♪ Primeiro álbum da espaçada discografia solo da atriz e cantora carioca Marília Pêra (1943-2015), Feiticeira ganha reedição pela Som Livre - gravadora que lançou o disco em 1975 - neste mês de abril de 2016. Quatro meses após a morte da artista, o disco volta ao catálogo com 13 músicas do roteiro do espetáculo musical Feiticeira, um dos maiores fracassos da carreira da atriz. Há cinco anos, em 2011, a gravadora Joia Moderna pôs no mercado fonográfico a primeira reedição em CD do álbum em que Marília lançou o cantor e compositor Eduardo Dussek (clique aqui para ler ou reler a resenha da reedição de 2011). Desprezado na época, o álbum Feiticeira atualmente é cultuado.Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sábado, 2 de abril de 2016
Primeiro álbum de Marília Pêra, 'Feiticeira' é reeditado, agora pela Som Livre
♪ Primeiro álbum da espaçada discografia solo da atriz e cantora carioca Marília Pêra (1943-2015), Feiticeira ganha reedição pela Som Livre - gravadora que lançou o disco em 1975 - neste mês de abril de 2016. Quatro meses após a morte da artista, o disco volta ao catálogo com 13 músicas do roteiro do espetáculo musical Feiticeira, um dos maiores fracassos da carreira da atriz. Há cinco anos, em 2011, a gravadora Joia Moderna pôs no mercado fonográfico a primeira reedição em CD do álbum em que Marília lançou o cantor e compositor Eduardo Dussek (clique aqui para ler ou reler a resenha da reedição de 2011). Desprezado na época, o álbum Feiticeira atualmente é cultuado.terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Disco inacabado de Marília Pêra inclui canções de Alf, Dolores, Jobim e Weill
♪ Em setembro de 2015, três meses antes de sair de cena, Marília Pêra (1943 - 2015) entrou no estúdio da gravadora Biscoito Fino para dar continuidade à discografia iniciada na década de 1970 com o registro de músicas para trilhas sonoras de novelas da TV Globo. Mesmo já debilitada pelo câncer que a tiraria de cena, a atriz cantora teria gravado onze músicas com produção de José Milton. Contudo, a intérprete teria posto somente as vozes-guia, e não as vozes definitivas - o que, em tese, pode impedir que o disco seja lançado postumamente neste ano de 2016 pela gravadora Biscoito Fino. O álbum traz no repertório músicas de compositores como Antonio Carlos Jobim (1927-1994), Dolores Duran (1930-1959), Johnny Alf (1929-2010) e Kurt Weill (1900-1950).
sábado, 5 de dezembro de 2015
Sai de cena ela que viveu elas, Marília Pêra, feiticeira de palcos (e de discos)
♪ Marília Marzullo Pêra (22 de janeiro de 1943 - 5 de dezembro de 2015) foi tão grande atriz que desempenhou com talento e com musicalidade o papel de cantora, tendo gravado discos, estrelado musicais e encarnado muitas delas - as cantoras do Brasil - no espetáculo Elas por ela (1989). A carioca Marília Pêra - atriz e cantora do Brasil que saiu de cena na manhã de hoje, 5 de dezembro de 2015, aos 72 anos, após ter gravado (com produção de José Milton) mais um disco que será editado em 2016 pela gravadora Biscoito Fino - cantou nos palcos desde a década de 1960, mas a carreira fonográfica foi iniciada há 40 anos, em 1975, com a edição pela Som Livre do álbum em que a artista registrou a trilha sonora do espetáculo A feiticeira, um dos maiores fracassos de carreira pontuada por grandes sucessos (gravado em estúdio, o disco A feiticeira foi lançado pela primeira vez em CD em 2011, em edição idealizada pelo DJ Zé Pedro para a gravadora Joia Moderna). Dez anos após a edição do LP A feiticeira, Marília voltou ao mercado fonográfico com a edição do álbum A música em Pessoa (Som Livre, 1985), idealizado em torno dos versos do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935). Ainda neste ano de 1985, lançou em disco um registro pioneiro de A noiva do condutor, ópera até então inédita do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937) que gravou com o ator Grande Otelo (1915 - 1993) e o Conjunto Coisas Nossas. Em 1989, em demonstração da versatilidade ímpar, Marília Pêra deu voz e corpo a várias cantoras no espetáculo Elas por ela - inclusive Carmen Miranda (1909 - 1955) e Dalva de Oliveira (1917 - 1972), cantoras que ela já encarnara na TV (no caso de Carmen) e em espetáculos teatrais encenados em 1966 e 1987, respectivamente. Elas por ela teve sua trilha sonora gravada por Marília em álbum duplo editado em 1990 pela gravadora EMI-Odeon. Em 2000, a atriz mais musical do Brasil lançou CD, Estrela tropical, produzido por Roberto Menescal e Flávio Mendes para a gravadora Albatroz. Estrela tropical era o espetáculo musical em que Marília cantava roteiro que harmonizava músicas dos repertórios de Cartola (1908 - 1980), Dorival Caymmi (1914 - 