Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Renata Jambeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Renata Jambeiro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Calorosa, Jambeiro levanta poeira e reacende o Brasil caboclo com 'Fogaréu'

Resenha de CD
Título: Fogaréu
Artista: Renata Jambeiro
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * * * 

"Levanta / Que o hoje dia canta". Os versos iniciais de Levanta (2015) - samba gravado com pé na roça que abre o terceiro álbum de Renata Jambeiro, Fogaréu - já dão o tom caloroso do disco e da voz desta cantora de origem brasiliense radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ) desde 2013. Cantora que também é compositora, assinando Levanta com João Martins e, sozinha, o samba-afro Pra curar dor de amor (2015), outra inédita apresentada entre as 12 músicas do abrasador álbum de Jambeiro. Produzido em ponto de fervura por Leandro Fregonesi com Nicolas Krassik, Fogaréu reacende a chama de um Brasil caboclo, pautado pelo samba de molde tradicional, ritmo de faixas como Migalha (Rafael dos Santos, 2015), mas com incursões por outros gêneros brasileiros e com um pé na África. Fogaréu é a cara rítmica de um Brasil miscigenado cuja fértil terra musical dá tanto samba de acento forrozeiro como Amor brasileiro (Ciraninho, 2015) - gravado com mix de instrumentos associados ao samba e aos ritmos nordestinos, evocados sobretudo pelo acordeom de Marcelo Caldi -  como afro-samba da lavra da dupla formada por Toquinho em 1970 com Vinicius de Moraes (1913 - 1980), Canto de Oxum (1971), reavivado por Jambeiro com as adesões vocais de Fabiana Cozza e Nilze Carvalho. Jambeiro valoriza repertório (quase) sempre interessante com voz quente que descende da linhagem nobre de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora que, embora mais identificada com o samba, deu voz a um Brasil mestiço. Nessa fusão de ritmos e sotaques, Jambeiro deixa ótima impressão ao balançar Xequeré (Nei Lopes, Magnu Souza e Maurício Oliveira, 2005) - tema que remete tanto à mãe África quanto à morena de Angola criada por Chico Buarque para Clara em 1980  - e ao dar tom de serenata à Cantiga para ninar meu namorado (Carlos Nasser e Elias Jabur, 1994), recorrendo ao violino de Nicolas Krassik para realçar o acento seresteiro em arranjo que tira todo o resquício brega da música que batizou há 21 anos o pior álbum da discografia de Fafá de Belém. Contrariando o nome,  a música-título Fogareú (Leandro Fregonesi, 2015) sopra fresca brisa africana em levada que evoca as mornas de Cabo Verde. Música menos sedutora dentro da boa amostra de Fogaréu, Dança de Oyá (João Martins e Raul DiCaprio, 2015) reacende a evocação de Clara Nunes sem que Jambeiro soe como clone da luminosa antecessora. O tocador é bom (Moacyr Luz, 1998) mantém alto o fogo rítmico do disco, propagando a própria mestiçagem de um Brasil folclórico e religioso. Um Brasil festeiro como o retratado na arretada regravação do baião Coroné Antonio Bento (Luiz Wanderley e João do Vale, 1970), apresentado ao Brasil há 45 anos por Tim Maia (1942 - 1998). O registro de Jambeiro é faiscante e tem a chama da voz de Chico César, cantor e compositor paraibano que transita com desenvoltura pelos arrasta-pés da nação nordestina. No fecho do disco, Jambeiro perfila Vovó Teté (Leandro Fregonesi) no mesmo clima forrozeiro. Sucessor dos álbuns Jambeiro (GRV Discos, 2007) e Sambaluayê (Fonomatic / Tratore, 2012) na discografia de estúdio da artista, Fogaréu espalha altas chamas do canto caloroso de Renata Jambeiro, levantando poeira no terreirão do samba mestiço com voz calorosa que merece projeção nacional neste país de cantoras.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Em 'Fogaréu', Renata Jambeiro reacende 'Canto de Oxum' com Cozza e Nilze

Afro-samba composto por Toquinho com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) e lançado em disco em 1971 pela própria dupla Toquinho & Vinicius, Canto de Oxum é reacendido em Fogaréu, terceiro álbum de Renata Jambeiro em gravação feita pela cantora e compositora brasiliense com participações de Fabiana Cozza e Nilze Carvalho. Produzido pelo violinista Nicolas Krassik sob a direção artística do compositor carioca Leandro Fregonesi, Fogaréu chega ao mercado fonográfico neste mês de novembro de 2015 em edição da gravadora Fina Flor, sucedendo os álbuns Jambeiro (GRV Discos, 2007) e Sambaluayê (Fonomatic / Tratore, 2012) na discografia de estúdio desta cantora radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ) desde 2013. Chico César também figura em Fogaréu, cantando com Renata Jambeiro o arretado baião xaxadeiro Coroné Antonio Bento (Luiz Wanderley e João do Vale, 1970), lançado há 45 anos com sucesso nacional no vozeirão soul do cantor Tim Maia (1942 - 1998) e ora regravado por Jambeiro com a letra integral, já que existe um trecho omitido nos registros de Tim e da cantora Cássia Eller (1962 - 2001). Carlos Malta foca pífano na faixa. Com arranjos de Ivan Paulo, Jambeiro também dá voz em Fogaréu a músicas como Amor brasileiro (Ciraninho), Cantiga pra ninar meu namorado (Carlos Nasser e Elias Jabur, 1994), Levanta (Renata Jambeiro e João Martins), Migalha (Rafael dos Santos), O tocador é bom (Moacyr Luz, 1998), Pra curar dor de amor (Renata Jambeiro) e Xequeré (Nei Lopes, Magnu Silva e Maurílio Oliveira, 2005). A composição que batiza o disco, Fogaréu, é da lavra de Leandro Fregonesi. Cantiga pra ninar meu namorado é a música que deu nome, em 1994, a um dos piores álbuns da discografia de Fafá de Belém. Distante do universo assumidamente brega do repertório da cantora paraense, Fogaréu propõe olhar festivo sobre ritmos da cultura brasileira como afro-samba, baião,  ciranda, samba de terreiro e maracatu, preservando o elo da cantora com a África.