos e Tavinho Moura, 1979 / 1981)
4. Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978)
5. Lumiar (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
6. A página do relâmpago elétrico (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
7. Tanto (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
8. Choveu (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1977)
9. Sol de primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979)
10. O sal da terra (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1981)

domingo, 4 de janeiro de 2015

Jussara Silveira lança disco com canções de Ronaldo Bastos e Beto Guedes

Admiradores de Jussara Silveira poderão ouvir dois novos álbuns da cantora ao longo deste ano novo de 2015. Além do raro Som e fúria (gravado pela artista com Rita Benneditto sob a direção artística de José Miguel Wisnik), disco que por ora foi distribuído apenas na Bahia (em novembro de 2014) pelo selo Maianga, Jussara vai lançar no segundo semestre o CD em que dá voz às canções de Ronaldo Bastos e Beto Guedes.  O disco sai pela gravadora de Bastos, Dubas, com distribuição da Universal Music. A cantora - em foto de João Passos - regrava no disco dez músicas feitas pelo compositor mineiro Beto Guedes com letras do compositor e poeta fluminense Ronaldo Bastos. O repertório não foi divulgado, mas a obra de Guedes com Bastos inclui músicas como Lumiar (1977), Tanto (1977), Choveu (1977), Gabriel (1978), Sol de primavera (1979), Pedras rolando (1979), Canção do novo mundo (1981), O sal da terra (1981), Rio doce (1981 - música feita com a adesão de Tavinho Moura), No céu com diamantes (1984), Quando a saudade não se vai (1986) e Tudo em você (1986). O último álbum de Jussara Silveira  - o límpido e lindo Água lusa (Dubas Música / Universal Music) -  foi lançado em 2013.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

CD 'Alta costura' expõe fino acabamento do pop feliz de Ronaldo Bastos

Resenha de CD
Título: Alta costura - O prêt-a-porter pop romântico de Ronaldo Bastos
Artista: Vários
Gravadora: Dubas
Cotação: * * * 1/2

Embora seja letrista primordialmente associado ao Clube da Esquina, o compositor fluminense Ronaldo Bastos também transitou pelo pop romântico dos anos 1980 e 1990, pondo versos em melodias de parceiros como Celso Fonseca, Ed Wilson, Flávio Venturini, Lulu Santos e Ed Motta. Criteriosa coletânea lançada neste mês de dezembro de 2014 pelo selo de Bastos, Dubas, Alta costura - O prêt-a-porter pop romântico de Ronaldo Bastos expõe o fino acabamento da obra pop do poeta. São 21 gravações lançadas entre 1983 e 2011, mas com ênfase na produção do compositor nos anos 1980 - década em que a MPB adquiriu sotaque pop romântico. Três dessas 21 músicas foram lançadas na voz cristalina de Gal Costa, cantora que era mais facilmente convencida a gravar canções populares quando via a letra assinada por Bastos. Chuva de prata (Ed Wilson e Ronaldo Bastos, 1984), Nada mais (Stevie Wonder em versão em português de Ronaldo Bastos, 1984) - música ouvida em Alta costura na gravação ao vivo feita por Sandra de Sá em 2003 - e Sorte (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 1985) são canções sedutoras que alavancaram as vendas de discos de Gal na fase mais pop da discografia da cantora. Até Maria Bethânia se rendeu ao pop fino de Bastos em Sei de cor (Celso Fonseca, 1986), bissexta gravação feita pela intérprete de acordo com as tendências do mercado. Assim como Zizi Possi, ouvida com Mania (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 1987), Bethânia nunca soou totalmente à vontade nessas canções. Só que, mais ou menos à vontade, todas as cantoras mergulharam nessa praia, por iniciativa própria ou por pressão de produtores. Tanto que a compilação também alinha gravações de Fafá de Belém (Coração aprendiz, Erich Bulling e Ronaldo Bastos, 1985 - e não 1986 como creditado na ficha técnica da faixa), Joanna (Mal nenhum, Ed Wilson e Ronaldo Bastos, 1985), Nana Caymmi (Dois corações, André Sperling e Ronaldo Bastos, 1993) e Simone (Meu ninho, Wagner Tiso e Ronaldo Bastos, 1991). Seja como for, ou foi, o fato é que a qualidade do acabamento melódico das 21 músicas variava de acordo com a inspiração e habilidade do parceiro de Bastos. Produzida com gravações originais (a exceção é o fonograma de Sandra de Sá), a coletânea mistura peças de alta costura - como Todo azul do mar (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, 1983), Um certo alguém (Lulu Santos e Ronaldo Bastos, 1983) e Seguindo no trem azul (Cleberson Horsth e Ronaldo Bastos, 1985) - com temas menos vistosos, justamente relegados ao esquecimento, casos de Fases (Lágrimas perdidas) (Hyldon, 1985) - tentativa vã de enquadrar o som do cantor Bebeto na moldura pop da década - e de Uma estrela a mais (Fernando Gama e Ronaldo Bastos), gravação mais banal de Tim Maia (1942 - 1998). Em contrapartida, há casos em que o intérprete foi efêmero, mas a canção resiste bem ao tempo. Exemplo é Não diga nada (Prêntice, Ed Wilson, Gilson e Ronaldo Bastos), sucesso do esquecido Prêntice em 1985. De todo modo, a poesia de Bastos permaneceu em cena, mesmo depois de passada a euforia tecnopop da década de 1980. Gravações como as de Noites com sol (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, 1994) e Vendaval (Ed Motta e Ronaldo Bastos, 1997) - lançadas já nos anos 1990 - comprovam a perenidade da escrita musical do artista, poeta de versos geralmente felizes. "Tá tudo bem / Se vai mal", enfatiza Ed Motta no refrão de Vendaval, exemplificando o tom solar do pop romântico de Ronaldo Bastos. Alta costura alinha recortes de uma época em que, mesmo bastante diluída pelo sotaque pop radiofônico, a música popular do Brasil era feliz e sabia.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Jussara vai gravar álbum com músicas de Beto Guedes com Ronaldo Bastos