2008), Jorge Ben Jor, Leandro & Leonardo e Tim Maia (1942 - 1998), entre outros cantores e compositores. Como atriz, Marília encarnou até uma diva da ópera, Maria Callas (1923 - 1999), no espetáculo Master class (1996). Como cantora, Marília deu voz nos palcos aos cancioneiros de compositores como Ary Barroso (1903 - 1964) e Herivelto Martins (1912 - 1992) em mais demonstrações de um talento extremamente musical - afinado e burilado com anos de estudo de piano clássico e de canto lírico - que serviu extraordinariamente bem ao teatro, ao cinema e à televisão, mas que deixou também registros importantes (e já raros) no mercado fonográfico brasileiro como a gravação ao vivo do teatralizado show Marília Pêra canta Carmen Miranda, feita em 2005 e lançada em 2006 pela LGK Music em edição dupla que juntava CD e DVD em embalagem de DVD. O último foi a gravação ao vivo, de tom teatral, da música 120...150... 200 km por hora (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970), número que, por ter sido confiado a Marília Pêra, sobressaiu no espetáculo Elas cantam Roberto Carlos, eternizado em CD e DVD editados em 2009 pela gravadora Sony Music. Marília Pêra foi tão grande que sai hoje de cena para entrar imortal na história da cultura nacional. Bravo, bravíssimo!!
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Cancioneiro de Herivelto é teatralizado em musical na voz de Marília Pêra
Resenha de musical
Título: Herivelto Como Conheci
Texto: Yaçanã Martins e Cacau Hygino
Direção: Claudio Botelho
Elenco: Marília Pêra
Cotação: * * 1/2
Musical em cartaz no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), até 22 de julho de 2012
Título: Herivelto Como Conheci
Texto: Yaçanã Martins e Cacau Hygino
Direção: Claudio Botelho
Elenco: Marília Pêra
Cotação: * * 1/2
Musical em cartaz no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), até 22 de julho de 2012
Compositor emblemático da era dourada do rádio brasileiro, Herivelto Martins (30 de janeiro de 1912 - 16 de setembro de 1992) contribuiu para a depuração do samba-canção - com pérolas como Caminhemos (1947) que jamais traíram o espírito sentimental do gênero - e botou seu bloco na rua com sambas que marcaram época nos Carnavais dos anos 40 e 50. Com mais de 600 títulos, esse cancioneiro é teatralizado na voz da atriz Marília Pêra em Herivelto Como Conheci, monólogo musical derivado do livro homônimo lançado em 2000 por Yaçanã Martins e Cacay Hygino. Vinte e cinco anos após ter revitalizado o repertório de Dalva de Oliveira (5 de maio de 1917 - 30 de agosto de 1972) no antológico musical A Estrela Dalva (1987), celebrando vida e obra da cantora que viveu folhetinesco caso de amor com Herivelto, Pêra aborda a duradoura união do compositor com Lurdes Torelly em texto pequeno no tamanho e na significância, urdido a partir das cartas de amor trocadas pelo casal entre 1947 e 1949. O fiapo de dramaturgia é veículo para a interpretação de 19 músicas do repertório de Herivelto, unido a Lurdes por 44 anos. Mesmo com texto raso que tenta em vão extrair humor a partir de cacos dispensáveis, a atriz mergulha fundo no universo amoroso do cancioneiro do compositor (representado em cena pela voz, em off, do diretor Claudio Botelho). Na companhia dos músicos Thiago Trajano (arranjos, violão e bandolim) e Marcio Castro (piano e acordeom), Pêra usa seus ilimitados dotes de atriz para entrar no tom e no espírito das músicas de Herivelto. Intérprete hábil no entendimento do texto das canções, a atriz que canta - bem - realça a ternura de Dois Corações (Herivelto Martins e Valdemar Gomes, 1942), a leveza feliz do samba A Vida É Boa... (Herivelto Martins, Assis Valente e Francisco Sena, 1934), a carga dramática de Culpe-me (Herivelto Martins, 1942) e a sensualidade macia de Camisola do Dia (Herivelto Martins e David Nasser, 1953), entre outros temas. Em Amélia na Praça Onze (Herivelto Martins e Cícero Nunes, 1942), a atriz explora seus recursos histriônicos para dar sentido teatral a um título pouco ouvido da obra de Herivelto. Trunfo do musical, o roteiro aliás alterna inevitáveis sucessos - como Atiraste Uma Pedra (Herivelto Martins e David Nasser, 1958) e Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto, 1947) - com temas quase desconhecidos do cancioneiro de Herivelto, casos de Cabaré no Morro (1937) e, sobretudo, de Desculpa de Ocasião (Herivelto Martins e Darci de Oliveira, 1942), música lançada pela cantora paulista Rosina Pagã (1919 - 20??). No fim, Marília Pêra arremata o show teatralizado com competente interpretação de Ave Maria no Morro (1942), música de tons altos, alcançados por uma atriz tão grande que valoriza até um texto pequeno como o de Herivelto Como Conheci.
