Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Roteiro do registro ao vivo do Dobrando a carioca tem inédita de Moacyr Luz

A IMAGEM DO SOM - As fotos acima flagram Jards Macalé, Moacyr Luz, Guinga e Zé Renato no palco do teatro do Sesc Ginástico, no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde o grupo Dobrando a Carioca - formado em 1999 pelos quatro cantores, compositores e músicos - fez o primeiro registro audiovisual de show na noite de 17 de dezembro de 2015. Pautado por temas de autoria dos integrantes do quarteto, o roteiro da gravação ao vivo incluiu inédita de Moacyr Luz, Sinhá, sinhô, composta por Luz em parceria com Carlos Di Jaguarão. Eis o roteiro seguido em 17 de dezembro de 2015 por Guinga, Luz, Macalé e Zé Renato no show de quatro vozes e de quatro violões, gravado ao vivo para dar origem, em 2016, ao primeiro DVD do grupo Dobrando a Carioca:

1. Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda, 1946, com letra de Nelson Angelo, 1994)
2. Favela (Padeirinho e Jorge Pessanha, 1966)
3. Cachaça, árvore e bandeira (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1998)
4. Nega dina (Zé Kétti, 1965)
5. Catavento e girassol (Guinga e Aldir Blanc, 1993)
6. Cidade lagoa (Sebastião Fonseca e Cícero Nunes, 1959)
7. Anjo da velha guarda (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1998)
8. Picotado (Guinga, 1996)
9. Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971)
10. O mais que perfeito (Jards Macalé e Vinicius de Moraes, 1973)
11. Como tem Zé na Paraíba (Manezinho Araújo e Catulo de Paula, 1962)
12. Sinhá, sinhô (Moacyr Luz e Carlos Di Jaguarão, 2015) - música inédita
13. Você, você (Chico Buarque e Guinga, 1998)
14. A saudade mata a gente (João de Barro e Antonio Almeida, 1948)
15. Toada (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho, 1978)
16. Saudades da Guanabara (Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro, 1989)
17. Acertei no milhar (Wilson Baptista e Geraldo Pereira, 1940)
18. Chá de panela (Guinga e Aldir Blanc, 1996)
Bis:
19. Com que roupa? (Noel Rosa, 1930)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Guinga abarca obras de Caymmi, Gonzaga e Tom no disco 'Porto da Madama'

Música lançada em 1957 pelo cantor e compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), Cantiga da noiva - também conhecida como Canção da noiva - ganha arranjo de Guinga e o toque virtuoso do violão deste cantor, compositor e músico carioca em gravação feita para o álbum Porto da Madama com a voz da cantora portuguesa Maria João. Sucessor de Roendopinho (Acoustic Music Records / Rough Trade, 2014) na discografia de Guinga, Porto da Madama chega ao mercado fonográfico nesta primeira semana de setembro de 2015 em edição do Selo Sesc, unindo o violão do artista às vozes de quatro cantoras de nacionalidades distintas. Além da portuguesa Maria João, o disco - feito no Rio de Janeiro (RJ) no início deste ano de 2015 - alinha músicas gravadas com as vozes da norte-americana Esperanza Spalding, da italiana Maria Pia de Vito e da brasileira Mônica Salmaso. Além de rebobinar temas do cancioneiro de Guinga, como Cine Baronesa (Guinga e Aldir Blanc, 2001) e Passarinhadeira (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993), Porto da Madama abarca no repertório abordagens de obras de outros compositores, como Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), Luiz Gonzaga (1912 - 1989) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980). De Tom, Guinga toca Lígia (1974) com a voz de Esperanza Spalding. Do Rei do baião, a escolhida foi a valsa Dúvida (Luiz Gonzaga e Domingos Ramos, 1946), ouvida na voz de Mônica Salmaso em Porto da Madama. De Vinicius, o disco revive Serenata do adeus (1958) na voz de Esperanza Spalding. Neste álbum de vozes e violão, Guinga geralmente assina os arranjos e toca o violão, mas o cantor também solta a voz em Cine Baronesa, em Passarinhadeira e em Caprichos do destino (Pedro Caetano e Claudionor Cruz), valsa lançada em 1938 na voz icônica do cantor carioca Orlando Silva (1915 - 1978).  Eis, na ordem do CD, as 13 músicas (e suas respectivas intérpretes) de Porto da Madama:

1. Cine Baronesa (Guinga e Aldir Blanc, 2001) - com Maria João
2. Lígia (Antonio Carlos Jobim, 1974) - com Esperanza Spalding
3. Boa noite, amor (José Maria de Abreu e Francisco Matoso, 1936) - com Maria Pia de Vito
4. Se queres saber (Peter Pan, 1947) - com Mônica Salmaso
5. Passarinhadeira (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993) - com Maria João
6. Caprichos do destino (Pedro Caetano e Claudionor Cruz, 1938) - com Maria Pia de Vito
7. Ilusão real (Guinga e Zé Miguel Wisnik, 2011) - com Mônica Salmaso
8. Contenda (Guinga e Thiago Amud, 2007) - com Maria João
9. Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1987) - com Maria Pia de Vito
10. Porto da Madama (Guinga, 2009) - com Mônica Salmaso
11. Canção da noiva (Dorival Caymmi, 1957) - com Maria João
12. Serenata do adeus (Vinicius de Moraes, 1958) - com Esperanza Spalding
13. Dúvida (Luiz Gonzaga e Domingos Ramos, 1946) - com Mônica Salmaso

domingo, 28 de junho de 2015

Cenário de Carvalho valoriza show em que Salmaso eleva Guinga e Pinheiro

Resenha de show
Título: Corpo de baile
Artista: Mônica Salmaso (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Tom Jobim (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 27 de junho de 2015
Cotação: * * * * *
 Show em cartaz no Teatro Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), até 28 de junho de 2015

