♪ O cancioneiro autoral de Chico Buarque vai gerar mais um disco. Enquanto promove no Brasil a edição pela gravadora Som Livre do sexto álbum, Rua da emenda (2014), o cantor português António Zambujo começa a preparar um outro álbum inteiramente dedicado à obra do compositor carioca. Há forte probabilidade de Chico - em foto de Daryan Dornelles - gravar participação em música do disco.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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terça-feira, 21 de abril de 2015
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Noel encontra voz de Zambujo na 'Rua da emenda', CD editado no Brasil
♪ Derradeira obra-prima do cancioneiro do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937), Último desejo - samba-canção gravado em 1937 pela cantora carioca Aracy de Almeida (1914 - 1988) para disco lançado somente em março de 1938 - ganha a voz do cantor português António Zambujo. Último desejo é uma das 15 músicas do sexto álbum de Zambujo, Rua da emenda (2014), editado no Brasil neste mês de abril de 2015 em edição do selo MP,B Discos distribuída pela gravadora Som Livre. Em outra conexão com a música brasileira, Zambujo regrava no disco a Valsa lisérgica, parceria de Rodrigo Maranhão com Pedro Luís lançada há cinco anos na voz do próprio Maranhão em seu segundo álbum solo, Passageiro (MP,B Discos / Universal Music, 2010).
quarta-feira, 18 de março de 2015
Com Zambujo em Lisboa, Roberta torna samba de Ataulfo com Lago um fado
♪ Samba triste composto pelo mineiro Ataulfo Alves (1909 - 1969) em parceria com o carioca Mário Lago (1911 - 2002) e lançado em 1938 na voz do cantor catarinense Nuno Roland (1913 - 1975), Covardia ganha o tom melancólico do fado no álbum que Roberta Sá vai lançar neste primeiro semestre de 2015. A música foi gravada pela cantora potiguar em Lisboa em dueto com o cantor português António Zambujo. Produtor do disco, Rodrigo Campello criou o arranjo da faixa, gravada no estúdio como se fosse ao vivo. Músicos e cantores fizeram uma roda e gravaram Covardia sem retoques de pós-produção. O samba foi gravado originalmente por Nuno Roland em agosto de 1938 em disco de 78 rotações por minuto editado pela gravadora Odeon em outubro daquele mesmo ano de 1938. Além de Covardia, o sexto álbum de Roberta Sá inclui Boca em boca, primeira parceria da artista - compositora bissexta - com o compositor carioca Xande de Pilares, projetado no Grupo Revelação.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Carminho e Zambujo brilham em prêmio com voo emocionado de 'Sabiá'
Canção do exílio escrita por Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) com Chico Buarque em 1968, ano rebelde em que o AI-5 cassou os últimos resquícios de liberdade que havia no Brasil da época, Sabiá atravessou o oceano e levou o sentimento dos expatriados nacionais para bem longe no roteiro da 24ª edição do Prêmio da Música Brasileira em homenagem a Jobim. No caso, partindo do Rio de Janeiro (RJ) até Portugal. Os cantores lusitanos Carminho e António Zambujo - vistos em foto de Rodrigo Amaral - foram um dos pontos mais altos do roteiro musical da cerimônia conduzida pelas cantoras Adriana Calcanhotto e Zélia Duncan. Feita sob a direção musical de Jaques Morelenbaum, a interpretação emocionada de Carminho e Zambujo mereceu aplausos de pé da plateia de convidados que foi ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de 12 de junho de 2013. Sabiá voou alto sem sair do tom de Jobim e Chico.
