Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Otto alinhava o repertório de seu sexto disco solo de estúdio, 'Ottomatopeia'

Otto já alinhava o repertório inédito e autoral de seu sexto álbum solo de estúdio. O sucessor do álbum The moon 1111 (Deck, 2012) vai se chama Ottomatopeia. Uma das músicas do disco, Pode falar, cowboy, já está sendo tocada pelo cantor e compositor pernambucano nas apresentações do show da recém-estreada turnê Recupera, de caráter retrospectivo. A intenção de Otto - em foto de seu Instagram - é entrar em estúdio entre julho e agosto de 2015  para começar a gravar o CD.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Otto canta a saudade de Reginaldo Rossi em show no Carnaval do Recife

RECIFE (PE) - "Reginaldo Rossi, que saudade da porra...", explicitou Otto após cantar Em plena lua de mel (Clayton e Cleide, 1981), música do repertório do cantor e compositor pernambucano Reginaldo Rossi (1944 - 2013), em seu show no Carnaval do Recife. Já era madrugada desta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015, quando Otto subiu ao palco armado no Marco Zero, polo que concentra os principais shows da programação oficial da folia da capital de Pernambucano. Literalmente em casa, o artista pernambucano - em foto de Rodrigo Goffredo - cantou músicas de seu último álbum The moon 1111 (Deck, 2012) - como Exu parade (Otto, Fernando Catatau e Pupillo, 2012) - e incluiu no roteiro citação de Fogo e paixão (Wando e Rose, 1985). Sucesso na voz farta da cantora paraense Fafá de Belém, Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975) também integrou o roteiro do show do artista ao lado de O celular de Naná  (Otto  e  Daruê Malungo, 1998).

♪ O fotógrafo do blog Notas Musicais, Rodrigo Goffredo, viajou ao Recife (PE) para cobrir o Carnaval da cidade, em 2015, a convite do Governo de Pernambuco e Prefeitura do Recife.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Tatiana Dauster lança o terceiro disco, 'Medo e força', gravado com Otto

Cantora e compositora carioca que deu seus primeiros passos musicais na cena do Rio de Janeiro (RJ) dos anos 1990, Tatiana Dauster lança seu terceiro disco, Medo e força (Bolacha, 2014). Produzido por Alexandre Kohl, parceiro da artista na composição de seis das 11 músicas deste disco autoral (Estrada, Não me venha falar e Roda, entre elas), o CD sucede o álbum Tatiana Dauster (Nikita Music, 2003) na espaçada discografia da artista, que debutou no mercado fonográfico em 1998 com EP produzido por Pedro Luís. O cantor e compositor pernambucano Otto participa da música Às vezes. Em outra conexão com a cena de Pernambuco, Dauster regrava Trancelim de marfim (Isaar, 2005) - música gravada por Isaar com DJ Dolores no álbum Aparelhagem (Ziriguiboom, 2005), do DJ Dolores - com a adesão do rapper panamenho MC Zulu.

sábado, 24 de maio de 2014

Otto 'baixa' forte no terreiro de Martinho em show que faz a gente cantar

Resenha de show
Título: Otto canta Martinho
Artista: Otto (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Circo Voador (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de maio de 2014
Cotação: * * * *

