♪ Pianista carioca que ganhou público ao se apresentar em shoppings da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ), Glaucio Cristelo toca seu instrumento com visual e pegada rocker. O que atraiu admiradores como Roberto Medina, empresário que fez do piano pop roqueiro de Cristelo uma das atrações de seu festival Rock in Rio. O sucesso crescente do músico entre o público tem garantido a continuidade da série de CDs Piano rock, lançada por Cristelo em 2009. O quinto volume do projeto, Piano rock Natal, chegou às lojas neste mês de dezembro de 2014 com distribuição da gravadora Som Livre em CD fabricado com expressiva tiragem inicial de 40 mil cópias. No disco, produzido e arranjado pelo próprio Glaucio com a cantora e compositora Tay Cristelo, o pianista esquece momentaneamente os sucessos do rock internacional para tocar standards natalinos. Minoritários na seleção do repertório, temas brasileiros - como Boas festas (Assis Valente, 1933) e a valsa O velhinho (Octávio Filho, 1953) - são alinhados no CD ao lado de clássicos estrangeiros do porte de Feliz Navidad (José Feliciano, 1970) e White Christmas (Irving Berlin, 1942) em 16 registros instrumentais que evidenciam a técnica e a musicalidade de Cristelo.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Bandas Supercombo e Scalene lançam 'single' como um 'presente de Natal'
♪ Em rotação na web desde ontem, 23 de dezembro de 2014, o single Trans-Aparecer - que junta o grupo paulistano Supercombo com a banda brasiliense Scalene - é caracterizado pelos dois grupos como um "presente de Natal" para admiradores de rock. A música é inédita. Vocalista do Supercombo, Leo Ramos assina a mixagem e a masterização da gravação, finalizada no Gritaria Mix & Master - estúdio do Supercombo que também funciona como espécie de selo fonográfico do (emergente) grupo.
Retrô 2014: Os artistas brasileiros que saíram de cena ao longo do ano
♪ Retrospectiva 2014 - Foi um ano de perdas expressivas para a música brasileira. 2014 foi marcado pelas saídas de cena de importantes cantores, compositores, músicos e personalidades ligadas à música produzida no Brasil. Ao longo do ano, o Brasil se despediu de Alexandre Pessoal (1974 - 2014), Clemilda (1936 - 2014), Cybele (1940 - 2014), Dom Pepe (??? - 2014), Efson (1944 - 2014), Genival Santos (1941 - 2014), Hélcio Aguirra (1957 - 2014), Hélcio Milito (1931 - 2014), Jair Rodrigues (1939 - 2014), José Domingos Raffaelli (1936 - 2014), Luciano Leindecker (1972 - 2014), Luiz Carlos Góes (1944 - 2014), Marcio Antonucci (1945 - 2014), Marlene (foto) (1922 - 2014), MC Lello (1986 - 2014), Miltinho (1928 - 2014), Nelson Ned (1947 - 2014), Nico Nicolaiewsky (1957 - 2014), Nonato Buzar (1932 - 2014), Vange Leonel (1963 - 2014), Violeta Cavalcanti (1923 - 2014) e Zé Menezes (1921 - 2014). Nomes que saíram de cena, mas ficam na história da música brasileira.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Voz da banda Fresno, Lucas Silveira vai produzir o segundo álbum de Jéf
♪ Cantor, compositor e músico gaúcho que faz som pop folk e que despontou na cena indie em 2014 com o álbum Leve, Jéferson de Souza - o Jéf - vai lançar seu segundo álbum em 2015 via Sony Music. A produção do disco vai ser feita por Lucas Silveira (à direita na foto postada por Jéf em sua página oficial no Facebook), vocalista, guitarrista e líder do grupo Fresno, gaúcho com Jéf. A gravação do disco vai ser iniciada na primeira semana de janeiro de 2015, em São Paulo. No disco, Jéf regravará algumas músicas de Leve, CD produzido pelo próprio Jéf com Thiago Heinrich.