A ruptura de Guinga com Paulo César Pinheiro, nos anos 1980, transformou a obra lapidar dos compositores cariocas em fonte abandonada. São músicas feitas nas décadas de 1970 e 1980 que, em parte, jazem em baú de joias a que a cantora paulistana Mônica Salmaso teve acesso há cerca de dez anos. Em 2014, parte do tesouro desse baú veio a público em álbum lançado pela gravadora Biscoito Fino, Corpo de baile, que logo se impôs como o melhor de Salmaso e como um dos melhores discos do ano passado por conta da perfeição das interpretações e dos arranjos assinados por Dori Caymmi, Luca Raele, Nailor Azevedo Proveta, Nelson Ayres, Paulo Aragão, Teco Cardoso e Tiago Costa. No show Corpo de baile, que chegou na noite de 27 de junho de 2015 à cidade do Rio de Janeiro (RJ) após estrear em São Paulo (SP), Salmaso bisa a perfeição do disco, dividindo o palco com a maior parte dos músicos e arranjadores do CD. Além da cantora, são nove músicos em cena: Teco Cardoso (nos sopros e na direção musical), Nailor Proveta (clarinete e saxofones), Paulo Aragão (violão), Nelson Ayres (piano e acordeom), Neymar Dias (contrabaixo e viola caipira) e os músicos que manuseiam com virtuosismo as cordas do Quarteto Carlos Gomes, formado por Adonhiran Reis (violino), Alceu Reis (cello), Cláudio Cruz (violino) e Gabriel Marin (viola). Para abrilhantar ainda mais a cena, um majestoso vídeo-cenário criado pelo cineasta Walter Carvalho - diretor de cinema que já havia trabalhado com a cantora no registro audiovisual do show Alma lírica brasileira que gerou o DVD editado em 2012 - engrandece o show com projeções veiculadas em tela de tule alocada à beira do palco, entre a cantora e a plateia. As imagens projetadas por Carvalho funcionam como telas que traduzem visualmente o universo das músicas do disco e que enquadram a cantora e os músicos dentro dessas telas, criando inebriantes efeitos visuais. É, de certa forma, como se o espectador estivesse assistindo a vários curtas-metragens com música tocada ao vivo. E a música em si é sublime. A obra de Guinga e Paulo César Pinheiro tem formato clássico que alude a um Brasil antigo cuja trilha sonora era formada por modinhas, valsas e canções. Mas, dentro desse formato tradicional, Guinga embute a modernidade de sua obra, plenamente entendida por Salmaso. Desde o primeiro número, o choro-canção Fim dos tempos (inédito até ser gravado em 2014 pela cantora em Corpo de baile), até o bis, dado com a modinha Senhorinha (1986), única das 15 músicas do roteiro ausente do disco por já ter sido gravada por Salmaso no álbum Voadeira (Eldorado, 1999), o que se vê e ouve é uma cantora em estado de graça, totalmente segura na interpretação de cancioneiro denso que exige rigor estilístico e técnica apurada. Salmaso jamais sai do tom, seja mergulhando no além-mar do fado Navegante (uma das seis inéditas que somente chegaram ao disco em Corpo de baile), no pântano de mágoas e solidão em que está imerso Bolero de Satã (1976), na tribo indígena de Curimã (2014), no universo afrancesado da valsa Nonsense (1989) e no salão vintage em que roda a valsa com ar de modinha Sedutora (2014), número em que sobressai o toque límpido do piano de Nelson Ayres. À vontade dentro do universo camerístico do show, Salmaso segue Procissão de padroeira (2010), marcha pelo Rancho das sete cores (2014) - guiada pelo arranjo e clarinete de Nailor Proveta - e se embrenha na floresta caipira em que Quadrão (1980) propaga ecos dos cancioneiros de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959)  no toque da viola caipira de Neymar Dias. O coco de passo embolado Violada (1992) também ressoa sons desse Brasil caboclo. No seu salão virtuoso, Mônica evolui majestosa e dá baile como cantora ao som de valsas como Noturna (1989) e Corpo de baile (2014). E tudo é sedutor, como sentencia verso da música-título do show. Valorizado pelo vídeo-cenário de Walter Carvalho, composto de retratos de um Brasil tão antigo quanto atemporal, todo o corpo de baile envolve o espectador neste show sublime - e memorável - de Mônica Salmaso.

