Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Karen Souza aloca 'Dindi' entre os temas autorais de seu CD 'Hotel Souza'

Embora seja o segundo CD assinado pela cantora e compositora argentina Karen Souza, Hotel Souza pode ser encarado como o primeiro álbum da artista. Afinal, seu antecessor - Essentials (2011), lançado pela mesma Music Brokers que edita Hotel Souza neste mês de outubro de 2012 - era, a rigor, compilação com gravações feitas por Souza para a série Jazz and the '70s, Jazz and the '80s e Jazz and the '90. Produzido e arranjado por Joel McNeely, Hotel Souza aloca um dos muitos clássicos mundiais de Antonio Carlos Jobim - Dindi, na versão em inglês assinada por Ray Gilbert - entre músicas da lavra própria da cantora de pop jazz. Com parceiros como Joel McNeely e o pianista Dany Tomas, produtor da faixa I Heard It Through The Grapevine (Norman Whitfield e Barrett Strong), Souza apresenta temas autorais como Paris, Night Demon, Wake UpI've Got It Bad, Break My Heart e Full Moon.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Karen Souza mostra classe e (certa) linearidade em seu show pop 'jazzy'

Resenha de show
Título: Karen Souza
Artista: Karen Souza (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Bradesco (São Paulo, SP)
Data: 29 de agosto de 2011
Cotação: * * *

Na maior parte da apresentação que fez em São Paulo (SP) na noite de segunda-feira, 29 de agosto de 2011, a cantora  Karen Souza cantou com os olhos dirigidos ao pianista do Coltrane Quartet, Hernan Fernandez Miguez, e não ao público que encheu a maior parte das cadeiras do Teatro Bradesco. Tal atitude mostra a interação da artista com o trio de músicos que a acompanham em cena. Voz do Coltrane Quartet, Karen Souza nasceu na Argentina, mas o inglês é o idioma que usa para se dirigir à plateia, reforçando a impressão de que se está diante de uma cantora norte-americana de pop jazz. No caso, de jazz bem pop. Ou de pop de clima jazzy. Adequada  à atmosfera cool que ambienta o show da artista, a voz de Karen exala sensualidade detectável logo no primeiro número cantado, Lie to me, uma das inéditas autorais que a compositora promove enquanto divulga seu CD Essentials, recém-lançado no Brasil pela Music Brokers. Por ora, entretanto, a voz de Karen Souza está mais identificada com standards do universo pop, repaginados por ela em clima jazzy. Foi nesse estilo que a cantora começou a ganhar alguma projeção ao gravar faixas para a série de compilações Jazz and the '70s, Jazz and the '80s e Jazz and the '90s. Foi nesse estilo que a cantora desenvolveu sua apresentação no belo teatro de São Paulo (SP). No show, Karen Souza mostra classe, musicalidade e uma certa linearidade em suas interpretações. Ao pôr sua musicalidade em absoluto primeiro plano, a intérprete dilui - por exemplo - toda a angústia contida nos versos de Creep, o clássico do Radiohead (abordado com mais sensibilidade por Marina Lima em apresentações do show Clímax). Talvez por isso temas naturalmente mais suaves, como Corcovado (Antonio Carlos Jobim), caiam melhor na voz quase lânguida da cantora. Quanto mais se distancia do jazz (como em Every Breath You Take, sucesso do grupo inglês The Police),  mais banalizado soa o canto de Karen Souza. Sorte é que o repertório inédito da compositora é de bom nível. What If the Only Night? - sensual número em que as luzes piscam, sugerindo o ambiente de um cabaré -  é destaque nessa seara autoral. Já Why Don’t You do Right?- standard de 1936 propagado por vozes como a de Peggy Lee (1920 - 2002) - ressalta a pulsação do baixo de Jorge Lagos. Na sequência, todo o Coltrane Quartet cresce em cena ao transitar com segurança pelo ritmo suingante de Steppin' Out with my Baby, um dos clássicos do repertório do compositor Irving Berlin (1888 - 1989). No bis, uma surpresa: entram em cena dois violonistas, Ivan Mendes e Germando Leite, para acompanhar a cantora em Bette Davis Eyes, sucesso de Kim Carnes em 1981. Distante da atmosfera cool do show, o número até flui bem. Contudo, vale repetir: Karen Souza seduz (muito) mais quando se afasta do pop.

Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) para ver o show de Karen Souza a convite da Music Brokers

Voz do Coltrane Quartet, Karen Souza une inéditas e 'standards' em show

A cantora e compositora argentina Karen Souza pisa no terreno do jazz mais pop desde que deu voz a alguns dos sucessos mundiais reunidos na série de coletâneas Jazz and the '70s, Jazz and the '80s e Jazz and the '90s, editadas ao longo dos anos 2000 pela Music Brokers. Neste ano de 2011, a mesma Music Brokers põe no mercado brasileiro Essentials, compilação de releituras feitas por Karen para essa série comercialmente bem-sucedida. O repertório de Essentials foi o mote do show que Karen fez no Teatro Bradesco, em São Paulo (SP), na noite de segunda-feira, 29 de agosto. Contudo, entre standards como Every Breath You Take e Bette Davis Eyes, a artista inseriu no roteiro inéditas autorais como Delectable You e What If the Only Night. A cantora - vista em foto de Mauro Ferreira - se apresentou à frente do Coltrane Quartet, integrado por Karen ao lado do pianista Hernan Fernandez Miguez, do baixista Jorge Lagos e do baterista Leandro Peiranos. No bis, os violonistas Ivan Mendes e Germando Leite acompanharam a intérprete em Bette Davis Eyes e depois se juntaram ao quarteto. Eis o roteiro seguido por Karen Souza no cool show apresentado no Teatro Bradesco:

1. Intro (tema do filme Amelie) - solo do pianista Hernan Fernandez Miguez
2. Lie to me (Karen Souza, Dany Tomas e Pamela Philips Oland)
3. Black Hol Sun (Chris Cornell)
4. Full Moon (Karen Souza, Dany Tomas e Ferras AlQalsl)
5. Corcovado (Antônio Carlos Jobim)
6. Summertime (George Gershwin)
7. Delectable You (Karen Souza, Dany Tomas, Pamelas Philps Oland e Marcelo Cáceres)
8. Creep (Thom Yorke)
9. Do You Really Want to Hurt me? (Michael Craig, Roy Hay, Jon Moss e George O'Dowd)
10. Wake up and Make Love with me (Dury e Jankel)
11. Cantalope - Número instrumental
12. Softly as a Morning Sunrise - Número instrumental
13. Tainted Love (Ed Cobb) 
14. Every Breath You Take (Sting)
15. What If the Only Night? (Karen Souza e Dany Tomas)
16. Why Don’t You do Right? (Kansas Joe McCoy)
17. Steppin' Out with my Baby (Irving Berlin)
18. Do You Think I´m Sexy? (Rod Stewart e Carmine Appice)
Bis:
19. Bette Davis Eyes (Donna Weiss e Jackie DeShannon)
20. Space Cowboy (Jason Kay)

Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) para ver o show de Karen Souza a convite da Music Brokers

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Dez vozes femininas lançam discos e buscam lugar no país das cantoras

