Marku Ribas (1947 - 2013) tinha planos de gravar um disco de sambas neste ano de 2013, mas, ao receber o diagnóstico do câncer de pulmão que o tirou de cena em 6 de abril, o cantor, compositor e músico mineiro resolveu concretizar de imediato o projeto fonográfico e gravou o CD em outubro de 2012. Mixado ainda naquele mês de outubro de 2012, o álbum está pronto e vai sair em 2014. Optou-se por esperar o próximo ano para editar o CD de samba - gravado sem bateria e guitarra - porque a Ultra Music Records acaba de pôr no mercado o box Marku 50, com dois CDs inéditos e DVD com documentário sobre Ribas (em foto de Carlos França).
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
'Marku 50' documenta arte plural de Ribas em DVD e dois álbuns inéditos
Marku 50 festeja postumamente os 50 anos de carreira do cantor, compositor e músico mineiro Marco Antonio Ribas (19 de maio de 1947 - 6 de março de 2013) sem fazer retrospectiva da obra do artista que ficou conhecido pelo nome artístico de Marku Ribas. O box editado pela gravadora mineira Ultra Music Records apresenta dois álbuns inéditos - Batuki (gravado em Paris em 1970) e Parda pele (registro ao vivo de show feito pelo artista na cidade mineira de Lavras Novas em 1997) - e DVD com o documentário Atavu, do cineasta Carlos França. Em Batuki, sete das oito músicas do repertório são assinadas pelo quarteto formado por Ribas com Mané Gomes, Mário Clington e Wilson Sá Brito - parceiros em temas como São Salvador, Mucama e Cateretê. A exceção é N'biri n'biri, tema do folclore angolano. Os quatro músicos cantam e tocam violão e percussão. Finalizado com gravações adicionais de instrumentos como a guitarra de Beto Lopes e os teclados de Ricardo Fiúza, Parda pele traz o registro ao vivo de show feito por Ribas na Taberna Casa Antiga, em Lavras Novas (MG). No show, Ribas apresentou temas de sua exclusiva autoria - como Arreia, Cirandando, De binóculo em Istambul, Moreninha e Onomatojazz - na companhia do baixista Ivan Correa, com o baterista Esdras Neném Ferreira e com o trompetista Maciel de Brito. Ambos os discos flagram Marku Ribas em momentos distintos da vida e da carreira, mas as duas gravações reverberam o suingue singular de obra plural que - como ressalta o cantor e compositor carioca Ed Motta em texto escrito para o encarte de Marku 50 - dialoga com o jazz, o soul, a África e o balanço caribenho. Pluralidade que salta na tela ao longo dos 112 minutos de Atavu, o filme em que o diretor Carlos França documenta a arte de Ribas a partir das imagens reunidas ao longo dos 12 anos em que o cineasta acompanhou Ribas em shows e viagens. Belo documento!!
sábado, 6 de abril de 2013
Ícone 'underground' de 'grooves' plurais, Marku Ribas sai de cena aos 65
Marco Antonio Ribas (19 de maio de 1947 - 6 de abril de 2013) - o cantor, compositor e músico mineiro conhecido na cena brasileira como Marku Ribas - volta e meia teve sua música enquadrada no rótulo de samba-rock, gênero que Ribas de fato abraçou já no início dos anos 70. Contudo, o suingue deste artista nascido há quase 66 anos na cidade interiorana de Pirapora (MG) extrapolou ritmos. Reverenciado por nomes como Ed Motta, que produziu em 2007 coletânea com 13 expressivas gravações feitas por seu ídolo entre 1972 e 1983 (Zamba Ben, Dubas Música), Marku Ribas - visto em foto de Carlos França - foi um ícone da alternativa cena musical brasileira na década de 70. É significativo que o primeiro álbum do artista - que saiu de cena na noite deste sábado, aos 65 anos, vítima de complicações decorrentes de câncer de pulmão - tenha sido intitulado Underground, editado em 1972 com temas de suingue explosivo como Tira-teima A rigor, o som de Ribas nunca saiu da margem e nunca chegou ao grande público, ainda que uma de suas composições, Alerta geral, tenha