Há pontos de contato entre a obra de Otto - cantor e compositor pernambucano projetado na cena do Mangue Beat nos anos 1990 como percussionista do grupo Mundo Livre S/A - e o repertório inspirado gravado há 40 anos pelo cantor e compositor fluminense Martinho da Vila em um de seus melhores álbuns, Canta canta, minha gente (RCA, 1974), um dos títulos recordistas da discografia deste sambista que arejou o partido alto e o samba-enredo na segunda metade dos anos 1960. O mais óbvio desses links que conectam Otto ao Martinho de 1974 talvez seja a rítmica afro-brasileira dos pontos de macumba que encerram o álbum, adaptados pelo próprio Martinho para a faixa intitulada Festa de umbanda. Afinal, o repertório da discografia solo de Otto embute devoções aos orixás. O que fez com que o santo baixasse naturalmente forte no palco do Circo Voador quando o cantor reanimou a Festa de umbanda quase ao fim da estreia carioca do show em que Otto dá voz às músicas de Canta canta, minha gente, álbum de grande impacto na sua infância e formação musical, como o artista reiterou diversas e repetidas vezes para o público que assistiu à apresentação iniciada já na primeira hora deste sábado, 24 de maio de 2014. "Se não fosse esse cara em 1974, eu não seria cantor. Eu não seria eu", sentenciou Otto, fazendo a sua filosofia do samba. A louvação a Martinho soou verdadeira, ouvida na voz de um cantor cujo primeiro álbum solo, lançado em 1998, se chamou Samba pra burro. E o fato é que, desde o primeiro número do show, Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974), Otto baixou forte no terreiro de Martinho, sustentado pelas percussões de Malê e de Marcos Axé, presenças igualmente fortes na banda arregimentada pelo baterista Pupillo Oliveira (diretor musical do show Otto canta Martinho) - sobretudo em números como o samba-enredo Tribo dos Carajás (Martinho da Vila, 1974). Regis Damasceno (baixo e violão), Rodrigo Campos (cavaco e violão) e Thiago França (sax e flauta) completam a banda. Complementada eventualmente por Otto, em números como o ruralista Calango vascaíno (Martinho da Vila, 1974), a percussão garantiu batuque firme na azeitada cozinha. Contudo, os violões e as flautas foram fundamentais para criar o clima seresteiro que ambienta Malandrinha, modinha de 1926 da lavra do compositor fluminense Freire Júnior (1881 - 1956). Sucesso na voz do cantor carioca Francisco Alves (1898 - 1952), que lançou Malandrinha em gravação de 1927, a canção - revivida por Martinho em Canta canta, minha gente - teve seu tom lamentoso adequadamente realçado por Otto. Ao reabrir a cortina do passado seminal da música brasileira neste álbum de 1974, o sambista também foi na fonte e gravou Patrão, prenda seu gado, parceria dos pioneiros Donga (1890 - 1974), João da Baiana (1887 - 1974) e Pixinguinha (1897 - 1973) - santíssima trindade do samba que saiu de cena há 40 anos, quando Martinho preparava o álbum que o alçaria a um elevado patamar de vendas na indústria fonográfica brasileira da época. Patrão, prenda seu gado é um samba com toques de maxixe que Martinho levou para o universo do Brasil rural, em sintonia com o título. Performático, Otto dança e rebola ao longo desse número que reitera sua intimidade com o repertório do álbum de Martinho. Não é fácil cantar Martinho da Vila, aliás. Seus sambas têm cadência toda própria e jamais obedecem a uma fórmula ou estrutura pré-definida. Mas Otto, cheio de energia na voz e na mente, dá conta de todos esses sambas, entrando no emaranhando sensual de Disritmia (Martinho da Vila, 1974) - uma das obras-primas do disco e de todo cancioneiro autoral de Martinho - e na batida do samba de terreiro Dente por dente (Martinho da Vila, 1974). Exemplo da capacidade do compositor de versar sobre o próprio universo do samba sem cair na exaltação simplória do gênero, Renascer das cinzas (Martinho da Vila, 1974) abriu alas no show por conta da vibração do elétrico Otto. Samba engajado que encoraja negros a lutar por uma vida de igualdade racial, Nego, vem cantar (Martinho da Vila, 1974) teve a força de seu refrão ressaltada por Otto. Que bem poderia ter contido seu ímpeto de cantar trecho de sucesso do cantor mineiro Wando (1945 - 2012) - Fogo e paixão (Wando e Rose, 1985) - para não tirar Martinho do foco do show (a lembrança posterior de Emoriô, parceria de João Donato e Gilberto Gil lançada em 1975, também soou desnecessária, embora menos deslocada pela evocação do universo da mãe África). Reapresentada nos anos 2000 pela cantora paulista Céu, saudada por Otto por estar presente na plateia, Visgo de jaca (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1974) teve reiterada sua modernidade enquanto Viajando (Martinho da Vila, 1984) provou que o samba de Martinho da Vila desconhece fronteiras harmônicas em sua rota particular. A ponto de ser deglutido por Otto, 40 anos após a edição do LP Canta canta, minha gente, em show pulsante que faz a gente cantar enquanto vê Otto baixar com força no terreiro multifacetado de Martinho da Vila.