Dez vozes femininas ainda pouco ouvidas pelo chamado grande público lançam discos neste mês de agosto de 2011, buscando atenção e um lugar ao sol no cada vez mais populoso país das cantoras. Carioca da Gávea, a cantora, compositora e pianista Ana Cristina debuta no mercado fonográfico via Biscoito Fino com o CD Acaso, de repertório essencialmente autoral. Avalizada por Roberto Menescal, convidado da faixa Queria, Ana apresenta temas próprios como Flerte Carioca e Plena Escuridão entre regravações de Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) e Dora (Dorival Caymmi). Natural de São Paulo (SP), mas até então radicada nos Estados Unidos, Joyce Cândido também lança seu disco pela gravadora Biscoito Fino. O Bom e Velho Samba Novo é, a rigor, o segundo CD da artista, mas é tratado como se fosse o primeiro. Entre clássicos do samba como Feitio de Oração (Noel Rosa e Vadico), gravado em dueto com a atriz e cantora bissexta Letícia Sabatella, Cândido dá voz a novos sambas como Beleza Pura (Claudio Jorge e Luiz Carlos da Vila) e o partido alto Sou do Samba (Alceu Maia e Xande de Pilares). Também lançado pela Biscoito Fino, o CD Roberta Nistra expõe a veia afro-brasileira que pulsa no repertório da homônima cantora, compositora e cavaquinista carioca que milita na efervescente cena da Lapa, celeiro da nova geração de instrumentistas e cantores ligados ao samba e ao choro. Entre sambas e ijexás, Nistra dá voz a temas como Mãe África (Sivuca e Paulo César Pinheiro), Afoxé de Oxalá (Marco Antonio Simas), Ogum de Ronda (Roque Ferreira) e Tupi Nagô (Edu Krieger e Henrique Band). Por sua vez, Karen Souza - cantora egressa do universo da dance music - migra para o circuito do pop jazz com o CD Essentials. No disco, editado pela Music Brokers, Karen rebobina em clima jazzy sucessos de Culture Club (Do You Really Want to Hurt me?), Radiohead (Creep), Police (Every Breath You Take) e U2 (New Year's Day), entre outros standards. Em rota nacional, Elisa Addor debuta no mercado fonográfico com Novos Tempos, disco editado pela indie Bolacha. Além de produzir o CD, Edu Krieger forneceu a inédito samba de gafieira que batiza o disco - parceria com Marcelo Caldi - e criou arranjos como o que transforma o samba Mar de Copacabana (Gilberto Gil) em choro-canção. Duas músicas de João Nogueira (1941 - 2000) - o ijexá De Amor É Bom (parceria com Edil Pacheco) e o maxixe Bons Tempos (composto com Ivor Lancellotti) - abrem e fecham, respectivamente, o CD da carioca Addor, outra voz lapidada na Lapa. Paulista radicada no Rio de Janeiro (RJ) há mais de 30 anos, Solange Pellegrini lança seu primeiro CD com produção de Gustavo Schroeter, arranjos de Perinho Santana e o aval de João Donato, autor (em parceria com Tavinho Paes) e convidado da inédita Tem que Ter Dendê. O repertório do CD Solange Pellegrini inclui músicas da MPB como Recado (Gonzaguinha) e A Rota do Indivíduo (Djavan e Orlando Morais). Já a pernambucana - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde os 13 anos - Célia Silva entra outra vez na roda do samba com seu quarto CD, Novamente. Ivone Lara é a convidada de Amor de Madeira (Ivone Lara, André Lara e João Martins). Já Velha Guarda da Portela (Rildo Hora e Sérgio Cabral) é reforçada pelo grupo de veteranos sambistas da escola azul-e-branca. Em linha ainda mais popular, Daniela Colla aposta em versões em italiano de sucessos de Roberto Carlos no CD Canzone Per Te, produzido  por Sérgio Hinds (guitarrista do grupo O Terço) e editado pela gravadora Arlequim. Onestamente (Falando Sério) e Sogno Bello (Sonho Lindo) figuram entre as versões cantadas por Daniela Colla, descendente de italianos.  Em tom mais íntimo, a brasileira Bianca Rossini - residente em Los Angeles (EUA) - cruza influências e elementos de jazz e bossa nova no CD Kiss of Brazil (BDM Records), produzido por Peter Roberts e dirigido sobretudo ao mercado norte-americano. Ipanema Paraíso e Tarde em Copacabana são duas músicas do repertório autoral, assinado por Bianca com diversos parceiros. Por fim, em suave tom de pop rock, Jozi Lucka apresenta repertório autoral em Pra te Pegar, disco produzido pela própria Jozi. A faixa-título é o destaque do CD desta carioca que luta para se fazer ouvir no (populoso) país das cantoras.