domingo, 28 de agosto de 2011
Reedição em CD expõe os (subestimados) poderes da 'feiticeira' Marília Pêra
Resenha de reedição de CD
Título: Feiticeira
Artista: Marília Pêra
Gravadora da edição original de 1975: Som Livre
Gravadora da reedição em CD de 2011: Joia Moderna
Cotação: * * * *
Título: Feiticeira
Artista: Marília Pêra
Gravadora da edição original de 1975: Som Livre
Gravadora da reedição em CD de 2011: Joia Moderna
Cotação: * * * *
♪ Em 1975, Marília Pêra teve a primazia de lançar o cantor e compositor carioca Eduardo Dussek em disco. Então ilustre desconhecido, Dussek teve sua marchinha Alô alô Brasil gravada com esfuziante alegria pela atriz-cantora e incluída no álbum de estúdio em que registrava as composições do espetáculo Feiticeira. Com mistura de música, poesia e teatro, Feiticeira foi fracasso histórico na trajetória gloriosa de atriz. A mistura - urdida em roteiro assinado pelo diretor Fauzi Arap com Nelson Motta, sob a direção de Aderbal Jr. - descontentou o público, à época mais seduzido por espetáculos engajados (o próprio Nelson Motta considera hoje que o tom íntimo e pessoal do espetáculo era inadequado para aqueles tempos de resistência). Mas o fato é que o disco é bom. A oportuna chegada de Feiticeira ao CD - em reedição produzida por Thiago Marques Luiz para a gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro, fã do disco - atesta que os poderes musicais de Feiticeira foram subestimados por público e crítica em 1975. Ouvido 36 anos após a fracassada edição original, o disco resiste bem ao tempo e se revela até visionário pela reunião na ficha técnica de talentos emergentes. Com interpretação precisa da atriz, que expõe a fragilidade e a força aparente do narrador da letra, a paranoica O medo - uma das poucas músicas que expressava o sentimento da face mais consciente de um Brasil então amordaçado pela ditadura - evoca algo dos cantadores nordestinos e, não por acaso, é da lavra de Alceu Valença, então pouco conhecido, apesar de na época já ter no currículo dois álbuns, um deles dividido com Geraldo Azevedo, adaptador do repente A natureza (Zé Vicente da Paraíba e Passarinho do Norte). Também em início de carreira, Azevedo toca violão na faixa, uma das melhores do disco, como enfatiza com razão o DJ Zé Pedro no texto que escreveu sobre Feiticeira para o encarte da reedição. O disco foi produzido por Guto Graça Mello e Nelson Motta, autores de cinco das 13 músicas do álbum. A melhor delas é o bolero A cara do espelho, que - também não por acaso - passaria 23 anos depois pelo crivo severo de Nana Caymmi, que reviveu o tema no álbum Resposta ao Tempo (EMI, 1998). Já Dança da feiticeira é valorizada pela participação de Walter Franco, então no auge criativo, enquanto o rock Avô do Jabor - assinado somente por Nelson - teve a pegada anos 50 realçada na gravação feita por Marília com o lendário Vímana, grupo que incluía Lobão, Lulu Santos e Ritchie, três nomes que o Brasil ouviria com atenção a partir da década de 1980. Mas os tempos eram outros e Estado de choque capta a agonia dos porões sangrentos do país em gravação pontuada pelo trompete de Márcio Montarroyos (1949 - 2007). Parceria de Jards Macalé com Duda Machado que tinha sido lançada por Macalé em compacto duplo de 1970, Sem essa reverbera essa mesma tensão típica dos claustrofóbicos anos 1970. Mas Feiticeira tem também leveza. É com suavidade vocal que Marília Pêra caía no Samba dos animais (Jorge Mautner, 1974) e que ressaltava o clima bucólico de Bem-te-vi, tema da dupla Luhli e Lucina, convidada da faixa. Em contrapartida, a atriz-cantora abria a voz e a veia histriônica ao reviver Canção para inglês ver (1931( com toda a verve exigida pela música de Lamartine Babo (1904 - 1963). Enfim, Feiticeira tinha, sim, poderes musicais que foram (injustamente) desprezados em 1975, mas que saltam aos ouvidos nesta bem-vinda reedição de 2011. Não os subestime de novo...