Otto canta Donato ao recriar álbum clássico de Martinho em show no Rio

"João Donato é grande amigo de Martinho da Vila. Se Martinho , ele também está". Com esse sucinto argumento, exposto para o público que foi ao Circo Voador vê-lo dar voz às músicas de álbum antológico lançado há 40 anos por Martinho da Vila, o cantor pernambucano Otto se sentiu à vontade para incluir Emoriô - parceria de João Donato com Gilberto Gil, lançada por Donato no álbum Lugar comum (Philips, 1975) - no fecho do show em que abordou o repertório do álbum Canta canta, minha gente (RCA Victor, 1974). Um dos títulos mais bem-sucedidos da discografia do cantor e compositor fluminense, Canta canta, minha gente teve seu repertório recriado na íntegra - e na ordem do disco - no show Otto canta Martinho, que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em apresentação iniciada no Circo Voador já na primeira hora deste sábado, 24 de maio de 2014. Antes de inserir a parceria de Donato e Gil no roteiro, Otto já improvisara trecho de Fogo e paixão (Wando e Rose, 1985), sucesso do cantor mineiro Wando (1945 - 2012). "Sabe o que me deu vontade cantar? Wando!", gracejou Otto, em momento do fogoso show que apaixonou mesmo o público quando Otto cantou o repertório de Martinho José Ferreira sob a direção musical do baterista Pupillo Oliveira, integrante de banda formada com os músicos Malê (percussão), Marcos Axé (percussão), Regis Damasceno (baixo e violão), Rodrigo Campos (cavaco e violão) e Thiago França (sax e flauta). Eis o roteiro seguido por Otto - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca de Otto canta Martinho, show que festeja os 40 anos (e o legado) do sexto álbum de Martinho da Vila:

1. Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974)
2. Disritmia (Martinho da Vila, 1974)
3. Dente por dente (Martinho da Vila, 1974)
4. Tribo dos Carajás (Martinho da Vila, 1974)
5. Malandrinha (Freire Júnior, 1927)
6. Renascer das cinzas (Martinho da Vila, 1974)
7. Patrão, prenda seu gado (Donga, Pixinguinha e João da Baiana, 1931)
8. Nego, vem cantar (Martinho da Vila, 1974)
*  Fogo e paixão (Wando e Rose, 1985) - trecho
9. Calango vascaíno (Martinho da Vila, 1974)
10.Visgo de jaca (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1974)
11. Viajando (Martinho da Vila, 1974)
12. Festa de umbanda (adaptação por Martinho da Vila de pontos de umbanda)
13. Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975)
Bis:
14. Patrão, prenda seu gado (Donga, Pixinguinha e João da Baiana, 1931)
15. Disritmia (Martinho da Vila, 1974)
16. Renascer das cinzas (Martinho da Vila, 1974)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Cascabulho lança álbum em que regrava Otto sob produção de JR Tostoi

A um ano de completar duas décadas de vida, o grupo pernambucano Cascabulho volta ao mercado fonográfico neste mês de maio de 2014 com o lançamento de seu quarto álbum, O dia em que o samba perdeu pra feijoada. Primeiro álbum da banda em seis anos, o sucessor de Brincando de coisa séria (Independente, 2008) foi produzido e mixado por JR Tostoi. Com projeto gráfico assinado pelo artista plástico (e guitarrista) Neílton Carvalho, O dia em que o samba perdeu pra feijoada ganha edição física em junho, mas já está disponível para audição no portal SoundCloud e no site oficial do grupo. A única regravação do repertório - essencialmente inédito e autoral - é Retratista, música do cantor e compositor pernambucano Otto, lançada pelo autor em seu álbum Condom black (Trama, 2001). A música-título O dia em que o samba perdeu pra feijoada é parceria de Kléber Magrão - único remanescente da formação original do Cascabulho - com Juliano Holanda, da Orquestra Contemporânea de Olinda. Eis, na ordem, as dez músicas do álbum O dia em que o samba perdeu pra feijoada:

1. Bichos de lata (Alexandre Ferreira)
2. Negra beleza (Kléber Magrão e Alexandre Ferreira)
3. Canção da rua (Alexandre Ferreira)
4. Retratista (Otto, 2001)
5. São Jorge (Kléber Magrão e Públius)
6. Céu das águas (Alexandre Ferreira)
7. Seu sonho colorido (Alexandre Ferreira)
8. O dia em que o samba perdeu pra feijoada (Kléber Magrão e Juliano Holanda)
9. Santas são (Kléber Magrão e Alexandre Ferreira)
10. Seja o que quiser (Alexandre Ferreira)