sábado, 21 de julho de 2012
Zambujo rejuvenesce o fado e dosa conexões com Brasil no belo 'Quinto'
Resenha de CD
Título: Quinto
Artista: António Zambujo
Gravadora: Universal Music Portugal
Cotação: * * * *
Título: Quinto
Artista: António Zambujo
Gravadora: Universal Music Portugal
Cotação: * * * *
Em seu belo quinto álbum, ainda inédito no mercado nacional, o fadista alentejano António Zambujo - conhecido no Brasil por suas conexões com artistas como Ney Matogrosso e Roberta Sá - concilia a poesia, o som e o sentimento do fado tradicional com uma linguagem mais coloquial, leve e contemporânea que rejuvenesce o gênero musical que identifica Portugal no mapa-múndi da música. De título preguiçoso, Quinto é álbum pautado por repertório inédito. A exceção é Rua dos Meus Ciúmes, sucesso da fadista Helena Tavares (1932 - 1980), uma das faixas representantes da ala mais tradicional, ao lado de Só Pode Ser Amor e de Noite Estrelada, fados ambientados em clima típico do gênero. Em oposição a esses temas de sentimento mais classicista, realçado pela guitarra portuguesa tocada por Bernardo Couto e/ou por Luís Guerreiro, Quinto apresenta músicas mais arejadas pela produção do baixista Ricardo Cruz. Fado Desconcertado abre o álbum com leveza, som contemporâneo e versos coloquiais, como se o fadista desajustado incorporasse o cantor desafinado da Bossa Nova. Aliás, Zambujo dosa em Quinto as conexões com a música brasileira, traços determinantes de seus dois álbuns anteriores, Outro Sentido (2007) e Guia (2010). Embora Quinto tenha até um cavaquinista (Jon Luz) na banda, a ligação com os sons do Brasil está mais diluída ao longo das 15 músicas do álbum. De todo modo, há toques de samba e choro em Flagrante, cujos versos (de Maria do Rosário Pedreira) reforçam com humor a coloquialidade do repertório de tom mais contemporâneo. E há Maré, lindo tema de Rodrigo Maranhão que fecha este disco que adota discurso juvenil em Lambreta, destila melancolia em A Casa Fechada e inaugura a parceria de Zambujo com Pedro da Silva Martins (do grupo Deolindas), letrista de Algo Estranho Acontece (outra faixa de pegada contemporânea) e de Queria Conhecer-te Um Dia. Martins vem se juntar a um time de poetas que inclui João Monge, José Eduardo Agualusa (letrista de Milagrário Pessoal, tema no qual o clarinete de José Miguel Conde sopra frescor) e Miguel Araújo Jorge (do grupo Os Azeitonas), entre outros. O brasileiro Márcio Faraco é o compositor de Fortuna, faixa que expõe a influência das mornas de Cabo Verde no fado de Zambujo. Que revive o canto de seu Alentejo em O Que É Feito Dela. Tema mais denso do disco, Não Vale Mais Um Dia soa doído, quase cool, de uma ambiência jazzy amplificada pelo solo de uma guitarra não portuguesa. Em qualquer tom ou latitude, a música de António Zambujo prima pela beleza, pelo apuro. Seja rejuvenescendo o fado ou evocando as tradições desse gênero talhado para a voz grave e profunda do cantor, Quinto reitera a força do artista.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Zambujo sustenta o peso e a leveza do fado com a voz que Deus lhe deu
Resenha de show
Título: Guia
Artista: António Zambujo (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de maio de 2011
Cotação: * * * *
Show em cartaz no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), até 25 de maio de 2011
Título: Guia
Artista: António Zambujo (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de maio de 2011
Cotação: * * * *
Show em cartaz no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), até 25 de maio de 2011
É difícil não se arrepiar quando o cantor português António Zambujo fecha o bis de seu show Guia com interpretação quase a capella do fado Foi Deus, pontuada somente por acordes minimalistas do baixo do diretor musical Ricardo Cruz. Propagado pelas vozes dos maiores fadistas, o tema de Alberto Fialho Janes e S. Manuel prova que Zambujo tem mesmo o dom divino da voz. Contudo, o cantor lusitano não usa essa voz para seguir com purismo as tradições do fado. Ao contrário. Sem renegá-las, Zambujo vem dando um outro sentido ao gênero mais conhecido da música portuguesa. Inclusive em associações com ritmos brasileiros como a Bossa Nova. No show que estreou em 24 de maio de 2011 no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), o artista mostrou que sustenta todo o peso e a dor do fado com sua voz, seu sentimento e seu violão que toca somente o essencial (assim como o baixo de Ricardo Cruz, único músico a acompanhar Zambujo em cena). Alocados na primeira das três partes do show, temas como Fadista Louco (outra composição de Alberto Janes) e Janela Virada p'ro Mar (música gravada pelo cantor em seu segundo disco, Por meu Cante, lançado em Portugal em 2004 e ainda inédito no mercado fonográfico brasileiro) carregam toda uma melancolia e uma angústia típicas do fado e valorizadas pela voz do intérprete. Só que há outros mares a serem navegados e, como Zambujo contou ao público que foi vê-lo no Solar de Botafogo em 24 de maio, sua vida musical começou a mudar quando ele tomou contato com a música brasileira através das letras de Vinicius de Moraes (1913 - 1980), dos discos de João Gilberto e das composições de Caetano Veloso e Chico Buarque. Aliás, tal como fez em seu quarto álbum, Guia (2010), Zambujo canta no show uma letra de Vinicius, Apelo (feita para música de Baden Powell), sobre melodia do Fado Perseguição (Carlos da Maia e Avelino de Souza) . Mote da segunda parte do roteiro, o apego de Zambujo à música brasileira faz com que o cantor também saiba encarar o fado com leveza. Nem tanto quando põe seu sentimento de fadista numa valsa doída de clima seresteiro como Lábios que Beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo, 1937), mas sobretudo quando, na terceira parte do show, esboça humor ao cantar Zorro (João Monge e João Gil) em tom bossa-novista. Nesse terceiro e último bloco do roteiro, dedicado às músicas do álbum Guia, essa leveza se impõe em cena. O amor descompassa o coração, mas a vida é bela, como sentencia o Fado da Vida Bela (Pedro Luís e Ricardo Cruz). E belo é também o show em que António Zambujo sustenta com a voz o peso e a leveza do fado.