terça-feira, 19 de julho de 2011
Quatro álbuns dos anos 70 chegam ao CD em reedições da Joia Moderna
Até então inéditos no formato de CD, quatro álbuns lançados nos anos 70 por quatro cantoras - uma, Marília Pêra, mais conhecida por seu excepcional trabalho de atriz - chegam em breve ao formato digital pela gravadora Joia Moderna. A reedição de Alvoroço, álbum gravado por Leny Andrade em 1973 para a extinta Odeon, já chegou da fábrica. Já as reedições em CD de A Feiticeira (Marília Pêra, Som Livre, 1975), Vanusa 30 Anos (Vanusa, Som Livre, 1977) e Filme Nacional (Marília Barbosa, Som Livre, 1978) deverão ficar prontas ainda neste mês de julho de 2011, indo para as lojas em agosto. Aviso aos navegantes: os quatro discos terão tiragens limitadas de mil cópias. Por ora, não há planos de fazer uma segunda tiragem dos CDs.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Primeiro álbum de Marília Pêra, 'Feiticeira' chega ao CD via Joia Moderna
Em 1975, após ter gravado alguns compactos e faixas para trilhas sonoras de novelas, a atriz Marília Pêra se lançou como cantora ao produzir e protagonizar show, Feiticeira, com roteiro de Fauzi Arap e Nelson Motta. O espetáculo foi histórico fracasso de público e crítica, mas rendeu naquele ano de 1975 um LP com as músicas do show, gravado em estúdio e lançado pela Som Livre. Até então inédito em formato digital, este álbum - o primeiro de Marília Pêra - ganha sua primeira edição em CD até o fim deste ano de 2011 pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Produzido por Guto Graça Mello e Nelson Motta, o disco também fracassou no mercado fonográfico, mas hoje virou cult - inclusive pelos nomes envolvidos na ficha técnica. Basta dizer que o grupo Vímana - formado pelos ainda desconhecidos Lobão, Lulu Santos e Ritchie - tocou no show e no disco, participando especialmente da faixa Avô do Jabor (Nelson Motta). Também iniciante na época, Eduardo Dussek teve sua música Alô Alô Brasil incluída no repertório. Eis as faixas do álbum Feiticeira, cuja reedição já foi autorizada pela Som Livre:
1. Dança da Feiticeira (Guto Graça Melo e Nelson Motta)
2. Bem-te-vi (Luhli e Lucina) - Participação de Luhli e Lucina
2. Bem-te-vi (Luhli e Lucina) - Participação de Luhli e Lucina
3. Samba dos Animais (Jorge Mautner)
4. Coelho Branco (Guto Graça Melo e Nelson Motta)
4. Coelho Branco (Guto Graça Melo e Nelson Motta)
5. A Natureza (Zé Vicente da Paraíba e Passarinho do Norte em adaptação de Geraldo Azevedo)
6. Alô Alô Brasil (Eduardo Dussek)
6. Alô Alô Brasil (Eduardo Dussek)
7. Canção Pra Inglês Ver (Lamartine Babo)
8. Não Digas Nada (João Ricardo e Fernando Pessoa)
8. Não Digas Nada (João Ricardo e Fernando Pessoa)
9. A Cara do Espelho (Guto Graça Melo e Nelson Motta)
10. O Medo (Alceu Valença)
10. O Medo (Alceu Valença)
11. Avô do Jabor (Nelson Motta) - Participação do grupo Vímana
12. Sem Essa (Duda e Jards Macalé)
12. Sem Essa (Duda e Jards Macalé)
13. Estado de Choque (Guto Graça Melo e Nelson Motta)
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