sábado, 29 de março de 2014

CD 'Megatamainho' conecta Gero Camilo a Caldas, Criolo, Otto e Vanessa

Artista cearense que ganhou projeção como ator em filmes como Bicho de sete cabeças (2001) e Carandiru (2003), Gero Camilo é também cantor e compositor. Seis anos após apresentar seu primeiro CD, Canções de invento (2008), Camilo lança um segundo CD, Megatamainho, que o conecta de forma surpreendente a nomes de universo musicais distintos como o rapper paulista Criolo, o cantor baiano Luiz Caldas, o compositor e percussionista pernambucano Otto e a cantora mato-grossense Vanessa da Mata. Se Criolo é o compositor de Chuchuzeiro, música inédita ambientada em clima de forró romântico, Luiz Caldas é parceiro de Camilo em música, Meu diadorim, de tom roqueiro e poética afinada com o espírito brasileiro do disco. Já Vanessa da Mata assina com o ator-cantor uma música que cai no samba, embora o título Cordel em desacordo sugira tema de pegada nordestina. A presença do nome de Otto na ficha técnica - como parceiro de Camilo em O amor a fonte a poesia - é menos inusitada porque quem assina a produção do CD é Mestre Bactéria, o Bac, nome ligado ao universo do Mangue Beat, de onde vem também músicos como o percussionista Toca Ogan, que bate seu tambor em temas de autoria de Camilo como Infinito meu e A mensagem (parceria com o cantor e compositor Rubi). A cantoria que abre o disco, introduzindo Catarina (Gero Camilo), dá a pista do tom interiorano que caracteriza o repertório de Megatamainho, ainda que caibam samba, rock e forró no eclético universo musical do multimídia Gero Camilo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sob a luz pop do CD The Moon 1111, Otto já se permite momentos felizes

Resenha de CD
Título: The Moon 1111
Artista: Otto
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2

"A gente pode ser feliz / Viver a vida sem sofrer...", conclui Otto através de verso de Donizete, autor de A Noite Mais Linda do Mundo, sucesso de Odair José em 1974, regravado pelo cantor e compositor pernambucano em seu sexto disco solo, The Moon 1111, cujo lançamento está agendado para 11 de novembro de 2012 - exatamente um ano após a previsão inicial - em edição da gravadora Deck. Sim, sob a luz pop de seu quinto álbum de estúdio, Otto já se permite momentos felizes. Disco produzido por Pupillo, The Moon 1111 ilumina o lado menos escuro da obra do artista, diluindo as sombras que dominaram o kafkiano Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009), o aclamado álbum anterior de Otto. A reverência com que o artista aborda o hit de Odair José - respeitando a arquitetura pop da melodia de Donizete - expõe o apego do artista ao cancioneiro popular nacional de aura kitsch, traço perceptível já na introdução do arranjo da primeira (ótima) música do CD, intitulada sintomaticamente Dia Claro (Otto, Pupillo e Dengue). Peça-chave de disco mais solar, Dia Claro mostra a capacidade de Otto de dialogar habilidosamente com o universo pop - qualidade reiterada em Ela Falava (Otto, Pupillo e Rogério Coelho), faixa já posta em circulação na rede pelo Natura Musical, projeto que viabilizou com patrocínio a realização do disco gravado entre Olinda (PE), Recife (PE) e São Paulo (SP) com músicos de ponta como Donatinho (nos teclados), Fernando Catatau (nas guitarras presentes em oito das dez músicas), Kassin (no baixo) e Lincoln Olivetti (em múltiplos teclados). Gravada com a adesão da voz discreta de Tainá Muller, Ela Falava faz ressoar ecos do tecnopop dos anos 80, sinalizando que The Moon 1111 é disco que soa mais palatável na prática do que na teoria. Em tese influenciado por Guy Montag, personagem do filme Farenheit 451 (1966), do cineasta francês François Truffaut (1932 - 1984), o CD propõe a interação da música brasileira com a psicodelia arquitetada pelo grupo inglês Pink Floyd na sua obra-prima The Dark Side of Moon (1973). A rigor, tal convívio se concretiza com inspiração somente na faixa-título The Moon 1111 (Otto, Pupillo, Fernando Catatau e Dengue), de tom afro-progressivo. É quando aparecem ecos do som do compositor e músico nigeriano Fela Kuti (1938 - 1997), referência explicitada por Otto ao anunciar o conceito do disco há quase dois anos. HDeus (Otto, Pupillo, Kassin e Fernando Catatau) também bebe na fonte psicodélica, mas é a típica faixa em que a sonoridade parece mais interessante do que a música em si. Conceitos à parte, os momentos felizes dominam o álbum. Em clima de tecnomacumba, Exu Parade (Otto, Fernando Catatau e Pupillo) propõe a festa afro-brasileira em sincretismo musical que une o sagrado com o profano. A citação recorrente do verso "Chupa que É de Uva" - menção a um hit vulgar da axé music - está em sintonia erótica com o tom de DP (Otto, Kassin, Fernando Catatau e Pupillo), faixa menos sedutora que alude no título à dupla penetração. Mais convidativa, a trama de tambores que sustenta Selvagens Olhos, Nego! (Otto e Pupillo) -  tema composto em tributo ao rapper paulista Sabotage (1973 - 2003) e gravado com a participação da cantora Luê Soares - desencava a raiz afro-percussiva da obra de Otto. Traço ainda mais iluminado por The Moon 1111 na faixa Miss Apple e Zé Pilantra (Otto, Fernando Catatau e Pupillo), cuja percussão é urdida pelas batidas dos pés dos integrantes do Balé Afro Magê Molê no chão, captadas na periferia de Olinda (PE). Balada encorpada com cordas, O Que Dirá o Mundo (Otto, Lirinha e Pupillo) deixa entrever que as nuvens negras de Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009) não se dissiparam de todo. "Eu divido contigo minha angústia e o meu pão", propõe Otto em verso da letra escrita com Lirinha. As sombras persistem, mas The Moon 1111 dribla o lado escuro da lua/vida e deixa explícito que Otto já se permite viver dias mais claros e acordar de sonhos mais tranquilos, certo de que - como sentencia ao recordar o irresistível sucesso popular do cantor Odair José - "o que existe na vida são momentos felizes".