'Senhorinha' é belo bônus do show em que Salmaso eleva Guinga e Pinheiro

Modinha dos compositores cariocas Guinga e Paulo César Pinheiro, lançada na voz do cantor fluminense Ronnie Von em gravação feita há 29 anos para a trilha sonora da primeira versão da novela Sinhá moça (TV Globo, 1986), Senhorinha ganhou a voz límpida de Mônica Salmaso em registro feito para o terceiro álbum da cantora paulistana, Voadeira (Eldorado, 1999). Por isso, Senhorinha não entrou no repertório do perfeito álbum em que Salmaso canta somente músicas da já extinta parceria de Guinga e Pinheiro, Corpo de baile (Biscoito Fino, 2014). Mas Senhorinha foi o precioso e sensível bônus do show Corpo de baile, que chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 27 de junho de 2015, em apresentação que bisou a perfeição do disco e que embeveceu o público que encheu o Teatro Tom Jobim, onde Corpo de baile fica em cartaz até hoje, 28 de junho. Além de Senhorinha, Salmaso apresentou - com fidelidade aos arranjos sublimes do disco - as 14 músicas do álbum Corpo de baile. Eis o roteiro seguido em 27 de junho de 2015 por Mônica Salmaso - em foto de Mauro Ferreira - na estreia carioca de Corpo de baile, show de música elevada, engrandecido pelo belo vídeo-cenário criado pelo cineasta Walter Carvalho:

1. Fim dos tempos (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
2. Fonte abandonada (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2003)
3. Navegante (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
4. Bolero de Satã (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1976)
5. Curimã (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
6. Nonsense (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989)
7. Sedutora (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
8. Rancho das sete cores (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
9. Quadrão (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1980)
10. Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989)
11. Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989)
12. Violada (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1992)
13. Procissão da padroeira (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2010)
14. Corpo de baile (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
Bis:
15. Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1986)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Guinga faz álbum com (vozes de) quatro cantoras de nacionalidades distintas

Enquanto se prepara para gravar disco com a cantora portuguesa Maria João na Alemanha, no segundo semestre deste ano de 2015, Guinga tem outro lançamento fonográfico à vista. Trata-se de álbum em que músicas antigas do compositor carioca - em foto de Manfred Pollert - e de outros compositores serão ouvidas nas vozes de quatro cantoras de nacionalidades distintas. A norte-americana Esperanza Spalding, a portuguesa Maria João, a italiana Maria Pia de Vito e a brasileira Mônica Salmaso se revezam nas interpretações das músicas. As três cantoras estrangeiras têm grande intimidade com o jazz.  O álbum vai ser editado no Brasil ainda este ano,  em data ainda incerta.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Guinga vai gravar disco com Maria João, na Alemanha, no segundo semestre

A discografia de Guinga cada vez mais abarca títulos gravados fora das largas fronteiras brasileiras, geralmente na Europa. O próximo passo fonográfico do cantor, compositor e violonista carioca vai ser gravar na Alemanha, no segundo semestre de 2015, álbum com a cantora portuguesa Maria João, com quem tem feito desde 2012 o show Mar afora.  O repertório do disco será centrado na obra de Guinga.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Álbum 'Roendopinho' prova que Guinga se basta com seu violão especial

Resenha de CD
Título: Roendopinho
Artista: Guinga
Gravadora: Acoustic Music Records / Rough Trade
Cotação: * * * * 1/2

Cheio de dedos, Guinga caracteriza como "nada especial" o toque de seu violão. Modéstia do cantor, compositor e violonista carioca! Álbum gravado na Alemanha para o selo Acoustic Music Records e lançado no mercado europeu em agosto de 2014, com distribuição do selo Rough Trade, Roendopinho prova que, além de (muito) especial, o toque do violão de Guinga é autossuficiente, capaz de evidenciar - sozinho ou eventualmente acoplado ao assovio que ajuda a formatar Ellingtoniana (Guinga, 2012) ou aos vocalises feitos pelo artista na gravação de Cambono (Guinga e Thiago Amud, 2013) - toda a maestria do cancioneiro do compositor. Nascido no subúrbio de Madureira, terra do samba do Rio de Janeiro (RJ), Guinga embute sua alma e seu delírio cariocas nas músicas que compõe. A raiz carioca da música de Guinga brota em temas como Igreja da Penha (Carta de pedra) (Guinga, 1996) e o choro Picotado (Guinga, 1996). Mas Roendopinho - álbum solo de título engenhosamente construído com a justaposição do gerúndio do verbo roer com a palavra pinho (madeira usada para a construção do violão) - evidencia também a universalidade de um cancioneiro de raro requinte harmônico, inspirado tanto pelos choros cariocas quanto pelas valsas de origem europeia que ajudaram a compor a trilha sonora do Rio antigo. Sem fronteiras, a obra de Guinga pode incorporar também um lamento bluesy como o entranhado no Funeral de Billie Holiday (Guinga, 2014). Em Roendopinho, disco gravado de 7 a 9 de abril de 2014 em estúdio da cidade alemã de Osnabrück, essa obra derruba muros e fronteiras, reiterando a genialidade de Guinga no ofício da composição. A sós com seu violão, Guinga rebobina temas como Anjo de candura (Guinga, 2010) e Cheio de dedos (Guinga, 1996), expondo os caminhos sinuosos de sua música de complexa arquitetura harmônica. Obra que também abarca referências da música clássica, reverberando ecos do cancioneiro soberano do compositor e maestro carioca Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959). A propósito, Roendopinho remete ao álbum Casa de Villa (Biscoito Fino, 2007) porque neste disco, editado há sete anos no Brasil, Guinga também priorizou o violão, embora não de forma totalitária - o que faz com que Roendopinho seja caracterizado pelo artista como seu primeiro disco solo. Neste sofisticado solo, os vocais (sem letras) embutidos nas músicas Pucciniana (Guinga, 2014) - tema inspirado pela obra do compositor italiano Giácomo Puccini (1858 - 1924) - e Lendas brasileiras (Guinga e Aldir Blanc, 1991) mostram que o canto de Guinga também é especial por evocar toda a força musical de um passado já bem remoto. Passado que ecoa no tempo presente através dessa obra magistral ora rebobinada no álbum Roendopinho com maestria, embora com baixo teor de novidade para quem já está imerso no universo musical de Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, o Guinga, o dono de violão especial.

