♪ Retrospectiva 2014 - Em um mercado fonográfico cada vez mais segmentado, em que cada artista tenta reverberar seu som dentro de um nicho específico e tenta se fazer ouvir por um determinado público, onze discos brasileiros lançados ao longo deste ano de 2014 sobressaíram e mereceram a cotação máxima (cinco estrelas) de Notas Musicais. Por isso, em vez de dez discos, o blog elege excepcionalmente onze títulos como os melhores álbuns de 2014 por reconhecer que seria injusto tirar qualquer um dos discos da lista apenas para manter a tradição de apontar dez CDs como os melhores do ano. É uma lista que contempla a diversidade, indo de Juçara Marçal a Maria Bethânia, de Gustavo Galo a Gilberto Gil, pois Notas Musicais jamais ergueu muros que separam artistas da cena indie - cada vez mais populosa e vigorosa, como prova a seleção deste ano de 2014 - dos chamados medalhões da MPB. Até porque a música em si desconhece fronteiras. Os critérios que apontam estes onze discos como os melhores de 2014 são unicamente artísticos. Não importou, para Notas Musicais, que o disco tenha obtido maior ou menor alcance comercial em mercado dominado por gêneros massivos como o sertanejo de cepa pop, o pagode e o arrocha. O único fator determinante - neste ano de 2014 e também nos sete anos anteriores - foi a excelência artística do disco em questão. Eis - por ordem alfabética dos nomes dos onze álbuns - os melhores discos de 2014 na avaliação do editor de Notas Musicais:* Asa (Independente) - Gustavo Galo
- Um disco de minimalismo cru, em que a melodia se uniu com delicadeza à poesia, deu asa ao artista da Trupe Chá de Boldo em produção azeitada de Gustavo Ruiz e Tatá Aeroplano.
* Bossa negra (Universal Music) - Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda
- Ao se unir ao excepcional bandolinista para compor e gravar repertório inspirado pelos afro-sambas dos anos 1960, Diogo cresceu como cantor, honrando o seu nobre sobrenome.
* Convoque seu Buda (Oloko Records) - Criolo
- Três anos após estourar com Nó na orelha, o rapper paulistano provou que a chapa de seu rap continua quente em azeitado CD produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral.
* Corpo de baile (Biscoito Fino) - Mônica Salmaso
- A cantora atingiu a perfeição ao dar sua voz precisa ao cancioneiro composto por Guinga com Paulo César Pinheiro, apresentando seis inéditas da parceria desfeita nos anos 1980.
* Encarnado (Independente) - Juçara Marçal
- A vocalista do grupo Metá Metá cresceu e apareceu como cantora em atordoante CD solo que versa sobre a morte no toque afiado das guitarras de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos.
* Gilbertos samba (Sony Music) - Gilberto Gil
- O reencontro dos Gilbertos deu samba em grande disco em que Gil sustentou a leveza genial do som de João sem cair na tentação de imitar o mestre ao revisitar o seu repertório.
* Mestiça (Saravá Discos) - Jurema
- Sob a direção artística do pianista e compositor Marcos Vaz, a cantora, compositora e historiadora soteropolitana reinventou a baianidade nagô em disco de tom contemporâneo.
* Meus quintais (Biscoito Fino) - Maria Bethânia
- Em disco íntimo e pessoal, feito para sua tribo, a intérprete urdiu arco poético e musical que abarcou Brasil distante povoado por índios, caboclos e Iaras em tempo de delicadeza.
* Rainha dos raios (Joia Moderna) - Alice Caymmi
- Sob produção de Diogo Strausz, a moderna princesa da dinastia Caymmi quebrou a onda que batia na praia familiar com CD arrojado que uniu Caetano Veloso, MC Marcinho e Tono.
* Rock'n'roll sugar darling (Independente) - Thiago Pethit
- Com o açúcar do candy rock, com afeto e com afetação glam, o artista paulistano fez um disco abusado e sexual que cruzou The Stooges e David Lynch na mesma estrada marginal.
* Sobre noites e dias (Diginois) - Lucas Santtana
- Em seu disco mais expansivo, o artista recorreu a uma sonoridade pop eletrônica para fazer a crônica urbana dos amores e dores dos tempos cibernéticos em repertório sedutor.
