Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Lulina canta Ademilde e Miriam com desembaraço em Cantoras do Brasil

Resenha de programa de TV
Série: Cantoras do Brasil
Título: Lulina Canta Ademilde Fonseca e Lulina Canta Miriam Batucada
Idealização: Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto
Direção: Simone Elias
Emissora: Canal Brasil
Foto: Chris Valias
Cotação: * * * 1/2
Programa exibido pelo Canal Brasil às 18h45m de 22 de novembro de 2012


Cantora pernambucana radicada em São Paulo (SP), Lulina mostrou que tem lá seu estilo em gravação feita para recente tributo ao grupo de pagode Raça Negra, Jeito Felindie (Fita Bruta, 2012). No penúltimo episódio de Cantoras do Brasil, série do Canal Brasil em que uma intérprete contemporânea dá voz a músicas gravadas por uma cantora de tempos idos, Lulina reitera seu estilo e celebra com desembaraço os cantos de Ademilde Fonseca (1921 - 2012) e Miriam Batucada (1947 - 1994). Atípico por concentrar duas homenagens num único episódio, o 12º programa da série se revela interessante pela destreza de Lulina. Da eterna Rainha do Choro, a cantora escolheu História Difícil (Pereira Costa e Victor Santos), choro gravado por Ademilde no álbum A Rainha Ademilde e Seus Chorões Maravilhosos (Museu da Imagem e do Som, 1977), como informa a antenada Lulina em seu depoimento para as câmeras dirigidas com a habitual classe por Simone Elias. Além da agilidade vocal da intérprete, sobressai no número o suingue das guitarras de Gabriel Muzak e Maurício Tagliari, diretor musical da série. De Miriam Batucada, vivaz cantora paulistana (nascida na Mooca, descendente de italianos), Lulina escolheu A Banca do Distinto (Billy Blanco), samba gravado com certa repercussão pela intérprete. Detalhe: Lulina cai sentada no samba, entoado em poltrona, com acompanhamento mais tradicional, no qual se destacam o cavaquinho de Gabriel Muzak e a percussão de Beto Gibbs e Maurício Tagliari. No fim do episódio, pouco antes da rolagem dos créditos, Lulina ainda dá palhinha a capella de Apanhei um Resfriado (Leonel Azevedo e Sá Roris), outro tema associado ao canto esperto de Miriam Batucada, cantora indie, injustamente esquecida, mas lembrada com propriedade por Lulina com seu jeito indie na (oportuna) série do Canal Brasil.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Rainha do choro, Ademilde manteve a majestade em 70 anos de carreira

Entronizada na música brasileira como a Rainha do Choro, Ademilde Fonseca (Macaíba - RN, 4 de março de 1921 / Rio de Janeiro - RJ , 27 de março de 2012) manteve sua majestade ao longo de seus 70 anos de carreira fonográfica. A primeira gravação da cantora - um disco de 78 rotações que trazia sua instantaneamente célebre gravação do choro Tico-Tico no Fubá (Alberico Barreiros e Zequinha de Abreu) e, no lado B, Volte pro Morro (Darci de Oliveira e Benedito Lacerda) - foi lançada em setembro de 1942. Feita sob a produção de Edu Krieger em 11 de janeiro de 2012, no Arena Estúdio (RJ), a última gravação de Ademilde - uma participação na faixa Arrasta-Pé (Waldir Azevedo e Klécius Caldas), do disco Lágrimas e Rimas, da cantora Ana Bello - vai ser lançada em 23 de abril, não por acaso Dia Nacional do Choro. Nesses 70 anos, a Rainha do Choro se manteve fiel ao gênero que a consagrou e que lhe deu lugar nobre na história da música brasileira. Egressa da era de ouro do rádio brasileiro, a cantora potiguar - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde 1941 - cantou o choro como habilidade única. Com perfeita emissão vocal, encarava os temas mais velozes do gênero com naturalidade, bossa e musicalidade. Na voz de Ademilde Fonseca, qualquer ritmo podia ser transmutado em choro. Dentre as gravações antológicas da Rainha do Choro, vale destacar seu registro original de Brasileirinho (Waldir Azevedo e Pereira Costa), lançado em agosto de 1950 em disco de 78 rotações por minuto. Ademilde Fonseca viveu seu auge artístico e comercial nos anos 40 e 50, tendo gravado regularmente entre 1942 e 1962. Depois desse período inicial, a discografia da artista começou a ficar mais espaçada. Contudo, em 1975, reverenciada por compoitores revelados nos anos 60 e 70 como João Bosco e Martinho da Vila, a cantora reiterou sua realeza ao gravar pela Top Tape Ademilde Fonseca, álbum relançado em 2011 pelo selo Discobertas por conta dos 90 anos da artista. Intérprete que irradiava vivacidade na voz e na alma, Ademilde Fonseca saiu de cena na noite de ontem, 27 de março, em plena atividade. Deixa saudade e a certeza de que seu trono e lugar jamais serão ocupados.