domingo, 31 de agosto de 2014

Guinga lança 'Roendopinho', álbum solo em que toca solitário seu violão

 Guinga lança álbum solo, Roendopinho, neste mês de agosto de 2014. Gravado de 7 a 9 de abril de 2014 em estúdio de Osnabrück, na Alemanha, Roendopinho sai pelo selo Acoustic Music Records. O CD é tido como o primeiro disco solo do cantor e compositor e violonista carioca porque, nele, o músico toca 15 temas autorais a sós com seu violão. Metáfora poética, o título Roendopinho, aliás, foi criado com a justaposição do gerúndio do verbo roer com a palavra pinho (madeira usada para a construção do violão). Com eventuais inéditas como Pucciniana e a música-título Roendopinho, a seleção de repertório do CD vai de 1991 - ano em que Lendas brasileiras (Guinga e Aldir Blanc) foi lançada em disco - a este ano de 2014. Roendopinho é o 13º álbum da discografia de Guinga. Eis, na ordem do CD, as 15 músicas do disco Roendopinho:

1. Pucciniana (Guinga, 2014)
2. Choro breve nº 1 (Guinga, 2014)
3. Roendopinho (Guinga, 2014)
4. Anjo de candura (Guinga, 2010)
5. Picotado (Guinga, 1996)
6. Igreja da Penha (Carta de pedra) (Guinga, 2006)
7. Cheio de dedos (Guinga, 1996)
8. Di maior (Guinga, 1999)
9. Constance nº 2 (Guinga, 2014)
10. Unha & carne (Guinga, 2006)
11. Sargento Escobar (Guinga, 1999)
12. Funeral de Billie Holliday (Guinga, 2014)
13. Cambono (Guinga e Thiago Amud, 2013)
14. Lendas brasileiras (Guinga e Aldir Blanc, 1991)
15. Ellingtoniana (Guinga, 2012)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Salmaso alcança a perfeição ao cantar o Brasil clássico de Guinga e Pinheiro

Resenha de CD
Título: Corpo de baile
Artista: Mônica Salmaso
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * *

