Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 9 de outubro de 2011

'Troubadours' perfila com sensibilidade trovadores solitários dos anos 70

Resenha de filme - Festival do Rio 2011 (Mostra Midnight Música)
Título: Troubadours - The Rise of Singer-Songwriter (Estados Unidos, 2011)
Direção: Morgan Neville
Cotação: * * * *
Documentário em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) em quatro sessões do Festival do Rio 2011

Na virada dos anos 60 para os 70, o sonho acabou. O rock - antes tão efervescente e donatário das modas e costumes do universo pop - deu sinais de cansaço. Foi nesse exato momento, antes da onda progressiva e da explosão punk, que uma leva de cantautores mais íntimos do folk se estabeleceu no mercado. É sobre essa cena - às vezes subestimada por parte da crítica - que o cineasta Morgan Neville dirige seu foco em Troubadours - The Rise of Singer-Songwriter, filme em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) em quatro sessões do Festival do Rio 2011. Com sensibilidade, o documentário perfila nomes como James Taylor e Carole King, presenças dominantes na narrativa por terem sido os maiores expoentes do gênero nascido e cultuado no clube The Troubadour, fundado em 1957 por Doug Weston (1926 - 1999) em Los Angeles (EUA). Entre 1967 e 1975, o Troubador foi o elo entre os trovadores solitários e intimistas. Costurando depoimentos recentes com cenas de arquivo, com destaque para os número em que os então jovens Carole King e James Taylor cantam suas respectivas músicas (You Make me Feel Like) A Natural Woman e Fire and Rain, Troubadours tem estrutura tradicional, mas envolvente. Sem maquiar os fatos ou endeusar os artistas e a própria cena. "(Cantar no Troubadour) era uma forma de atrair a atenção das garotas", simplifica um sincero David Crosby. O mergulho de alguns trovadores nas drogas (de início a maconha e, depois, a cocaína) - sobretudo o de Taylor - também é enfocado. Embora o foco principal do filme repouse compreensivelmente em Taylor e King, astros dos shows que celebrararam a era do Troubadour a partir de 2007, o documentário também lembra que a canadense Joni Mitchell foi celebrada por expor em sua obra uma visão de fora da sociedade norte-americana da época e que o britânico Elton John era um estranho naquele ninho californiano. Troubadours recorda ainda que Elton foi uma das vítimas dos contratos leoninos impostos pelo egocêntrico Doug Weston para artistas iniciantes que buscavam um lugar no Troubadour no auge da casa. Na reta final, o filme adquire ar nostálgico e reflexivo ao documentar a volta de Taylor e King à casa na qual fizeram seus nomes. No todo, Troubadours cativa por retratar sem firulas uma cena que marcou época e que, por isso mesmo, merece sempre ser (re)avaliada com isenção.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sem status de filme, documentário sobre 'Raw Power' é bônus do álbum

Resenha de filme - Festival do Rio 2011 (Mostra Midnight Música)
Título: Search and Destroy - Iggy & The Stooges's Raw Power (Estados Unidos, 2010)
Direção: Morgan Neville
Cotação: * * 1/2
Documentário em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) em seis sessões no Festival do Rio 2011