Retrô 2014: EP coroa ano em que Valesca Popozuda voou fora da gaiola
♪ Retrospectiva 2014 - Com capa inspirada no visual de Madonna na fase Like a virgin, um EP com quatro faixas - lançado nas plataformas digitais em 16 de dezembro de 2014 pelo selo Pardal Records - fechou e coroou ano que vai deixar saudades para a cantora e compositora carioca de funk Valesca dos Santos, conhecida nacionalmente pelo nome artístico de Valesca Popozuda, em alusão ao grupo Gaiola das Popozudas, fundado por Valesca em 2000. Em carreira solo desde 2013, Valesca ganhou fama e mídia já em janeiro de 2014, por conta de o clipe de Beijinho no ombro (André Vieira, Leandro Castro e Wallace Viana) ter virado viral desde seu lançamento na web, em 27 de dezembro de 2013. A música tinha sido lançada em single digital em 1º de agosto de 2013, mas somente obteve grande repercussão a partir do clipe, dando início à repaginação do repertório da artista, desde então moldado para a parada pop e com letras menos vulgares, sem tantos palavrões. Na sequência, Popozuda lançou outros dois singles - Eu sou a diva que você quer copiar (Leandro Pardal, Wallace Vianna e André Vieira), gravado originalmente para promoção de uma marca de produtos de limpeza, e Tá pra nascer homem que vai mandar em mim (Leandro Pardal, Wallace Vianna e André Vieira)- sem a mesma massiva repercussão de Beijinho no ombro. As três músicas compõem o repertório do EP Valesca Popozuda, sendo que Eu sou a diva que você quer copiar aparece em duas versões (Pop remix e Funk remix). Valesca Popozuda voou fora da gaiola do funk ao longo de 2014, concorrendo no volátil universo pop com a poderosa Anitta.
Com a voz de Luisa Micheletti, Les Pops lança segundo álbum em janeiro
♪ Já em sua terceira formação, o grupo carioca Les Pops volta a ser um trio após breve fase como quarteto, com as entradas do baterista Carlos Salles e do tecladista Maycon Ananias. É com a voz de Luisa Micheletti - primeira mulher a integrar o grupo fundado pelos remanescentes Daniel Lopes (baixo e voz) e Rodrigo Bittencourt (guitarra e voz) - que o Les Pops lança em 16 de janeiro de 2015, via Coqueiro Verde Records, seu segundo álbum. Autoral, Delira e vai é o título do sucessor do ótimo CD Quero ser cool (Discobertas / Microservice, 2011), um dos melhores discos de 2011.
Livro apaixonante investiga a identidade e o destino das musas da MPB
Resenha de livro
Título: Musas e músicas - A mulher por trás da canção
Autor: Rosane Queiroz
Editora: Tinta Negra Bazar Editorial
Cotação: * * * *
Título: Musas e músicas - A mulher por trás da canção
Autor: Rosane Queiroz
Editora: Tinta Negra Bazar Editorial
Cotação: * * * *
♪ Musas e músicas - A mulher por trás da canção é um livro-reportagem. Sua autora - Rosane Queiroz, jornalista radicada em São Paulo (SP) que toca piano desde os sete anos de idade e que exercita a arte de cantar sem vínculos profissionais - foi atrás das mulheres que inspiraram músicas de alguns dos maiores compositores brasileiros. O resultado é um livro apaixonante porque a autora investiga não somente a identidade, mas também o destino das musas de sucessos como Anna Júlia (Marcelo Camelo, 1999) Lígia (Antonio Carlos Jobim, 1974) - música lançada por Chico Buarque, que veio a colaborar posteriormente na construção da letra - e Preta Pretinha (Luiz Galvão e Moraes Moreira, 1972). Escrito com leveza, o livro flui como uma melodia pop, pronta para ser cantarolada. A autora dedica um capítulo a cada musa real que tem seu paradeiro revelado. Ao fim, Rosane Queiroz alinha musas (supostamente) fictícias, como as mulheres que povoam o imaginário e o cancioneiro de Chico Buarque, por exemplo. Somente o capítulo dedicado a Anna Julia Werneck - musa do primeiro sucesso do grupo carioca Los Hermanos - já vale o livro. A autora mostra como a explosão da música, em 1999, alterou a vida e o status da estudante de jornalismo que, até então, circulava anônima pelos corredores e salas de aula da PUC, universidade carioca que serviu de cenário para a paixão de Alex Werner, produtor da banda, por Anna Julia. "Eu não conseguia andar na PUC sem ser apontada", rememora Anna Julia, ressaltando que, ao contrário do que faz supor a letra, o interesse de Alex era correspondido, embora