Décimo álbum da cantora paulista Mônica Salmaso, Corpo de baile é disco perfeito, lindo, encantador. Cantora vocacionada para interpretações pautadas por rigores eruditos, Salmaso encontra na obra de Guinga e Paulo César Pinheiro o veículo ideal para a exposição de seu canto preciso. Mais do que a reiterar a perfeita comunhão entre técnica e emoção na voz da cantora (emoção entranhada na atmosfera formal que envolve o canto da artista, mas viva), Corpo de baile já se revela um disco necessário por revelar grandes músicas inéditas dessa parceria iniciada nos anos 1970 e dissolvida na década de 1980 após ruidosa briga entre os compositores cariocas - separação que propiciou a união de Guinga com o também carioca Aldir Blanc, em outro perfeito casamento musical que gerou parceria de maestria realçada pela cantora paraense Leila Pinheiro em um de seus melhores álbuns, Catavento e girassol (EMI-Odeon, 1996).O que espanta em Corpo de baile é a alta qualidade das seis inéditas. São obras-primas como o choro-canção Fim dos tempos e o fado Navegante, que evoca a alma de Lisboa ao versar com poesia sobre um conquistador que deixa o cais da solidão disposto a desbravar paixões além-mar. Navegante está sagazmente alocada no disco ao lado de Porto de Araújo, música lançada por Miúcha em álbum de 1989 que desembarca na voz de Mônica entre as cordas do Quarteto Carlos Gomes, peça fundamental do arranjo orquestrado por Luca Raele. O time de arranjadores do disco - produzido por Teco Cardoso sob a direção musical de Salmaso - compreende a grandeza da obra e contribui decisivamente para a perfeição do disco. Dori Caymmi, Luca Raele, Nailor Azevedo Proveta, Nelson Ayres, Paulo Aragão, Teco Cardoso e Tiago Costa formam o dream team de arranjadores do álbum, todos hábeis na formatação camerística de obra dissociada do tempo presente. A propósito, o figurino vintage usado por Salmaso na capa e nas fotos promocionais do álbum traduz com precisão o clima do repertório, pontuado por valsas como a inédita Sedutora, a também inédita música-título Corpo de baileNoturna (1989), Nonsense - esta já gravada por Miúcha no mesmo disco de 1989 que apresentou Porto de Araújo - e Fonte abandonada, já abordada por Guinga em disco de 2003. Nonsense tem letra magistralmente construída por Pinheiro com palavras em português de sonoridade francesa, seguindo a receita de Chico Buarque na composição de sua Joana Francesa (1973). Por também habitar um passado já remoto como compositor, Pinheiro se adequou perfeitamente ao espírito da música de Guinga. Que sempre bebeu das ricas fontes dos cancioneiros soberanos de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959), evocados sobretudo em Quadrão (1980) e na inédita Curimã, cujo universo indígena é povoado na faixa pela voz incidental de Marluí Miranda. Única música realmente conhecida dentre as 14 selecionadas por Salmaso para Corpo de baile, todas tratadas como peças de câmara pela cantora, Bolero de Satã (1976) - propagado em 1979 por Elis Regina (1945 - 1982) em dueto com Cauby Peixoto - tem no registro de Salmaso a prova de que a cantora consegue embutir sentimento em seu canto técnico. Mas é um sentimento depurado, sem excessos, sem melodrama, o que faz o disco correr o risco de soar pouco emotivo, ou frio, para ouvidos mais habituados a interpretações mais passionais. E assim - majestoso, antigo (mas não velho...) - caminha Corpo de baile, álbum que evoca um Brasil de tempos idos ao apresentar a inédita marcha Rancho da sete cores e ao se embrenhar pelo universo caipira no passo embolado de Violada. Esse caminho é atravessado no fim pela Procissão da Padroeira, arranjada por Dori Caymmi no mesmo tom solene do canto de Mônica Salmaso, cantora que dá baile na concorrência ao beber dessa rica fonte abandonada: a parceria de Guinga e Paulo César Pinheiro, tradutores musicais de Brasil vintage, bonito, repleto de riquezas a serem exploradas.  É um Brasil clássico na forma, só que atemporal pela modernidade de Guinga.

sábado, 19 de julho de 2014

Eis a capa do CD em que Salmaso canta a parceria de Guinga e Pinheiro

Esta é a capa de Corpo de baile, álbum em que a cantora paulista Mônica Salmaso dá voz a 14 músicas dos compositores cariocas Guinga e Paulo César Pinheiro, coroando parceria aberta nos anos 1970. Com lançamento programado no iTunes para 29 de julho de 2014, o CD chega às lojas no início de agosto, numa edição da gravadora Biscoito Fino. A música-título é inédita.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Salmaso dá voz às parcerias de Guinga com Pinheiro no CD 'Corpo de baile'

A foto acima - clicada por Dani Gurgel no estúdio da gravadora Biscoito Fino - flagra Mônica Salmaso durante as sessões de gravação de seu décimo álbum, Corpo de baile. Nas lojas entre o fim deste mês de julho de 2014 e o início de agosto, em edição da gravadora Biscoito Fino, o CD Corpo de baile é disco inteiramente dedicado à parceria do compositor carioca Guinga com o poeta e compositor carioca Paulo César Pinheiro. Antes de ganhar visibilidade na mídia por conta da obra assinada com Aldir Blanc, no início dos anos 1990, Guinga tinha sólida parceria com Pinheiro. Muitos títulos dessa parceria permanecem inéditos em disco. Em Corpo de baile, a cantora paulista dá sua voz precisa a músicas já gravadas - como Bolero de Satã (1976), Quadrão (1980), Nonsense (1989), Porto de Araújo (1989), Noturna (1989) e Fonte abandonada (2003) - entre inéditas como Navegante, Sedutora, Curimã, Rancho das sete cores, Fim dos tempos e a música-título Corpo de baile. Os arranjos são de feras como Dori Caymmi, Nailor Proveta e Teco Cardoso.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tocando de Jacob a Guinga, Antonio Adolfo abre série de discos de piano

Em 2013, ao reformar e ampliar seu estúdio Tambor, como parte das celebrações por seus 15 anos de vida, a gravadora carioca Deck adquiriu diretamente da fábrica Yamaha, no Japão, um grand piano acústico. A aquisição desse instrumento motivou a criação da série O piano de..., formada por discos instrumentais gravados por pianistas virtuosos. O primeiro CD da série é do compositor, pianista e arranjador carioca Antonio Adolfo. Lançado neste mês de abril de 2014, o CD O piano de Antonio Adolfo alinha 14 temas em repertório dominado por clássicos da música brasileira. A felicidade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), Canção que morre no ar (Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, 1961), Catavento e girassol (Guinga e Aldir Blanc, 1993), Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1946), Doce de coco (Jacob do Bandolim, 1951), Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961), Retrato em Branco e Preto (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1968) e Teletema (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, 1969) figuram na seleção de Adolfo. A canção norte-americana All the things you are (Jerome Kern e Oscar Hammerstein II, 1939) é o único tema estrangeiro do CD O piano de Antonio Adolfo, no qual o músico toca recente tema de sua autoria, Chora baião.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Francis e Guinga unem canções e afetos em álbum grande como suas obras