Quase fadista, Maranhão transita por mares e Marias no show de Zambujo
Um dos mais inspirados compositores projetados nos anos 2000, o carioca Rodrigo Maranhão está fazendo especialíssima participação no show que o cantor português António Zambujo está fazendo no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), até esta quarta-feira, 25 de maio de 2011. Ao entrar em cena, Maranhão canta sozinho sua belíssima Valsa Lisérgica, composta em parceria com Pedro Luís. Na sequência, em dueto com Zambujo, o artista brasileiro entoa outras duas lindas canções de sua lavra, De Mares e Marias e Quase um Fado, ambas gravadas tanto por Maranhão (no seu segundo disco solo, Passageiro, obra-prima de 2010) como por Zambujo (em seu quarto álbum, Guia, lançado em Portugal em abril de 2010 e no Brasil em agosto pelo selo MP,B). A foto de Mauro Ferreira flagra o encontro dos dois artistas na ótima estreia da minitemporada carioca de Zambujo no Solar de Botafogo, em 24 de maio.
sábado, 21 de maio de 2011
Roberta canta fado ao receber Zambujo em show do festival Natura Nós
São Paulo (SP) - Roberta Sá recebeu o fadista português António Zambujo em seu show no festival Natura Nós, apresentado no Palco Azul da Chácara do Jockey no fim da tarde deste sábado, 21 de maio de 2011. Com Zambujo, a cantora interpretou Eu Já Não Sei - o fado de Domingos Gonçalves Costa e Carlos Gonçalves que Roberta já gravou em duo com Zambujo em estúdio para os extras de seu DVD Pra se Ter Alegria ao Vivo - e Novo Amor (Edu Krieger). A foto acima de Marcos Hermes flagra o encontro da cantora com o fadista (sentado ao violão).
sábado, 20 de novembro de 2010
Sem se afastar do porto, 'Guia' leva fado de Zambujo para África e Brasil
Título: Guia
Artista: António Zambujo
Gravadora: MP,B / Universal Music
Cotação: * * * 1/2
E não é que a valsa seresteira A Deusa da Minha Rua (Jorge Faraj e Newton Teixeira, 1939) se ambientou com perfeição no clima do fado, gênero já habitualmente carregado de melancolia? A transposição é feita pelo cantor e compositor português António Zambujo em seu quarto CD, Guia, lançado em abril de 2010 na terra lusitana e ora editado no Brasil por conta da vinda do artista ao Brasil para shows agendados neste mês de novembro. Natural do Alentejo, Zambujo tem levado o fado por outros caminhos sem negar a tradição do gênero. Mesmo sem reeditar toda a beleza e sentimento do álbum anterior de Zambujo, Outro Sentido (2007), Guia seduz ao situar o fado em trilhas eventualmente brasileiras e africanas. Entre os silêncios e acordes minimalistas que realçam o sentido dos versos de A Tua Frieza Gela (parceria de Zambujo com Maria do Rosário Pedreira) e o humor esboçado em Readers Digest (Miguel Araújo Jorge), o artista celebra sua terra natal na breve Toada Alentejana I, de sua autoria, e aborda Apelo (Vinicius de Moraes e Baden Powell) com a melodia do Fado Perseguição (Carlos da Maia e Avelino de Souza) em junção que soa mais curiosa do que sedutora. Sempre partindo da trilha original portuguesa, evocada inclusive pela guitarra portuguesa ouvida em sete de suas 14 faixas, Guia leva Zambujo por caminhos que remetem a sons de Cabo Verde - há muito das mornas em Não me Dou Longe de ti (João Monge com Alfredo dos Santos) e, sobretudo, em Barroco Tropical (José Eduardo Agualusa e Ricardo Cruz) - e do recorrente Brasil. Zorro (João Monge e João Gil), por exemplo, entra na onda suave da Bossa Nova. Fado da Vida Bela é da lavra de Pedro Luís com Ricardo Cruz. Por fim, alocadas antes do Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes e Paulo Soledade), Quase um Fado e De Mares e Marias - duas músicas do segundo álbum de Rodrigo Maranhão, Passageiro (2010) - reiteram a habilidade de António de cruzar os mares que ligam Brasil e Portugal sem se afastar do seu porto (seguro).
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