ambos não chegassem às vias de fato por timidez. Outro momento relevante do livro é a entrevista da autora com a carioca Lygia Marina de Moraes, alvo da paixão platônica de Tom Jobim em 1973. Paixão que ficou no plano da imaginação pelo fato de Lygia ser então casada com o escritor Fernando Sabino (1923 - 2004), amigo de Tom. Lygia se reconheceu nos versos da canção de 1974, mas a inspiração da música sempre foi assunto delicado para o compositor, que somente admitiu a identidade da musa quando Lygia já estava separada de Sabino. Menos conhecida, a história de Risoflora (Chico Science, 1994) - música do primeiro álbum da Nação Zumbi, lançado em 1994 - é desvendada pelo livro. A musa é a jornalista pernambucana Maria Eduarda Belém, a Maria Duda, assim apelidada por Chico Science (1966 - 1997), que a namorou e compôs Risoflora - cuja letra fabulosa narra a paixão de um caranguejo por flor do mangue - após brigar com sua musa. Detalhe: rhisoflora é o nome científico de planta comum na vegetação ribeirinha. Com seu faro jornalístico, Rosane Queiroz também foi atrás da baiana Maria do Perpétuo Socorro Nogueira, namorada de Luiz Galvão e musa inspiradora de Preta Pretinha, música que se tornou o maior sucesso do melhor álbum do grupo Novos Baianos, Acabou chorare (Som Livre, 1972). Outro caso de amor vivido. Mesmo quando não consegue localizar o paradeiro da musa, a autora não deixa de contar uma boa história (real). Como a paixão de Guttemberg Guarabyra por uma menina que vendia ácidos pela noite carioca em 1973 chamada Fátima. Fafá - que nada tem a ver com a cantora de Belém (PA) - é a musa inspiradora de Espanhola, cuja letra foi escrita por Guarabyra em estado de embriaguez sobre melodia de Flávio Venturini, em cuja casa foi pedir abrigo em noite de aguda dor de cotovelo pela paixão (até então) não concretizada. Lançada pela dupla Sá & Guarabyra em 1977, a canção fez muito sucesso na gravação feita por Flávio Venturini em seu álbum solo Nascente (EMI-Odeon, 1982). E assim, de história em história, de música em música, de caso em caso, Rosane Queiroz traça o perfil de mulheres apaixonadas e apaixonantes em livro que é - ele próprio! - apaixonante para fãs da MPB.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Nanda faz duetos com Baleiro e Dudu em disco produzido por Arthur Maia
♪ A foto de Luiz Ferreira flagra Nanda Garcia no estúdio, ladeada pelo baixista Arthur Maia (à esquerda) e pelo cantor Dudu Nobre. Cantora e compositora fluminense, natural de Niterói (RJ), Nanda vai lançar seu segundo álbum em 2015, no embalo da exposição obtida por ter sido uma das concorrentes da terceira temporada do programa The Voice Brasil, exibida pela TV Globo neste ano de 2014. Arthur Maia produz o disco. Dudu participa da regravação do samba Riscando o chão (Márcio Proença e Jorge Simas), lançado há 11 anos pelo cantor e compositor Jorge Simas no álbum Pela palavra (Independente, 2003). Zeca Baleiro também gravou participação no CD, fazendo dueto com Nanda em Cebola cortada (Petrúcio Maia e Clodo), música lançada pelo cantor Raimundo Fagner no álbum Orós (CBS, 1977). Além de dar voz ao inédito Semba do além, parceria de Martinho da Vila com Arthur Maia, Nanda regrava o samba Nasci para sonhar e cantar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1982). A previsão é de que o álbum de Nanda saia no início de 2015.
Single 'Tombei', de Karol Conka, dá pista inicial do segundo álbum da rapper
♪ Contratada pelo selo Buuum, do produtor Zegon, a rapper curitibana Karol Conka dá a pista de seu segundo álbum através do single Tombei, lançado na web neste mês de dezembro de 2014. A base do single é assinada pelo duo Tropkillaz, formado por Zegon com Gui Laudz. O sucessor do álbum Batuk freak (Deck, 2013) tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2015 e vai ser produzido por Zegon. Conka - em foto de Mariana Zarpellon - já havia feito conexão com o duo Tropkillaz em Boa noite (Karol Conka e Nave), música que a projetou em escala nacional ao ser lançada na web em 2011. Formatado entre Brasil e Europa desde outubro de 2014, o single Tombei teve produção adicional de David Corcos, também responsável pela mixagem da gravação, lançada (somente) em formato digital.