Resenha de CD
Título: Francis e Guinga
Artista: Francis Hime e Guinga
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * 1/2

 Os caminhos musicais de Francis Hime e Guinga se cruzaram em 1976 na gravação de Canto das três raças, álbum que marcou o encontro da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983) com o compositor e produtor carioca Paulo César Pinheiro. No registro da valsa Ai, quem me dera (Vinicius de Moraes), uma das dez músicas do disco, Guinga tocou o violão do arranjo criado por Francis. Nasceu ali uma admiração entre os dois compositores e músicos cariocas que, 37 anos depois, gera o primeiro disco gravado em dupla pelos artistas. Francis e Guinga - o CD que a gravadora Biscoito Fino está lançando neste mês de fevereiro de 2013 - irmana as obras dos dois compositores na mesma estrutura do roteiro do show estreado por Francis e Guinga em 23 de outubro de 2012 no Studio RJ, no Rio de Janeiro (RJ), dentro do evento Noite Jazzmania (clique aqui para ler a resenha do show postada em Notas Musicais). Os cancioneiros dos compositores se entrelaçam em medleys que unem as músicas por afinidades rítmicas e temáticas, sendo que, normalmente, um compositor dá voz à música do outro. A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque, 1976), por exemplo, é entoada (lindamente) por Guinga no medley que a une com Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1986), cantada por Francis no tom de modinha que pauta a faixa. Aliás, além de excepcional compositor, de talento atestado já nos anos 70 por cantoras como a citada Clara Nunes e Elis Regina (1945 - 1982), Guinga foi se revelando intérprete capaz de alcançar emoções profundas com sua voz rouca. Seu solo em Saudade de amar (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1966) - música da fase em que Francis era visto como um dos expoentes da segunda fase da Bossa Nova - é um dos ápices deste disco que realça todo o lirismo e toda a poesia de obras de almas afins. Essa irmandade salta aos ouvidos quando Francis canta Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1991), para citar somente um exemplo. Não, Francis não é um intérprete tão imponente quanto Guinga. Contudo, mesmo que não atinja profundas regiões emotivas com sua voz sempre bem colocada, Francis também se mostra um intérprete habilidoso ao abordar temas do colega como Mar de Maracanã (Guinga e Edu Kneip, 2007). Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que expõe as afinidades entre os cancioneiros dos compositores ao irmaná-los em medleys como o que junta Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989) com Desacalanto (Francis Hime e Olivia Hime, 2006) e o que une Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993) com Parintintin (Francis Hime e Olivia Hime, 1980), o CD Francis e Guinga também realça as individualidades dos autores. Fica nítido que é de Francis o desenho melódico da segunda parte da instantânea obra-prima A ver navios, uma das duas inéditas parcerias de Francis com Guinga lançadas no disco. A ver navios navega em águas densas, no tom poético dos versos de Olivia Hime, letrista do tema. Quase tão genial quanto A ver navios, a outra parceria inédita de Francis e Guinga, Doentia, tem versos de Thiago Amud, que perfila na letra o caráter escorregadio de mulher que "tem a lábia de uma atriz". Enfim, diante da magnitude das obras de Francis Hime e Guinga, o álbum Francis e Guinga - gravado somente com o piano de Francis e o violão de Guinga - logo se impõe naturalmente como um grande disco ao cruzar harmoniosamente as canções e os afetos destes dois gênios da Música Popular Brasileira em união pautada por uma beleza atemporal.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Em perfeita harmonia, Francis e Guinga irmanam as obras em show poético

Resenha de show
Evento: Noite Jazzmania
Título: Guinga & Francis Hime
Artistas: Francis Hime e Guinga (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Studio RJ (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 23 de outubro de 2012
Cotação: * * * * 1/2