dado título ao popular álbum lançado pela cantora maranhense Alcione em 1978. Azar desse público surdo o suficiente para não ouvir os grooves plurais deste artista que transitou pelo samba-rock e pelo samba-soul, além de ter cruzado pioneiramente em 1976 a batida do samba com a levada do reggae - dez anos antes dos grupos afros-baianos inventarem o gênero samba-reggae, nascido de fusão similar (mas não idêntica) - na música Meu samba regué, faixa do álbum Marku Ribas (Copacabana, 1976). Pioneiro também na valorização dos sons africanos e na extração de sons percussivos com a boca (Arte que rendia comparações com João Bosco), o artista pôs tempero afro em Coisas de Minas, outra música do álbum Marku Ribas de 1976. Concentrada nos anos 70, a discografia de Ribas inclui álbuns que merecem ser redescobertos. São títulos como Marku (Copacabana, 1975), Barrankeiro (Philips, 1977), Cavalo das alegrias (Philips, 1979) e Marku (Trilha som e imagem, 1983). Esquecido ao longo da década de 90, em que lançou o álbum independente Autóctone (1991), Ribas voltou à cena com certa visibilidade nos anos 2000. Em 2007, gravou músicas para a trilha sonora do filme Chega de saudade, da cineasta Laís Bodanski. Na virada de 2008 para 2009, lançou seu primeiro e único DVD, editado na série Toca Brasil do Instituto Itaú Cultural com registro de show captado em São Paulo (SP) em 19 de maio de 2007, data em que o artista completou 60 anos. Marku Ribas viveu quase seis anos a mais após a gravação desse DVD até sair de cena, deixando um legado que ainda precisa ser reavaliado na medida de sua (grande) importância na música brasileira.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
'4Loas' mostra que o suingue particular de Ribas extrapola o samba-rock
Resenha de CD
Título: 4Loas
Artista: Marku Ribas
Gravadora: + Brasil Música / Tratore
Cotação: * * * *
Título: 4Loas
Artista: Marku Ribas
Gravadora: + Brasil Música / Tratore
Cotação: * * * *
Projetado no circuito alternativo dos anos 70, no embalo da onda black que jogou nomes como Tim Maia (1942 - 1998) e Hyldon na linha de frente do mercado fonográfico, Marku Ribas foi logo enquadrado no universo então ascendente do samba-rock. Contudo, o som suingante de Ribas extrapola o samba-rock, como mostra 4Loas, álbum gravado pelo cantor, compositor e violonista mineiro no Ultra Estúdio, em Belo Horizonte (MG), entre janeiro e fevereiro deste ano de 2010. Para quem parou de ter contato com a obra de Ribas após a década de 70, o impacto provocado por 4Loas pode ser grande. E somente não é maior porque, ao gravar seu primeiro DVD em 2007, o artista recusou o habitual tom revisionista dos registros ao vivo de shows e inseriu dez inéditas no roteiro. Seis delas - Altas Horas, A Embaixatriz, Daomé, Ce Pas Pour Ça, Querobem Querubim e Aristoporindé - figuram entre as onze músicas gravadas neste disco produzido pelo próprio Ribas. Partindo do samba, ritmo dominante em temas como Aurora da Revolução e Daomé, o compositor exercita seu suingue com pitadas de rock, bossa, jazz, funk, soul e música africana. A influência jazzística é especialmente perceptível nas passagens instrumentais de Altas Horas. Já O Mar Não Tem Cabelo evidencia a intimidade de Ribas com o funk dos anos 70. Se Doce Vida dialoga com o universo da Bossa Nova, Berverly Help indica a fonte onde beberam nomes como Ed Motta. Hoje com 63 anos, Marku Ribas já ultrapassa 40 anos de carreira com fidelidade absoluta ao seu particular universo musical. 4Loas, a rigor, está em sintonia com o som de álbuns como Underground (1972) e Marku (1975). E, por isso mesmo, o CD não tem cacife para tirar o artista do underground ao qual são confinados todos os artistas que não aceitam embranquecer, aos poucos, sua black music.
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