Maria Gadú vai lançar em 2015 seu terceiro disco de estúdio e de inéditas
♪ Maria Gadú - em foto de Marcos Hermes - vai virar mais uma página de sua discografia em 2015. Revelação da música brasileira em 2009, a cantora e compositora paulista vai lançar seu terceiro álbum de estúdio e de inéditas em 2015. O último álbum de estúdio de Gadú, Mais uma página (Slap), foi lançado em dezembro de 2011 sem a repercussão de Maria Gadú (Slap, 2009).
Retrô 2014: Alice cresce, (re)aparece e se torna a personalidade pop do ano
♪ Retrospectiva 2014 - Aos 24 anos, Alice Caymmi quebrou a onda que batia na praia de sua nobre família musical e se tornou a personalidade pop de 2014. No ano em que o Brasil celebrou o centenário de nascimento de seu avô. um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008), cujo cancioneiro foi tropicalizado por sua neta em janeiro no carnavalizante show Dorivália, a cantora e compositora carioca cresceu como intérprete e (re)apareceu com um segundo álbum, Rainha dos raios, que aprimorou o talento já visível no anterior Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012), disparando descarga elétrica na música brasileira contemporânea. E arrebatando críticos e personalidades como Nelson Motta, Paulo Borges e Roberta Sá, entre outros nomes influentes. Produzido por Diogo Strausz, Rainha dos raios foi lançado em setembro, em edição digital, pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Em novembro, ganhou edição física em CD. Em dezembro, deu origem a um show requintado, concebido e dirigido por Paulo Borges - o todo-poderoso da São Paulo Fashion Week - para ser gravado para exibição nos cinemas e edição de DVD em 2015. Aliado às ousadias estilísticas dessa cantora capaz de irmanar Caetano Veloso, MC Marcinho e Michael Sullivan em seu repertório, o visual estranho de Alice Caymmi - geralmente fora dos padrões e quase sempre imponente, provocante, para não dizer esquisito, como percebido na foto de Daryan Dornelles - ajudou a traduzir em imagem o temperamento forte da artista. Alvo de reportagens nos principais jornais do Brasil, tendo sido eleita a carioca do ano na área musical pela revista Veja Rio, Alice Caymmi sai consagrada de 2014, em sua própria praia, com ovação impensável para a menina tímida que debutou em disco em 2001, aos 11 anos, cantando música de sua meia-irmã Juliana Caymmi, Seus olhos, em faixa pouco ou nada ouvida de álbum de sua forte tia Nana Caymmi, Desejo (Universal Music, 2001). Não, não teve tempo ruim para Alice Caymmi em 2014.
domingo, 21 de dezembro de 2014
Após 30 anos, Robertinho de Recife revive Metal Mania em álbum digital
♪ Em 1984, Robertinho de Recife aderiu ao rock pesado, montou um projeto intitulado Metal Mania e lançou um LP com o grupo. Decorridos 30 anos, o guitarrista pernambucano remonta o projeto e volta ao mercado fonográfico - aos 61 anos - com o segundo disco do Metal Mania. Lançado em edição digital em 16 de dezembro de 2014, via Sony Music, o álbum Metal Mania - Back for more tem nove músicas e reapresenta o grupo com outra formação. Além de Robertinho, o atual Metal Mania é integrado por Fhorggio (DJ e sintetizadores), Junior Mauro (baixo), Raphael Sampaio (bateria) e Tibor Fittel (teclado). A capa de Back for more tem arte gráfica do carioca Thour Braga.
Retrô 2014: Juçara Marçal se agiganta ao encarar a morte em 'Encarnado'
♪ Retrospectiva 2014 - Juçara Marçal trouxe boas novas em 2014. Vocalista do Trio Metá Metá, a cantora e compositora paulistana sai de 2014 mais viva do que nunca ao encarar a morte em um primeiro atordoante álbum solo, Encarnado, que arrebatou a crítica. Figura fácil em todas as listas de melhores discos de 2014, Encarnado jorrou sangue ao enfiar a navalha na carne com o toque cortante das guitarras de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, músicos fundamentais na arquitetura deste disco cru, punk, por vezes até angustiante. Lançado em 18 de fevereiro em edição digital disponibilizada para download gratuito, Encarnado ganhou em abril uma artesanal edição física em CD, fabricado com serigrafia. No embalo da unânime consagração da crítica, Juçara promoveu o disco com shows que seduziram pequeno, mas quente e antenado, público. A morte lhe caiu bem.