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Com Otto, Jota Quest revive Chico Science na prévia da turnê de 15 anos

O improvável encontro de Otto com o Jota Quest foi uma das grandes surpresas da festa-show dada pelo grupo mineiro no anexo do Armazém 4 do Pier Mauá, na zona portuária no Rio de Janeiro (RJ), para promover a turnê Jota Quest - 15 Anos na Moral, que vai percorrer 20 cidades brasileiras a partir de maio. O vocalista Rogério Flausino e Otto - vistos em foto de Rodrigo Amaral - cantaram Manguetown, parceria de Chico Science (1966 - 1997) com Lúcio Maia e Dengue. O tema foi gravado pela Nação Zumbi em seu segundo álbum, Afrociberdelia, editado em 1996. Na empolgação, ao comentar a participação de Otto no show, Flausino se enganou e disse ao público de convidados que o movimento rotulado como Mangue Beat também completava 15 anos como o Jota Quest. Erro histórico, já que o primeiro álbum da Nação Zumbi - Da Lama ao Caos, pedra fundamental do Mangue Beat - foi lançado em 1994. Mesmo feita com a cara do Jota Quest, fora dos tradições do movimento, a abordagem de Manguetown por Flausino e Otto resultou empolgante - com direito a coreografias. Inusitado...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Atração do Recife, Otto faz seu Carnaval em Várzea, 'lugar de muita raiz'

Recife (PE) - Foi aos primeiros minutos desta segunda-feira de Carnaval, 7 de março de 2011, que Otto voltou ao palco armado no Pólo Várzea, na periferia de Recife, para cantar cirandas no bis do show que apresentou dentro da programação oficial do Carnaval Multicultural Recife 2011. Escorado em banda que incluía o guitarrista Fernando Catatau e o baterista Curumin, o cantor e compositor pernambucano apresentou temas como Crua e 6 Minutos em roteiro que incluiu saudações ao bairro de Várzea, "lugar de raiz e muita capoeira na rua", de acordo com Otto, que no sábado se apresentara no Pólo Recife Multicultural,  no Marco Zero, em show que contou com a participação especial de Lirinha, o cantor egresso do Cordel do Fogo Encantado.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Otto agenda CD de inspiração cósmica, 'The Moon 1111', para novembro

Revigorado no mercado fonográfico brasileiro por conta do kafkiano Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009), álbum que emplacou a faixa Crua na trilha sonora da novela Passione (2010), Otto agendou o lançamento de seu sexto disco, The Moon 1111, para 11 de novembro de 2011. Trabalho de inspiração cósmica, The Moon 1111 está sendo gestado com influências do grupo progresssivo Pink Floyd, do saxofonista de jazz John Coltrane (1926 - 1967) e do compositor e músico nigeriano Fela Kuti (1938 - 1997). Otto - visto em foto de Marcos Vilas Boas, extraída do MySpace do artista - planeja criar CD de som afro-progressivo, com uns toques de latin jazz. A ideia é gravar o disco com o percussionista Naná Vasconcellos.