Mauro Ferreira no G1

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domingo, 13 de setembro de 2015

Álbum 'No princípio era o verbo' aponta vitória de Black Alien no jogo da vida

Resenha de CD
Título: Babylon by Gus vol. II - "No princípio era o verbo"
Artista: Gustavo Black Alien
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *

"Um verso estende a mão / ... / Te apresento à minha nova vida / Seja bem-vindo", convida o rapper fluminense Gustavo de Almeida Ribeiro em 1972, vinheta que introduz seu segundo álbum solo, Babylon by Gus vol. II - "No princípio era o verbo". 1972 é o ano em que o Gustavo - vulgo Black Alien - veio ao mundo. E por falar no tempo rei, onze anos separam o esperado segundo disco de Alien do primeiro volume, O ano do macaco, lançado em 2004 via Deck. Nessa década, rappers como Criolo e Emicida cresceram e apareceram na cena do hip hop nacional. Contudo, Black Alien consegue se manter relevante com este segundo álbum e dá nova prova de vida inteligente com "No princípio era o verbo". O desenho da capa - ilustração do Petit Pois Studio que remete à icônica imagem do filme O sétimo selo (Suécia, 1956), do cineasta sueco Ingmar Bergman (1918 - 2007) - traduz o momento de vida do rapper projetado no grupo carioca Planet Hemp nos anos 1990. É como se Black Alien fosse o cavaleiro que vem driblando a morte no jogo da vida. A morte pode ser simbolizada pelo vício em drogas que atrasou o disco e a carreira do artista. Mas "No princípio era o verbo" chega em tempo, com seu título bíblico, para mostrar que ainda há lugar para Black Alien na cena do hip hop brasileiro. Produzido por Alien com Alexandre Basa, parceiro fiel, o álbum procura expor visão positiva da vida e por vezes adota até discurso messiânico, como em Terra, rap turbinado com scratches do DJ Castro e com coro infantil. A faixa Terra já havia sido apresentada como single em dezembro de 2014. Outras músicas do disco - caso de Rolo compressor, rap afiado com scratches do DJ Babz - também já tinham sido jogadas previamente na rede. Mas as faixas outrora soltas se impõem no disco como peças importantes no tabuleiro de Alien e ajudam a formatar seu discurso ao lado de novidades como Somos o mundo, tema embebido em soul e gravado com os vocais da cantora paulistana Céu. Somos o mundo é instante de leveza romântica - bisada em Falando do meu bem - em álbum que pesa a mão no discurso em Rock'n'roll, rap de atitude roqueira no qual Alien prega a importância das escolhas certas em versos divididos com o colega paulistano Edi Rock, integrante do grupo Racionais MC's. Já Skate no pé - tema gravado com as adesões dos rappers Kamau e Parteum - alivia o discurso em versos autorreferentes e celebra a vida leve levada no skate em refrão de apelo pop que lembra o rap radiofônico de Gabriel O Pensador. Álbum de batidas azeitadas, formatadas sem os clichês do hip hop, "No princípio era o verbo" tem tom reflexivo que atinge pontos altos em Quem é você? - tema no qual o cantor carioca Luiz Melodia dá show com sua voz impregnada de soul e que parece brincar sobre as notas da parte mais melódica do rap - e em O estranho vizinho da frente, rap autorreferente aditivado com scratches do DJ Nutz. "O campo do pensamento é um campo de luta", ressalta Alien, no diálogo feito com sua própria consciência. Com o violão e a guitarra de Walter Villaça, músico recorrente na ficha técnica do disco, Identidade mantém o interesse em torno deste álbum que gravita em torno do rap sem deixar de embutir outras levadas. Com os sopros vitais de André Knobl (saxofone) e André Mitsuoka (trombone), Homem de família enfatiza que Alien pretende levar sua vida em sol maior. Disco encerrado com Cidadão honorário (Outro), tema autobiográfico no qual Alien saúda família e amigos ao passar sua vida a limpo, Babylon by Gus vol. II - "No princípio era o verbo" aponta a vitória da paz no jogo do cavaleiro com a morte.

terça-feira, 19 de março de 2013

Primeiro CD solo de Black Alien, 'Babylon by Gus', ganha edição em vinil

Primeiro e até o momento único álbum solo de Black Alien, rapper fluminense egresso do grupo carioca Planet Hemp, Babylon by gus volume I - O ano do macaco ganha edição em vinil de 180 gramas, neste mês de março de 2013, dentro da série Clássicos em vinil, da fábrica Polysom. Lançado originalmente em 2004 no formato de CD, em edição da gravadora Deck, o disco foi remasterizado para a edição em vinil. O título Babylon by gus alude tanto ao álbum Babylon by bus - o disco ao vivo lançado em 1978 por Bob Marley & The Wailers - quanto ao nome de batismo (Gustavo de Almeida Ribeiro) do artista, que misturou rap e reggae no disco.