Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Com saudações a João Araújo, Gadú interpreta Cazuza em show no Rio

Foi ainda sob o efeito da notícia da morte de João Araújo (1935 - 2013) - pai do cantor e compositor Cazuza (1958 - 1990) - que Maria Gadú apresentou no Rio de Janeiro (RJ) o show em que canta músicas compostas e/ou gravadas por Agenor de Miranda Araújo Neto, artista carioca que passou a ser nacionalmente conhecido como Cazuza em 1982, quando ainda era vocalista e compositor da banda carioca Barão Vermelho. Terceira e última atração carioca da edição de 2013 do projeto Banco do Brasil covers, o show Maria Gadú interpreta Cazuza teve seu roteiro pontuado na apresentação de 1º de dezembro por saudações a Araújo, morto na véspera. Logo após o primeiro número, a artista paulista - em foto de Rodrigo Amaral - se referiu no palco da casa Vivo Rio ao fato de o dia do show ser ao mesmo tempo "bonito e triste" por força das circunstâncias. Já no fim da apresentação, Gadú lembrou inclusive o fato de ser contratada há cinco anos da Som Livre, a gravadora carioca dirigida pelo executivo ao longo de 38 de seus 78 anos de vida. Eis o roteiro seguido por Maria Gadú na apresentação carioca do show em que interpreta Cazuza com ousadias sob a direção de Monique Gardenberg:

1. O tempo não para (Arnaldo Brandão e Cazuza, 1988)
2. Posando de star (Roberto Frejat e Cazuza, 1982)
3. O nosso amor a gente inventa (Estória romântica) (João Rebouças, Rogério Meanda e Cazuza, 1987)
4. Mais feliz (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986)
5. Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988)
6. Um trem para as estrelas (Gilberto Gil e Cazuza, 1987)
7. Medieval II (Rogério Meanda e Cazuza, 1985)
8. Bete Balanço (Roberto Frejat e Cazuza, 1984)
9. Vida louca vida (Lobão e Bernardo Vilhena, 1987)
10. Todo amor que houver nessa vida (Roberto Frejat e Cazuza, 1982) /
11. Preciso dizer que te amo (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986)
12. Codinome beija-flor (Reinaldo Arias, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985)
13. Eu queria ter uma bomba (Roberto Frejat e Cazuza, 1985)
14. Blues da piedade (Roberto Frejat e Cazuza, 1988)
15. Exagerado (Leoni, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985)
16. Brasil (George Israel, Nilo Romero e Cazuza, 1988)
17. Ideologia (Roberto Frejat e Cazuza, 1988)
Bis:
18. Malandragem (Roberto Frejat e Cazuza, 1994)
19. Poema (Roberto Frejat e Cazuza, 1999)
20. Pro dia nascer feliz (Roberto Frejat e Cazuza, 1982)

sábado, 30 de novembro de 2013

Importante homem do disco, João Araújo sai de cena aos 78 anos no Rio

Ao ser homenageado na festa dos 40 anos da gravadora Som Livre, em novembro de 2009, o executivo João Araújo (2 de julho 1935 - 30 de novembro 2013) teve reconhecida toda a relevante contribuição que deu não somente para a empresa que viu nascer, em 1969, mas também para toda a indústria brasileira do disco. Sua saída de cena no Rio de Janeiro (RJ) - vítima de parada cardíaca na manhã deste sábado em que seu filho Cazuza (1958 - 1990) vai ressurgir na forma de holograma em espetáculo agendado para a noite de hoje, em São Paulo (SP) - entristece todo o mercado fonográfico nacional. Embora tenha ficado mais conhecido após os anos 80 como o pai de Cazuza, João Araújo foi um dos mais importantes homens da história do disco no Brasil. Sua gestão na diretoria da gravadora Som Livre - ao longo de 38 de seus 78 anos de vida - seria por si só suficiente para colocar o nome de Araújo em lugar nobre nessa história. Só que, antes de entrar na Som Livre em 1969, ano em que foi criada essa gravadora associada às Organizações Globo, Araújo já havia passado por várias companhias fonográficas em carreira iniciada na nacional Copacabana Discos. Numa delas, a Philips, apostou na contratação de Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil pela gravadora na qual os cantores baianos consolidaram suas carreiras. Entusiasta da MPB nascida na era dos festivais em 1965, Araújo ajudou Djavan em seu sofrido início de carreira no Rio de Janeiro (RJ) - criando oportunidade para que o artista alagoano gravasse músicas para trilhas sonoras de novelas da TV Globo e para que fizesse, em 1976, seu primeiro álbum - e contratou artistas como Rita Lee. Foi na Som Livre - gravadora na qual a Ovelha Negra ingressou em 1975 - que Rita viveu sua explosão pop a partir do estouro nacional de Mania de você (Rita Lee e Roberto de Carvalho) em 1979. Na década de 80, Araújo avalizou a contratação da apresentadora de TV Xuxa Meneghel, cujos discos infantis da série Xou da Xuxa logo bateram recordes de vendagem. De início refratário ao som do Barão Vermelho, o grupo que projetou seu filho Cazuza em escala nacional, Araújo acabou sendo convencido a contratar a banda pelo produtor Ezequiel Neves (1935 - 2010), ajudando também a escrever página importante da história do rock brasileiro. Ao ser empossado presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), em fevereiro de 2005, João Araújo foi reconhecido - mais uma vez - como nome crucial na engrenagem da máquina fonográfica do Brasil. Ele foi mais do que o pai de Cazuza.