♪ "Tarja preta...". Feito em voz alta, logo que Francis Hime e Guinga acabaram de apresentar ao público do Studio RJ a primeira parceria dos compositores, A ver navios, o comentário espirituoso sobre a canção, letrada com lirismo por Olivia Hime, aludiu à densidade poética do tema, que já nasceu com cara de obra-prima. Compositores de alto nível, da turma que cria melodias requintadas e jamais abre mão da poesia, Francis e Guinga irmanaram suas obras em belo show que deu prévia do (possivelmente grande) disco que vai ser lançado no primeiro semestre de 2013 pela gravadora Biscoito Fino. Embora vá apresentar parcerias inéditas dos compositores, como Doentia, em que Thiago Amud perfila na letra o caráter escorregadio de mulher que "tem a lábia de uma atriz", o álbum vai estar centrado - tal como o show feito em 23 de outubro de 2012 - no entrelaçamento dos cancioneiros de Francis e Guinga. A exposição das afinidades entre as obras saltou aos ouvidos em medleys temáticos que costuraram canções de um e de outro com perfeita harmonia. Se Nem mais um pio (Guinga e Sérgio Natureza, 2001) se irmana com Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975) no retrato bucólico da fauna brasileira, Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993) pula vivaz - em dueto dos compositores transformados em cantores por força do ofício (embora Guinga tenha se revelado grande intérprete ao longo dos anos) - em medley que o conecta com a brasilidade de Parintintin (Francis Hime e Olivia Hime, 1980). Se o ainda inédito Cambono (Guinga e Thiago Amud, 2012) cai no samba com a ambiência afro que aclimata Anoiteceu (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1968), Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989) transporta a carga pesada que embala os versos desassossegados escritos por Olivia Hime para Desacalanto, parceria com Francis, lançada pelo compositor no álbum Arquitetura da flor (2006). Com Francis ao piano e Guinga ao violão, os compositores alternam vocais ao revisitar o próprio cancioneiro e ao abordar a obra alheia. Fã das canções de amor, Guinga conduz Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966) momentos após Francis iluminar Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1991). É fato que o canto de Francis não traduz toda a carga emocional dessas canções de amor (às vezes dilacerado) - como fica evidente no bis quando o compositor sola Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972). Contudo, essa falta de vocação para interpretações intensas jamais embaça o brilho de show que evoca os climas das modinhas imperiais no medley que agrega Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1983) - tema que Francis solou sem o rigor estilístico das interpretações de Mônica Salmaso e Nana Caymmi - e A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque), canção de beleza inebriante que Guinga não conseguiu cantar até o final, vencido pela emoção traduzida pelo choro incontido no meio do tema, cuja origem remete à música Amor a esmo, lançada por Francis em LP de 1964 quando ainda integrava o conjunto Os Seis em Ponto (a letra de Chico Buarque foi feita nos anos 1970 para a trilha sonora do filme A noiva da cidade). Cariocas, Francis e Guinga fizeram a bola rolar redonda no medley que uniu Mar de Maracanã (Guinga e Edu Kneip, 2007) - tema cantado por Francis com Guinga ao violão - e Maracanã (Francis Hime e Paulo César Pinheiro, 1997), samba de arquitetura menos empolgante no qual os artistas fizeram tabelinha vocal. E tudo acabou - antes do bis - em samba, E se, parceria menos ouvida de Francis e Chico Buarque. Em sintonia, harmonizados pela sofisticação dos respectivos cancioneiros, Francis Hime e Guinga protagonizaram show que, por analogia, ressaltou os parentescos de obras grandes e afins que, irmanadas em cena, dão a impressão de serem ainda maiores do que já são.

Roteiro de show de Francis com Guinga linka temas afins dos compositores

 Prévia do disco que vai ser lançado no primeiro semestre de 2013 pela gravadora Biscoito Fino, o show que juntou Francis Hime e Guinga no palco do Studio RJ em 23 de outubro de 2012 - na comemoração de um ano do projeto Noite Jazzmania - expôs e realçou afinidades entre as obras destes dois magistrais compositores cariocas. Aberto e fechado com as duas primeiras parcerias dos artistas,  A ver navios (Francis Hime, Guinga e Olivia Hime) e Doentia (Francis Hime, Guinga e Thiago Amud), o roteiro foi montado essencialmente com medleys temáticos que linkam uma composição de Francis com outra de Guinga. Destas obras, o afro-samba Cambono (Guinga e Thiago Amud) se diferenciou por ainda ser inédito. Eis o roteiro seguido pelos cantores, músicos e compositores Francis Hime e Guinga - em foto de Mauro Ferreira - na estreia do poético show que arrebatou todo o público que foi à casa de shows do Rio de Janeiro (RJ) em 23 de outubro de 2012:

1. A ver navios (Francis Hime, Guinga e Olivia Hime, 2012)
2. Nem mais um pio (Guinga e Sérgio Natureza, 2001) /   
    Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975)
3. Cambono (Guinga e Thiago Amud, 2012) /
    Anoiteceu (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1968)
4. Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993) /
    Parintintin (Francis Hime e Olivia Hime, 1980)
5. Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989) /
    Desacalanto (Francis Hime e Olivia Hime, 2006)
6. Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1991) /
    Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966)
7. A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque, 1976) /
    Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1986)
8. Saudade de amar (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1966)
9. Mar de Maracanã (Guinga e Edu Kneip, 2007) /
    Maracanã (Francis Hime e Paulo César Pinheiro, 1997)
10. E se (Francis Hime e Chico Buarque, 1980)
Bis:
11. Catavento e girassol (Guinga e Aldir Blanc, 1993)
12. Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972)
13. Doentia (Francis Hime, Guinga e Thiago Amud, 2012)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Francis Hime e Guinga abrem parceria em CD que será lançado em 2013

♪ Em 2013, Francis Hime e Guinga vão lançar álbum gravado no estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro (RJ), ao longo deste ano de 2012. Durante os ensaios do disco, os compositores abriram parceria e compuseram juntos músicas que ganham o primeiro registro no disco dos dois artistas. Entre elas, há A ver navios (assinada com Olivia Hime) e Doentia (composta com a adesão de Thiago Amud). O repertório do disco - que tem lançamento previsto para fevereiro de 2013 pela Biscoito Fino - entrelaça músicas das obras dos dois compositores com arranjos inéditos. De Francis, entraram Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975), Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966) e A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque, 1976). Guinga - em foto de Maria Paola Tallini - assina Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993), Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1983) e Nem mais um pio (Guinga e Sergio Natureza, 2001), entre outras músicas.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Antonio Adolfo entrelaça obras de Chico e Guinga no álbum 'Chora Baião'