 Jussara Silveira ainda nem lançou o disco feito com Rita Benneditto sob a produção de Alê Siqueira e a direção artística de José Miguel Wisnik, mas já tem engatilhado outro projeto fonográfico. A convite da gravadora Dubas, a cantora - em foto de Marcos Issa - vai gravar CD somente com músicas da parceria de Beto Guedes com Ronaldo Bastos. Os músicos Marcelo Costa (percussão) e Sacha Amback (teclados) vão formar o núcleo-base de instrumentistas do disco, mas outros músicos serão convidados a tocar no álbum. A obra de Guedes com Bastos inclui músicas como Canção do novo mundo (1981), Choveu (1977), Gabriel (1978), Lumiar (1977), No céu com diamantes (1984), O sal da terra (1981), Pedras rolando (1979), Quando a saudade não se vai (1986), Sol de primavera (1979), Tanto (1977) e Tudo em você (1986), entre outras boas músicas.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mazzer lança 'single' feito via selo Pimba sob direção artística de Bastos

Ótima cantora de Londrina (PR) que integrou a banda paranaense Chaminé Batom antes de se radicar no Rio de Janeiro (RJ) e que ganhou projeção nacional como atriz da Cia. Armazém de Teatro, Simone Mazzer é a atual aposta do selo Pimba, ligado à gravadora Dubas. Sob a direção artística de Leonel Pereda e Ronaldo Bastos, a cantora vai gravar CD para o selo carioca com trio formado por Marco Antonio Scolari (piano e arranjo), André Bedurê (baixo) e Eduardo Rorato (bateria). O primeiro single é Mente, Mente, música do compositor Robinson Borba, lançada em 1986 na trilha sonora do filme Cidade Oculta e no álbum Bugre, de Ney Matogrosso. Prenúncio do disco de Mazzer, que vai ser lançado ao longo de 2013, o single está disponível no iTunes. Mazzer realça no seu repertório a produção de compositores de Londrina.

sábado, 5 de novembro de 2011

'Liebe' recicla com frescor e vozes as faixas de 'Paradiso', álbum de 1997

Resenha de CD
Título: Liebe Paradiso
Artista: Celso Fonseca e Ronaldo Bastos
Gravadora: Pimba / Dubas Música
Cotação: * * * *

Segundo disco da trilogia que sedimentou a parceria de Celso Fonseca com Ronaldo Bastos, situado entre Sorte (1994) e Juventude / Slow Motion Bossa Nova (2002), Paradiso (1997) teve seu repertório repaginado e reciclado pela dupla com gravações adicionais que geraram um outro álbum, Liebe Paradiso, neste ano de 2011. Sob a batuta do engenheiro carioca Duda Mello, escalado para produzir o disco, foram acrescentados instrumentos e vozes que renovam o repertório original sem desconfigurá-lo. Out of Blue, por exemplo, teve sua suave pulsação alterada pela inserção do vibrafone de Jota Moraes e da percussão minimalista de Armando Marçal. Ela Vai pro Mar ganhou a voz de Luiz Melodia em registro já ouvido na trilha sonora da novela Insensato Coração (2011). O resultado é um disco superior ao original pelos climas, pelas novas interpretações - uma desde já antológica: a de Nana Caymmi em Flor da Noite - e pela harmonia entre o material original e as gravações adicionais. Com direito a duas faixas inteiramente inéditas (uma, O Tempo Não Passou, foi gravada por Adriana Calcanhotto com os barulhinhos bons de Alberto Continentino e Domenico Lancellotti), Liebe Paradiso insere poema recitado por Antonio Cícero (Minos) na faixa que aglutina as músicas Quanto Tempo e Vento Azul. Se Denise Bandeira continua na cadência bonita do samba com as inserções do órgão Hammond de Jorjão Barreto e os loops do tecladista Sacha Amback (postos sobre a voz original de Celso Fonseca), Você Não Sacou ostenta a pegada pop roqueira do titã Paulo Miklos enquanto Polaroides ganha suingue e perde brilho com a voz (já sem o viço e o vigor de outrora) de Sandra de Sá. No todo, Liebe dá belo tratamento ao repertório de alto nível poético e melódico lançado em Paradiso, jogando outros sons e luzes sobre obra que se impôs na música brasileira ao longo dos anos 2000 pela beleza jovial. Vale a pena ouvir de novo.