Em 2010, a gravadora Sony Music lançou reedições especiais de Raw Power,  álbum de 1973 que - gravado em condições adversas por Iggy Pop e o grupo The Stooges em 1972 -  espalhou a semente punk que iria germinar com força nos Estados Unidos já em 1974 e, em tom mais explosivo, na conturbada Inglaterra de 1976. A reedição mais luxuosa do disco fundamental dos Stooges trazia de bônus um DVD que exibia o documentário Search and Destroy - Iggy & The Stooges's Raw Power, dirigido por Morgan Neville. É este documentário de 45 minutos que está sendo exibido no Festival do Rio 2011 em seis sessões programadas dentro da mostra Midnight Música. Bem, Search and Destroy - Iggy & The Stooges's Raw Power não tem o status de filme. É, antes, convencional documentário típico de extras de DVD. Com poucas imagens da banda em cena (há trechos da apresentação de Iggy Pop e dos Stooges na edição de 2009 do festival Planeta Terra, realizado anualmente em São Paulo), o diretor se limita a encadear depoimentos dos Stooges sobreviventes e de músicos que escolheram seus caminhos na vida e na música por conta de Raw Power - casos de Chrissie Hynde (que iria formar o grupo The Pretenders em 1978 no rastro da explosão punk) e de Johnny Marr (que fundaria o grupo The Smiths em 1982 na cena pós-punk da Inglaterra). "Eu queria somente ser um músico. Quanto ao resto,  a sociedade é a culpada", conclui Iggy Pop ao fim dos 45 minutos. São do vocalista os melhores depoimentos alinhados no filme. É hilário o momento em que Iggy conta que teve overdose e desmaiou no meio da criação de uma das letras do disco, retomada assim que o artista recobrou a consciência. Contudo, a reunião de alguns depoimentos sinceros e espirituosos resulta insuficiente para fazer de Search and Destroy - Iggy & The Stooges's Raw Power  um filme à altura do histórico álbum reposto em foco. A rigor, o documentário de Morgan Neville parece mesmo extra de DVD sobre o grupo, criado em 1967 e desfeito em 1974.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Filme 'Funkytown' foca glamour e decadência da 'disco music' no Canadá

Resenha de filme - Festival do Rio 2011 (Mostra Expectativa 2011)
Título: Funkytown (Canadá, 2011)
Direção: Daniel Roby
Roteiro: Steve Galluccio
Elenco: Patrick Huard, Justin Chatwin, Sarah Mutch, Paul Doucet, Raymond Bouchard, François LéTorneau e Romina D'Ugo
Cotação: * * * 1/2
Filme em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) em cinco sessões do Festival do Rio 2011

Título do maior sucesso da banda norte-americana Lipps Inc, lançado em 1980, Funkytown é também o nome do filme que foca a aura de glamour e (posterior) decadência da disco music no Canadá entre 1976 e 1980. Em cartaz em cinco sessões do Festival do Rio 2011, no Rio de Janeiro (RJ), Funkytown reproduz a atmosfera de outro filme sobre os embalos de sábado à noite, Studio 54 (1998). Se Studio 54 narrava a história de personagens que gravitavam em torno da homônima e lendária discoteca de Manhattan (Nova York, EUA), Funkytown dirige seu foco para o Starlight, clube canadense que agrega egos que sugam ao máximo todo o aparente glamour da era das discotecas. Ao som de deliciosa trilha sonora que inclui hits como Daddy Cool (Boney M, 1976) e Don't Let me Be Misunderstood (Santa Esmeralda, 1977), além de inusitada versão em francês de I Love to Love (Tina Charles, 1976), os personagens se entrelaçam em trama que expõe todo o comércio de sexo, cocaína e sucesso na indústria do disco que fazia parte daquele universo. Há claras referências ao filme que cristalizou a era dos dancin' days, Saturday Night Fever (1977), sobretudo na cena em que o enrustido gay Tino (Justin Chatwin, com penteado e figurino à moda de Tony Manero, o célebre personagem de John Travolta) se joga na pista do Starlight. À medida em que se aproxima o fim do reinado da disco music, os personagens de Funkytown começam a buscar outros caminhos, não necessariamente fora da trilha da decadência. Enfim, por mais que deixe a impressão de apresentar uma história já contada, o filme envolve o espectador pelo roteiro ágil (apesar de seus 133 minutos) - com direito a uma crítica sobre a soberania da disco music nas paradas mundiais da segunda metade dos anos 70 - e por expor na tela uma música ainda sedutora e uma cena efervescente que, com o passar do tempo, adquiriu aura mitológica no universo pop.