No momento em que Chico Buarque está prestes a lançar disco de inéditas em que se presume influência de Guinga na composição e harmonização do repertório autoral, o pianista Antonio Adolfo entrelaça a obra dos dois compositores no CD Chora Baião, editado no Brasil neste mês de julho de 2011 pelo selo AAM Music. Como dá a entender o título do disco, que vai ser lançado nos Estados Unidos em setembro, Adolfo também junta choro e baião em repertório que - além de oito temas de Chico e Guinga -  apresenta três músicas da lavra autoral do pianista, sendo que duas, Chorosa Blues e Chora, Baião, são inéditas, tendo sido compostas especialmente para o projeto (a terceira é Chicote). De Guinga, Adolfo selecionou Dá o Pé, Loro, Nó na Garganta, Di Menor e Catavento e Girassol. De Chico, as escolhidas foram A Ostra e o Vento (adornada com vocalises da cantora Carol Saboya, filha de Adolfo), Gota d’ÁguaMorro Dois Irmãos. Única parceria de Guinga com Chico, Você, Você é a única faixa cantada do CD, sendo ouvida na voz da citada Carol Saboya. Adolfo gravou Chora Baião com quarteto formado pelo guitarrista Leo Amuedo, o baixista Jorge Helder, o baterista Rafael Barata e o percussionista Marcos Suzano. A capa do álbum expõe ilustração de Bruno Liberati.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Salmaso aborda o cancioneiro de Guinga com requinte em show de peso

Resenha de Show
Título: Guinga & Mônica Salmaso
Artista: Guinga & Mônica Salmaso (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 9 de fevereiro de 2011
Cotação: * * * * 1/2
Show em cartaz no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), até 10 de fevereiro de 2011

Quinze anos depois de Leila Pinheiro ter dedicado álbum antológico às parcerias de Guinga com Aldir Blanc, Catavento e Girassol (EMI Music, 1996), Mônica Salmaso planeja para este ano de 2011 a gravação de disco centrado na obra criada por Guinga com Paulo César Pinheiro. O inédito show da cantora com o compositor, em cartaz até 10 de fevereiro no Teatro Rival (RJ), dá prévia do requinte que certamente vai pautar o CD. Ao entrar em cena, chamada por Guinga ao palco após elogios do compositor ao seu canto, Salmaso logo enfileirou Bolero de Satã (com improvisos do violonista Lula Galvão, convidado do show), Noturna e Fonte Abandonada. Ao cantar estas três parcerias de Guinga com Paulo César Pinheiro, a intérprete mostrou de imediato o pleno entendimento que tem da obra do genial compositor. "A música de Guinga tem vários tempos", elogiou Salmaso, talvez se referindo ao fato de o cancioneiro de Guinga estar situado em algum lugar do passado glorioso da música brasileira. A supra-citada Noturna, por exemplo, parece peça saída da obra monumental de Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959). Por sua técnica perfeita, Salmaso encara sem atropelos a complexidade que reveste o cancioneiro de Guinga. Este é que, assumidamente nervoso, às vezes se atrapalha em cena, como no momento em que confundiu Mônica ao tocar no violão a introdução de música fora da ordem do roteiro. Contudo, verdade seja dita, Guinga vem se revelando um senhor cantor em cena. Sua interpretação do suculento Chá de Panela (Guinga e Aldir Blanc) - que preparou sozinho, na abertura do show - é saborosa. Da mesma forma, seu contracanto no bolero Se Queres Saber (Peter Pan) - única música do roteiro que não é de autoria de Guinga - evidencia um compositor com pleno domínio da voz, reiterado no seu dueto com Salmaso em Passarinhadeira (Guinga e Paulo César Pinheiro) um dos números mais belos do show. Na sequência, outro número solo de Guinga, Contenda (Guinga e Thiago Amud), atestou que o compositor já é, sim, um grande cantor - embora talvez o próprio Guinga ainda não esteja convencido de sua notável habilidade como intérprete. Sem nunca se intimidar com o gigantismo da obra abordada em cena, Salmaso canta Você, Você (Guinga e Chico Buarque), Sete Estrelas (Guinga e Aldir Blanc) - com Lula Galvão já de volta ao palco do Teatro Rival com seu magistral violão - e Simples e Absurdo (Guinga e Aldir Blanc). Com direito a uma letra inédita de José Miguel Wisnik, Canção Necessária, feita para valsa gravada com versos de Mauro Aguiar e o título de Canção Desnecessária, o show que reúne Mônica Salmaso e Guinga é um show de peso em todos os sentidos. Tecnicamente, não há reparo a ser feito. O único senão do show é o peso de algumas interpretações de Salmaso, o que eventualmente torna a apresentação linear. Se a cantora encontrar no estúdio o equilíbrio entre esse peso (exigido pelos temas densos) e a leveza obtida por Leila Pinheiro, outra intérprete com pleno domínio da música de Guinga, tem tudo para gravar um disco antológico como Catavento e Girassol.