Atriz Letícia Spiller participa de faixa do álbum que Pélico lança em 2015
♪ Postada por Pélico em sua página oficial no Facebook, a foto de Alexandre Eça mostra o cantor e compositor paulistano ladeado pela atriz Letícia Spiller (à esquerda) e a cantora Caru Ricardo. Letícia e Caru gravaram participação em faixa do quarto álbum de Pélico. Elas figuram em Repousar, música de Pélico lançada pelo cantor Toni Ferreira em álbum de 2013. Gravado com produção do baixista Jesus Sanchez no estúdio Sound Design, em São Paulo (SP), o disco de Pélico tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2015. O repertório autoral inclui músicas como Calado, Escrevo, O meu amor mora no Rio e Você pensa que me engana (gravada com o toque do cavaquinho de Rodrigo Campos), entre outras faixas ainda não reveladas.
'Duetos 2' é produto requentado, mas reitera força comercial de Roberto
♪ EDITORIAL - Duetos 2, CD e DVD de Roberto Carlos que a Sony Music pôs nas lojas neste mês de dezembro de 2014, é mais um produto requentado, improvisado para dar continuidade a uma discografia que vem agonizando artisticamente. Embora o sucesso avassalador da música Esse cara sou eu (Roberto Carlos) - lançada em EP posto nas lojas em novembro de 2012 - tenha provado que o Rei ainda tem lampejos da majestosa inspiração de outrora, Roberto Carlos vem adiando há anos a gravação de seu prometido álbum de inéditas. O último saiu em 2003, há longos 11 anos. É provável que não haja um próximo. E, por isso, a resolução desse caso sem solução é lançar registros ao vivo de shows e improvisar produtos como Duetos 2, que rebobina 12 números extraídos dos especiais de fim de ano do artista na TV Globo. Curiosamente, dez desses 12 números são de especiais exibidos entre 2005 e 2008. Parece ter havido acomodação até na seleção de repertório, que somente surpreende quando desencava o dueto de Roberto com seu amigo de fé Erasmo Carlos em Papo de esquina, música composta pela dupla em tom country e cantada pelos irmãos camaradas no especial de 1988. É fato que vale a pena ver de novo os encontros de Roberto Carlos com Alcione (com pot-pourri em que o Rei e a Marrom conversam através das letras das músicas de seu repertório), Jorge Ben Jor (o colega dos tempos juvenis vividos na Tijuca, bairro carioca da Zona Norte do Rio de Janeiro que marcou o encontro de Roberto com Erasmo Carlos, com Ben e com Tim Maia nos anos 1950), Marisa Monte (somente o fato de ver e ouvir Roberto cantando Amor, I love you, sucesso da cantora em 2000, já vale o número) e Rita Lee (com pot-pourri que mostra como o rock pop de Rita dialoga com o cancioneiro de Roberto nos tempos da Jovem Guarda). Em contrapartida, a inclusão do encontro com MC Leozinho no especial de 2006 - quando o cantor de pop funk e Roberto cantaram Ela só pensa em beijar, hit do MC naquele ano - resulta desnecessário. Afinal, o sucesso de Leozinho parece ter sido nuvem passageira na música brasileira. Seja como for, Duetos 2 reitera a força comercial de Roberto Carlos. Basta dizer que a tiragem inicial do CD é de 150 mil cópias. Já o DVD teve 180 mil exemplares distribuídos no mercado fonográfico brasileiro pela Sony Music. É muito para um produto requentado e para o atual momento da indústria nacional do disco. Sinal de que, apesar de todo o desprezo da crítica pela (morna) fase recente de sua carreira, o Rei ainda continua no trono.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Com Simoninha, Sabiá (re)cai no sambalanço no CD 'Nossa Copacabana'
♪ Cantor e compositor carioca que obteve projeção há dez anos ao participar da terceira edição do reality musical Fama, exibida pela TV Globo em 2004, João Sabiá (re)cai no sambalanço em seu terceiro álbum, Nossa Copacabana, lançado pela gravadora Coqueiro Verde Records. No disco, produzido pelo próprio Sabiá com Fred Ferreira, o artista apresenta safra inédita e autoral que gravita em torno do universo carioca - Copacabana é o bairro onde Sabiá nasceu - e do balanço do samba tal como propagado em vozes de Orlandivo e Wilson Simonal (1938 - 2000). A maioria das músicas é assinada por João em parceria com Guiga Sabiá, casos de Biriba, Brigada com Deus, Carne de sol, Ô Solange e Dona Diva e Seu Odilon (destaque do repertório com seu clima de gafieira). Guiga é irmão de João e figura fundamental neste disco de tom familiar, cuja capa expõe foto de João ainda pequeno, levantado pelos braços de seu pai na orla de Copacabana. Sucessor de My black, my nega (Independente, 2010), Nossa Copacabana foi gravado com participação do cantor e compositor carioca (radicado na cidade de São Paulo) Wilson Simominha, convidado do samba Manéra (João Sabiá e Guiga Sabiá). O álbum Nossa Copacabana alinha dez músicas.
