Valorizada por gravações inéditas de Pitty, Fernanda Takai e Ultraje a Rigor, a trilha sonora da novela Amor e Revolução está sendo editada em CD pela Universal Music - gravadora de cujo arquivo foram extraídos os fonogramas antigos que procuram traduzir a efervescência musical e política dos anos 60, época em que se passa a trama exibida pelo SBT. O destaque entre as gravações inéditas é Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil), revivida por Pitty com Indireto, duo formado por Jean Dolabella e Augusto Nogueira. Em abordagem de peso (com trocadilho), o trio traduz bem o clima asfixiante da censurada música. Extremamente reverente, Fernanda Takai regrava Menino Bonito - canção de Rita Lee, lançada pela autora em 1974 - enquanto o Ultraje a Rigor assume Vem Quente que Eu Estou Fervendo (Eduardo Araújo e Carlos Imperial), sucesso da Jovem Guarda, de cujo cancioneiro a Banda Vega recorda Nossa Canção (Luiz Ayrão). Contudo, o supra-sumo da trilha sonora de Amor e Revolução são as antigas e emblemáticas gravações de Viola Enluarada (na voz de Marcos Valle com participação de Milton Nascimento, 1968), London London (Caetano Veloso, 1971), Apesar de Você (na regravação feita por Chico Buarque em 1978 com os vocais dos conjuntos MPB-4 e Quarteto em Cy), Universo do teu Corpo (Taiguara, 1970) e Alegria Alegria (Caetano Veloso, em fonograma de 1967, creditado na trilha como sendo de 1977). Já Roda Viva - outro tema de Chico Buarque, compositor recorrente na seleção assinada por Laércio Ferreira - aparece nas vozes do MPB-4, mas em gravação recente, e não no célebre registro de 1968. Curiosamente, as duas gravações feitas por Fafá de Belém especialmente para a trilha sonora de Amor e Revolução - Carcará (José Cândido e João do Vale, 1965) e Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Caminhando) (Geraldo Vandré, 1968) - não figuram no disco posto este mês nas lojas.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
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