Título: Delta machine
Artista: Depeche Mode
Gravadora: Mute Records / Columbia / Sony Music
Cotação: * * * 1/2
É sintomático que o 13º álbum de estúdio do Depeche Mode - Delta machine, lançado em escala mundial nesta última semana de março de 2013 - abra com (ótima) música intitulada Welcome to my world. Desde que reanimou seu espírito dark em Playing the angel (2005), já distante da frivolidade dance de Exciter ((2001), o grupo inglês tem se mostrado à vontade em seu mundo atormentado. É essa a impressão que fica de Delta machine. Tal como seu antecessor Sounds of the universe (2009), Delta machine concilia sintetizadores, guitarras distorcidas e as tonalidades sombrias que dão cor própria ao cancioneiro do Depeche Mode. A novidade talvez seja a (pequena) influência do blues, já alardeada pela banda e perceptível somente na pegada de Slow e de Goodbye. Contudo, o que faz de Delta machine um bom disco é a boa qualidade de seu repertório. Angel (lenta, mas sedutora), Heaven (a melhor música do álbum) e Broken (com alta dose de eletrônica) são composições que se destacam no disco - e, sob certo prisma, até na obra da banda - e que sinalizam que o pulso ainda pulsa. Soft touch / Raw nerve e Soothe my soul se insinuam mais pegajosas, quase comerciais, próximas de uma definição de pop - se é que se pode caracterizar o som do Depeche como comercial ou pop. Em suma, Andy Fletcher, Dave Gahan e Martin Gore acionam sua máquina de synthpop com vigor. Gravado nos Estados Unidos, com produção de Ben Hillier, Delta machine mostra que - mesmo atormentado - o mundo do Depeche Mode resiste em harmonia.