* Veja foto da cantora Ademilde Fonseca em sua última gravação, no Arena Estúdio, na página de Notas Musicais no Facebook

terça-feira, 27 de março de 2012

Rainha do chorinho, cantora Ademilde Fonseca sai de cena aos 91 anos

A cantora potiguar Ademilde Fonseca - conhecida em todo o Brasil como a Rainha do Chorinho por sua habilidade ao cantar as velozes música do gênero - saiu de cena aos 91 anos na noite desta terça-feira, 27 de março de 2012, no Rio de Janeiro (RJ), vítima de mal súbito. Saudade!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ademilde grava 'Arrasta-Pé' em disco que Anna dedica ao choro-canção

Prestes a completar 91 anos, em março de 2012, Ademilde Fonseca foi ao estúdio Arena, no Rio de Janeiro (RJ), gravar participação em faixa do primeiro CD da atriz e cantora carioca Anna Bello. A Rainha do Chorinho pôs voz em Arrasta-Pé (Waldir Azevedo e Klécius Caldas), faixa do disco produzido por Edu Krieger. Com lançamento previsto para abril, o álbum é inteiramente dedicado ao choro-canção. Além de inéditas de Marcelo Caldi, Luís Barcellos e Zé Paulo Becker (em parceria com Roque Ferreira, compositor baiano voltado para o samba de roda), o repertório inclui choros de compositores da MPB como Caetano Veloso (Diamante Verdadeiro), Chico Buarque (Um Chorinho), Edu Lobo (Chorinho de Mágoa) e Moraes Moreira (Choro Novo, parceria com Armandinho). Bello - vista à direita na foto de Leonardo Miranda - canta este repertório na companhia de músicos como Rogério Caetano (violão de 7 cordas), Nicolas Krassik (violino), Carlos César (percussão) e Alexandre Caldi (sopros e arranjos do CD).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Álbum 'Ademilde Fonseca' é título nobre da obra da 'Rainha do Chorinho'

Resenha de reedição de CD
Título: Ademilde Fonseca
Artista: Ademilde Fonseca
Gravadora da edição original de 1975: Top Tape
Gravadora da reedição de 2011: Discobertas
Cotação: * * * * *

Em 1975, quando contabilizava 54 anos, a cantora Ademilde Fonseca já estava entronizada definitivamente como a Rainha do Chorinho. Mas andava afastada do mercado fonográfico, onde estreara em julho de 1942. Egressa da era de ouro do rádio brasileiro, a cantora potiguar - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde 1941 - já parecia pertencer ao passado da música brasileira. Mas eis que um álbum gravado em 1975 pela extinta gravadora Top Tape, Ademilde Fonseca, renovou o repertório da intérprete e a repôs em cena. Relançado por conta dos 90 anos completados pela artista em 4 de março de 2011, Ademilde Fonseca é um dos títulos mais nobres da discografia da Rainha do Chorinho, epíteto incorporado ao título do álbum nesta reedição do selo Discobertas. Além da excelência do acompanhamento instrumental (feito por mestres como o flautista Copinha, o bandolinista Abel Ferreira e o violonista Dino Sete Cordas), o repertório é impecável. Tanto o novo quanto o antigo. O maior destaque foi o inspirado Choro Chorão, fornecido por Martinho da Vila para a cantora. Mas Ademilde Fonseca alinha joias de alto quilate como o magoado Choro do Adeus - composto no tom habitualmente melancólico pelos parceiros Nelson Cavaquinho (1911 - 1986) e Guilherme de Brito (1922 - 2006), nunca associados ao gênero - e Amor Sem Preconceito, samba de Candeia (1935 - 1978) e Paulinho da Viola que Ademilde traduziu para o idioma do choro (íntimo do ritmo, Paulinho é também o autor do lírico Meu Sonho). Intérprete habituada a encarar a alta velocidade de temas como O Que Vier Eu Traço  (Alvaiade e Zé Maria), gravado por Ademilde em 1945 e rebobinado 30 anos depois neste álbum antológico, a cantora também sabe pisar no freio para destilar as mágoas de choro dolente como Coração Trapaceiro, fornecido por Hermínio Bello de Carvalho e Vital Lima. Já a dupla João Bosco e Aldir Blanc - então em sua década áurea - presentearam a rainha com Títulos de Nobreza (Ademilde no Choro), em cuja letra Blanc alinha nomes de chorinhos famosos em fina costura. E assim - com um pé no presente e outro no seu passado de glória, evocado através de regravações como as de Brasileirinho (Waldir Azevedo e Pereira Costa) e Doce Melodia (Abel Ferreira e Luiz Antônio), choros gravados originalmente por Ademilde em 1950 e 1952 - Ademilde mostrou para a geração 70 toda sua destreza na interpretação de um gênero que exige bossa e musicalidade. A justa reedição de Ademilde Fonseca - álbum em que produção (de Jorge Coutinho), arranjos (de Orlando Silveira, José Menezes França e Nelsinho), interpretações e acompanhamento instrumental se harmonizam em perfeita sintonia - reitera que o reinado da cantora no choro é vitalício. Título de nobreza atemporal, o disco é obra-prima, uma joia rara.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Noventa anos de Ademilde inspiram reedição de álbum gravado em 1975

Completados em 4 de março de 2011, os 90 anos de Ademilde Fonseca - cantora potiguar conhecida pelo epíteto de A Rainha do Chorinho - inspiraram o selo Discobertas a reeditar um dos álbuns mais festejados da artista, Ademilde Fonseca, gravado em 1975 para a extinta gravadora Top Tape. Neste disco, reposto em catálogo com sua capa original, a cantora recebeu composições inéditas de Martinho da Vila (Choro Chorão, tema que Martinho somente iria gravar em 1976 no seu álbum Rosa do Povo) e da dupla João Bosco & Aldir Blanc, autora da faixa Títulos de Nobreza (Ademilde no Choro). O time estelar de músicos e arranjadores do álbum é formado por virtuoses como Abel Ferreira (1915 - 1980), Altamiro Carrilho, Copinha (1910 - 1984), Dino Sete Cordas (1918 - 2006) e Wilson das Neves, entre outras feras.