Retrô 2014: Malta - a banda tornada 'superstar' - faz sucesso em todo o Brasil
♪ Retrospectiva 2014 - A crítica não gostou, mas o público adorou, comprou o disco e foi ao show. Banda paulistana de pop rock projetada em escala nacional no reality show Superstar (TV Globo), do qual saiu vencedora em julho, Malta sai de 2014 consagrada como um dos grandes sucessos musicais do ano. Indício da popularidade do grupo formado em setembro de 2013 em São Paulo (SP), a vitória esmagadora de Adriano Daga (bateria), Bruno Boncini (voz), Diego Lopes (baixo) e Thor Moraes (guitarra) no programa - exibido pela TV Globo de abril a julho de 2014 - rendeu ao quarteto um contrato com a gravadora Som Livre. E a azeitada máquina global produziu mais um superstar. Parte do público que deu a Malta o campeonato no Superstar com 74% dos votos já deve ter comprado o primeiro álbum da banda. Lançado em setembro, o CD Supernova movimentou cifras raras em tempos de pirataria física e virtual, fazendo a Som Livre pôr nas lojas mais de 200 mil cópias do disco em apenas quatro meses. Shows lotados por todo o Brasil e um single na boca do povo - Diz pra mim (Bruno Boncini), boa balada estrategicamente incluída na trilha sonora da novela Alto astral, da TV Globo - coroaram um ano que vai se tornar inesquecível na história (por enquanto, meteórica) da banda Malta.
Vid brilha ao subverter dez temas de Chico para o idioma do rock pesado
Resenha de álbum digital
Título: Rock 'n Chico
Artista: Sergio Vid
Gravadora: Edição digital independente
Cotação: * * * 1/2
Título: Rock 'n Chico
Artista: Sergio Vid
Gravadora: Edição digital independente
Cotação: * * * 1/2
♪ O cancioneiro de Chico Buarque nunca foi regravado com o peso que Sergio Vid dá às dez músicas do compositor carioca recriadas no disco Rock 'n Chico, recém-lançado em formato digital. É um peso literal. Vid (sub)verte as composições - lançadas entre 1968 e 1989 - para o inglês e para o idioma do rock pesado. Neste que é seu melhor disco, Vid vai além do trivial. Em bom português, Vid jamais se limitou a fazer sobressair uma guitarra no arranjo para dar mera pegada roqueira às músicas de Chico. A transformação é radical, mas encanta porque Vid preserva a arquitetura melódica das músicas, sobretudo às das canções. Mulheres de Atenas (Chico Buarque e Augusto Boal, 1976), por exemplo, vira balada à moda do grupo inglês Led Zeppelin com o título de Women of Athens. Olhos nos olhos (1976) gera Eye to eye no registro que remete ao som do trio canadense Rush. Já Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) fica sombria e com o título Portrait in black and white. O cancioneiro soberano de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) nunca soou tão dark. Mas o que cativa em Rock 'n Chico é que houve respeito pela obra do compositor. Em atividade na cena roqueira nacional desde o fim dos anos 1970, década em que foi admitido pelo guitarrista Celso Blues Boy (1956 - 2012) como vocalista da banda Legião Estrangeira, Vid (sub)verte Chico sem que sua desconstrução torne irreconhecível o cancioneiro do artista. Todo ouvinte vai identificar de imediato que I forgive you é Mil perdões (1983), por exemplo. Essa habilidade de desconstruir sem destruir é que torna sedutor esse projeto coerente com a trajetória de um roqueiro carioca que fez sua história ao longo da década de 1980, tendo integrado as bandas Sangue da Cidade (de 1981 a 1983), Bixo da Seda e Vid & Sangue Azul (com a qual sobreviveu aos anos 1990). Surgida em 1999, quando Vid gravou Hino de Duran (1979) em tom pauleira para songbook dedicado à obra de Chico, a ideia de Rock 'n Chico começou a ser concretizada em 2007. Sete anos depois, Vid apresenta este disco em que brilha, inclusive por preservar o sentido original das letras de Chico nas criteriosas versões em inglês. Cálice (Gilberto Gil e Chico Buarque, 1973), por exemplo, se transforma em Grail com naturalidade para uma música já em si imponente e que já tem todo um peso entranhado em sua natureza contestatória. De modo geral, as canções se prestam mais às subversões para o idioma do hard rock. Já o samba Partido alto (1972), por exemplo, parece soar fora do tom e da ordem na versão intitulada If you konw who you are, embora a letra em inglês seja respeitosa. Brejo da cruz (1984), que virou Swamp of the Cross, também perdeu parte de sua força neste disco produzido e arranjado por PH Castanheira (baixo, teclados e Hammond) com Ricardo Marins (guitarra, violão e Hammond). Assim como desaba a beleza harmônica de Morro Dois Irmãos (1989), apresentada como Two brothers hill. Em contrapartida, é impressionante como Deus lhe pague (1971) - vertida para o inglês com o título (May) God reward you - se enquadra com naturalidade na moldura do hard rock. A raiva embutida em seus versos já tem um peso todo próprio. No ano em que o Brasil celebra os 70 anos de vida do compositor, Sergio Vid expande o horizonte dessa obra ao abordar o cancioneiro de Chico Buarque sob um prisma realmente original.
Alagoana, Wilma Araújo cai no samba em álbum de toques nordestinos
♪ "Não uso chapéu de couro / Mas arrasto a sandália / No bom solo do sertão / Ouvindo o rei do baião / Mas quando a lua me chama / Sinto o corpo todo balançar / Sou nordestina faceira / Eu sei forrozar, mas também sei sambar", avisa a alagoana Wilma Araújo, expandindo seu território musical além das fronteiras nordestinas, em versos de Chamou, chamou (Carmem Melo), samba com toque de baião que se destaca no repertório de seu terceiro álbum solo, Feliz de quem se dá por inteiro (Independente, 2014). Wilma é cantora já conhecida em Maceió (AL), mas gravou seu terceiro CD no Recife (PE) de maio de 2012 a agosto de 2013, sob a direção musical do violonista Jorge Simas, produtor e arranjador do disco. Curiosamente, os dois frevos do disco - De chapéu de sol aberto (Capiba, 1972) e Ponta de lápis (Roberto Barbosa e Marcus Maceió) - são as únicas faixas gravadas fora do Recife, tendo sido formatadas em Maceió (AL). De todo modo, Feliz de quem se dá por inteiro é um disco de samba, ritmo que pauta músicas como Alguém que chora (Edu Krieger), Ó do bobó (Jorge Simas) e Se precisar (João Fernando e João Cavalcanti). Samba que ganha o rap do cantor alagoano Nando Rozendo em Pra clarear (Jorge Simas e Délcio Carvalho) e que se amalgama com o choro na bonita música-título Feliz de quem se dá por inteiro (Junior Almeida). Em seleção de sambas que se desvia do óbvio, Wilma vai do centenário Dorival Caymmi (1914 - 2008) - de quem a cantora junta em medley os sambas O dengo que a nega tem e Requebre que eu dou um doce, ambos lançados em discos de 1941 - aos contemporâneos Alvinho Lancellotti e Domenico Lancellotti, parceiros na composição de Boa hora. Com carreira fonográfica iniciada em 1998, a artista também se abriga na Casa do coração, erguida por Moacyr Luz com Roberto Didio e sustentada por Wilma Araújo no álbum Feliz de quem se dá por inteiro.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Wanda Sá exibe a jovialidade de sua bossa (ainda) nova em gravação ao vivo
Resenha de CD e DVD
Título: Wandá Sá ao vivo
Artista: Wanda Sá
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *
Título: Wandá Sá ao vivo
Artista: Wanda Sá
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *
♪ Além de ser uma síntese requintada do samba e de caracterizar uma forma de tocar e / ou cantar, a Bossa Nova é também - e talvez principalmente - um estado de espírito traduzido por eterna jovialidade. Aos 70 anos de idade e 50 de carreira, completados neste ano de 2014, Wanda Sá - cantora nascida em São Paulo (SP), mas de alma e vivência cariocas - sempre deu voz a uma música jovem pela própria natureza. No primeiro DVD solo de discografia que já contabiliza três registros audiovisuais feitos com Roberto Menescal (um deles, o DVD que registra programa Ensaio de 1991, foi lançado pela Trama em 2006 à revelia da artista), Wanda exibe a jovialidade de sua bossa ainda nova em gravação ao vivo de show captado em 19 de novembro de 2013 no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), com produção de Regina Oreiro e sob a direção de Gabriela Gastal. Nas lojas com distribuição da gravadora Biscoito Fino, nos formatos de CD e DVD, Wanda Sá ao vivo é retrato atemporal da eternidade de uma bossa que desconhece fronteiras geográficas e estéticas. Tanto que o show termina com Wanda às voltas com as síncopes do samba também sempre novo de Jorge Ben Jor, de quem revive o samba Por causa de você, menina (1963), entremeado com Chove chuva (Jorge Ben, 1963) no número finalizado com as presenças emblemáticas de Carlos Lyra, João Donato e Marcos Valle. De pé no palco do Espaço Tom Jobim, ladeando Wanda no instante final do show, os três ícones da música brasileira simbolizam ali a reverência a uma cantora que traduz bem o estado de espírito da Bossa Nova. Uma bossa que se renova, ainda que silenciosamente, com a composição de canções como a abolerada Pra sempre, única real novidade do roteiro, já que a outra música recente de Wanda Sá ao vivo - Novo acorde, parceria da cantora e (bissexta) compositora com os irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - é inédita em disco apenas no Brasil, já tendo sido lançada nos mercados fonográficos da Europa e do Japão. Mesmo sem cacife para se tornar um clássico da Bossa Nova, Pra sempre é música boa que merece menção especial por ser a primeira parceria de João Donato com Carlos Lyra. Os compositores participam do primeiro registro da música. Donato ao seu inconfundível piano de toque repleto de latinidade, também ouvido em A rã (João Donato e Caetano Veloso, 1974) e no medley que junta Minha saudade (João Donato e João Gilberto, 1959) com Bim bom (João Gilberto, 1959). Valle, ao violão e na interpretação do tema em dueto com a cantora. Em essência, Wanda Sá ao vivo exibe um show de bossa nova, expondo o canto macio de uma intérprete que pegou o espírito da coisa desde 1964, ano em que lançou seu primeiro álbum, Wanda Vagamente (RGE, 1964), cuja música-título é ouvida no DVD com o toque do piano de Marcos Valle. Nos seis primeiros números, Wanda aparece sentada, cantando e tocando seu violão, acompanhada por trio de piano (o de Adriano Souza), baixo (o de Dôdo Ferreira) e bateria (a de João Cortez). Nesse set, dois afro-sambas, Água de beber (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) e Consolação (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), se afinam com o espírito do show entre músicas que já nasceram entranhadas no clima da bossa, como Samba de uma nota só (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959) e Discussão (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1958). A partir do sétimo número, O que é amar (1961), standard do cancioneiro de um precursor, Johnny Alf (1929 - 2010), que apontou o caminho para Jobim e cia. no início dos anos 1950, Wanda fica de pé embora retome o banquinho e o violão em um outro número da metade final do show. Nas três faixas-bônus, gravadas no estúdio carioca Toca do Bandido sob a direção musical de Dori Caymmi, Wanda se junta a Dori e a Jane Monheit, cantora norte-americana de jazz. Dos três números, cabe destacar a sagaz lembrança do samba Coração sem saída (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 1996), lançado por Nana Caymmi no álbum Alma serena (EMI Music,1996). Na voz de Wanda, tudo é bossa nova. E isso é muito natural.
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